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A federalização da Fundhacre, o jogo do ganha-ganha e um sorriso

Foto: reprodução/Bruno Farias
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As notícias sobre a federalização do Hospital das Clínicas surpreenderam. Ninguém deu o furo de reportagem e muitos não entenderam nem para qual rumo vai essa conversa. Após a divulgação oficial da provável medida, alguns detalhes começam a aparecer. Em pelo menos duas ocasiões, o governador Gladson Cameli ofereceu o Hospital das Clínicas para a reitora da Universidade Federal do Acre, Guida Aquino. Do jeito brincalhão dele, mas ofereceu.


“Minha reitora, quando é que a senhora vai assumir a nossa Fundhacre?”, alvejou Cameli, abrindo os braços e o sorriso juvenil de sempre. Nesse caso, “assumir a Fundhacre” não seria substituir o atual presidente da Fundação Hospital do Acre, João Paulo Silva. Não seria isso. E Guida sempre soube. O assunto é grave e envolve a administração de milhões de reais por mês e de centenas de trabalhadores.


A responsabilidade é imensa e faz aumentar, em muitos graus, a importância política da reitoria da Ufac na administração pública regional. Dito de outra forma: aumenta o poder da reitoria.

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Isso significa que Gladson está abrindo mão de poder? Não é bem assim. Gladson está tentando tirar de seus ombros milhões de problemas. Sem a Fundação Hospital do Acre sob a responsabilidade do Governo do Estado, o governante, em tese, tem maior possibilidade de investir energia na saúde pública no interior, por exemplo. É bem verdade que terá menos dinheiro, já que o que antes vinha para os cofres da Sefaz passará a ser canalizada para as burras da Ufac. Mas o governo abre possibilidade de ter mais agilidade de chegar onde, hoje, ele tem dificuldade de promover saúde pública.


Talvez, o que ainda pode ficar sob controle do Estado seja o setor de Regulação, aquele um… polêmico, que dita quem e quando alguém será cirurgiado. É um segmento da Sesacre que determina, em boa medida, quem vive e quem morre. Sem exagero.


O período de 20 anos proposto inicialmente para a federalização oferece elementos para que se perceba a gravidade da medida. É um paquiderme que se mexe na gestão. É preciso valer a pena a canetada.


Não se pode tirar da mira da desconfiança um fator político. O presidente Lula havia colocado o Hospital Universitário do Acre na lista das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Foi uma alegria quase geral. Entusiasmou toda a comunidade acadêmica e deixou um pouco miúdos os opositores a Lula. Meses depois, a água fria do balde congelou. Decisões exigidas pelo cenário econômico obrigaram à revisão do PAC. E nesta revisão havia o HU do Acre no meio do caminho.


Gesto quase automático, pouco tempo depois, foi a empresa estatal que gerencia as unidades hospitalares universitárias no país chamar Guida e Gladson para o café estratégico. Aquela simpática abordagem do governador para a reitora ganhava concretude. Aquele tiro em forma de sorriso calculado de Cameli rumou para o alvo certo.


Por enquanto, a federalização faz o jogo do ganha-ganha. Ameniza o desgaste político do Governo Federal com a comunidade acadêmica do Acre, frustrada com o corte do PAC; ganha Gladson pelo que já foi explicado; e ganha também Guida que vai poder colocar na fatura de suas conquistas um recheio no orçamento e no peso político que a cadeira de reitor conquistou em sua gestão.


Quem, talvez, esteja olhando enviesado para essa movimentação toda seja João Paulo Silva. Candidatíssimo à Câmara de Vereadores de Rio Branco e empolgado no ambiente da corte, ele se vê fragilizado diante do colega Pedro Pascoal, da Sesacre. É possível ver o sorriso machadiano do médico. Aquele de canto de boca, sutil, quase não querendo rir, mas gargalhando pelas entranhas.


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