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Osmarino desabafa e pede o fim da política de manejo que tira o seringueiro da floresta

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“Hoje eu tenho dúvida se foram os fazendeiros que mataram Chico Mendes”. A frase é do ambientalista Osmarino Amancio. Ela abre mais um flanco de discussão sobre Manejo Florestal, tema que vem pautando os setores ambientais nas últimas três semanas. Em entrevista exclusiva ele diz que “o comercial de manejo é uma fraude” e que os irmãos Viana “são um mal irreparável”. Fundador ao lado de Chico Mendes do movimento chamado Empate, Osmarino diz que na atualidade a luta não é mais contra o madeireiro, mas contra o Estado.

Para o ambientalista, o governo do Acre, com a política de manejo atual, repete o que foi feito no processo de colonização agropecuária que expulsou nas décadas de 70 e 80, mais de 40 mil seringueiros para a Bolívia e outras tantas famílias para as periferias da cidade. Ele cita a luta de Wilson Pinheiro, Elias Roseno, Jesus Matias, Raimundo de Barros e Chico Mendes, que fundaram o primeiro sindicato dos trabalhadores rurais em Brasileia na luta contra a pecuária intensiva.

– Pra nós empate diferente do futebol foi uma vitória porque não estávamos derrubando a floresta, a gente vivia da caça, da pesca, da seringa, da castanha, da agricultura de subsistência. Elegemos um governo e uma mulher que veio do seringal e se transformou ministra e que foi a maior traidora; não tivemos até hoje a reforma agrária, a indústria de beneficiamento de castanha e nem a implementação de tecnologias, educação e saúde de qualidade que nos garantisse vida boa dentro das florestas – acrescentou Osmarino.

Veja na integra a entrevista feita na sacada da casa onde Osmarino está hospedado, no bairro do Tucumã em Rio Branco.

ac24horas – Por que o senhor chama os Viana e a Marina Silva de traidores?
Osmarino Amancio – Com a vinda dos Vianas para o governo nós sofremos um golpe muito grande. Eles se estruturaram no estado com o discurso de florestania, mas na verdade ajudaram um grupo muito pequeno de empresas no nosso estado, sem ter noção do projeto que eles estavam implementando.

ac24horas – Mas esse modelo não era o modelo planejado por Chico Mendes?
Osmarino Amancio –
Não, hoje o governo implementa a economia verde, mas o manejo tá expulsando o seringueiro de sua colocação, tirando a dignidade dos extrativistas, dos índios, tirando a biodiversidade. Isso vem acontecendo em Santa Quitéria, no Antimary. Você vai lá, o povo não ficou rico, está recebendo uma bolsa verde, a bolsa família. A economia estagnou e a pobreza continua.

ac24horas – Como o senhor ver agora esse projeto de carbono?
Osmarino Amancio –
Só estão mudando o nome, é a privatização do ar, dos meios naturais. Tão privatizando a água, a abelha, o beija-flor, a floresta. Todos os meios naturais estão sendo privatizados em nome de uma economia verde, com apoio do ITTO, Banco Mundial, Comunidade Econômica Europeia, BNDES; é uma economia que representa um golpe para os moradores dessa região. A Lei de Florestas Públicas que a Marina criou, tirou do Estado toda a floresta pública e garantiu a logística desse investimento do grande capital.

ac24horas – Como era então que Chico Mendes e a sua turma pensou em lei para as florestas públicas?
Osmarino Amancio –
Dizia que o presidente do Conselho da Reserva deveria ser o seringueiro. Isso mudou, hoje é o Ministro do Meio Ambiente. O primeiro presidente de Conselho da Reserva foi a Marina Silva. Eliminaram com o CNPT que organizava a luta dentro da floresta e criaram o ICMBio. Pior, a lei dá o direito de qualquer empresário e multinacional ou ONG entrar com pedido de concessão por 40 anos. Quando terminar os 40 anos, o empresário ainda pode fazer novo contrato por mais 30 anos.

ac24horas – O senhor tem ideia de quanto já foi leiloado em hectares de terras públicas?
Osmarino Amancio –
Nos próximos cinco anos, mais 30 milhões de hectares serão leiloados. Já foram leiloados mais de 2 ou 3 milhões. No Acre já estão aprovando na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Cachoeiro, aqui  já tem mais de um milhão de hectare de floresta sofrendo o golpe do manejo madeireiro. Esse comercial da economia sustentável é uma fraude.

