O Levante Feminista contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio do Acre realizou, mesmo debaixo de chuva, uma manifestação na tarde deste sábado (28), em frente ao Estádio Florestão (Tonicão), em Rio Branco. O ato reuniu cerca de 20 pessoas.

A mobilização teve como foco denunciar dois episódios recentes: o caso de estupro coletivo ocorrido no alojamento do Vasco Futebol Clube e a contratação do goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, pelo mesmo clube.

A representante do Levante Feminista no Acre, Jade Cabeça, afirmou que o grupo integra um movimento nacional criado em 2021, a partir da articulação de diversos coletivos de mulheres.

“É um movimento que surge diante da insustentabilidade da violência contra as mulheres. Todos os dias existem casos de feminicídio. No Acre, tivemos 14 registros no ano passado, e sabemos que há subnotificações. Também há um número alarmante de casos de estupro”, declarou.

Segundo Jade, a contratação de pessoas condenadas por crimes contra mulheres gera preocupação, especialmente pelo impacto simbólico no esporte.

“O futebol forma opinião. Precisamos refletir sobre quais referências estão sendo dadas às novas gerações”, afirmou.

Uma professora identificada como Amanda, que participou do ato, criticou a postura de membros da comissão técnica do clube e repudiou qualquer forma de relativização da violência contra a mulher.

Já a presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB-AC), Socorro Rodrigues, destacou que figuras públicas, como atletas, exercem influência sobre jovens e adolescentes.

Foto: Saimo Martins

“Os jogadores são grandes influenciadores. Precisamos refletir sobre que exemplos estão sendo transmitidos. A violência doméstica não atinge apenas uma família, mas gera impactos nas futuras gerações. Não podemos naturalizar ou relativizar a violência”, pontuou.

Rodrigues também comentou sobre a reação de empresas patrocinadoras, que, segundo ela, teriam revisto posicionamentos diante da repercussão do caso.

A manifestação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar do Acre, que realizaram o acompanhamento para garantir a segurança dos participantes.