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Cachaça Jibóia, a bebida que vem atraindo a atenção do mundo para o Acre

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Mesmo sem tradição alguma na produção de bebidas alcoólicas, o estado do Acre tem entrado nas listas e indicações mais importantes do país quando o assunto é cachaça. Isso graças ao surgimento da indústria Potio, que produz a cachaça Jibóia, uma das maiores inovações e promessas em bebidas destiladas nos últimos anos. A qualidade no processo de produção da Jibóia tem impressionado os maiores especialistas do ramo. Tanto que a fábrica, localizada no município de Acrelândia, tem recebido pedidos de sete estados e diversas visitas a fim de saber como um produto de tamanho requinte e delicadeza tem sido feito na Amazônia.

Apesar do reconhecimento em outros estados e até países, o consumidor local desconhece o valor do produto feito no Acre. A empresa é 100% acreana, pensada e criada pelo engenheiro eletricista e advogado riobranquense Jakson Soares, que morou um tempo em Curitiba e decidiu se tornar Mestre Cachaceiro desde 2014. Soares fez curso em Minas Gerais e especialização na USP. Dois sócios também integram o plano de negócio da indústria, que é extremamente fundamentado, elaborado para os próximos 10 anos. Atualmente, a empresa está se preparando para lançar novos produtos que serão comercializados a partir de 2022: as cachaças saborizadas de Jambu, Guaraná e Açaí.

“A ideia de montar esse negócio veio porque não existia esse tipo de negócio no Acre. Tudo vinha de fora, 100% da bebida alcoólica que era consumida aqui vinha de fora, então nossa ideia foi montar essa empresa aqui, gerar emprego, renda e, principalmente fazer um produto acreano, essa é a nossa ideia principal. Eu e dois sócios começamos isso aqui do zero”, relata Jakson. A construção da indústria Potio, que fabrica a cachaça Jibóia, começou em 2014, mas foi em março de 2018 que a marca foi consolidada e entrou efetivamente em operação.

“Foi então que lançamos nosso primeiro produto, a aguardente Jibóia, ainda na garrafinha de plástico,mais conhecida como buchudinha. Hoje a gente domina um ciclo inteiro. A gente planta cana, temos nosso canavial com 50 hectares de cana”, explica o empresário, que também está plantando um novo canavial para produzir canas e bebidas experimentais, com diferentes matérias-primas e totalmente orgânicas. A indústria está fechada no momento, pois o novo período de safra começa no próximo mês de novembro e vai até meados de março.

Canavial da fábrica Potio, que produz a cachaça Jibóia, tem 50 hectares de cana e deve aumentar para 150 ano que vem

Canavial da fábrica Potio tem 50 hectares de cana e deve aumentar para 150 ano que vem – FOTO: Sérgio Vale/ac24horas

“A gente colhe as canas em carretinhas. O local onde hoje é a indústria, antigamente era uma serraria, e tudo foi derrubado. A nossa indústria como é hoje eu mesmo desenhei. Muitos detalhes aqui chamam atenção, principalmente de quem vem de fora conhecer. Recentemente, recebemos o masterblender Nelson Duarte, que era da Ypióca, o maior do Brasil. Ele ficou aqui uma semana e há cerca de 10 dias nós recebemos Natanael, que faz a melhor cachaça do país”, comenta Soares.

O que mais tem impressionado fora do estado é o fato de a Jibóia ser produzida na Amazônia, mais precisamente no Acre, onde os maiores centros de compras são extremamente longes e a logística é mais complicada. “Nossas dificuldades são extremas. Na Amazônia, é uma briga eterna fazer esse tipo de produto, pois é uma luta contra os passarinhos, contra os insetos, contra a umidade, a temperatura e temos que fazer tudo diferente. Tanto que as pessoas que já vieram aqui disseram: ‘Como vocês conseguem produzir aqui? Porque tudo eu faço diferente lá no Sul’, destaca.

Processos

A cachaça Jibóia é diferente e o criador sabe e faz questão de ser assim. A indústria Potio busca produzir tudo dentro dos padrões de qualidade de certificação internacional, não à toa que a fábrica foi desenhada obedecendo critérios para essa certificação internacional, o que a difere de tantas outras também feitas Brasil afora. São no mínimo seis processos que a matéria-prima da cachaça acreana passa para seguir em produção. Inúmeras filtragens e pasteurização é o que torna a Jibóia essencialmente especial, sendo a única cachaça pasteurizada do país.

Indústria é lavada diariamente antes e depois da produção da cachaça, além da pasteurização, processo único em cachaça no país

Indústria é lavada diariamente antes e depois da produção da cachaça, além da pasteurização, processo único em cachaça no país

“O trator traz a cana, temos uma máquina colheitadeira onde as carretinhas descarregam na esteira, que leva e picota a cana para depois jogá-la dentro de uma moenda”, salienta Jakson, afirmando que a fábrica é dividida entre salas e áreas. A primeira área é a recepção da cana, mais à frente fica a sala de moagem, sendo todas identificadas.

“Os detalhes técnicos são muito importantes porque hoje somos quase um modelo nacional nesse quesito técnico, de padrão construtivo. Nessa sala de recepção, por exemplo, recebe muito líquido, então a gente lava ela todos os dias, antes e depois da produção. Há barreiras de proteção para que não caia nada de líquido para fora quando a gente está produzindo”.

A fábrica inteira é feita com paredes térmicas, laváveis e de aproximadamente 7 metros. Assim que chega, a cana passa pela peneira rotativa para limpeza e retirada dos bagaços, depois vai para o decantador, onde retira os bagaços menores e depois para o tanque de transferência. A partir deste momento a produção da cachaça é realizada em objetos 100% inox. “A matéria-prima não passa mais em nenhum momento por madeira, plástico, cimento, nada. É 100% inox porque a gente lava a fábrica todos os dias antes de produzir”.

Jakson Soares formou-se e se especializou como Mestre Cachaceiro fora do estado, em 2014

Jakson Soares formou-se e se especializou como Mestre Cachaceiro fora do estado, em 2014 – FOTO: Sérgio Vale/ac24horas

Na época da safra, trabalham cerca de 15 pessoas na linha de produção, que é completamente lavada com água quente, ácido peracético e álcool 70% todos os dias pela manhã. Enquanto uma parte dos trabalhadores colhe a cana, a outra está lavando a fábrica. “Chega a cana, a gente mói, faz o caldo de cana, produz durante todo o dia, e no final do expediente lava tudo de novo. A gente usa bastante água para manter a qualidade. Tudo isso para garantir um padrão de qualidade diferenciado, porque nós fazemos bebida,e bebida é alimento, então temos que garantir o mínimo de padrão de segurança alimentar”, diz Jakson, que completa: “posso garantir que tem muita gente fazendo bebida alcoólica que não chega nem perto disso, desse cuidado”.

Salas

A primeira a sala que inicia o processo de produção da cachaça Jibóia é a de moagem. Todas elas possuem pia inox, dispenser com papel, sabão bactericida e água quente e fria. Os ambientes são separados, ou seja, um processo não se mistura com o outro e não há contaminação. As portas abrem e fecham rapidamente para não permitir a entrada de insetos. Depois de moído, o caldo de cana passa por inúmeras filtragens. Os cantos das paredes são todos arredondados no chão para não acumular líquido. A pintura é de epóxi, refeita anualmente.

Local que produz a bebida está localizado na entrada do município de Acrelândia, a cerca de 116 km da capital do Acre

Local que produz a bebida está localizado na entrada do município de Acrelândia, a cerca de 116 km da capital do Acre – FOTO: Sérgio Vale/ac24horas

Em seguida passa pela sala de tratamento, onde o caldo de cana é filtrado até ficar bem limpo e seguir com o tratamento. “Tratar é verificar a quantidade de açúcar que tem no caldo de cana, o PH e a temperatura dele. A gente estabiliza tudo isso, só que a gente trata o caldo de cana de uma forma que poucas indústrias fazem no Brasil. A gente pasteuriza o caldo de cana, que elimina bactérias, insetos. Além de filtrar, a gente pasteuriza, e isso em termos de qualidade é um diferencial muito grande, porque o que eu obtenho aqui é um caldo de cana excelente”, destaca Soares.

O tratamento dá todos os números da qualidade do produto e é onde se coloca o fermento no caldo de cana para dar início ao trabalho de fermentação em tanques de 5 mil litros. Ao todo, líquido passa por 26 filtros. Jakson salienta que todo o controle da pasteurização é eletrônico. “Nossa água é tratada, a gente tem uma Estação de Tratamento de Água (ETA). Nosso processo de produção é em linha, isso significa que ele entra e sai todo em linha reta”.

Após o tratamento do caldo de cana e colocação do fermento, ele vira o mostro, que vai para a sala de fermentação. Esse é um dos processos mais importantes da produção de bebidas e cachaças. O líquido fica descansando por 48 horas, fermentando. O fermento transforma o açúcar em álcool. “Aqui acontece a mágica e isso tem que ser controlado, o tempo, temperatura, a fermentação, se há contaminação ou não. E esse controle é feito por um circuito de água gelada e serpentina. A sala esquenta e se passar de 32°C o fermento morre. Então temos sempre que estar resfriando o líquido em tanques de 10 mil litros cada um”.

Outro diferencial da indústria Potio na fabricação da cachaça é que a empresa só utiliza cana fresca. A cana tem de ser colhida e moída o mais rápido possível. O proprietário afirma: “A gente não estoca cana, porque é um ser vivo, e quando corta desenvolve bactéria, inseto, açúcar e ela começa a produzir compostos químicos que atrapalham no processo de uma boa bebida”. Dessa maneira dá muito mais trabalho, mas garante a qualidade da cachaça Jibóia.

