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O ajuste, o tripé guenzo e a alergia a dinheiro novo

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A semana que inicia hoje, domingo (27), será importante para a gestão pública. O governador Gladson Cameli deve assinar decreto formalizando cortes da ordem de 30% nos gastos com a manutenção da máquina governamental. A decisão é acertada. Ou faz isso agora, ou o desgaste político será ainda maior ainda no curto prazo porque a qualidade dos serviços, que já não anda boa, pode cair ainda mais se não houver ajustes.

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A gênese do problema está na economia regional que não reage da maneira como se tenta prevê. De acordo com fontes da Secretaria de Estado de Fazenda, os seis primeiros meses de 2023 foram frustrantes. Quando o Governo do Acre elaborou a peça orçamentária para o exercício de 2023, a Sefaz estimou que arrecadaria um determinado bocado de dinheiro. Ocorre que a realidade se impõe e os cofres oficiais terão algo entre R$ 590 e R$ 600 milhões a menos.


O Governo do Acre, para a manutenção mínima da máquina pública, gasta um tanto fixo, com tendência a aumento desse custo. Manter as coisas funcionando tem um preço. Se os economistas calcularam que entraria um tanto de dinheiro do pagamento de impostos, convênios, emendas parlamentares e repasses federais e vai, na verdade, entrar menos dinheiro do que se pensava, então os cortes nos gastos são inevitáveis.


O governador Gladson Cameli, portanto, acerta. Os cortes previstos serão de aproximadamente R$ 340 milhões. Faça as contas o leitor. Com o mínimo de atenção, verá que o tanto a ser economizado não cobrirá o rombo. Ainda ficará no “vermelho” algo em torno de R$ 218 a R$ 220 milhões.


Em boa medida, governar é igual a editar um jornal: “Editar é cortar”, já diria um velho professor de redação. “Ser econômico nas palavras; sempre usar a menor e mais bonita com o mesmo sentido; é escolher a melhor manchete que vai agradar um repórter e desagradar todos os outros. Mas o que interessa é o leitor”.


Assim é governar: nenhum secretário gosta de ter projetos suspensos; nenhum secretário gosta de ter compras de equipamentos adiadas; nenhum deputado aliado simpatiza com o fato de não poder acomodar gente de sua base na gestão pública no momento que ele acha adequado. É desagradável, sob todos os aspectos, cortar gastos. Qual gestor não gostaria de agradar a todos? O problema é que alguém precisa fazer as contas para que, ao fim delas, o povo perceba o mínimo de eficácia da gestão.


Retenção do ICMS dos combustíveis, o reinício dos investimentos de obras de infraestrutura com o Novo PAC são trincheiras da boa luta que o Governo do Acre está apostando para mudar o cenário. Enquanto isso não acontece, a hora é de ajustes.


O site ac24horas, no entanto, faz uma ressalva: cuidado nos cortes em três áreas específicas: Segurança, Saúde e Educação. No Acre, esse tripé consegue a proeza de ficar guenzo. É uma revolução matemática. Mas quem disse que a gestão sempre acompanha a lógica dos números? O acerto da medida de Gladson reside em buscar o mínimo de equilíbrio fiscal, em um lugar que não consegue atrair investimentos. Parece ter alergia a dinheiro novo.


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