Menu

A política é ainda o principal meio de vida do Acre

Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

Quem não acreditar basta acompanhar as redes sociais. O desespero e a agressividade com que as pessoas que têm cargos de confiança seja do Governo, prefeituras ou gabinetes parlamentares reagem a qualquer informação é impressionante. Existe um verdadeiro pânico de uma derrota eleitoral porque ela significará para muitos o “desemprego”. Então o debate não é apenas ideológico, mas pela sobrevivência. Por exemplo, quem tem ligações com a FPA e tem seu “empreguinho” garantido sabe que se o grupo apear do poder vai para a rua. Já o pessoal da oposição sonha exatamente com essa vaga que ficará aberta no caso de uma vitória. Portanto, uma eleição no Acre é algo inédito no Brasil. Significa sobrevivência e não opção pelo que é o melhor para a sociedade.

Por que isso acontece?
O Estado não conseguiu gerar oportunidades suficientes para uma vida independente aos seus cidadãos e cidadãs.  Existem muito poucos empregos na iniciativa privada. O que movimenta a economia do Acre são as máquinas federais, estaduais e municipais.

Anúncio

Frustração
Não foi falta de esforço das autoridades. Mas acho que erraram o foco. A ZPE, por exemplo, em Senador Guiomard, o atual Governo gastou milhões. Depois de três anos ainda nenhuma empresa se instalou na zona de produção e exportação.

A realidade
Como uma indústria de grande porte vai instalar-se no Acre? Existem problemas com a energia elétrica de péssima qualidade e a mais cara do Brasil. O combustível também é o mais caro do país. As estradas ainda são insipientes e têm limitações de tonelagem. Assim fica difícil.

Logística complicada
Além dos problemas de infraestrutura básica, o Acre é o estado mais ocidental do Brasil. Fica há mais de três mil quilômetros dos principais centros comerciais e portos do país. Tem a saída para o Pacífico, mas que ainda não está completamente concretizada por depender do Peru.

As tentativas de solução
Os governos de Jorge Viana (PT) e Binho Marques (PT) apostaram, na minha opinião, corretamente numa economia florestal. Mas a proposta para tornar-se realidade precisava de mais tempo. As necessidades eleitorais fizeram com que a proposta fosse abandonada.

Novas buscas de soluções
O atual Governo de Tião Viana (PT) apostou todas as fichas numa tentativa de industrialização que, por enquanto, não resultou em nada. É verdade que algumas novas empresas surgiram, mas nada que pudesse gerar os empregos que os acreanos necessitam.

Erro de foco
Não pretendo ser o dono da verdade. Como analista emito simplesmente a minha opinião. Mas o Acre deveria ter apostado mais no seu mercado interno. Aliás, foi isso que o PT nacional fez com a nossa economia nos seus três governos seguidos.

Desnecessário
Outro erro dos governos da FPA foi criar indústrias com dinheiro público para entregar ao empresariado. Isso é um absurdo. A fábrica de tacos de Xapurí não é mais nem sombra do que era. A Álcool Verde um fracasso. E vai por aí!

Outro lado
Claro que algumas iniciativas tiveram bons resultados. Como é o caso da Natex e da fábrica de frangos de Brasiléia. O Dom Porquito também poderá resultar em produtividade. Mas é muito pouco para atender a demanda de mais de 700 mil acreanos.

O papel de cada um
Na minha opinião, o Governo deveria ater-se em investimentos relacionados a infraestrutura do Estado. E deixar as iniciativas produtivas para os empresários. Cada um no seu papel e as coisas ficarão mais fáceis. Essa tentativa dos tentáculos estatais tentarem controlar tudo é uma falácia.

Aposta no positivo
Acho uma asneira apostar no caos. Ou seja, quanto pior melhor. Não penso assim. Mas essas eleições serão uma oportunidade para um debate saudável sobre o Acre real. Tirem as propagandas inócuas do ar. Debatam sobre soluções para a economia acreana diante do que já foi feito e do que ainda poderá ser feito.

Otimista
Acredito na potencialidade do Acre. A floresta com a sua riqueza extrativista incalculável, os milhares de hectares já abertos de pastos para gado, a logística dos rios, as pequenas fábricas de manufatura, o artesanato. Existem sim soluções! Mas é preciso humildade e trabalho com os potenciais naturais do Estado. E não querer inventar a roda de novo.

As eternas eleições acreanas
Outro fator que prejudica sobremaneira a economia do Acre é o eterno clima de disputa eleitoral. As eleições parecem não acabar nunca no Estado. E depois de cada pleito vencedores e derrotados não descem do palanque. As intrigas continuam, enquanto a população padece de soluções para o seu dia-a-dia. Vejam o caso da possibilidade de isolamento do Estado por causa da cheia do Rio Madeira. Por um lado, o Acre não tem produção interna suficiente para manter-se caso a ligação com Rondônia seja fechada. E mesmo com a crise eminente o governador Tião Viana (PT) em nenhum momento convocou a bancada federal acreana para ajudar na crise. Um absurdo que pode e deve ser corrigido. E as próximas eleições serão um momento oportuno para ver se a população acreana concorda com esse modelo ou se deseja uma mudança. No mais é só desejar que a vontade da maioria seja respeitada democraticamente.

 

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.