Quando o caldo de cana zera o açúcar, depois de ser fermentado, onde a levedura come todo o açúcar e o transforma em álcool, é transferido para outra sala. “A gente tem que separar a levedura, então segue para a sala de uniformização”. Lá, passa pela centrífuga, que separa o fermento que está dentro, o devolve para ser reutilizado e o que sobra chama-se vinho. Este fica 24 horas descansando para seguir para o próximo passo.

“Nossa fábrica foi desenhada para ser toda redundante, o que significa que se tiver contaminação em um tanque, eu paro esse tanque, isolo ele, e trabalho com o outro, sem a fábrica parar. Tudo isso para garantir o produto sem contaminação e não perder também”, revela. Depois de ter virado vinho, o líquido vai para a sala de destilação. “Aqui a gente pega o vinho, que é um líquido com álcool dentro, ferve de um lado, condensa do outro, e separa o álcool. Tudo isso controlado com medidores eletrônicos. Controlamos temperatura, pressão e velocidade do líquido que está entrando. Se quero mais forte ou mais fraco, basta alterar as configurações”.

A primeira cachaça Jibóia, na garrafinha de plástico, tinha teor alcoólico de 38%. Agora, a marca só produz em garrafas de vidro, em duas opções: com teor de 40% e 48%. “A gente destila alto, a 55%, só que a gente derruba essa graduação a 48%, diluindo, inserindo água. É nesse processo também que se produz o álcool 70%, só que utilizando muito mais cana. Nesse caso, o gasto é muito maior e o equipamento não foi feito para esse tipo de produção, então o rendimento não é o ideal”.

Em seguida entra a sala de padronização, que equilibra, padronizando o teor alcóolico, no caso da nova Jibóia, a 40% e 48%. “Temos os equipamentos de medição, de controle. A gente tem laboratório próprio. A gente destila, separa o líquido, filtra novamente, e fica estocado. Uma parte é álcool 70% e outra destilado”. Por último, entra a parte do envasamento. O líquido é estabilizado por um tempo antes de ser armazenado em garrafas. “Ainda aqui a gente filtra novamente. Todos os processos são conferidos. A gente tem uma planilha de controle e uma linha semiautomática de envasamento. Agora estamos montando uma linha manual também para poucas quantidades e também para os próximos produtos que nós vamos montar”, diz Jakson Soares.

Projetos socioambientais

Empresa atua ainda com nove projetos socioambientais e parcerias com o município e a Ufac

Empresa atua ainda com nove projetos socioambientais e parcerias com o município e a Ufac – Foto: Sérgio Vale/ac24horas

A indústria Potio tem se dedicado a desenvolver projetos pela causa socioambiental. Ao menos nove projetos estão para serem encaminhados, sendo que alguns deles já estão em funcionamento. Entre eles, a utilização da água da chuva tratada para diluição, fornecimento da ETA para análise de água no município e doação de caldo de cana para escola municipal utilizar na merenda das crianças.

“Como hoje a gente só faz cachaça na garrafa de vidro, a gente compra a garrafa de fora, da fábrica, não usadas e vamos implementar um programa de recompra de garrafas.Ou seja, o consumidor vai poder trazer a garrafa que eu compro de volta, recebe desconto para compra de outra garrafa cheia. Vou fazer o tratamento e reutilizar a garrafa. Isso é ambientalmente correto”, diz o mestre cachaceiro.

A empresa doou 5 mil litros de álcool durante um dos piores momentos da pandemia de Covid-19 no estado do Acre. Para isso, foi usado quase todo o canavial. Outra peculiaridade é que a água usada para baixar a graduação de 55% para 48% da cachaça é proveniente da chuva. “Somos a única indústria do Brasil que usa água da chuva no processo produtivo de bebida alcoólica”, garante o empresário.

Um tanque de 30 mil litros recolhe água da chuva para que seja tratada. “Ela é filtrada e desmineralizada. Temos um tratamento de água e ela é sempre analisada na Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), da Universidade Federal do Acre (Ufac). Hoje, quem bebe a Jibóia, bebe água da chuva”, brinca. Segundo Jakson, especialistas vêm ao estado só para ver o que a Potio tem feito de inovação, como essa. “Não é muito difícil fazer isso, basta ter um tanque e montar um tratamento. Temos outros processo também de limpeza da água de um lago que usamos para fazer a limpeza da fábrica. Essa água passa pela nossa ETA”.

Entre os projetos consta ainda a criação de um viveiro próximo ao canavial. Lá, haverá plantação de cana, árvores nativas e frutíferas para reflorestamento. “Vamos fazer doação dessas mudas, campanhas de reflorestamento para ajudar nessa questão. A gente quer pegar pequenos agricultores, fornecer a muda da cana, ele vai plantar e a gente vai garantir a compra dessa cana. Vamos ajudar os pequenos agricultores aqui da região. Queremos abranger bastante pessoas”, assegura.

O bagaço da cana usada para fabricação da cachaça serve para fazer adubo orgânico. A empresa já doou 200 toneladas de bagaço de cana para a prefeitura de Acrelândia fazer adubo e utilizar em hortas. “Vamos fazer uma plantação orgânica de cana para fazer um produto orgânico. Algo que já até combinei com a prefeitura, já que a gente pasteuriza caldo de cana, é o fornecimento de caldo de cana pasteurizado para escola primária de Acrelândia quando voltarmos a produzir, porque hoje eles tomam suco de pozinho e o caldo será muito maia saudável”. A ideia é enviar pelo menos uma vez por semana o caldo de cana pasteurizado para a escola.

Reconhecimento

Novas embalagens têm cachaça com teor alcoólico de 40% e 48%, ideias para drinks ou beber "pura"

Novas embalagens têm cachaça com teor alcoólico de 40% e 48%, ideias para drinks ou beber “pura” – Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Mesmo que o consumidor local ainda não conheça a fundo o produto da terra, fora do estado e em outros países a cachaça Jibóia já é sinônimo de qualidade e bom gosto. A bebida possui diversas certificações que confirmam a procedência confiável e única. “Nosso produto tem o selo de empresa sustentável e o selo reciclável. A nova Jibóia vem em duas apresentações, em cores diferentes. Ela tem o registro do Ministério da Agricultura, pois é a única indústria registrada no Acre para produzir bebida alcoólica. Temos registro para exportação e o selo holográfico, que significa garantia, que não dá para falsificar nosso produto”.

O símbolo da cachaça é a cobra jiboia, cujo nome surgiu por três motivos: era o apelido de Jakson em sua primeira graduação, era o animal colocado em potes de vidro com cachaças e significa proteção aos indígenas. “Na embalagem é possível sentir o relevo da pele de cobra. Antigamente tinha muito nas casas aqueles potes de vidro com cobra e cachaça dentro, isso também contribuiu para o nome. Depois de já ter registrado a marca, descobri que a jiboia é um animal sagrado para as etnias indígenas no Acre, o que casou muito bem. Ribeirinhos e comerciantes de Rio Branco ainda utilizam a cobra para se proteger dos roedores, principalmente em depósitos de milho e afins. E é a única cobra que o Ibama permite criar como animal de estimação, pois não é venenosa. E se não tem roedor, não tem outro tipo de cobra no local”, diz o mestre.

A cachaça possui na garrafa o ‘cachaçômetro’, para o consumidor verificar o quanto consegue ingerir. “Nossas garrafas são todas numeradas, têm as bandeiras do Acre e do Brasil, o que é ideal para dar de presente. Na embalagem as cores formam uma cruz, que é uma referência à terra de Vera Cruz, que foi o primeiro nome que o Brasil recebeu ao ser descoberto por Pedro Álvares Cabral. E a cachaça é a bebida típica do Brasil. E Potio, o nome da nossa indústria, significa bebida em latim”.

Jiboia é só o primeiro produto de muitos que a fábrica pretende lançar. Hoje, a empresa se orgulha por ser uma das poucas que não vende um produto apenas, mas uma verdadeira experiência. “Quando alguém compra um produto desse, está comprando uma história, essencialmente qualidade e a experiência de consumir um produto que ajuda nas causas ambientais”. A fábrica foi inteiramente desenhada pensando em expansão e na maneira de oferecer melhor qualidade.

“Essa fábrica tem o mesmo sistema de indústria de automóvel, isso significa que eu posso duplicar o tamanho dela sem parar de produzir e sem contaminar. A fábrica vai contar daqui a um tempo com sistema de som e câmeras. Um processo novo, há somente duas indústrias hoje no Brasil que fazem a fermentação com música clássica, porque segundo estudos, as ondas da música clássica reverberam melhor com as leveduras e vamos fazer isso também”, diz Jakson.

Qualidade diferenciada

Todo o processo de fabricação da cachaça Jibóia, do início ao fim, dura aproximadamente 7 dias até chegar na parte de padronização. Depois da padronização, é preciso que o produto fique mais seis meses descansando. O ideal, segundo Jakson, é produzir e deixar a cachaça descansando por seis meses em tanques de inox. Ele reafirma que o produto tem uma qualidade diferenciada, mas que o acreano não reconhece como deveria.

