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Aritmética Bisonha da vacinação

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As ações do Governador Gladson Cameli durante a pandemia lhe renderam elevada aprovação dos acreanos, medida em pesquisas de opinião.

O momento atual das agruras dessa pandemia, no entanto, é a busca frenética das pessoas pela vacina tornada literalmente uma questão de vida ou de morte. E ela colocou novos desafios aos governantes frente às expectativas de sobrevivência da população.

Não se pode dizer que a vinda das doses da vacina Coronavac para o Acre tenha sido um brilhante êxito para além das ações publicitárias. Refiro-me aos seus quantitativos. Eles foram lesivos aos interesses de muitos acreanos.

Não é necessário usar-se algoritmos sofisticados ou cálculo diferencial para demonstrar isso. Basta se recorrer à antiga e elementar aritmética: divida- se seis milhões de doses de vacinas do Butantan por duzentos e dez milhões de brasileiros; multiplique-se o quociente dessa divisão por 910 mil acreanos e se obterá um produto de 26 mil doses. Como cada pessoa para ser imunizada terá de tomar duas doses da Coronavac, no espaço de um mês, as 26 mil vacinas dariam para imunizar 13 mil acreanos; sem margem de segurança em torno de 10%, é óbvio.

A programação da primeira fase da Secretaria Estadual de Saúde do Acre propõe a imunização preferencial de 19.402 pessoas, sendo 12.815 indígenas vivendo em aldeias, 66%; 6.343 trabalhadores da saúde, 32,7%; e 244 idosos em casas de repouso, 1,3%.

Não há dúvidas de que os três grupos são, de fato, prioritários. Não se afigura razoável contestar esta escolha. Mas há uma anomalia nesta distribuição, uma incongruência. Os indígenas são geridos e são responsabilidade exclusiva do Governo Federal. Este ente federativo é o único a legislar sobre a questão indígena e é, inclusive, o proprietário único de suas terras.

É injusto e inaceitável passivamente que o Governo Federal com o avassalador poderio que possui faça cortesia com o chapéu alheio, como se diz no popular, e atire sobre os ombros dos acreanos comuns os ônus de sua responsabilidade e tenha para isso a cumplicidade de lesa povo do Governo do Estado do Acre.

Esta distribuição das preferências praticadas no Acre negou aos acreanos simples mais de 6000 pessoas imunizadas. Os trabalhadores da saúde que lidam diuturnamente com a Covid 19 nas UTIs, nas enfermarias, nos consultórios, em todos os ângulos da linha de frente do combate, são a prioridade das prioridades na tenebrosa calamidade desta pandemia trágica.

E eles, desventuradamente, foram relegados, foram menoscabados, nem chegando a uma terça parte dos imunizados necessários, vitais; nem sequer chegaram a 33% dos escolhidos. Estranha estratégia essa que desarma ou mal arma os sapadores e os infantes que enfrentam com risco de morte minuto a minuto o pavor desta guerra terrificante.

As expectativas da população e dos agentes sociais com a performance da vacinação no Acre foram tomadas de glacial desapontamento, ante sala do desalento. A taça de fel impôs-se num brinde à amargura.

A falta de transparência das autoridades gestoras beirou à arrogância tanto na capital quanto nos municípios. É possível que não tenham sido bem debatidas com a comunidade as 25 doses de vacina enviadas ao Bujari, 32 à Capixaba e 203 à Sena Madureira, a terceira maior população municipal do Acre, por exemplo.

Sei que serei acusado de ser inimigo dos indígenas.

Não, não o sou!

Acho que o Estado Brasileiro lhes deve muito mais de que a preferência em vaciná-los. Apenas estou dizendo que esta conta não é nossa não é dos acreanos; é do Governo Federal do Brasil, é da poderosa União.

De resto, em minha mestiçagem familiar prevalece o sangue pré colombiano. Meu próprio nome é inspiração do meu tio João “ Caboquim “ sugerido por meu pai, Adalberto “ Caboquim “.