ac24horas – Como o senhor ver a participação do Jorge Viana nesse processo todo?
Osmarino Amancio –
Ele veio da ditadura, o pai era deputado biônico. É um mal irreparável. Só vai ser possível se recuperar dele, quando eles forem exilados do Estado. Aparelharam os movimentos, amordaçaram os meios de comunicação. Eu não posso falar em uma rádio sobre o que eu penso, sobre a política suicida, enganosa, fraudulenta, um projeto que não é sustentável, que entrega o potencial natural.

ac24horas – Em 40 anos, essas árvores que estão sendo retiradas das matas, se renovam através do reflorestamento?
Osmarino Amancio –
Estão destruindo arvores com 120 anos dizendo que ela se recompõe. Claro que daqui a 30 anos o estrago já estará feito. Na minha colocação eu plantei cumaru e sumaúma e com vinte anos elas não engrossaram 20 cm de diâmetro. Como é que fazem esse discurso de recomposição? No nosso projeto era proibido derrubar árvores que tivessem menos de 40 cm, tinha que ter mais de 40 cm de diâmetro. Hoje eles estão tirando varinha, tão fazendo corte razo. Eles começam com quatro, oito espécies e terminam com oitenta. No Antimary, por exemplo, fizeram corte razo que desvalorizou a colocação.

ac24horas – Quem está lucrando com isso? O produtor recebe de volta os benefícios sociais desse projeto?
Osmarino Amâncio
– Quem está ficando rico é somente a madeireira Triunfo, a madeireira Canãa, a Ouro Verde, os exportadores e os irmãos Viana. Não é o seringueiro que está fazendo a exploração. Sem bagagem de conhecimento ele perde toda a possibilidade dele opinar do plano de manejo. Querem que a nossa sociedade seja sem cabeça. Não podemos usar a cabeça. É um assalto a mão armada.

ac24horas – Como o senhor ver a fiscalização feita pelo deputado Rocha?
Osmarino Amâncio
– O deputado Rocha eu conheço da atuação da polícia quando ele enfrentou a política dos coronéis. Ele tá cumprindo com a obrigação que muitos deputados deveriam estar junto com ele, combatendo essa política fraudulenta. Isso é que a sociedade precisa, não de deputados que se vendem por qualquer propina, assim como o Manoel Lima, o Sibá. Nós já apoiamos o Sibá que foi pro lado de lá, a Marina, a CUT, a Federação dos Trabalhadores da Agricultura. É complexo acreditar. Com o PT no governo o que funcionou, foi apenas o mensalão, que foi institucionalizado. A única política pública que funcionou foi o Bolsa Família, a Bolsa Floresta que juntando dá a pochete de miséria. Eu faço uma proposta aos Viana viverem com a Bolsa Floresta e dar o salário deles para os seringueiros. R$ 800 não dá para comprar neuzadina. Colocar para o seringueiro que R$ 800 é digno é uma forma de subestimar o ser humano. Isso é uma questão eleitoral, eles fazem inclusive chantagem eleitoral. Se não votar no PT a bolsa se acaba.

Jairo Carioca – da redação de ac24horas
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Acre

Acre registra dois novos casos e mais uma morte por Covid-19

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Em boletim divulgado na tarde desta quinta-feira, 23, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), informou o registro de dois novos casos de infecção por coronavírus e mais uma morte pela doença, elevando o número de infectados para 87.934 e de morte para 1.836.

Até o momento, o Estado registra 248.003 notificações de contaminação pela doença, sendo que 160.024 casos foram descartados e 45 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. Pelo menos 85.917 pessoas já receberam alta médica da doença, sendo que 13 seguiam internadas até o fechamento deste boletim.

O óbito registrado foi da moradora de Epitaciolândia, J.B.S.C., de 21 anos, que deu entrada no dia 23 de agosto, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), e faleceu no dia 21 de setembro.

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Acre

MPF cobra mais acessibilidade no aeroporto de Rio Branco

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O Ministério Público Federal (MPF) no Acre oficiou a superintendência do Aeroporto Internacional de Rio Branco com prazo para a tomada de medidas que melhorem as condições de embarque e desembarque de passageiros com deficiência ao utilizarem as instalações e facilidades do aeródromo.