Fábrica possui tanques internos em inox de 5 e 10 mil litros no processo de produção da cachaça Jibóia

Fábrica possui tanques internos em inox de 5 e 10 mil litros no processo de produção da cachaça Jibóia – FOTO: Sérgio Vale/ac24horas

“Às vezes as pessoas acham que o santo de casa não faz milagre. Fora do estado a Jibóia está super reconhecida, ficamos entre as 250 melhores cachaças do Brasil, um feito muito grande, e agora estamos concorrendo novamente. A gente tem um produto com padrão exportação. O mundo da cachaça já conhece a Jibóia, sabe que ela existe, sabe da qualidade”. No próximo mês de janeiro a indústria acreana vai receber um especialista da Inglaterra que percorre países do mundo inteiro para conhecer bebidas destiladas diferentes.

“Ele entrou em contato comigo esse mês de outubro. As pessoas acham interessante a maneira como trabalhamos. A gente tem um controle de tudo que fazemos. Os especialistas estão impressionados com o que a gente está conseguindo fazer aqui, porque produzir na Amazônia é muito difícil e fazer um produto diferenciado como esse é muito bacana. Eles se impressionam também com as técnicas que a gente utiliza aqui para desenvolver a cachaça. Isso tem chamado bastante atenção, tanto que estão vindo conhecer um produto do Acre”.

A meta atual da Potio é exportar seus produtos. “Até o primeiro trimestre de 2022 vamos exportar. Será a primeira exportação de uma indústria de bebidas do Acre. Vamos fazer uma certificação internacional também para exportar para Europa”. A fábrica conta com o conhecimento do engenheiro agrônomo Victor Bezerra, de 25 anos, que veio de Belém (PA) há dois meses trabalhar por meio de uma parceria da indústria com a Ufac.

“Estou ajudando a melhorar a produção da cana. Quando cheguei aqui, me deparei com uma produtividade muito abaixo do que é considerado o mínimo para produção de cana, inclusive abaixo da metade. Meu objetivo aqui é melhorar a produção de cana da fábrica, principalmente com manejo, adubação adequada, controle de plantas invasoras, porque isso é o que baixa muito a produtividade de um canavial, assim como não saber controlar os problemas que estão acontecendo”. Sem o profissional, a marca acabava com alguns problemas diários. O projeto que permitiu a vinda do agrônomo dura cinco anos. Pelo planejamento, a cada ano virá um residente.

Expectativas – cachaça envelhecida e turismo destilado

Indústria já está trabalhando no projeto de cachaça envelhecida, que deve ser comercializada em 2022

Indústria já está trabalhando no projeto de cachaça envelhecida, que deve ser comercializada em 2022 – FOTO: Sérgio Vale/ac24horas

A Portio também está empenhada em produzir bebidas envelhecidas, o que acarretará em mais padrão aos produtos que já são elaborados. A ideia é estar auxiliada pelo Senai, uma vez que pretendem usar madeira local, para treinar pessoas na confecção dos barris e gerar uma nova economia local. “Hoje o barril vem de fora. São produtos especiais, os barris de envelhecimento possuem 250 litros cada um, são madeiras diferentes, como castanheira, bálsamo, murano e jequitibá”, comenta Soares.

Na empresa, oito barris estão sendo amaciados para envelhecer bebida. “Nessa semana já vamos enchê-los. Eles vão ficar um ano aqui dentro e depois vamos fazer blend, que é misturar madeira ou cachaça nova com uma mais antiga. Esse é nosso projeto de cachaça envelhecida, que iremos colocar para comercializar em 2022”. Na ocasião, a marca pretende comercializar no modo ‘adote um barril’, onde o cliente poderá comprar um barril com bebida envelhecida, deixar na empresa onde será mantido ou levar para casa.

Jakson quer tornar o local um ponto de turismo voltado a produtos destilados. “A gente quer que as pessoas que venham ao Acre e conheçam o nosso empreendimento. Uma van irá buscar o turista e ele vai aprender o processo da cachaça, provar, poder comprar. Já estamos nos preparando para receber as pessoas para esse tipo de turismo. Isso é bom para a região, para o estado. Gerar emprego, oportunidade de negócio, movimentar pessoas”.

A ideia é montar uma lojinha próximo da fábrica para comercializar produtos da marca Jibóia. “A Potio tem que ser referência de bebida de qualidade a nível nacional, um produto que represente o estado do Acre, a Amazônia e o Brasil. Representar da melhor forma possível, com extrema qualidade e todo cuidado que a gente tem. Nossa meta de exportação já está estabelecida, além de estarmos nos melhores restaurantes de Rio Branco, São Paulo, Porto Velho, Curitiba, Fortaleza, em Santa Catarina e Minas Gerais”.

A empresa começou com um produto simples, de elástico, quando ainda estava aprendendo a engatinhar, reconhecendo o mercado, fazendo testes, e agora possui um produto de vidro, de alto padrão, com nível diferenciado. “A gente não pode errar de forma alguma, vamos ter as bebidas saborizadas, lançar outras linhas, teremos cachaças envelhecidas. Tudo isso num plano de negócio de 10 anos, para mantermos tradição e qualidade. Temos um produto de forma contínua, reconhecido nacionalmente. Os acreanos precisam conhecer um pouco mais nosso produto, da indústria, ter orgulho que hoje nós temos uma bebida alcoólica com padrão de qualidade. A gente produz cachaça e também fazemos nossa parte social e colaboramos com isso”, declara o empresário.

 

O Mestre Cachaceiro Jakson Soares ensina como degustar uma cachaça de qualidade, veja:

 

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Gente - Economia e Negócios

Emprego, segurança e qualidade de vida atraem acreanos para Santa Catarina

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O aumento populacional vivenciado pelo estado do Acre nos últimos anos tem confrontado diretamente com um comportamento que vem se intensificando  na mesma medida. Não é necessário ter acesso a dados ou estatísticas para notar cada vez mais a saída de moradores para outros estados brasileiros. Observa-se ainda que os motivos dessa debandada em massa são quase sempre os mesmos: falta de emprego, falta de segurança e qualidade de vida.

Apesar da constatação empírica (sem dados oficiais), a situação poderá ser confirmada com a publicação do próximo Censo Demográfico feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que virá à público em 2022. O economista Orlando Sabino diz que mesmo sem números de fator econômico que possam explicar esse movimento migratório, acredita que a situação também acompanha um nível elevado de aposentadorias que vêm ocorrendo nesse período no Acre.

Ítalo Lima, representante de uma empresa de transporte coletivo interestadual, relata que a procura está significativamente alta, principalmente para Santa Catarina.  “Florianópolis, Balneário Camboriú são os destinos mais procurados, mostrando que aqui [no Acre] a economia está muito fraca”. Para ele, na maioria das vezes, os clientes reclamam de desemprego no estado. “Eles dizem que faltam oportunidades e acabam indo embora, procurando outra cidade para morar. Todos os dias a gente atende esse tipo de cliente”, atesta.

É o caso de três, entre centenas de acreanos que decidiram mudar de lugar para viver. Jorlália, Rodrigo e Jendem levam vidas diferentes em Santa Catarina, mas compartilharam do mesmo sentimento: mudar de vida numa nova cidade. Todos escolheram cidades do estado sulista e, seja sozinho ou em família, o trio não pensa em regressar.

Ingresso no mercado de trabalho – Há cerca de nove meses, Jorlália de Souza Araújo, de 26 anos, decidiu mudar completamente o rumo que vinha tomando na capital acreana após concluir o curso de nível superior em Fisioterapia. Mesmo formada, não conseguia uma colocação no mercado de trabalho e resolveu arriscar. A falta de emprego foi, inclusive, um dos motivos que a fizeram mudar para Santa Catarina.

“Eu tinha algumas amigas que estavam aqui [Florianópolis] e falavam super bem. Comecei a pesquisar e vi que tinha bastante oportunidade de emprego. Antes mesmo de vir, comecei a mandar currículos e sempre era chamada para as entrevistas”. A recém-formada ainda chegou a fazer cinco entrevistas online, ainda vivendo no Acre. “Tanto que já cheguei aqui empregada. Na minha quinta entrevista, o dono da empresa disse que esperaria o dia que eu iria embora”.

Hoje, ela  reside em Florianópolis, mas não tinha preferência por cidades específicas. “Foi por impulso. Tinha um amigo que queria muito sair do Acre também e a gente se programou para vir junto. Acabou que ele desistiu, mas fui firme e vim sozinha. Tenho uma prima aqui também e ela me deu apoio no primeiro mês, até eu encontrar um lugar para”.

A fisioterapeuta não se arrepende da decisão que tomou. “Saudade dá, muita, principalmente saudade da família, mas aqui as oportunidades são melhores, a qualidade de vida também é bem melhor”, destaca. Para ela, as maiores dificuldades que passava no Acre estavam relacionadas a  segurança pública e falta de oportunidades profissionais. “Lá, se você não tiver indicação, não consegue nada”.

Agora, a jovem pretende evoluir ainda mais profissionalmente e não quer sair de Florianópolis. “Minha família me apoiou e me apoia até hoje. Quando eu disse que queria ir embora, eles me apoiaram. Para  quem pensa em fazer o mesmo, mas tem medo, aconselho a vir porque vale a pena. Dificuldade a gente tem, principalmente para quem vem só e fica longe da família, mas isso a gente supera”.

As migrações que estão ocorrendo de um estado para o outro serão detalhadas no próximo ano, com a atualização do Censo. Orlando Sabino explica que o Acre sofreu um grande inchaço da folha de pagamento, coisa de 30 anos atrás, quando as pessoas entravam no serviço público sem concurso. “E o grande “boom” de aposentadoria nós estamos vivendo agora. De uns 5 anos para cá o estado teve esse boom. As estatísticas do número de aposentadorias do quadro de funcionários do estado é um volume significativo”.