Esperei que algum intelectual de imprensa, algum parlamentar, algum professor de matemática, algum sábio das redes sociais, algum prefeito, enfim, que alguma criatura qualquer suscitasse essa questão. Não foi possível; apenas conheci uma postagem do pesquisador Francimar Façanha nas redes sociais abordando a temática.

Estou tocando em assunto tão árido, estou colocando meu pescoço na forca por dois motivos essenciais:

  1. a) porque a oferta de vacinas no Brasil e no Acre será feita aos poucos, devagar, fatiada de várias vezes, paulatina, frugal e sofridamente e sugiro ao Governo do Acre que recupere junto ao Governo Federal as 13 mil vacinas que ele nos esbulhou e, por conseguinte, deve aos acreanos. Afinal de contas, uma vacina, uma vida;
  2. b) porque posso contrair Covid 19 e morrer, da mesma forma que morreu meu querido irmão Adalberto Correia.

Não quero morrer entalado e sem ar, sem ter manifestado meu desapreço e deserdar a quem quer que seja do direito e do poder de negociar em proselitismo e de forma inconfessável a minha dose de vacina.

*João Correia Sobrinho é professor universitário – UFAC

 

 

 

 

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Cidades

Jenilson destaca avanço da Covid-19 e preocupação com saúde mental de alagados em Tarauacá

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“Estivemos levando aquilo que nos era possível neste momento de tristeza para a população taracauense”, disse o médico e deputado estadual, Jenilson Leite, que durante 3 dias promoveu nos diferentes bairros de Tarauacá, ações de saúde para atender as famílias vítimas da cheia histórica do rio Tarauacá e Murú.

As ações se deram com consultas médicas, dispensação de remédios, pedidos de exames, dispensação de receitas especiais, serviços de enfermagem, assistência social, distribuição de água e distribuição, produtos de limpeza e sacolões.

“Até o dia de ontem, estivemos dando assistência a idosos, adultos e crianças, muita gente doente, o que tem me impressionado é a quantidade de gente com a saúde mental profundamente afetada, precisamos de apoio a essas pessoas de imediato”, relatou Jenilson Leite, que na oportunidade agradeceu aos parceiros que contribuíram para a realização. “Nós tivemos a colaboração do SINTEAC através do presidente Lauro Benigno, Associações de Moradores do Bairro do Triângulo e Ilha Grande, através da presidenta Keyla e diretoria e do Presidente Cash, do diretor da Escola Valdina Torquato ,José Leite, agradecemos também ao Mandato dos Vereadores Manoel Monteiro e Sidenir, Sesacre pela liberação de alguns medicamentos, Secretaria de Saúde de Tarauacá pela liberação do Dr. Nelsinho para nos ajudar, Obrigado ainda a Igreja Assembleia de Deus por conceder um de seus espaços para realizarmos o atendimento do bairro da praia”.

Os atendimentos estavam divididos em três locais diferentes da cidade para evitar aglomeração e assim dar assistência a todos os moradores afetados pela alagação. No primeiro dia no Clube do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre, no segundo dia no Centro de Eventos da Assembleia de Deus e no terceiro na Escola Valdina Torquato.

A cheia histórica do rio Tarauacá, atinge mais de 28 mil pessoas no município, segundo informação da Prefeitura de Tarauacá. A prefeita Maria Lucinéia, decretou calamidade pública no dia 18, quando o rio afetava 90% da área urbana da cidade.

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Cidades

Ex-marqueteiro do PT expõe print que ex-deputado não pagou dívidas de campanhas

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O marqueteiro David Sento-Sé, sócio proprietário da Cia de Selva, usou as suas redes sociais na noite desta quinta-feira, 25, para mostrar uma conversa via WhatsApp que teve com o ex-deputado Nelson Sales que não pagou as dívidas da sua última campanha eleitoral, em 2018.

Nelson Sales disputou uma cadeira de deputado federal, porém não obteve sucesso. O marqueteiro mostrou uma troca de mensagens datada no início de 2019, na qual Nelson reconhece a dívida e pede um parcelamento, que foi aceito pelo marqueteiro ao implorar que o ex-deputado não o deixasse na mão. “Preciso de algo em março para luz e supermercado amigo ou até 5 de abril”, diz Sento Sé.

