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Resex Chico Mendes se torna área de proteção mais ameaçada por desmatamento na Amazônia

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O estudo Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas: SAD de Novembro de 2019 a Janeiro de 2020, divulgado recentemente pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostra que a Reserva Extrativista Chico Mendes (AC) passou do terceiro para o primeiro lugar entre as Áreas de Proteção (APs) mais ameaçadas pelo desmatamento.

O relatório trimestral analisa os dados do SAD, sistema de monitoramento do Instituto, e cruza as informações com células de desmatamento para medir o nível de ameaça e pressão nessas áreas. A pesquisa analisa o período que compreende os meses entre novembro do ano passado e janeiro deste ano.

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Nesse intervalo, o Imazon detectou um total de 769 km² de floresta derrubada na Amazônia Legal. Das 2.802 células que tiveram ocorrência de desmatamento, 56% indicam Ameaça e 44% demonstram Pressão em APs. O número de células com ocorrência de desmatamento de novembro de 2019 a janeiro de 2020 é 143% superior ao registrado de novembro de 2018 a janeiro de 2019.

No comparativo com o ano passado, Resex Chico Mendes, que completou 30 anos de criação nesta quinta-feira, 12 de março, passou da terceira posição para o topo do ranking das Áreas de proteção mais ameaçadas. Já na relação das áreas mais pressionadas, a Resex acreana teve movimento inverso, passando do primeiro para o terceiro lugar. A atual primeira colocada nesse quesito é a Terra Indígena Yanomami (PA).

De acordo com o Imazon, Ameaça é a medida do risco iminente de ocorrer desmatamento no interior de uma área protegida. O Instituto utiliza uma distância de 10 km para indicar a zona de vizinhança de uma AP, onde a ocorrência de desmatamento indica ameaça. Já a Pressão ocorre quando o desmatamento se manifesta já no interior da área protegida, o que pode levar a perdas ambientais e até mesmo redução ou redefinição de limites da Área Protegida.

30 anos da Resex Chico Mendes

A divulgação do estudo do Imazon coincidiu com a celebração dos 30 anos de criação da Reserva Extrativista Chico Mendes, ocorrida na última quinta-feira, 12. Na data foram realizados atos em protesto contra o Projeto de Lei nº 6.024/19, de autoria da deputada federal Mara Rocha (PSDB/AC), que pretende reduzir a área da Unidade de Conservação e alterar a classificação do Parque Nacional da Serra do Divisor.

Em Brasília, na Câmara dos Deputados, foi lançada uma campanha por seringueiros e indígenas em defesa das reservas extrativistas no Brasil e contra o projeto da parlamentar acreana. Em Brasiléia, foi realizada uma audiência pública com pauta semelhante. No encerramento do evento, os manifestantes caminharam pelas ruas da cidade e se dirigiram ao escritório do ICMBio, onde uma comissão foi recebida para discutir algumas reivindicações.

Boletim do desmatamento da Amazônia Legal (fevereiro 2020)

O SAD detectou, em fevereiro deste ano, 102 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, um aumento de 10% em relação a fevereiro de 2019, quando o desmatamento somou 93 quilômetros quadrados. O desmatamento ocorreu no Pará (30%), Mato Grosso (29%), Roraima (12%), Amazonas (10%), Rondônia (9%), Tocantins (7%), Amapá (2%) e Acre (1%).

Nesse período, as florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 37 quilômetros quadrados, enquanto em fevereiro de 2019 não houve detecção de degradação florestal. Em fevereiro de 2020 a degradação foi detectada no Mato Grosso (38%), Rondônia (32%), Amazonas (22%), Pará (5%) e Roraima (3%).

A maioria (65%) do desmatamento registrado em fevereiro deste ano ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante do desmatamento foi registrado em Assentamentos (16%), Unidades de Conservação (10%) e Terras Indígenas (9%).

Clique aqui para ler o boletim na íntegra.

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