Segundo o especialista, muita gente que se aposenta escolhe uma cidade para se transferir. “E acredito que dentre essas cidades e estados, Santa Catarina possa merecer esse destaque. Mas não temos essa informação, se é algo exclusivo de Santa Catarina. Os estados do nordeste também são muito procurados. Temos notado muito, não em dados oficiais, mas por informações, que a Paraíba, onde tem o custo imobiliário baixo, está atraindo as pessoas para essas cidades à beira mar”, comentou.

Qualidade de vida – Situada num dos menores estados brasileiros, Rio Branco, apesar de pequena em extensão e arrecadação de impostos, se destaca a nível nacional quando o assunto é violência urbana. E isso foi o que levou o gerente de produção na área de transformadores, Rodrigo Campos da Silva, de 34 anos, a sair do estado. “Vim para Santa Catarina em busca de qualidade de vida, boa educação para minha filha, lazer e oportunidade de emprego”.

Rodrigo escolheu Blumenau por ser abrangente em sua área de atuação no mercado de trabalho. A mudança levou um tempo para ser amadurecida e ele pesquisou bastante antes de se mudar, uma vez que iria com esposa e filha. “Para sair do seu estado, sugiro que pesquise bastante, e quando falo em pesquisar, seria tudo mesmo: cultura, educação, preços de aluguel,  alimentação e etc”.

Para realizar o desejo, fez uma reserva financeira para poder se manter com a família na cidade por um curto período, até conseguir um emprego. “Essa dica é importantíssima. “Eu não me arrependo, apesar de ter uma carreira consolidada de 15 anos numa empresa, com salário de razoável para bom, no Acre temos quase nenhuma opção de lazer para a família”, lamenta.

Outro fator preponderante para ele foi a questão da educação. “Era uma briga grande para conseguir vagas nas creches. Aqui onde escolhi morar tem quatro creches em num percurso de apenas 2 quilômetros de distância da minha casa e oito em 6 quilômetro de distância”.

Saúde pública de melhor qualidade também estava na lista de desejo da família de Rodrigo. Agora, ele garante não precisar mais se deslocar às 5 horas da manhã para pegar uma ficha para ser atendido. “Aqui posso ir a qualquer hora do dia e tem médico para atender, com posto e ambulatório a 3 quilômetros de distância”.

A média salarial também foi importante no momento em que Rodrigo decidiu sair do estado. Segundo ele, a maioria das empresas de Santa Catarina pagam em média R$ 1.700 para auxiliar de produção, e muitas ainda fornecem vale alimentação e auxílio creche. “Isso para um cargo mais baixo. Lazer nem se fala, aqui é a cidade da cerveja e tem praia a 50 minutos e cachoeiras a 30 minutos”.

Agora almeja uma carreira profissional e estabilidade financeira. “Pretendo continuar morando aqui, cada dia que passo em Blumenau descubro pontos positivos para permanecer aqui. Em relação à minha família, tomamos a decisão juntos, pesquisamos bastante sobre a cidade, enfim, fomos totalmente a favor em relação à mudança de estado. Acreditamos que fizemos uma boa escolha”, salienta.

Aceitação e geração de renda – Jendem Thierley Cordeiro de Souza tem 36 anos e é tatuador. Apesar da vasta experiência e reconhecimento de seus clientes pelo trabalho executado, sentia-se incomodado pelo fato de como sua profissão ainda era ‘mal vista’ e até marginalizada no estado do Acre, mais precisamente em Rio Branco.  Além disso, a criminalidade, que só aumentava, deu o Xeque-Mate para que ele fizesse as malas.

Em seu caso, houve bastante pesquisa. Foram quase dois anos para finalmente decidir para onde ir. “Havia pesquisado as melhores cidades para se morar no Brasil e achei uma chamada Brusque, em Santa Catarina. Isso já faz uns cinco anos. Me organizei durante quase dois anos e resolvemos [ele e a esposa] vir para essa cidade”. Ocorre que antes mesmo de chegar lá, um amigo que morava na cidade vizinha, Itajaí, a 25 quilômetro, no litoral,  falou muito bem dela e do quanto era boa para o trabalho.

“Itajaí tem um porto e por isso gera muito dinheiro em torno na cidade. Aqui a tatuagem não é vista com maus olhos, como algumas pessoas fazem no Acre, não é marginalizada.  Não há tanto preconceito como eu percebia que algumas pessoas tinham no meu estado, principalmente os mais velhos”. Em Santa Catarina, Jendem possui vários clientes da terceira idade. “Tatuagem aqui é muito comum, em relação a trabalho, quase não há discriminação com pessoas tatuadas”, afirma.

Questionado se pretende voltar para o Acre, ele responde que não se arrependeu da mudança: “o que fez eu mudar é que no Acre a criminalidade estava muito grande. Vim para cá para sair dessa criminalidade e aqui é bem sossegado, tranquilo. Por isso resolvi ficar, pois além de gerar muito dinheiro, a minha área de trabalho é muito boa”.

Para ele, voltar ao estado só se for a passeio. “O conselho que eu daria para quem está pensando em sair do Acre é pesquisar bem antes.  Não adianta sair do nada, passar 3 meses fora, depois voltar com o rabo entre as pernas. Afinal, quando se faz algo programando, a chance de dar errado é muito menor”.

No momento, o tatuador planeja comprar uma casa em Itajaí e, assim que possível, levar sua mãe para perto. “Em relação à minha família, uns diziam que não iria passar 6 meses e já estaria de volta ao Acre. Outros falaram que iria dar certo. Mas não sou o primeiro da família que sai do estado. Tenho um tio que está em Pernambuco. Hoje, todos sabem que não pretendo mais morar no Acre”.

O economista Orlando Sabino afirma que é necessário ver o volume exato em que esse tipo de migração está ocorrendo, mas que, logicamente, quando se perde uma renda que circula no estado, o próprio estado é quem sai perdendo. “Mas não sei em que magnitude se encontra essa situação. E outra coisa, sai muita gente, mas vem muita gente também. Por exemplo, estamos vendo uma grande frente de expansão agropecuária ocorrendo de pequenos e médios produtores de Rondônia rumo ao Acre”.

Para Sabino, as regiões de Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó estão concentrando o recebimento dessa demanda. “Muitas transações com terras estão ocorrendo no estado e esse dado pode ser constatado no número de exploração de madeira. As pessoas estão ocupando as áreas, desmatando. Então, de certa forma, compensa. Não temos a magnitude de quanto o Acre está perdendo em função dessas pessoas que estão migrando para outros estados, mas tem um movimento também de equilíbrio. Estão saindo, mas também está entrando muita gente aqui”, declara.

 

 

 

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Gente - Economia e Negócios

Carpinteiros, marceneiros e cozinheiros: acreanos apostam em “dons” para migrar de ramo e sustentar a família

Trabalhadores que resolveram investir no dom da carpintaria, marcenaria e culinário para ganhar dinheiro

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Enquanto centenas de brasileiros perderam seus postos de trabalho durante a pandemia de Covid-19 nos últimos meses, outros tiveram de se reinventar ou adaptar seus dons manuais para conseguir manter o sustento da família. É o caso dos acreanos Francisco Ferreira da Cunha, de 65 anos, Nozemar Leite de Souza, de 58 e Marcelo Eudorico, de 48 anos. A capacidade de criar, construir ou consertar objetos fez com que esses profissionais fossem reconhecidos em seus bairros e cidades como um dos poucos que persistem neste ramo atualmente.

Francisco Ferreira, conhecido como ‘Macucau’, é figura unânime por toda Senador Guiomard, cidade distante cerca de 24 quilômetros da capital acreana, Rio Branco. Por lá, é conhecido como o “rei das panelas” por consertar, cortar e renovar esses e outros utensílios de cozinha. Nozemar ganhou fama com sua fabricação de tábuas para carne e Marcelo tem uma gama de clientes que o procuram todos os dias para comprar churrasquinhos. Todos tiveram de investir na arte manual e experiência de vida para sobreviver em meio a períodos difíceis da economia local.

Ganhar a vida como autônomos e donos do próprio destino não é fácil. Que o diga Macucau, que atua com um serviço por vezes considerado ultrapassado por uma parte da sociedade. Ele sobrevive da carpintaria há mais de 10 anos no mesmo endereço: rua Francisco Leitão, bairro Naire Leite. “Tenho esse apelido desde quando eu trabalhava na Bonal. Matava bastante Nambu (também conhecido como Macucau) para comer porque não tinha mercado perto, nem criávamos galinha, e sobrevivia dos pássaros na floresta. Isso foi em 1986 e até hoje me chamam assim”, conta.

Macucau montou sua oficina de panelas em 2011, após sofrer um acidente de trabalho. “Já trabalhava como carpinteiro, marceneiro, mas me acidentei numa queda de 4 metros onde quebrei meu pé em dois lugares. De tanto fazer esforço, também fui operado três vezes de hérnia e o médico falou que eu não poderia mais mexer nesse trabalho pesado”.

Hoje, ele agradece o dom recebido por Deus. “Consigo mexer com essas coisas agora e me sinto feliz, me sinto bem, fico feliz de ver os clientes serem ajudados por mim”. Ele tinha 55 anos quando começou a trabalhar com sua própria oficina, construída nos fundos de sua casa, localizada em Senador Guiomard, onde nasceu. “Sempre trabalhei muito fora de casa, em fazendas, mas quando terminava o serviço vinha para cá. Consegui conquistar muitos clientes em todos esses anos”.