O ex-deputado respondeu que iria disponibilizar R$ 5 mil ao marqueteiro e que logo em seguida iria pagar os R$ 45 mil parcelados em três vezes.

Em seguida, o marqueteiro aceita a proposta de parcelamento. “Ok amigo. Por favor, não fure pq vou tomar emprestado para pagar minhas contas contando com você”, diz o marqueteiro que é respondido com um emoji de concordância pelo ex-deputado.

Em outro trecho da publicação, o marqueteiro revela que Nelson Sales não pagou nada, nem mesmo os R$ 5 mil da qual se comprometeu em depositar de imediato e logo depois realizou um desabafo nas redes sociais. “Não pagou nem uma. Paguei quem gravou o jingle dele, quem gravou e editou os vídeos dele, fiz as artes e tudo mais. Prestei o serviço e ainda tem coisa pior nessa história”, afirmou.

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Cidades

PM apreende quase 70 quilos de droga em uma semana em Cruzeiro do Sul

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Uma ação entre as Polícias Federal e Militar de Cruzeiro do Sul, com o uso de cão farejador, apreendeu 2,2 quilos de maconha e cocaína em ônibus que saia do município para Rio Branco na noite dessa quinta-feira (25). A droga era levada em um saco de farinha. Ninguém foi preso e o entorpecente foi encaminhado para a delegacia da Polícia Federal.

Esta é a terceira apreensão de drogas em apenas uma semana na cidade de Cruzeiro do Sul, somando 69,55 quilos de maconha e cocaína.

Na quarta-feira, 24, o  Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar de Cruzeiro do Sul, apreendeu 67,35 quilos de drogas em duas operações, uma terrestre e uma fluvial.

Em patrulhamento no Rio Juruá, na altura de Rodrigues Alves, apreendeu  58,25 quilos  de drogas, sendo 24,3 quilos de maconha, 28,65 quilos  de oxidado de cocaína e 5,30 quilos de cocaína em pó. Uma dupla que transportava o entorpecente em uma canoa se evadiu  pela mata  e não foi localizada. O produto foi entregue na Delegacia Polícia Civil.

Em outra ação, desta vez terrestre, a equipe do Comando de Operações Especiais apreendeu 8 quilos de oxidado de cocaína e 1,1 quilo de maconha. Dois homens que transportavam o entorpecente em uma motocicleta foram presos.

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Cidades

Produtores e governo discutem prejuízos devido as enchentes

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Produtores perdem produção em enchente na zona rural de Manoel Urbano – Foto: Reprodução/ilustração

As enchentes que assolam 10 municípios acreanos não prejudicam apenas quem é obrigado a sair de casa que é invadida pela água. O momento é também de prejuízo para centenas de produtores rurais que cultivam suas produções agrícolas às margens dos rios.

Muitos produtores familiares perderam tudo por causa da enchente. O trabalho de quase um ano inteiro, que representava a reserva financeira para custear as despesas da família, foi destruído pela força das águas.

O momento agora para quem está desabrigado é esperar o nível do rio baixar, fazer a limpeza, voltar para casa e reconstruir o que foi perdido. Já para quem perdeu sua plantação, é hora de pedir ajuda.

É o que será feito nesta sexta-feira, 26, em uma reunião que vai contar com representantes da Federação dos Trabalhadores Rurais do Acre (FETACRE), dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Tarauacá, Sena Madureira e Feijó com Edivan Maciel, Secretário de Produção e Agronegócio do Acre. “Nossa intenção é que a Sepa e a Emater assumam o compromisso de levantar esses prejuízos causados pela enchente e oficialize esses dados para que possamos transformar esses números em um pedido de política pública de socorro aos produtores familiares”, afirma Antônio Sergioni, presidente da FETACRE.

Sergioni lembra ainda que muitos dos produtores possuem financiamentos e iriam usar a safra para pagar os bancos. “O pessoal esperava honrar esse compromisso com a safra que foi perdida. Piscicultura, banana, roça, tudo que se relaciona a produção familiar ribeirinha desses municípios foi destruída pelas enchentes”, afirma.

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