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Tereza: Mulher e Nortista

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“O sertanejo é, antes de tudo, um forte”.

“Sertanejo”. Muitos tomaram essa locução de Os Sertões e, achando que podiam melhorá-la, tornando-a, assim, mais significativa daquilo, ou daqueles, de que(m) Euclides da Cunha verdadeiramente falava, comutaram o vocábulo original por “nordestino”. Não soou, mesmo, algo fora do lugar. Ora, se o todo – neste caso, o livro – é aquilo a que chamamos “obra aberta”, de apropriação coletiva e, pois, dado à mais ampla interpretação, por que não o seria também a parte, isto é, cada uma de suas sentenças?

“O nordestino é, antes de tudo, um forte”.  Quem seria capaz de o negar?

Não pesquisei, nem o farei, mas imagino que essa versão deva contar, hoje, com mais “entradas” (e talvez até “resultados”) nos mecanismos de pesquisa da Internet do que o arranjo original.

Quero, no entanto, propor um passo novo – que, por avanços que tenhamos cometido, ainda não demos –, na forma de duas alternativas: “a sertaneja é, antes de tudo, forte”.  Ou, o que também me agrada, “a nordestina é, antes de tudo, forte”. Contrario-me e vou além, numa terceira variação: “a nortista é, antes de tudo, forte”.

Penso que assim vou me aproximando, muito modestamente, do que Euclides da Cunha efetivamente quisera pronunciar. Porque ele certamente não excluiria de tão bem rematada síntese o homem nortista. Não apenas porque, na genealogia, descendente direto, e herdeiro, da fibra, da coragem e da bravura do nordestino; mas também porque as lutas do nortista se mostram ainda mais duras, pois desgraçadamente anacrônicas, em pleno século XXI, que aquelas travadas, no passado e mesmo no presente, por seus ascendentes, por assim dizer.

E tudo quanto digo sobre o homem nordestino e o homem nortista se aplicam, e se aplicam ainda mais, à mulher nortista – brava, forte, corajosa, persistente e, para usar um vocábulo da moda, “resiliente”. Penso que o autor de Os Sertões me daria sua benção.

Tive a honra de conhecer uma dessas mulheres.

Tereza Lima de Souza Barreira: mulher, esposa, viúva, mãe, trabalhadora e trabalhadeira. Nascida no seringal, sem berço e sem instrução. Se existe um chamado “Brasil profundo”, D. Tereza veio de um país ainda mais profundo e incógnito – o interior perdido do Amazonas.

Nortista. Adicionar que também “brava”, “corajosa” e “forte” soa redundante.

Muito cedo, D. Tereza se casou; muito cedo lhe rebentaram os filhos e, também muito cedo, Deus lhe recolheu o marido, deixando-a, praticamente uma menina, na casa de seus brevíssimos dezenove anos, sozinha, com quatro bocas e respectivos pandulhos para alimentar e encher.

“Tereza no velório do marido Raimundo Galdino, junto a seus 4 filhos, por volta de 1972, Vila Ivonete, Rio Branco-AC” – Foto: Arquivo

Já não estava sequer em sua terra, mas numa Rio Branco inóspita, que nada lhe devia, nem mesmo um sorriso ou um afago nas costas – para onde fora em busca de dar à prole a educação que não tivera para si.

Sem saber riscar o próprio nome, D. Tereza bem poderia ter, como a muitas ocorreu, desandado na vida. A dignidade, a fibra, enfim, a “força sertaneja e nortista” que lhe percorriam as veias, não o permitiram.

Foi trabalhar em casa de família, onde fazia de “um-tudo”; e, assim, criou, e criou muito bem, os filhos que teve. Só pôde contar, na empreitada da vida, com os próprios genitores e alguns irmãos, a dividirem com ela a pobreza que na família fartava, sobejava.

Tereza criou os filhos e fez deles gente. Souberam mais, muito mais que desenhar ou assinar nomes. Todos estudaram e, embora seja isso um “lugar comum”, venceram na vida justamente pelo estudo.

Um dos filhos tornou-se procurador de justiça do Ministério Público do Acre, feito para poucos.

“Diga-me com quem jantas e eu te direi quem tu és”.

Certa vez, tive privilégio de levar D. Tereza para um jantar em Brasília. Fomos a um restaurante da moda, com certo garbo. Chamei o garçom e lhe pedi dois cardápios. Pus um diante dela, que logo o baixou na mesa e me disse: “pode escolher por mim, meu filho. Não vou conseguir ler. Esqueci meus óculos no hotel”.

Eu então não sabia que ela, por motivo outro – a desgraça do anacronismo socioeconômico que ceifa, no nascedouro, o futuro de brilhantes nortistas, homens e, principalmente, mulheres –, não podia ler. Em sua altivez, no entanto, não me permitiu que eu o percebesse.

Não por constrangimento ou vergonha, eu sei; mas, de alguma forma, para me preservar, o que ela entendia que lhe cabia fazer.

Ao final daquele jantar, e em razão da companhia distinta que tive, senti que podia ser um pouco mais do que o pouco que me julgava. D. Tereza, mulher, nortista, brava e forte, ao cear comigo, havia conseguido me elevar.

“Pelos frutos, conhecereis a árvore”.

Basta procurar nas Escrituras que nela se encontrará – está, aliás, em dois evangelistas, Lucas e Mateus: não se deve esperar uvas de espinheiros nem figos de abrolhos.

Prefiro, porém, uma outra fonte, igualmente rica, mas mais singela, da Doutrina que acolhi e me acolheu: “Laranjeira carregada de laranjas boas; assim são algumas pessoas”.