Apesar de não ser mais um serviço bastante procurado como antigamente, há pessoas que não hesitam em procurar o trabalho de Macucau. “Elas vêm aqui pelo trabalho que eu faço, que é bem feito. Não cobro muito caro. Cobro R$ 15 para cortar uma panela, o que é uma economia se comparado a outras pessoas que abriram o mesmo tipo de oficina aqui, que cobravam mais de R$ 25. As pessoas acabavam correndo para cá e aí foi crescendo minha área de trabalho”.

“Tenho dinheiro para o pão de cada dia”

Seu Francisco afirma que mesmo com dificuldades em conseguir matéria-prima, não tem faltado serviço. “Sempre tenho um dinheirinho para comprar o pão de cada dia”. Macucau corta panela, conserta louças, faz lâmina de roçadeira, cabo de terçado, de faca, de martelo, e até garrafa térmica. A oficina é sua única fonte de renda. “Com ela sustento minha esposa, neta e filhos. Assim vamos indo, aqui, acolá, se alguém precisa de ajuda, também ajudamos”.

Macucau diz emocionado que Deus não tem deixado faltar o alimento através desse trabalho que desempenha com tanto zelo. “Não consigo dizer quantos serviços pego por semana, porque vai chegando um atrás do outro. Às vezes chega panela pela manhã, à tarde chega serrote para amolar, colocar cabo, vários serviços, e assim vou fazendo um e outro”.

O carpinteiro lamenta o fato de nos dias de hoje não se ver mais esse tipo de oficina tão facilmente. Para ele, é mais que um trabalho braçal, mas um verdadeiro artesanato. “Eu gosto de utilizar muitos tipos de coisas que as pessoas acham que não tem mais utilidade e jogam fora. Vou inventando, criando. Aproveito muito algumas coisas, pedaços de cano que encontro por aí”.

O profissional comenta ainda que gostaria que o Departamento Estadual de Água e Saneamento (Deas), situado na capital, e os moradores em geral de sua cidade o ajudassem doando objetos que, para muitos, não servem mais. Isso porque o que alguns jogam fora ou tacam fogo, para Macucau é de grande utilidade. “Acho que as pessoas continuam buscando meus serviços por elas não saberem realmente fazer esses consertos, não terem tempo. Um cliente me falou uma vez que tentou fazer uma garrafa térmica e tinha passado quatro dias tentando fazer, mas foi obrigado a quebrar tudo, jogar fora e me procurar”.

Transformando lixo em utilidade

O carpinteiro já tem seus trabalhos vendidos para fora do Acre. “Vendi duas garrafas térmicas para moradores do Pará e uma foi para o Rio de Janeiro, por pessoas que me conheceram através da minha família”. Ele não quer parar e pretende investir em novas criações. Mas um problema acaba atrapalhando: a falta material. “Às vezes falta material suficiente, máquinas. Me imagino fazendo muitas coisas, mas não tenho materiais suficientes para fazer aquilo que me vem nas ideias”.

Como exemplo do problema, ele citou a fabricação de cabos de faca e terçado, que já está quase parando nessa semana por falta de material. “Me viro por aí, juntando objetos, às vezes as pessoas veem um pedaço de cano e trazem pra mim. Daí vou utilizando ao invés de jogar fora”.

Ele ressalta que o poder público poderia ajudá-lo assegurando objetos jogados junto ao Deas. “Se guardassem e eu pudesse ir buscar, seria muito bom, porque comprar um cano é inviável, custa muito caro e não tem como. Nossa renda é pouca e queria muito que eles pudessem me ajudar dessa forma”. Outra iniciativa que está nos sonhos de Macucau é ensinar aos jovens estudantes a carpintaria e a marcenaria. “Eu aprendi isso na escola com o grêmio estudantil. Aperfeiçoei o dom que Deus me deu porque na minha época, quando aqui ainda era Quinari, nos ensinavam esse tipo de trabalho fora do horário de aula”. Não só ele, mas outros amigos da escola optaram por seguir atuando no ramo da carpintaria.

“Fazia isso e gostava muito, tanto que gosto até hoje e estou trabalhando com isso. Igual essa minha oficina aqui só tem a minha na cidade. Atendo pessoas de Capixaba, Brasileia, Rio Branco, Plácido de Castro e assim vou ajudando as pessoas. Essa semana mesmo chegaram dois sacos de panela aqui”, afirma.

De tão querido na cidade, Macucau já foi chamado para se candidatar a vereador pelo menos 12 vezes, mas nunca quis. “Já trabalhei reformava delegacias, mexendo com portas e janelas, trabalhei no presídio do município. Fui muito bem avaliado aqui por três engenheiros importantes do estado, que quiseram até me levar para fora. Trabalhei em grandes construtoras. Então, essa é uma área que eu gosto muito e tenho grande conhecimento na carpintaria”.

O trabalhador se orgulha em reutilizar objetos que seriam jogados fora para dar uma utilidade nova. “Se eu tivesse material suficiente, faria mais coisas ainda. Hoje em dia a madeira está muito difícil de conseguir, mas as pessoas admiram muito meu trabalho. Tudo que eu vejo eu gosto de reformar. Ao invés de comprar uma cadeira nova, que é praticamente descartável nos dias de hoje, prefiro reformar uma e ficar com ela por mais tempo. De tudo eu faço um pouco e gosto de fazer”, conclui.

Hobby que virou renda extra

Nozemar Souza começou a fabricar tábuas de cortar carne com madeira há cerca de dois anos, logo no início da pandemia de Covid-19. Além disso, se dedicou a trabalhar com suporte de facas e plantas. “A pandemia que me despertou isso. Estava na minha casa um certo dia e pensei: vou já fazer um brinquedo de madeira para minha neta. E aí comecei a fazer umas mesinhas, umas camas e fiz uma pirâmide para minha esposa colocar as plantas”.

A partir de então, ele tomou gosto pelo serviço e como ele mesmo diz, se descobriu na marcenaria. “Era um hobby que persistiu e faço até hoje. Construo tábua para cortar, tábua para colocar frios e divulgo tudo que faço na internet”. O trabalho que começou por questão de necessidade financeira rapidamente tomou espaço na vida de Nozemar. Seus artesanatos são peças fundamentais para o sustento da família. “Hoje, continua sendo uma renda extra, mas também uma maneira de esfriar a cabeça, de relaxar. Sustento pelo menos quatro pessoas com isso, eu, meus filhos, minha sogra, esposa, e as netas”.

A dificuldade que ele encara também é a de materiais. “Às vezes não tenho material adequado, faço quase tudo na mão mesmo e também o barulho, o pó pode incomodar os vizinhos. Por isso, tenho horário certo para eu trabalhar, tentando incomodar o menos possível para não ter confusão com ninguém”.

O carro-chefe desse negócio é a venda das tábuas para cortar carne e os suportes de facas. O negócio vem dando tão certo que já pensa em voos mais altos. “Estou pensando em procurar um local, um terreno para começar a fazer uma oficina maior e expandir. Não pretendo ficar só trabalhando em casa, não. Já que descobri esse dom que Deus me deu, quero expandir, sim”, diz Nozemar, que recebe pedidos pelo (68) 9977-8666.

Espetinho da Morada

Marcelo Eudorico, de 28 anos, retomou a venda de churrasquinhos em sua casa, localizada no bairro Morada do Sol, em Rio Branco, também na pandemia. Em seu caso, uma questão de saúde devido a problemas cardíacos o fez migrar de ramo. “Encontrei na venda de churrasquinho a oportunidade de não ter tanto esforço físico, por recomendação médica, e tentar ganhar dinheiro”. Há 12 anos, ele também já teve uma experiência de sucesso com churrasquinhos, por isso, decidiu voltar à área.

“Era no mesmo bairro que eu vendia, mas em outro local. Com isso, fidelizei muitos clientes, que mesmo depois de muitos anos sempre perguntavam pelo nosso churrasquinho”. Seu antigo trabalho acarretava estresse extremo e como sempre se identificou com a culinária, resolveu investir no ramo. “É um toque a mais que a gente tem e que agradou as pessoas”.

Ocorre que cerca de oito meses depois de reabrir a venda de churrasquinhos, a pandemia se agravou e ele teve de se reinventar com a implantação do delivery. No começo, as vendas se davam em sua maioria por drive-thru. “Mas já tive momentos, quando estava em lockdown, de a gente ter que parar tudo mesmo. Parecia que estávamos fazendo algo errado. Foi bem difícil”.

Hoje, toda sua renda financeira vem da venda dos churrascos. O segredo da casa são os molhos e pastas e chega a comercializar até 250 espetinhos por noite. Com o sucesso nas vendas, Marcelo já conseguiu empregar sete pessoas diretamente. “Indiretamente tem toda uma cadeia, como fornecedores de carvão, etc. Aqui a gente trabalha com uma variedade de espetinhos, como frango, carne, coração de frango, queijo coalho, mas o carro-chefe é a kafta no pão”, destaca.

Ele acredita que a grande quantidade de clientes vem, primeiramente, pela sua fé em Deus. “A gente acredita todo dia que tudo Deus pode, mas creio também que acrescentamos no paladar das pessoas”. Nesse ano, ele já teve oportunidade de expandir o empreendimento, mas com receio de um novo pico de contaminação do coronavírus, preferiu aguardar. “Estamos num momento pós-pandemia, tudo valorizou muito, triplicaram os valores. Pagava R$ 14 num quilo de carne, hoje pago R$ 30, então estou aguardando o momento certo”.

