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Sob pressão de Lula, Haddad deve ser candidato ao governo em SP

Presidente Lula conversa com ministro Fernando Haddad durante solenidade no Palácio do Planalto — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deve ser candidato ao governo de São Paulo contra o atual governador e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo fontes do PT, Haddad teria aceitado disputar o comando do Estado depois de pedidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar o palanque petista no maior colégio eleitoral do país. O ministro e o presidente tinham previsão de jantar no Palácio da Alvorada na quinta-feira (26) para definir quando o ministro deixará o governo e para tratar da pré-candidatura.

Haddad desconversou, antes do jantar, ao ser questionado sobre a candidatura. “Estou conversando com o presidente. Não vou cometer a deselegância de antecipar uma conversa que eu vou ter com ele”, disse a jornalistas, em Brasília. O ministro disse que já conversou com Lula duas vezes sobre a eleição paulista, mas afirmou que as reuniões não foram conclusivas. “Vamos, possivelmente, ter outras conversas”, disse o petista. A esposa do ministro, Ana Estela Haddad, secretária de informação e saúde digital do governo federal, também participou do encontro.

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O anúncio oficial poderá ser feito na próxima semana. A informação foi antecipada pelo UOL e confirmada pelo Valor com dirigentes do PT envolvidos na construção da estratégia eleitoral do partido.

Haddad relutava em disputar o governo paulista e dizia ter interesse em participar da campanha à reeleição de Lula. Sobre a pressão do presidente e do PT para concorrer em São Paulo, costumava dizer que já tinha cumprido outras missões dadas pelo partido.

O ministro foi prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016, mas não conseguiu se reeleger. A disputa por um novo mandato foi no mesmo ano em que o PT enfrentava o desgaste da Operação Lava-Jato e a então presidente Dilma Rousseff sofreu um impeachment. Haddad perdeu no primeiro turno para João Doria, então filiado ao PSDB. Outra “missão do PT” citada por Haddad foi a eleição de 2018, quando Lula estava preso e ele disputou a Presidência. Chegou ao segundo turno, mas perdeu para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2022, em uma nova “missão” dada por Lula, concorreu ao governo do Estado contra Tarcísio. Apesar de ter sido derrotado no segundo turno, deu o melhor resultado eleitoral ao PT no Estado, e ajudou a garantir uma votação expressiva para Lula contra Bolsonaro.

O PT nacional e paulista têm reforçado que Haddad é a “única” opção para disputar o governo de São Paulo, e que o ministro só não será candidato se não quiser. Haddad é cotado ainda para o Senado.

Dirigentes nacionais e estaduais do PT demonstram preocupação com a demora para definir o palanque em São Paulo, enquanto o governador e pré-candidato à reeleição tem rodado o Estado e costurado uma ampla aliança com a centro-direita.

O PT nunca venceu a eleição em São Paulo e só foi para o segundo turno da disputa pelo governo duas vezes: em 2002, quando Lula se elegeu pela primeira vez e o candidato no Estado era José Genoino, e com Haddad em 2022.

A disputa contra Tarcísio é vista pela esquerda como difícil, já que o governador tem um amplo leque de alianças, tem força no interior e está no comando da máquina pública. Lula e o PT, no entanto, tentam construir um palanque forte no Estado para a disputa presidencial, e buscam levar a disputa paulista ao segundo turno para dar uma boa votação ao presidente.

As ministras do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), e do Planejamento, Simone Tebet (MDB), também devem disputar a eleição em São Paulo e são cotadas para o Senado ou para a vice. Sem espaço dentro do Rede, Marina negocia com PT sua filiação. Em articulação comandada por Lula, Simone estuda migrar para o PSB para concorrer, e transferir seu colégio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo. O MDB, atual partido de Simone, apoia Tarcísio no Estado.

Enquanto o PT ainda não tem candidatos definidos no Estado, Tarcísio negocia com o PL e o PSD a vice e tem o deputado federal Guilherme Derrite (PP) como candidato ao Senado. Ontem, o Novo anunciou oficialmente apoio à reeleição do governador.

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