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Festival Atsá Puyanawa: celebração de identidade, tradição e resistência

Foto: Assessoria
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Com o tema central voltado à cultura, espiritualidade e identidade de um povo, a 7ª edição do Festival Atsá Puyanawa, realizado na Terra Indígena Puyanawa Barão Ipiranga, no município de Mâncio Lima, encantou visitantes do Brasil e do mundo que prestigiaram nessa sexta-feira, 18 a abertura das festividades.

Mais que uma celebração, o evento é a afirmação da força de um povo que resistiu à colonização, as correrias, preservou seus saberes ancestrais e hoje compartilha com orgulho sua história e tradições.

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Foto: Assessoria

“Através do festival do povo Puyanawa, conseguimos expressar nossa preocupação com a preservação ambiental, algo essencial para a nossa região. É gratificante ver a participação dos três poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — unidos em apoio à cultura e às tradições dos povos indígenas. Isso mostra que estamos de mãos dadas, cuidando do nosso povo”, destacou o prefeito Zé Luiz.

Berço dos povos Puyanawa, Nawa e Nukini, Mâncio Lima tem investido em parcerias estratégicas para valorizar as culturas indígenas. Por meio de emenda do deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, a Prefeitura firmou um convênio de R$ 100 mil para apoio direto ao festival. Além disso, em articulação com os deputados Nicolau Júnior e Zezinho Barbary, está sendo implantado um sistema de abastecimento de água na aldeia, com investimento superior a R$ 250 mil.

“Essas ações são fundamentais para promover não só a cultura, mas também o desenvolvimento econômico. Todos os expositores e fornecedores do festival são moradores da aldeia, o que fortalece a geração de renda local e garante autonomia econômica ao povo Puyanawa”, finalizou o gestor.

Foto: Assessoria

Ao longo dos seis dias de evento, a aldeia inteira mergulha em um clima de celebração e pertencimento. Crianças, jovens, adultos e idosos participam de rituais espirituais, danças tradicionais, atividades esportivas e apresentações culturais que contam, em cada gesto e canto, a história viva de seu povo. Os visitantes se sentem parte desse universo simbólico e afetivo, aprendendo com os saberes tradicionais e vivenciando a imersão na cultura da floresta.

Foto: Assessoria

Entre os participantes desta edição, estão turistas de cinco países: Estados Unidos, Grécia, Bélgica, Alemanha e Estônia. Um dos depoimentos que emocionaram foi o da estoniana Tuuli Roosma, que veio ao festival acompanhada do marido e dos dois filhos.

“Somos da Estônia e trabalhamos mostrando diferentes culturas pelo mundo. Durante uma visita ao povo Huni Kuin, soubemos do festival Puyanawa e decidimos vir mesmo sem conhecer ninguém. Fomos recebidos com muito carinho e nos impressionamos com a força espiritual e cultural dessa comunidade. Apesar de pequena em número, a cultura Puyanawa é grandiosa, rica e cheia de significado. Viemos com nossos filhos porque acreditamos que é essencial que eles conheçam e respeitem culturas ancestrais. Tudo aqui tem um valor profundo”, contou Tuuli. A entrevista foi acompanhada e traduzida pelo grego Ionannis Orfanos, desde a primeira edição que ele participa das festividades e colabora com a recepção dos visitantes de línguas estrangeiras.

Foto: Assessoria

Para o cacique Joel Puyanawa, que também é vereador de Mâncio Lima, o festival é mais que uma celebração: é um marco de fortalecimento da identidade do povo.

“Estamos muito felizes com o entusiasmo da comunidade neste momento de reconexão com nossa cultura e espiritualidade. Temos orgulho da nossa capacidade de transmitir os conhecimentos ancestrais, da culinária às danças e rituais. Recebemos pessoas de vários lugares, que vêm conhecer nossa medicina tradicional e sentir a energia da nossa floresta. Estamos de coração aberto para compartilhar tudo isso”, declarou.

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Dona Railda Manaíta Puyanawa, de 93 anos, é um dos maiores tesouros vivos da aldeia. Testemunha dos tempos de colonização e da resistência de seu povo, ela expressou com emoção o orgulho que sente ao ver a cultura Puyanawa viva e celebrada.

“Quando eu era menina, vi o sofrimento do nosso povo. Era tudo proibido: a fala, a reza, a nossa cultura. Mas nós resistimos. Hoje, ver nossas crianças cantando na nossa língua, dançando, rezando com alegria é uma bênção. Me sinto feliz e agradecida por ter vivido para ver esse momento. Nosso povo lutou muito para mostrar ao mundo quem somos”, disse emocionada.

Foto: Assessoria

O festival também é uma reverência à mandioca, alimento base da aldeia e matéria-prima da caiçuma, bebida tradicional presente em todos os rituais. É através da macaxeira que se mantém a economia local e também se celebra a abundância da terra.

Durante a abertura oficial, lideranças políticas e autoridades marcaram presença. O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Nicolau Júnior, destacou o compromisso do poder público com as pautas indígenas.

“A presença do Estado nesse festival é fundamental. O evento já é conhecido em todo o Acre e atrai visitantes do Brasil e do mundo, movimentando a economia local e fortalecendo a cultura. A Assembleia tem uma comissão permanente voltada aos povos indígenas e seguimos comprometidos em apoiar e respeitar essas comunidades. Quem tiver a oportunidade de participar do festival vai se encantar com a organização e com a força cultural do povo Puyanawa”, afirmou o parlamentar.

Foto: Assessoria

Mais que um evento, o Festival Atsá é a expressão viva de um povo que resiste, celebra e inspira. Um encontro com a ancestralidade, com a natureza e com o futuro. As atividades continuam até o dia 25 de julho com o encerramento. Aos interessados em participar tanto de maneira individual quanto em grupo devem acessar o site do festival e conhecer os pacotes que são oferecidos desde o ingresso individual.

De acordo com a organização, a expectativa é que durante os seis dias de festividades a aldeia receba em torno de sete mil pessoas.

Foto: Assessoria

Durante os dias do Festival Atsá Puyanawa, uma equipe da Secretaria Municipal de saúde estarão e uma tenda oferecendo vacinas, com destaque para a campanha de intensificação da vacinação contra o sarampo, testes rápidos, teste rápido pra malária e dengue e com a presença de enfermeiro. A ação é um reforço para os profissionais da saúde indígena.

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