Para ele, a inflação é a grande vilã do seu negócio. “Hoje o que dificulta é o fato de sermos diariamente surpreendidos com algo diferente, como aumento do preço da gasolina, dos ingredientes, e não podemos estar atualizando a tabela dos nossos preços todo dia, repassar ao cliente, temos que respeitar e ficamos nessa situação”. Apesar de o churrasquinho funcionar no Morada do Sol, ele atende clientes em todos os bairros acessíveis pelos aplicativos de entrega em Rio Branco.

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Cotidiano

Saltenha do Pastor, a mais famosa do Acre, tem raízes na Turquia, trazida pela família Mugraby

Lanchonete vende mais de 400 saltenhas por dia e aposta em receita secreta, com ingredientes de “primeira”, para manter o sucesso

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É num espaço estreito e acolhedor, medindo apenas 2 metros de largura, que se encontra uma das iguarias mais conhecidas do Acre: a saltenha do Pastor. Apesar do nome sugestivo, nada tem a ver com religião. Pastor Bravo Mugraby é o nome do descendente turco que trouxe a receita (guardada a sete chaves) que deu origem ao salgado mais procurado no Cantinho Lanche do Pastor, a lanchonete mais antiga em funcionamento no coração da cidade de Rio Branco, ao lado da agência dos Correios e de frente ao Novo Mercado Velho.

Após 42 anos de existência, o estabelecimento tornou-se um valioso patrimônio cultural em plena capital acreana, vendendo mais de 400 saltenhas por dia, fora outros produtos. ‘Seu Pastor’, como era conhecido, tinha origem familiar na Turquia e faleceu há cinco anos, mas deixou um legado de respeito que vem sendo perpetuado pela família, seguindo a majestosa trajetória construída por ele no âmbito culinário.

Seu filho, Clayton Ribeiro Mugraby, a nora Marilza Carrilho de Souza Mugraby, e os netos Nathan Carrilho Mugraby e Marcus Vinicius Carrilho Mugraby, são os responsáveis por comandar a tradicional lanchonete desde 2016, após a morte do patriarca. São eles quem seguem eternizando o tempero ensinado pela mãe de Pastor. Felizmente, o filho, Clayton, e os netos Nathan e Marcos, conseguiram aprender o segredo das saltenhas para suceder o criador.

Como tudo começou

A história do Cantinho Lanche do Pastor começa em Guajará-Mirim, cidade do estado vizinho Rondônia. Foi lá que onde ele nasceu e foi criado pela mãe, que tinha parte da família com descendência turca e outra boliviana. Daí a explicação para a paixão dos Mugraby’s pelas saltenhas (salgado foi difundido pela Bolívia). Pastor aprendeu a fazer saltenha muito cedo com a mãe.

Adulto, começou a trabalhar como carteiro numa agência de Correios da cidade, e pouco depois recebeu chamado para ser transferido a Rio Branco. “E ele veio pra cá. Foi crescendo dentro da empresa e virou gerente daqui. Por ele estar sempre aqui no Correios, viu surgir esse ponto, onde hoje é a lanchonete”, conta a nora, Marilza. O ponto chegou a fazer parte do Correios antes de ser adquirido. “Uma pessoa invadiu aqui e depois vendeu pra ele. Posteriormente, ele adquiriu [espaço] no usucapião”.

O objetivo do carteiro que virou gerente e se aposentou pelo Correios, sempre foi vender suas saltenhas. O Cantinho existe há mais de quatro décadas sempre no mesmo local. “Ele começou a fazer a saltenha, sempre vendendo todo tipo de salgado, como quibe de arroz, pastel de queijo, carne, mas a saltenha era o principal daqui”. Com o passar do tempo, a receita de família virou um sucesso e foi atraindo cada vez mais clientes.

A família conta que Seu Pastor trabalhou até enquanto pôde. “Ele ficou aqui até morrer. Era ele quem fazia os recheios. Pastor vinha para a lanchonete até aos domingos, quando estava fechada, só para conferir se estava tudo certo com as coisas dele. Entrava 5h da manhã e só saia 18h da tarde todos os dias”, revela a família. Atualmente, entre todos os funcionários, só Clayton e os filhos conhecem e fazem todo o preparo do recheio.

De pai para filho e do filho aos netos

Já são pelo menos quatro gerações que carregam a receita sigilosa que dá vida à saltenha mais famosa do estado. Marilza relata que aconteceu algo incrível, quase sobrenatural pouco antes de o patriarca da família Mugraby falecer. “Antes dele morrer, meu esposo acordou de madrugada e pensou: rapaz, eu vou aprender esse recheio. Isso aconteceu dois meses antes. Seu Pastor ensinou meu esposo, que já ficou fazendo os recheios das saltenhas, desde então”.

Os próprios clientes sempre brincavam com a receita secreta e viviam dizendo para que Clayton, Marilza ou os filhos aprendessem logo para não ficarem sem o lanche, pois Pastor já estava ficando mais velho. “Meu sogro até ficava chateado quando falavam isso”, brinca a nora. Hoje, quem mais fica dentro do empreendimento são os netos. Clayton se dedica mais à parte administrativa dos negócios, às compras, Marilza ajuda na cozinha e os netos atendem, cuidam do marketing, dos recheios e se encarregam de manter a qualidade dos produtos.

“Nós temos clientes que já comem aqui há mais de 30 anos. Eles mesmos falam que só comem salgado se for aqui. Acredito que nosso diferencial seja sempre dar o melhor aos clientes”, diz a matriarca. Com o criador do negócio, eles afirmam ter aprendido a perseverar. “Não é fácil, não. Agora nessa pandemia, então, quase que a gente fecha as portas. Meu sogro teve uma perseverança muito grande por esse lanche, porque já passamos por várias crises aqui”.

Mesmo com as dificuldades, a família encontra forças para seguir tocando o legado de Pastor. A empresa se tornou um negócio familiar. A maior parte dos colaboradores tem o mesmo parentesco, quando não, são amigos ou colegas muito próximos da família.

Segredo do sucesso

A nova geração da família Mugraby, que gere a lanchonete deixada pelo Pastor, não tem dúvidas de que possuem dois importantes fatores para um sucesso de tão longo prazo. São eles: tempero e clientela fiel. “A gente compra os melhores produtos, tentamos agradar o cliente assim. Nosso produto não é um produto barato, as pessoas até brincam dizendo que é o lanche mais caro que tem, só que a gente procura fazer o melhor e todos gostam”.

O tempero também é tido como um dos segredos importantes da empresa. “Nossos produtos são muito bem temperados. A gente não economiza nisso e essa atitude vem desde quando Seu Pastor era vivo. Sempre compramos os melhores ingredientes, gastamos muito dinheiro com tempero”. No atual cenário da economia brasileira, com o preço dos produtos elevando constantemente, fica difícil manter um preço mais baixo nos salgados. “É complicado para o cliente. Ele chega aqui e tem aumentado o valor das coisas. É uma luta constante para podermos manter isso aqui”, lamentam.

A conquistas de centenas de clientes também é outro ponto que favorece o estabelecimento. “Graças a Deus temos clientes tão fiéis que, mesmo com as portas fechadas na pandemia, eles vinham aqui atrás de comprar. Atendíamos eles em drive-thru e eles diziam que não iriam deixar a gente, que iriam continuar conosco para nós não fecharmos a lanchonete”. Chegava a formar fila de carros na rua do Cantinho enquanto estavam na bandeira vermelha da pandemia.

No pico da contaminação de Covid-19, eles tiveram de demitir todos os funcionários. “Ao todo, são 13 colaboradores. Quando fechou tudo, todos nós da família tivemos que colocar a mão na massa para não ter que fechar em definitivo. Recentemente estávamos vendo que não estava dando para manter aberto porque nunca atrasamos pagamento de salário e começou a atrasar. Aí foi quando decidimos aumentar o preço dos salgados”.

Esse foi mais um dos momentos difíceis, mas que por incentivo dos clientes, acabou superado. “As pessoas que compram todos os dias dizem: ‘aumente o preço do produto, mas não caia sua qualidade, porque o seu salgado é muito bom. Isso que dá estímulo pra gente. O nosso próprio cliente dizer isso”.

Renovação

Passados mais de 40 anos, hoje o empreendimentos sustenta cerca de 15 famílias. São 80 litros de recheio de saltenhas feitos diariamente. Cada uma delas leva aproximadamente 185 gramas do recheio com tempero secreto. Agora, planejam expandir os negócios. “Pretendemos deixar tudo bem mais estruturado fisicamente. Já começamos a investir nas redes sociais, no marketing e no delivery, coisa que antes não fazíamos”, conta Nathan Mugraby, um dos netos que ficam à frente da empresa atualmente.

Como o ponto da empresa é um patrimônio deixado pelo patriarca e Clayton tem cinco irmãos, a família paga um valor como se fosse o aluguel para os irmãos. A família vive exclusivamente com o lucro da lanchonete, dependendo da continuidade do sucesso nas vendas. Marcos Vinicius, também neto do Pastor, reconhece a importância da lanchonete na cidade. “Esse lanche já virou um patrimônio do Acre e vi que é uma oportunidade de crescer cada vez mais. Uma das coisas que fizemos para contornar as dificuldades foi o delivery. Quando começou a pandemia, nós mesmos que fazíamos entrega nas motocicletas, por mais de um ano eu e meu irmão fazendo as entregas”.

