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EDITORIAL: A arte de manejar o “olho de boto”

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Na coluna de ontem (24), o articulista Luiz Carlos Moreira Jorge, o querido Crica, chamou atenção para o “olho de boto” que existe no paletó do deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB). Uma referência brincalhona à capacidade de convencimento do comunista que, sozinho, dobrou toda base aliada do governador Gladson Cameli no episódio dos servidores do ISE, que ingressaram no serviço por um processo seletivo polêmico. Uns argumentam que não houve concurso público; outros que a seleção atendeu ao que o Estado cobrou.


Sem querer entrar no mérito se houve concurso público ou não, o ac24horas chama a atenção do governador Gladson Cameli quanto ao aspecto político do problema. Se há um ponto de consenso entre todos os que acompanham a rotina da Aleac é a postura republicana de Gladson para com o parlamento.


Ele segue as regras do jogo. No início do primeiro mandato, houve vacilo até se encontrar o tom e o ritmo adequado. Pois bem: esse “tom” e esse “ritmo” foram buscados. O desafio é fazer com que eles sejam mantidos. E o governador tem sabido manejar. Mas, vez por outra, a base aliada parece querer se autovalorizar e pregar um susto no Gabinete Civil.

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Todos sabem que o deputado Edvaldo Magalhães não tem “olho de boto” no paletó. Todos sabem que os demais 23 colegas do comunista se deixam convencer quando há um cenário conveniente.


Um governador que cede em quase tudo aos integrantes da base; um governador que sempre está presente nas ações do parlamento; um governador que sempre faz questão de ressaltar o trabalho da Aleac nas agendas públicas; que valoriza a fala dos deputados nos eventos oficiais não pode ficar vulnerável politicamente. O episódio dos servidores do ISE é apenas um alerta.


E o manejo dessa relação precisa ter outros vigilantes. Não adianta Gladson se esforçar na consolidação dessa relação e os assessores palacianos não manterem o mesmo cuidado. Por exemplo: há aproximadamente dois meses, o chefe do Gabinete Civil do Acre só não esbofeteou a cara da esposa de um parlamentar porque uma carapanã passou mesmo na hora e atrapalhou.


O clima ficou pesado. Os tapas e murros na mesa foram ouvidos longe no gabinete do governador do Estado. Ponto para a esposa do parlamentar que não se fez de rogada e se manteve firme, altiva. Ao contrário do parlamentar e esposo que a tudo assistiu, calado por meia dúzia de cargos.


E o quiprocó misógino só não foi pior, talvez, por causa do circuito interno de câmeras que, se não foram desligadas, podem comprovar. Com um detalhe: o episódio foi protagonizado por quem deveria manter o alto nível na relação com os parlamentares. Como faz Gladson Cameli.


E a tendência é que a fina sintonia entre o Gabinete Civil e o parlamento seja cada vez mais necessária até 2026. Cameli tem conseguido tranquilidade na relação com os parlamentares. Não há necessidade de os deputados quererem se valorizar na marra.


Daqui a dois anos, quando todos precisam voltar a reverenciar à “sua excelência, o eleitor”, os “mimimis” de assessor não podem atrapalhar ações estratégicas de um governante que, até aqui, tem sabido se relacionar politicamente com todos. As burras oficiais refletem isso. Essa conta Gladson sabe fazer, e bem. O “olho de boto” parece estar em outro paletó.


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