Tereza foi essa árvore. Sei disso, entre outras coisas, porque lhe conheço, justamente, os frutos.

Além do Bojador e da dor, o repouso de uma nortista

Conheci poucas pessoas com a alegria de viver de D. Tereza. Isso estava no olhar, na escolha das palavras, no modo de enfrentar a vida, nos simples atos de cozinhar e de cuidar da casa.

Nos últimos meses, a matéria, a densa matéria, passou a lhe pesar muito sobre os ombros, cobrando-lhe um preço altíssimo para cada passo ou respiração dados. Aos poucos, foram-lhe sendo tirados a energia, a graça, os risos – que deram lugar a demasiado sofrimento. Ninguém merece passar por isso, um quase perder-se de si mesmo; merecia menos ainda D. Tereza.

Os filhos cuidaram como puderam – e mais. Um, em especial, fez tudo, ou mais, o que podia. Avançou com a medicina até onde essa foi capaz, seja como ciência, seja como arte.

Tereza precisava, no entanto, de descanso. Fora uma vida inteira de batalhas muitas. Deus o permitiu, impedindo que o suplício se prolongasse muito além do necessário. Foi-se, na última semana de fevereiro, isenta de aflição, levando consigo a certeza de que a descendência ficou muito bem encaminhada.

O legado de D. Tereza é o espólio de todas as mulheres: a bravura, a coragem e a fibra que lhes são inerentes e não podem ser tolhidas nem roubadas. Especialmente, da mulher sertaneja, da mulher nordestina e da mulher nortista, forte entre as mais fortes.


Por Rogério de Melo Gonçalves – Consultor Legislativo do Senado Federal, Mestre em Direito do Estado.

Acre

Bezerro de 200 kg cai em poço e é resgatados pelos bombeiros

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Um bezerro pesando aproximadamente 200 quilos caiu num poço com mais de 2 metros de profundidade nesse sábado (19). A equipe de salvamento do 2° Batalhão do Corpo de Bombeiros foi acionada para resgatar o animal.

O poço fica localizado numa propriedade rural situada no ramal do Moreira, no quilômetro 2, do bairro Santa Maria.

Segundo os bombeiros, para a retirada do animal, foi utilizado o sistema de multiplicação de forças 4×1, que serve para dividir o peso do animal, que tinha cerca de 200 kg, facilitando a puxada.

A operação de resgate durou cerca de 50 minutos. O animal foi retirado com vida e entregue aos cuidados do proprietário que estava no local.

Veja o vídeo:

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Acre

Acre deve receber quase 20 mil doses de vacinas na segunda-feira

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O Ministério da Saúde informou o envio de mais um lote de vacinas contra a covid-19 ao Estado do Acre. A chegada está prevista para segunda-feira (21).

Segundo informações do órgão federal, são 19.250 doses da AstraZeneca, imunizante da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A previsão é que as vacinas desembarquem no Aeroporto Internacional Plácido de Castro, em Rio Branco, às 14h10.

O novo lote deve acelerar o ritmo de imunização na capital. Atualmente, Rio Branco está vacinando o público em geral a partir de 38 anos neste domingo (20), no Ginásio do Sesi, Manoel Julião. O mutirão começou às 8h e vai até às 22h.

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Acre

Sargento diz que formar trisal não é crime: “crime é bater na mulher”

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Durante entrevista concedida ao Cipódcast na noite desse sábado, 19, transmitida nas redes sociais do ac24horas, o Sargento Paz, da Polícia Militar, comentou o relacionamento dos sargentos acreanos que já eram casados e decidiram formar um trisal em Brasileia.

Os sargentos são colegas de farda de Sargento Paz, que comentou a reação após a divulgação do relacionamento a três. “Toda hora tem algum comentário [sobre o trisal] na rua. Um dia desses estava no quilômetro 80 da Transacreana quando um açougueiro me parou e perguntou: sargento o que é um trisal?”, disse.

Para Paz, relacionamentos a três já existem desde os primórdios, porém muita gente não legalizou. “Nery é o primeiro infante de guerra, então está recebendo muita crítica. Mas ele está criando jurisprudência no Brasil”, pontua.

O colega de farda ainda parabenizou sargento Nery, que forma o trisal do Acre. “É um bom pai, um bom marido, bom policial. Não é crime [o trisal], crime é usar drogas e bater na mulher”. Ao final, Paz brincou: “se fosse comigo, seria o ‘quintasal’. Seria uma loura, uma ruiva, uma negrona e uma oriental. Aí sim”.

Assista a entrevista completa:

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Acre

Socorro Neri confirma saída do PSB: “Estamos em projetos divergentes”

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A secretária de educação, Socorro Neri, usou as redes sociais na noite de sábado (19) para confirmar que deixará o Partido Social Brasileiro (PSB) por questões políticas.

No entanto, apesar dos rumores, Neri descarta ida ao Partido Progressistas. “Informo que solicitarei minha desfiliação ao PSB e esclareço ser falsa a notícia de que me filiarei ao Progressistas”, declarou.

A gestora destacou que devido às movimentações políticas da sigla, ela e o partido estão em ‘projetos divergentes’.

Um dos motivos de sua saída da sigla é que Neri deseja retribuir o apoio dado pelo governador Gladson Cameli nas eleições municipais de 2020. “Enquanto o partido se movimenta para o lançamento de candidatura ao governo em 2022, é pública a minha decisão de retribuir o apoio que recebi do Governador Gladson Cameli na campanha à prefeitura de Rio Branco”, explicou.

Por fim, a secretária frisou que no início da próxima semana visitará os dirigentes do PSB para agradecer pessoalmente a acolhida nos últimos cinco anos.

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