O sistema de entrega vem dando muito certo. “Depois fomos nos organizando, chamando motoboy. Antes disso, além de entregar, a gente cozinhava, atendia, fazia de tudo mesmo. Eu e meu irmão crescemos aqui dentro”. Para o neto, o Cantinho significa muita coisa. “Não são 10 anos, são 42. A gente cresceu nisso aqui, a gente depende disso. Além do lado financeiro, tem uma historia muito grande que começou com o meu avô. Ele sempre ajudou muito a família, mesmo antes de meus pais assumirem o lanche. Ele sempre tentou ao máximo unir a família, e tudo isso era possível porque ele tinha esse lugar. Foi um meio de unir toda a família, então, o Cantinho significa família”.

Nathan, o mais novo, conviveu pouco com o avô. “Quando comecei a trabalhar aqui, ele já havia falecido. Meu pai estava muito sobrecarregado e por isso que eu vim. Mas como a gente cresceu aqui, uma coisa que a gente percebia é que tudo que ele ia fazer, fazia não para ele, mas porque ele pensava no cliente”. Até hoje os Mugraby’s priorizam cozinhar pensando no cliente e não neles próprio. “Tem cliente que chega aqui e fala: ‘meu pai me trazia aqui e agora estou trazendo meus filhos’. Por isso que por muito tempo isso aqui não fechou, porque tentamos, ao máximo, trabalha conforme o cliente gosta. Tem coisas que eu tenho que cozinhar que eu não gosto, mas eu sei que os clientes gostam. Então a gente tenta ao máximo colocar sempre o cliente em primeiro lugar”.

Amor e qualidade

Além do produto principal de vendas, que é a saltenha, o Cantinho ainda conta com uma variedade de outros salgados, como coxinha, quibe, pastéis e sucos. O empreendimento foca ainda em recheios especiais, como camarão, bacalhau e recheios doces. Nathan diz que apesar de a situação não estar fácil pra ninguém, tentam fazer o podem. “O custo é muito alto, mas a mensagem que deixamos a quem se inspira na gente é fazer as coisas com o maior amor possível e qualidade”.

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Neto do Pastor ensina como comer a saltenha do jeito certo – Vídeo: Sérgio Vale/ac24horas.com

A paixão pelo tempero do Pastor faz com que inúmeros clientes comprem as saltenhas congeladas para levar para fora do estado e até outros países. “A gente tem persistido nesse caminho e graças a Deus, toda semana sai até cinco encomendas pra fora do estado. São acreanos que estão morando fora do Acre ou familiares que vêm aqui visitar e quando estão voltando levam consigo. Toda semana sai de 10 a 15 saltenhas pra fora. Eles congelam aqui e quando chegam lá, descongelam e fritam”.

Os netos afirmam que esse é o caminho, de fazer o trabalho sempre com amor e tentando agradar os clientes. “A gente não tenta fazer algo pra ganhar dinheiro, porque se a gente focar nisso, as coisas não vão sair legais, porque dessa forma a gente acaba tentando economizar em alguma coisa, economizar no tempero, por exemplo. Mas quando a gente faz algo que é pra agradar as pessoas, com amor, com qualidade, sem pensar no dinheiro e no retorno, o sucesso vem com consequência”, concluem.

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Destaque 7

Doceria aberta para renda extra vende quase R$ 100 mil em 7 dias

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Era para ser um serviço temporário, um escape para o desemprego que assolava o auge da pandemia de Covid-19 em Rio Branco, capital do Acre. Erika Magalhães e Elizardo Lima estavam sem trabalhar quando decidiram vender brigadeiros pela internet para conseguir comprar comida e pagar as contas. Eles só não imaginavam que em tão pouco tempo sairiam do zero para um faturamento de mais de R$ 90 mil na semana da Páscoa em 2021. Uma doceria de bairro que conquistou milhares de clientes em toda parte da cidade.

A ideia que nasceu como uma forma de renda extra rapidamente se tornou uma das principais casas de doces da capital acreana, a Mimu’s Doceria, maior fonte de renda do casal. Erika e Elizardo são procurados por pessoas e organizações de vários estados, tamanho sucesso alcançado com a empresa que tem como carro-chefe atualmente a venda de bolos, divulgados como “caseirinhos”. Eles creditam à persistência o fato de terem alcançado mais do que esperavam.

Erika trabalhava como vendedora num shopping da cidade quando começou a ter crises de fibromialgia. Com isso, teve de abandonar o emprego e ficar em casa, o que a levou a uma depressão. “Aí, em 2018, comecei a trabalhar com doces em casa. Nessa época ainda não conhecia meu esposo. Como eu morava no bairro Vila Acre, era muito inviável fazer entregas, trabalhar sozinha e acabei parando”.

O casal se conheceu em 2019. A jovem ainda estava com dificuldades em se recolocar no mercado de trabalho e decidiu vender roupas. “Viajei para São Paulo, pensei em ser sócia da minha irmã, mas o negócio não deu certo, ela quis o dinheiro de volta e eu nem tinha como devolver”. Por sorte, uma amiga da igreja que Erika tem como uma mãe, a emprestou os R$ 11 mil que ela devia para poder quitar a dívida com a irmã. Entretanto, ficou com toda a roupa “empancada”.

“A partir daí eu não quis mais trabalhar com roupas. Desencantei totalmente. Nesse período o Elizardo trabalhava com venda de ingressos. Começamos a namorar e rapidamente já estávamos morando juntos no apartamento da Vila Acre”, conta. Com o agravamento da pandemia, o parceiro ficou totalmente desempregado.

“Eu já estava desempregada e depois ele [esposo] também ficou. Começamos a nos preocupar muito. Eu sou bastante nervosa e ficava pensando no que a gente iria comer no dia seguinte. Desde criança sou assim, pequenininha eu ficava atrás da porta chorando e perguntando para minha mãe o que meus irmãos iriam tomar café no dia seguinte”, relata Erika.

Ponto de partida – Num desses dias de aflição, em meados de janeiro de 2020, com aluguel e outras contas atrasadas, o casal estava deitado quando Elizardo viu a fotografia de uma barca que Erika havia feito com brigadeiros de chocolate. “Ele me disse: ‘por que você não faz isso para vender?’ Eu respondi que já tinha feito no passado e não havia dado certo”.

Otimista, o marido afirmou: “se você fizer, a gente vende 10 barcas em um dia”. Com mais de 10 mil contatos no WhatsApp, já que trabalha na divulgação de eventos, Elizardo começou a divulgar os doces que Erika começaria a produzir. “Ele publicou num grupo de comida do Facebook. Fiz uma barca bem bonita, com frases de chocolate escritas ‘te amo’, ‘me perdoa’, e ele fez a foto. Começamos a postar nas redes sociais e nossos anúncios viralizaram na internet”.

Em questão de semanas, as encomendas de barcas e brigadeiros aumentaram substancialmente e os jovens empreendedores começaram a traçar metas. “No início, nossa meta era vender R$ 100 por dia. Todo dia a gente fazia esse valor e foi aumentando. Passou pra R$ 500, R$ 600 e vimos que estava dando certo”, conta Elizardo. O casal foi praticamente expulso do apartamento onde moravam porque quando a média de vendas chegou a R$ 700 por dia, cresceu muito o fluxo de clientes no local e os vizinhos começaram a reclamar.

Foi no período de Páscoa em 2020 quando os proprietários do que se tornaria a Mimu’s Doceria perceberam que o negócio estava engrenando e iria render bons frutos. Foi uma explosão de vendas. “Fizemos R$ 12 mil reais no apartamento que morávamos, mas tivemos que sair de lá, sempre focando que iria dar certo. A gente não dormia. Na madrugada a gente lavava louça, durante o dia fazia os doces e à tarde saía no carro entregando”.

Reviravolta – Elizardo saiu tarde da noite para entregar um dos tradicionais “caseirinhos” quando descobriu um local com ótima localização para vendas pronto para alugar.  “Ele chegou tarde me acordando: ‘amor, tenho uma novidade pra ti. O ponto que a gente sempre falava está vazio’. De início, pensei que não conseguiríamos manter, pois tínhamos muitas dívidas, apesar de estarmos com dinheiro das vendas”, destaca Erika.

O casal ligou para a proprietária, que falou: “eu nem iria alugar, pensei em ficar com o ponto, mas Deus tocou no meu coração que é para ser de vocês”. A partir daí começa a trajetória de muito esforço até chegarem ao que são atualmente. “A gente não tinha nada. Mudamos na cara e na coragem. Os amigos nos ajudaram, um deu um freezer, as mesas, outro também doou outras coisas. Todo mundo nos ajudando. A irmã da Erika emprestou o cartão para comprarmos mercadoria”.

No entanto, eles só vendiam brigadeiro e quando mudaram para a estrada da Floresta, os clientes sempre procuravam por bolo na Mimu’s Doceria. “Antes da gente, já teve outra doceria nesse ponto e quando a gente abriu, os clientes vinham muito em busca de bolo.  A gente dizia que tinha acabado, que no dia seguinte iria ter, mas na verdade nem vendíamos esse produto”, brinca Elizardo.

Erika teve uma infância difícil, morou só desde os 13 anos, quando saiu de Plácido de Castro para Rio Branco. Desapegar de todos os bens materiais que estavam no antigo apartamento para poder alugar um ponto comercial foi um momento difícil para a doceira. “Aos 21 anos tive que vender tudo que eu tinha no apartamento. Tive que abrir mão de morar sozinha e ir para casa da sogra. Mas como era por um bem maior, fiz para tentar fazer dar certo. Vendi as coisas do quarto e da sala e as da cozinha trouxe para a loja”.

