Menu

Funk mais viralizado do momento é acusado de fazer apologia ao estupro

Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

A música mais viralizada do momento no Spotify, um dos principais serviços de música do mundo, tem sido acusada de fazer apologia ao estupro. Lançado no final de 2017, o funk “Só Surubinha de Leve”, de MC Diguinho, um hit já presente nos fluxos e pancadões, alcançou nesta semana o topo do ranking Brazil Viral 50 e chegou ao 9° lugar na lista mundial da plataforma de streaming.

O vídeo com o áudio somou 14 milhões de visualizações em um mês no YouTube e o clipe oficial está previsto para ser lançado nesta quarta-feira (17) às 21h. Com o feito, o funk poderia ser candidato fácil a hit do Carnaval, isso se a composição não tivesse incomodado tantas pessoas.

Anúncio

Além de trazer conteúdo depreciativo às mulheres (há frases como “só uma surubinha de leve com essas filha da put*” e “pode vir sem dinheiro, mas traz uma piranha aí”), o verso principal da música sugere embriagar intencionalmente uma mulher para depois estuprá-la: “Taca a bebida, depois taca a pica e abandona na rua”, diz a letra.

A reação nas redes sociais foi de revolta. Em um dos posts mais compartilhados no Instagram, a estudante de artes visuais Yasmin Formiga aparece com uma maquiagem simulando agressão e segurando nas mãos um cartaz com o verso da música de Diguinho.

“Sua música ajuda para que as raízes da cultura do estupro se estendam. Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa”, protestou a estudante. “Não tem mais para que ‘aceitar’ músicas que nos diminuem diariamente, passou do tempo de naturalizar esse tipo de coisa”, diz o texto publicado pela paraibana.

“Música será retirada”

O Spotify afirmou ao UOL que, em contato com a distribuidora da música “Só Surubinha de Leve”, foi avisado que a faixa será retirada, “uma vez que o tema foi trazido à nossa atenção”. “A música está atualmente no Top Viral pois teve um pico de consumo nos últimos dias”, informou a empresa.

A música chegou a ser excluída no final da tarde desta quarta-feira e desapareceu da lista dos virais, mas voltou ao catálogo minutos depois. Contrariando a decisão da plataforma, outra distribuidora publicou a mesma faixa como lançamento. O Spotify voltou a afirmar que a faixa será retirada nas próximas horas.

Na Deezer, outra plataforma de streaming popular no Brasil, a música já foi retirada do catálogo. “Estamos em processo de análise de outros conteúdos para tomar as providências cabíveis”, afirmou a empresa. A música também foi excluída da Apple Store. O YouTube ainda não se posicionou sobre a campanha.

Após a polêmica, Diguinho trancou seus perfis no Instagram e no Twitter, onde nos últimos dias divulgava trechos da gravação do clipe. O UOL tentou contato com o telefone da produtora do funkeiro, mas não obteve retorno até o momento.

“Vai, Faz a Fila”

Não é “Só Surubinha de Leve” que está no alvo das críticas: outro funk na lista dos virais do Spotify também fala sobre sexo não consensual. “Vai, Faz a Fila”, de MC Denny, aparece em 30º lugar com versos como: “Vou socar na tua b***** sem parar/ e se você pedir pra mim parar, não vou parar/ Porque você que resolveu vir pra base transar/ então vem cá, se você quer, você vai aguentar”.

Em outro trecho, o funkeiro afirma que a mulher terá que fazer fila para “f*der com três, com seis, 16, sei lá”.

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.