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Ciopaer, mudanças climáticas e o fenômeno da cegueira

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O “El Niño” que maltrata a pele, a paciência e a rotina do acreano e do mundo poderia ser uma oportunidade de aprendizado para os gestores públicos daqui. Reportagem do ac24horas, assinada por Sandra Assunção e Leônidas Badaró, informa que seis terras indígenas e cinco cidades acreanas podem ficar isoladas em função da seca. E pior: a expectativa é de que a situação só venha a amenizar em dezembro, com otimismo. É o pior cenário já vivenciado por aqui.


Os fatos têm se imposto e o governo parece que tem demonstrado alguma sensibilidade em aprender. Exemplo: esse período de forte estiagem, consequência do fenômeno climático El Niño. É evidente que se o Estado fosse usar a estrutura convencional de apoio às comunidades de Porto Walter, Jordão, Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus não conseguiria socorrer milhares de pessoas que precisam de água, comida, assistência médica como qualquer cidadão. Eles têm direito. Não é favor do Estado. Pensando nesses momentos extremos, em 2009, ainda na gestão de Binho Marques, foi criado o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

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O Ciopaer é uma demonstração concreta de que os eventos extremos das mudanças climáticas estão sendo apreendidos pela gestão pública local. E todos precisam entender assim. Inclusive a imprensa. Atente o leitor: o que está sendo defendido aqui é o fortalecimento de uma estrutura de Estado para dar amparo, garantido na Constituição, a todos os acreanos. A linha de argumentação é de melhorar ainda mais a estrutura de um setor que compõe uma força de Segurança do Estado.


Nesse aspecto, até mesmo a imprensa precisa aprender. Para além das falsas polêmicas sobre quais desenhos devem ter as aeronaves (se devem ser colocadas estrelas ou brasões), o que precisa ser fortalecido é o Ciopaer. O Governo do Acre está criando uma base do Centro Integrado em Cruzeiro do Sul. Isso vai diminuir o tempo de resposta às demandas tanto na área de Segurança quanto de assistência médica ou de necessidades básicas: como comida e água.


Hoje, o Ciopaer conta com apenas duas aeronaves (AS 50 Esquilo). Um terceiro helicóptero deve chegar no início de dezembro deste ano (AS 50 B3). Com esses eventos climáticos cada vez mais extremos, não é necessária muita imaginação para defender a ideia de que o Estado deve continuar com atenção redobrada em cuidar do trabalho do Ciopaer. Olhado com desconfiança em setembro de 2009, como se fosse um luxo da gestão para beneficiar Jorge Viana (à época à frente da Helibras), agora o trabalho desses 15 tripulantes operacionais, 10 copilotos e 3 comandantes passa a ser estratégico.


Fortalecer o Ciopaer é reconhecer a grandeza da geografia local. Ela se impõe. É também uma demonstração de como o Estado tem que se adequar a ela, sobretudo nesses momentos tão delicados como o que o povo do Acre está vivendo.
O que é necessário, de forma urgente, é mudar o juízo de parlamentares locais, que ainda insistem em negar os efeitos da ação humana no impacto às mudanças climáticas. Apegam-se a um ou outro acadêmico, escondidos em instituições de ensino mundo afora, que negam (ou minimizam) a influência humana nas mudanças climáticas mais como uma ferramenta para massagear o ego do que baseado em evidências. Há também jornalistas, antes militantes do movimento ambientalista, que agora dão voz ao negacionismo climático.


Uma coisa é contestar a atuação de ONG’s nas relações que mantêm com os diversos governos; uma coisa é questionar o dinheiro tramado nessas relações. Isso precisa ser melhor esclarecido de fato, até mesmo em nome da transparência da gestão pública: quem deve que pague ou devolva o que pegou ilegalmente.


Outra coisa bem diferente é negar o que está evidente aos olhos de todos: a ação humana parece ter chegado ao limite para a finitude dos recursos que o meio ambiente dispõe. Não vê quem não quer. É como teimar na ideia de que a terra é plana. “E pur si muove!”. “Mas eis que ela se move”, como já foi dito por um bom professor há 390 anos.


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