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Bastidores de um transplante: a corrida contra o tempo para salvar uma vida

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Apesar de ser contraditório, a chance de vida de um paciente que precisa de um transplante, dependendo do tipo de procedimento, está condicionada a morte de uma outra pessoa.


Além da doação do órgão, que é um gesto de amor de uma família no momento da perda de um familiar, um fato que chama a atenção é a logística e a rapidez necessárias para realizar o procedimento em tempo hábil e garantir o sucesso do transplante.

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Tão importante quando a cirurgia de transplante, é captação do órgão.


Logística para garantir uma vida

A captação de um órgão para transplante, quando é feita fora do estado, torna o procedimento cirúrgico ainda mais desafiador. Não precisa apenas de profissionais qualificados, é preciso agilidade. Tudo começa com uma ligação. A Coordenação de Transplante na Fundação Hospital é informada pela Central de Regulação Estadual, que há disponibilidade de um doador de órgão, conforme o Sistema Nacional de Transplantes.



Prontamente, a equipe médica da unidade de alta complexidade inicia toda logística para a captação.


Foi o que aconteceu na última quinta-feira, 13, quando a equipe da Fundhacre foi até Porto Velho captar um fígado para mais um transplante.


Apesar da proximidade entre os estados, para garantir a captação do órgão em tempo hábil, somente é possível que a equipe se desloque por aeronave. Sem um voo comercial disponível e com a impossibilidade da parceria com a Força Áerea Brasileira (FAB), foi preciso o uso de um avião particular para realizar a captação do fígado em solo rondoniense.


A equipe e o fígado chegaram ao Acre por volta das 21h15 de quinta-feira, 13, de um processo de logística que iniciou no dia anterior, pela parte da manhã.



“Essa correria é extremamente necessária, já que são pessoas que precisam do transplante para terem chance de continuarem vivendo e não podemos perder a oportunidade”, diz o diretor assistencial da Fundhacre, Evandro Teixeira.


As famílias e a cirurgia de transplante

Por lei, a doação de órgãos no Brasil é somente concedida com autorização expressa dos familiares após confirmação da morte encefálica. A doação é regida pela Lei nº 9.434/97. É ela quem define, por exemplo, que a retirada de órgãos e tecidos de pessoas mortas só pode ser realizada se precedida de diagnóstico de morte cerebral constatada por dois médicos e sob autorização de cônjuge ou parente.


“Estava em Sena Madureira quando recebi a notícia que meu esposo ia ser transplantado. Louvei a Deus e me ajoelhei. Não tem sido fácil a nossa luta. Acredito que agora ele inicia uma nova vida. Gratidão a cada um”, diz Vanessa Lima, esposa do receptor de fígado, 25 anos, portador de cirrose hepática por vírus da Hepatite B e Delta, internado há duas semanas e aguardando no topo da fila, devido à gravidade do quadro clínico.



Este foi o décimo primeiro transplante de fígado do ano no Acre. Desde o início do programa, já foram realizados 73 procedimentos.


“O transplante é um processo complexo, que envolve todo o hospital, desde a farmácia até o motorista”, comenta a coordenadora de transplantes, Valéria Monteiro.


O programa de transplantes no Acre começou em 2014 e o estado segue sendo o único da Região Norte a fazer o procedimento. “Precisamos ter uma equipe competente e que responda com a rapidez necessária por conta da complexidade do procedimento. Nossa satisfação é saber que após todo o esforço, temos um paciente com a possibilidade de uma nova qualidade de vida”, afirma João Paulo Silva, presidente da Fundhacre.


Fotos: Gleison Luz/Ascom Fundhacre.

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