Segundo o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Lucas Costa Almeida Dias, a medida faz parte de ação coordenada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), que propõe a apuração das condições de acessibilidade de passageiros com necessidades de assistência especial no embarque e desembarque nos aeródromos brasileiros.

O MPF elaborou relatório circunstanciado sobre as condições de acessibilidade no Aeroporto Internacional de Rio Branco e constatou falta de sinalização tátil nas dependências do aeroporto para pessoas com deficiência visual, bem como ausência de adequação às normas técnicas dos blocos do piso tátil existentes.

Além disso, foi constatado que as companhias áreas não dispõem de equipamentos suficientes que auxiliem os passageiros no embarque e desembarque, como cadeiras motorizadas, equipamento de ascenso e descenso, rampas de acesso as aeronaves, pontes de embarque/desembarque.

Também foi detectado que falta fiscalização na parada de veículos na via pública de circulação do aeroporto, de modo que os motoristas ocupam as vagas reservadas para PCD ou bloqueiam o acesso às rampas, bem como as calçadas e vias de acesso estão deterioradas, e apresentam, além de rachaduras, obstáculos como valas a céu aberto e tampas elevadas que podem acidentar os transeuntes, sobretudo as pessoas com deficiência.

Outras falhas elencadas no relatório do MPF são o número insuficiente de assentos reservados às PCDs no terminal de desembarque, bem como a existência de apenas um caixa eletrônico de autoatendimento bancário destinado ao uso geral de passageiros, de maneira que, para a PCD realizar o autoatendimento no terminal precisa contar com a ajuda de terceiros, o que fragiliza a sua segurança. Além disso, nenhuma das companhias aéreas possui balcões adaptados para atendimento acessível e não existe fraldário adulto no saguão, ou nas salas de embarque/desembarque do aeroporto.

O MPF questiona à superintendência do aeroporto quais medidas serão adotadas para sanar as irregularidades apontadas no relatório técnico e garantir a acessibilidade às pessoas com deficiência, além de pedir que seja encaminhado cronograma detalhado dessas atividades, com prazo máximo de seis meses para execução.

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Acre

Desocupação no Acre segue entre as 10 maiores do país

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A taxa de desocupação do Acre no 2º trimestre deste ano ficou em 15,9% da população em idade de trabalhar, percentual que o coloca na 9ª posição entre os Estados e em nível superior à média brasileira (14,1%).

Os dados constam do boletim periódico do Instituto Jones dos Santos Neves, que realiza estudos para o Governo do Estado do Espírito Santo. Na PNAD Contínua divulgada em 31 de agosto de pelo IBGE, a desocupação no Acre era a 8ª maior do País. O ranking era liderado por Pernambuco nos dois estudos.

Consideram-se desocupadas, aquelas pessoas sem trabalho, na semana de referência da pesquisa, que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência.

Consideram-se, também, como desocupadas as pessoas sem trabalho na semana de referência que não tomaram providência efetiva para conseguir trabalho no período de referência de 30 dias porque já haviam conseguido trabalho e que iriam começar após a semana de referência.

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Acre

Acre registrou 3.085 focos de incêndios em setembro, diz Inpe

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Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que o Estado do Acre registrou, somente nos primeiros 20 dias de setembro, 3.085 focos de incêndio. Já os números desde o dia 1° de janeiro mostram que foram registrados 6805 focos nos 22 municípios acreanos.

Segundo os dados do Inpe, o total é o maior dos últimos 16 anos. O instituto mostrou que os municípios que realizaram maiores índices de queimadas, nos últimos 9 meses, foram Feijó e Tarauacá.

Já na região norte, foram contabilizados mais de 11 mil focos de calor. A Amazônia brasileira registrou em agosto de 2021 mais de 28 mil focos de queimadas —o terceiro pior resultado para o período nos últimos 11 anos. Os números, disponibilizados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), só ficaram atrás dos registrados em 2019 e 2020, os dois primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Os incêndios no bioma costumam estar associados ao desmatamento. O fogo é usado para queimar a vegetação derrubada — e que foi deixada secando— e para limpar pastos.

O recorde de incêndios para agosto aconteceu há dois anos, quando foram mais de 30 mil focos de queimadas na região.

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