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Influência de eleitorado evangélico faz pré-candidatos ao governo do Acre assumirem agenda religiosa

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O crescimento a cada ano do eleitorado evangélico no Acre faz os principais pré-candidatos ao Palácio Rio Branco a já assumirem a agenda defendida por este segmento da sociedade antes mesmo do início oficial da campanha. Nos bastidores, as articulações para obter o apoio dos principais líderes das dominações são intensas.

O impacto maior recai sobre o PT, partido de linha ideológica de esquerda e que se vê obrigado a abrir mão de suas bandeiras liberalizantes – incluindo o casamento gay – para não perder votos dentro da igreja.

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Exemplo evidente foi o debate em torno do polêmico Estatuto da Família defendido pela bancada evangélica da Câmara de Rio Branco, que não reconhece a relação entre pessoas do mesmo sexo como união estável.  Nos bastidores os petistas orgânicos criticam de forma veemente a proposta, mas em público preferem o silêncio.

O único a fazer a defesa clara do estatuto é justamente o pré-candidato do partido ao governo, o ex-prefeito Marcus Alexandre. Convertido ao protestantismo, Marcus tenta se desvencilhar do conteúdo programático do PT, que além do casamento gay apoia a descriminalização do aborto e da maconha.

Todas as três pautas são completamente condenadas pelos evangélicos e católicos. A conversão forçada do petismo acreano aos ideais cristãos é vista como estratégia de sobrevivência do partido no poder, numa eleição apontada como a mais acirrada já disputada desde que assumiu o governo, em 1999.

Contra Marcus há o peso do adversário, o senador Gladson Cameli (PP), de um partido definido como de centro-direita e visto como mais identificado com valores mais conservadores, como o de “família tradicional”. Para acenar com o eleitorado evangélico, Gladson subiu no palco da última marcha contra o crack organizada por igrejas protestantes no sábado (28).

O pré-candidato teve a imagem apresentada como o do político compromissado com a causa cristã. Gladson Cameli terá em seu palanque os nomes vistos como os mais influentes nas maiores denominações evangélicas, enquanto o PT também tenta arregimentar o maior número possível destes líderes para apoiar Marcus Alexandre.

A influência deste segmento da população na política se dá não somente na disputa majoritária, mas, sobretudo, na proporcional. A cada pleito o crescimento de parlamentares evangélicos é significativo no Congresso, unindo-se a outros setores conservadores como os ruralistas e defensores das armas, criando a chamada bancada BBB – da bala, da Bíblia e do boi.

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