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Fotos de trilheiros mostram o abandono do poder público na zona rural do Acre

Publicado

em

Salomão Matos
Da redação de ac24horas
salomao.matos@gmail.com

A aventura dos trilheiros que foram dados como desaparecidos em uma floresta no Acre na semana passada, durante o percurso denominado por eles de “Ases da Tabatinga”, ligando Rio Branco a Xapurí, além das dificuldades enfrentadas pelos aventureiros, revelou o descaso e abandono do poder público com os produtores e ribeirinhos, pela ausência de estradas e pontes para escoar as suas produção agrícolas, além do isolamento e falta de comunicação, que geralmente não são mostrados na mídia governamental.

Como num pedido de desculpas por ter causado preocupação aos familiares e toda a população acriana, além dos transtornos que envolveu a segurança pública, um dos trilheiros relatou em seu facebook, além de postar fotografias que revelam esse isolamento de quem vive no coração da floresta entregues a própria sorte e que os seus desaparecimento na verdade, não passou de um mal entendido. A postagem a seguir é do empresário aventureiro Delano Lima Silva:

Tendo em vista a repercussão que foi o caso de nosso possível desaparecimento em uma trilha veiculado nos meio de comunicação de Rio Branco, venho através desta a pedido de amigos e familiares esclarecer o ocorrido, conforme relato a seguir:

Primeiramente é importante informar que pratico o esporte “trilha com quadriciclo” a mais de 4 anos, sendo credenciado na FBM , participando de competições de regularidade no Estado de Rondônia, tais como Rally da Meia noite, etc…

Meus companheiros de trilha também são praticante do esporte a mais de 10 anos, onde nos encontramos nos finais de semanas para praticarmos o esportes o qual chegamos a percorrer distancia de até 280 km em um único dia, sempre primando pela segurança e planejamento das trilhas.

No caso desta última trilha (Rio Branco/Xapurí), planejamos a mesma durante quase um ano, levantando a área a ser percorrida com mapas Google e informações de moradores da região.

Quando saímos para as trilhas, cada trilheiro leva consigo equipamento de segurança pessoal de MotoCross, tais como: Capacete, óculos, camelbak p/ água cotoveleira, joelheira, luvas, calças e camisa manga longa, jaqueta impermeável, bem como terçado, facão, lanternas, pilhas, celibri, extensão com lâmpadas 12 volts, diversas ferramentas, bomba de encher pneu e macarrão para remendo, 02 pneus reservas, 25 Lts de combustíveis reserva, 50 mts de corda amarrada aos quadriciclos, bolsa térmica com alimentos e bebida, caixa de primeiro Socorro, material de higiene pessoal, reide e cobertores, GPS etc.

Nossa programação foi sair no sábado e chegar no final da tarde de domingo, acontece que devido a dificuldade de romper os varadouros (caminho onde somente passa boi) e construir diversas pontes sobre os igarapé para passar os quadriciclos, perdemos muito tempo e no domingo nos vimos com o prazo estourado, assim ao chegarmos em uma colocação de seringueiros pedimos para um morador que estava vindo para cidade de Rio Branco dar o recado em um de nossos postos de combustíveis (Auto Posto Castanheira) em frente ao Shopping Via Verde, recado a nossos familiares de que estávamos bem e que iríamos concluir a trilha que provavelmente estaríamos chegando entre quarta-feira ou quinta-feira, tendo em vista que o local onde estávamos não havia telefone, energia elétrica e não pegava sinal de celular.

Ocorre que não sabemos se o morador veio para cidade e esqueceu de dar o recado ou se o mesmo não veio a cidade naquele dia, o fato é que o recado não chegou a nossos familiares, causando com isso séria preocupação aos mesmos, pois estavam aguardando nossa chegada para domingo.

Assim, para nós que estávamos dentro da Trilha (Reserva Chico Mendes), estávamos achando que o recado havia sido dado aos familiares, não tendo noção do que estava acontecendo nos meio de comunicação de Rio Branco, um dos quadriciclo apresentou defeito e tivemos que deixar em uma colocação para ser embarcado em um barco no dia seguinte até próximo à estrada da transacreana para ser rebocada, mas mesmo assim, verificando que havia condições de continuar resolvemos prosseguir a trilha com 03 quadriciclos, sendo que meu irmão continuou comigo de garupa.

Diante das dificuldades de romper os varadouros, resolvemos ir pela colocação chamada de Pão que sai no ramal do São João do Guarani, mais especificamente no KM 47 de Xapurí, sendo que este caminho era o mais difícil, mas conseguimos romper.

Ao chegarmos de quadriciclo em Sibéria, vilarejo que fica do outro lado do rio Acre onde se localiza Municipio de Xapurí, as 23:50hs da quarta-feira, encontramos um guarnição composta por 02 PMs que nos abordaram perguntando se éramos os trilheiros desaparecidos e perguntando onde estavam os cavalos, pois havia informações de estávamos perdidos e respondemos que não havíamos nos perdido, apenas demorado a romper os varadouros com os quadriciclos, que havíamos pedido a um morador a dar um recado a nossos familiares e ficamos sem entender a pergunta do policial.

Foi então, nos informaram o que estava acontecendo, que haviam homens do exercito, Bope, bombeiro, Helicptero etc., a nossa procura na mata, pois haviam divulgado durante a semana que estávamos perdidos na mata sem qualquer estrutura ou equipamento, que estávamos passando fome, que havíamos deixados os quadriciclos na mata e que estávamos a cavalo prosseguindo a trilha na mata, fato este não ser verdadeiro, pois chegamos na quarta-feira a noite em Xapurí com os 03 quadriciclo.

Não tínhamos a noção de que estava acontecendo em Rio Branco, tendo em vista que tínhamos a certeza que o morador da colocação havia dado o recado a nossos familiares. O fato é que infelizmente causamos transtornos a nossos familiares e amigos, por esse motivo venho por meio desta esclarecer o ocorrido e agradecer a preocupação de todos, bem como agradecer o emprenho de todos os órgãos da segurança publica do Estado que tiveram envolvida na operação na tentativa de nos encontrar, mas que não foi possível devido ao desencontro de informações dada pelos colonos da região. Siga o trilheiro pelo facebook: http://www.facebook.com/delano.limaesilva

 

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