O forno que eles tinham era bem pequeno, junto a um armário e uma mesa. A mesa trincou assim que colocada dentro da loja. Em pouco tempo, o forno já não assava mais e o casal teve de recorrer novamente à irmã de Erika. “Ela me emprestou um cartão de crédito com R$ 15 mil. Estouramos. Não tínhamos experiência com nada, então gastamos com coisas desnecessárias. Hoje, se nos derem R$ 15 mil, abrimos uma doceria completa. Até hoje estamos terminando de pagar esses cartões”.

Após os perrengues iniciais, os empreendedores conseguiram comprar uma batedeira industrial, dois fornos industriais e conseguiram manter o ritmo de compra de todos os insumos.

A receita do bolo – Até alcançarem a glória, ambos enfrentaram uma verdadeira guerra para chegar na receita do bolo que é vendida hoje pela Mimu’s Doceria. Foram mais de 30 dias fazendo testes, entrando pela madrugada, gastando ingredientes, para conseguir a massa ideal. “A gente veio para vender brigadeiro, mas fomos pegos de surpresa com os clientes  exigindo bolo”, contam. Erika nunca havia feito bolo para vender, somente em casa para a família.  “Não sabia como fazer, tentei várias vezes e não dava certo, passava dia e noite aqui, gastando ingrediente”.

Eram dois fardos de trigo por dia, além de ovos, açúcar, entre outros insumos, gastos por mais de um mês até conseguirem resultado satisfatório. “A gente ligava para mãe, para as amigas, assistia vídeos. E ela [Erika] só chorava. Eu sempre dizia que iria dar certo”. Questionada sobre a sonhada receita de bolo, Erika conta que foi Deus. “A receita que a gente usa hoje, tenho certeza que foi Deus que colocou nas nossas mãos. Hoje até o Elizardo já bate massa de bolo, porque ficou muito prático”.

Depois disso, puderam ver a clientela triplicar. Inicialmente, compravam uma pequena embalagem de morangos para produzir os doces, depois passaram a adquirir caixas da fruta. “Lembro da primeira vez que fui comprar uma caixa de morangos. Fiquei preocupado, pensando que iria estragar. Hoje já chegamos a comprar 20 caixas de morango em apenas um dia e gastar R$ 2 mil com morango por semana”, revela o proprietário.

Metas e rede social como ferramenta  – Ao contrário da companheira, Elizardo sempre se demonstrou mais positivo em relação ao crescimento da empresa. “Eu falava pra ela que mesmo na pandemia a gente iria montar uma doceria. Ela não tinha certeza disso. Mas sempre avisem que é na crise onde nascem as oportunidades. Em 2021, eu disse que a gente iria vender R$ 100 mil na Páscoa e a Erika duvidou”.

A mulher não imaginava que tamanho sonho seria possível. “Não vendemos R$ 100 mil, mas conseguimos vender mais de R$ 90 mil, muito acima da expectativa. E só não vendemos mais porque não tinha produto, a gente não acreditou que chegaríamos nisso. Foram 1.200 ovos de páscoa vendidos”, comenta. Ela relembra que na quarta-feira antes da páscoa, não tinha nem 10 encomendas.

“Só que à noite fizemos uma divulgação por tráfego pago [investimento em plataformas e sites] e no dia seguinte não demos conta de tantas encomendas. Tivemos que fechar as portas e se dedicar só aos pedidos. Vendemos 800 cascas de ovos em menos de um dia. Foi aí que a gente viu o quanto iríamos expandir o negócio”, relata Erika.

De lá para cá, não é difícil observar a formação de longas filas de clientes a procura dos produtos da doceria. O próprio Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) descobriu o sucesso do estabelecimento e fez uma visita à cozinha da Mimu’s no início deste ano. A instituição chega a citar a empresa em algumas palestras. “A gente enfrenta muitas dificuldades ainda, mas vamos conseguindo seguir em frente. Logo que viemos pra cá, sofremos um linchamento virtual com algumas pessoas espalhando mentiras sobre nossa empresa. Diziam  que não trabalhávamos com produtos de qualidade”. O casal atribui a retaliação ao marketing pesado que eles utilizam na internet. “Usamos muito a mídia e isso nos ajudou bastante na propagação da marca”.

Expansão em lojas, cursos e franquias – Os donos planejam abrir mais duas filiais em breve na capital acreana. Simultaneamente às novas inaugurações, eles já projetam o lançamento de cursos sobre empreendedorismo e ainda da franquia Mimu’s Doceria. “Já abrimos outro ponto, que é uma cozinha, e vamos expandir mais duas lojas. Estamos só procurando os locais. Queremos que um seja na Vila Acre e outro perto do Horto Florestal”.

O objetivo é facilitar para o cliente dessas localidades, que chegam a pagar R$ 15 pela taxa de entrega. “Não temos como acabar com essa a taxa porque temos de 10 a 15 motoboys aqui na frente e que precisam ganhar o deles também. Temos menos de dois anos de empresa e 7 funcionários fixos e mais 4 esporádicos, que chamamos quando precisamos”, diz Erika.

Elizardo assegura que hoje eles se veem como uma doceria delivery. Eles já pensaram em colocar mesas, trabalhar com atendimento presencial, mas viram que esse não era o forte do casal. “Decidimos que vamos focar em trabalhar com doces rápidos. A pessoa sai do trabalho apressada e precisa de um bolo? Aqui tem. Kit parabéns vende muito, as pessoas esquecem, pegam aqui e pronto”.

Hoje o modelo que a Mimu’s trabalha e que ainda abrirá outras filiais é o modelo delivery. “A gente não tem mais vontade de abrir mesas e pelo que sabemos só a gente funciona assim. O delivery hoje é tendência no Brasil, principalmente depois da pandemia. Nos dias em que a gente mais vendia era quando estava decretado lockdown e estava tudo fechado na bandeira vermelha”, afirmam.

Um diferencial da empresa é a entrega rápida, já que a mesma atua com produtos prontos e entregadores próprios. “Chegam muitas pessoas de outras empresas, amigos querendo saber da gente como conseguimos montar tudo isso. Querendo ou não, é um mérito nosso, serve de modelo, exemplo. Hoje pra nós é mais fácil porque já sabemos o caminho, por onde começar. Na prática, foi tudo muito novo e apanhamos muito. Já tentei vender perfume, marmitas, Erika já tentou vender roupa, mas não deu certo. Agora estamos aqui”, conta Elizardo.

Expectativas pro futuro

Os proprietários relatam que quando pensaram em mudar para onde fica a doceria hoje, algumas pessoas disseram que não iria dar certo, mas eles só tinham essa opção. “A gente tinha que fazer dar certo, nem que fosse só os três meses de contrato do aluguel. Estamos no local há quase dois anos e tínhamos que dar certo, se não fosse vendendo brigadeiro, iria ser vendendo bolo, se não fosse vendendo bolo, seria refrigerante, mas aqui vai ter que dar certo”.

Hoje eles comercializam brigadeiros, copos da felicidade, combos, kits promocionais, mas o carro-chefe é mesmo o bolo. “A internet também nos salvou. A gente usa estratégias de venda também para vender ingressos, que já usamos em nosso delivery. Em dias de promoção, vendemos até R$ 10 mil em doces. A gente sempre foca em não perder venda e dobrando nossa meta”, completam.

A meta de vendas para este final de ano aumentou, com a nova cozinha, poderão trabalhar de forma melhor. “Vai ter um local só para montagem de produtos e outro será uma fábrica, para produzir bolos, recheios, que é pra quando a gente abrir as outras lojas já estarmos preparados”.

Hoje a doceria já gira capital sozinha, o que já fez realizar alguns sonhos na vida do casal, que está grávido de 7 meses. “Agora, com a Eloá, mais do que nunca isso aqui tem que triplicar. Se antes a gente não tinha a opção de dar errado, hoje é que não temos mesmo. Se isso não der certo pra mim, não sei mais o que vou fazer. Tem que continuar dando certo”, conta Erika.

Propostas – O sucesso da doceria já notado fora do Acre. Empreendedores de pelo menos três estados e dezenas de cidades do Acre já procuraram o casal na tentativa de uma franquia da Mimu’s Doceria. Erika confirma: “gente de Fortaleza, Aracajú, Porto Velho, cidades do interior do Acre querem nosso modelo. A gente já até começou com esse projeto, assim como os cursos, que já tem aulas gravadas, mas foi quando descobri a gravidez e parei”.

A meta da empresa é vender no mínimo R$ 200 mil neste fim de ano. “Além da doceria, procuramos sempre ter novas fontes de renda, porque quando uma não está bem, precisa de outra para levantar.  A gente quer expandir, já penso em ir pra outros estados, vender cursos e isso vai sair do papel em 2022. Queremos fazer modelo de franquia, não podemos desanimar”.

O casal deixa uma mensagem a quem se inspira na história da Mimu’s. “Não desistam. Se com a gente deu certo, é impossível dar errado com qualquer outra pessoa. Já auxiliamos vários amigos, um deles abriu uma doceria depois de ensinarmos tudo do zero. A persistência é 1% a cada dia bem feito e dá certo. Hoje não temos medo de entrar em qualquer lugar e poder comer sem se importar com o valor da conta. Já nos sentimos realizados por podermos comprar o que quisermos e darmos o melhor a nossa filha. A maior realização é querer algo e poder comprar”, finalizam.

 

 

 

 

 

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