Mais de 50 pessoas participaram do primeiro encontro do grupo de combate ao tabagismo da Unidade de Saúde da Família (USF) Maria Verônica, realizado nesta sexta-feira (16). O número representa um feito inédito no município e evidencia a alta adesão da população às ações de enfrentamento ao uso do cigarro.
Ao todo, 54 participantes estiveram presentes no encontro, que marcou o início das atividades do grupo e teve como foco o incentivo à mudança de hábitos, a troca de experiências e o apoio coletivo no processo de abandono do tabaco.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, destacou que o recorde de participação demonstra a confiança da população nos serviços ofertados pela Atenção Básica e reforça a importância da ampliação dessas ações.
“Reunir mais de 50 pessoas em um grupo de combate ao tabagismo, logo no primeiro encontro, mostra que a população está buscando ajuda e que a rede municipal de saúde está preparada para acolher essa demanda. Nosso compromisso é fortalecer essas iniciativas e ampliar o acesso ao tratamento em outras unidades”, afirmou o secretário.
Entre os relatos que chamaram a atenção esteve o da doméstica Maria Raimunda Costa, de 59 anos, que convive com o tabagismo há mais de quatro décadas e fez um alerta aos participantes.
“Nunca fume, evite o primeiro cigarro. Fumo há 42 anos e comecei com 13. A única coisa que eu posso dizer é: nunca fume. Não faz bem nem para a saúde nem psicologicamente”, relatou.

Mãe de duas filhas, Maria Raimunda afirmou que o maior medo sempre foi que elas seguissem o mesmo caminho. “Eu queria parar por elas, para que não fizessem a mesma coisa que eu. Eu fumo, mas não gosto. Já gostei muito, mas hoje fumo pensando no que as pessoas veem”, disse.
A enfermeira Almizeth de Oliveira, responsável pelos encontros na unidade, explicou que o grande número de participantes reforça a importância do cuidado coletivo no tratamento do tabagismo.
“Quando o paciente se reconhece na história do outro, ele entende que também é capaz. Ver o outro avançando faz diferença no processo de cuidado. Sozinho, a fragilidade aparece com mais facilidade”, afirmou.
Dados de 2025 do Ministério da Saúde indicam que, após duas décadas de queda, o número de fumantes voltou a crescer no país, o que torna iniciativas com alta adesão ainda mais relevantes. No Acre, histórias como a do aposentado Reginaldo Lopes, de 66 anos, refletem esse cenário.

Fumante desde os 25 anos, ele relatou que o apoio do grupo tem sido decisivo. “Meus netos sempre pedem para eu parar. Moro sozinho e, às vezes, a tristeza dá vontade de fumar. Mas agora eu vou conseguir, com a ajuda desse grupo”, afirmou.
Para a chefe da Divisão de Controle do Tabagismo, Arlene Moura, o recorde de participação demonstra que a população está buscando apoio e que o trabalho em grupo potencializa os resultados.
“Tivemos um recorde de inscrições. A interação fortalece a adesão ao tratamento, cria vínculos e promove a troca de experiências, fatores essenciais para a cessação do tabagismo”, destacou.
Com a alta procura, novos grupos já estão sendo organizados em outras unidades de saúde do município. A iniciativa fortalece a atuação da Atenção Básica no enfrentamento ao tabagismo, por meio de ações contínuas de acolhimento, escuta qualificada e apoio às pessoas que desejam parar de fumar.


















