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Que seja o último

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Por qualquer ângulo que venha ser observado o impeachment se revela um péssimo instrumento.

No regime parlamentarista um chefe de governo poderá ser afastado do poder, a qualquer tempo, bastando para tanto que venha perder a confiança do seu respectivo parlamento. E o mais importante: seu afastamento se dá sem provocar nenhum trauma de natureza política, econômica e social. E mais ainda: ao governante afastado não restará nenhum recurso que possa trazê-lo de volta ao poder.

No regime presidencialista, o afastamento de um chefe de governo, e em particular, de um presidente da República, inevitavelmente, é sempre precedido por um longo e traumático processo, e até a sua conclusão, o país fica praticamente paralisado, até porque, a possibilidade de retorno do governante afastado, entre outras impropriedades, impede que o governante interino possa empreender sua própria marca. Vejamos;

No caso presente, registre-se: para se manter no poder, sem que seja necessário se alterar o nosso calendário eleitoral, por si só, outra inconveniência, o presidente Michel Temer dependerá do apoiou de no mínimo 54 dos nossos 81 senadores. Do contrário, a alternativa não será outra, que não, o retorno da própria presidente Dilma Rousseff ao poder.

Ora, se apenas 55 senadores votaram pela admissibilidade do referido processo, e vários deles, na ocasião, deixaram perfeitamente esclarecido que estavam votando apenas pela a abertura do processo, e que só iriam se posicionar, em definitivo, pelo afastamento da presidente da presidente Dilma Rousseff após as conclusões que vierem extrair do seu desenrolar, até lá, o presidente Michel Temer terá que agradar gregos e troianos, até porque, basta apenas que dois ou três senadores que votaram pela abertura do processo de impeachment venham decidir pela sua não culpabilidade, a presidente Dilma Rousseff retornará ao poder. Quanta instabilidade!

De mais a mais, não foi por causa das tais pedaladas fiscais que as ruas se insurgiram contra a presidente Dilma Rousseff, até porque, se manobrar com seus orçamentos fosse um crime punível com o perdimento dos seus respectivos mandatos, todos os nossos governantes, passados e presentes, teriam sido afastados do poder.

Foi sim, seguramente, a nossa crise econômica e suas conseqüências no conjunto de nossa sociedade que levou o povo a encher nossas ruas e a bradarem o “fora Dilma”. E como agradar as ruas falando em reformas fiscais? Eis mais um dos dilemas a ser enfrentado pelo presidente Michel Temer, até porque, se nossas crises continuarem se agravando, por certo, o “volta Dilma” não é hipótese a ser descartada.

Por estas e outras, cada vez mais me convenço que, em sendo mantida a legislação política/partidária/eleitoral que está aí, responsável pelo presidencialismo de coalizão que está aí, nem com Dilma, nem com Temer, nem com Lula, nem com Aécio, nem com Alckmin, nem com Marina e nem com Moro nossas crises só tendem a se agravar.
E por fim: que o impeachment da presidente Dilma Rousseff seja o último apreciado pelas nossas Casas parlamentares.

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