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CURSOS DE MEDICINA NA BOLÍVIA: Fraude, corrupção e perigo real para a saúde pública brasileira

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Os cursos de medicina na Bolívia, que são apresentados aos jovens acreanos como o eldorado para um futuro profissional garantido e lucrativo, pode esconder um mar de corrupção, fraude e perigo para a saúde dos acreanos. A realidade nas principais faculdades do país vizinho é a de quem tem dinheiro para pagar para passar nas provas poderá ter a plena certeza de se formar em medicina e ingressar no mercado acreano, através de apadrinhamento de pessoas influentes do meio político.

Para quem reclama da falta de estrutura da Universidade Federal do Acre (Ufac), no curso de medicina, os cursos na Bolívia também deixam muito a desejar. Muitos dos estabelecimentos de ensino particular nas cidades mais freqüentadas por acreanos sofrem do mesmo problema. Mas, o que aflige as pessoas que fazem parte da área de saúde pública, não é apenas a falta de estrutura, mas a corrupção e facilitação na formação profissional e recebimento de diploma em algumas instituições de ensino bolivianas.

Na cidade de Santa Cruz, é um verdadeiro paraíso para quem gosta das noitadas de bebedeira e prostituição. Alguns acadêmicos brasileiros estariam lesando a boa fé dos pais e fraudando provas e avaliações de cursos de medicina. “Em Santa Cruz é fácil para quem tem mais condições”, afirma J.M.S., médico formado na Bolívia, que aceitou falar da real situação dos acadêmicos e cursos de medicina, na cidade boliviana que concentra o maior número de faculdades particulares.

Além do perigo do aliciamento dos jovens acreanos que ingressam no submundo do álcool, drogas e prostituição, o problema de maior gravidade seria a venda de provas, avaliações e períodos inteiros dos cursos de medicina. Alunos brasileiros que freqüentam os cursos de medicina na Bolívia estariam concluindo a faculdade em períodos de três anos, sem freqüentar as principais disciplinas, expondo à população do Estado a ação de médicos sem a formação necessária para atuar na área de saúde.

A revalidação de diplomas seria um mero obstáculo para alguns dos fraudadores, que acostumados com as facilidades proporcionadas pelas propinas, fazem a revalidação pagando generosas quantias em instituições brasileiras. Os rigores que muitos reclamam que existe no na revalidação do diploma adquirido em países da América do Sul são facilmente contornado por uma minoria que pode pagar. Segundo informações  obtidas pela reportagem, pessoas ligadas a faculdades bolivianas teriam contatos no Brasil para agilizar o processo de revalidação.

UNE é denunciada por encurtar tempo de curso de medicina
Uma das instituições de ensino da Bolívia que vem sendo apontada nas denúncias de corrupção e facilitação é a Universidade Nacional Ecológica (UNE). De acordo com um pai de aluno que pediu para que sua identidade fosse mantida em segredo, existem casos em que os acadêmicos se formam em três anos. O denunciante afirma ainda, que existe a suposta conivência do reitor da instituição, alterando as datas de ingressos dos alunos nos cursos de medicina oferecidos pela faculdade.

O pai de um acadêmico acreano resolveu falar depois que o filho apresentou uma proposta de conclusão antecipada de pessoas supostamente ligadas a administração da UNE. “Se estou me sacrificando é porque quero ver meu filho formado. Mas não interessa apenas o diploma, é preciso de prática e conhecimento para exercer a profissão. Nem quero pensar no sentimento de culpa que eu ficaria em permitir que meu filho fraudasse um curso tão importante. A vida das pessoas é algo incomensurável”, destaca.

Para que o esquema acabe, segundo o pai de acadêmico, as provas de revalidação deveriam ter algumas obrigatoriedades, como mostrar o passaporte com deu entrada na Bolívia, ou comprovante de saída do Brasil, em documento expedido pela Polícia Federal. “É preciso realmente algum documento que prove que este aluno entrou na Bolívia na data especificada nos diplomas. Desde que seja algo original, como uma passagem original e não fotocopiada, pelo risco que correm os documentos de serem falsificados”.

Segundo o denunciante, todas as universidades na Bolívia, exigem o passaporte com o visto em dia, menos a UNE. Segundo ele, informações de um acadêmico da instituição, alguns novos alunos, já estão entrando no 6° período sem nunca terem feito uma única disciplina do curso de medicina. Outra questão levantada seria que a universidade não tem práticas hospitalarias e não reprova por falta. As denúncias dão conta que existem casos de alunos fazerem 30 matérias em um único semestre.

COMO FUNCIONA O SUPOSTO ESQUEMA
A reportagem obteve depoimentos de alunos que supostamente teriam entrado no esquema de antecipação de semestre. De acordo com os acadêmicos, o filho do reitor da UNE, identificado como David Justiano, seria quem comandaria o esquema fraudulento. A única exigência seria o compromisso do aluno que antecipe uma matéria, não poderá sair da UNE, ficando obrigado a se formar na instituição, sem pode se transferir para outra faculdade.

FUGINDO DA REPROVAÇÃO
A reprovação em determinadas faculdades na Bolívia não é mais problema. Existem recursos que os denunciantes apontam a UNE como responsável. O aluno reprovado em outras universidades se matrícula na UNE, no semestre que teria sido reprovado, com o compromisso de fazer as todas as matérias na instituição.

O aluno reprovado no 4º semestres, 3 vezes em outra universidade boliviana, entra no 5º  semestre, na UNE, mas não pode tirar seus documentos na universidade onde cursou medicina anteriormente. Seria como se nunca tivesse sido reprovado, porque a data protocolada é retroativa ao termino de seu curso, como se o aluno nunca tivesse ficado reprovado. O acordo é simples: o acadêmico não pode sair da UNE.

Muita farra e prostituição entre acadêmicos brasileiros na Bolívia
“Não vou generalizar, mas grande parte dos jovens acreanos, que vem estudar em Santa Cruz se desvia de seus objetivos, quando conhecem as noitadas da cidade”, relata J.M.S., formado em medicina na Ucebol. Ele diz que é comum ver jovens envolvidos com álcool, prostituição e farra com o dinheiro enviado pelos pais. “Esta é a realidade de parte dos alunos acreanos em Santa Cruz. A maioria gosta das baladas de Santa Cruz, fato que faz com que não freqüentem os cursos. Muitas das garotas se embriagam e participam de atos sexuais coletivos, enquanto um outro tanto de rapazes se envolvem com drogas. No final das contas quem arca com as despesas são os pais, que acreditam que seus filhos estão estudando”, enfatiza J.M.S.

Mesmo nas faculdades consideradas idôneas, o pagamento de propinas é uma constante. De acordo com J.M.S. os professores são subornados para realizarem as provas para alguns alunos. “Existe sim, o suborno. A direção das faculdades não tem conhecimento de alguns procedimentos, mas os professores recebem propinas para promover a aprovação. Isso se tornou um fato comum”, destaca J.M.S.

De acordo com o médico, parte dos alunos troca o dia pela noite. “É impossível estudar da maneira como alguns acreanos fazem. Muitos passeiam na faculdade esporadicamente, passando tempo integral nos bares e boates de Santa Cruz. Acredito que a maioria dos que não conseguem passar na revalidação, são pessoas que concluíram o curso de forma fraudulenta, pagando propinas aos professores”.

J.M.S. acrescenta que os cursos em algumas instituições de ensino são fracos, mas que se houver interesse por parte dos alunos as disciplinas são assimiladas. “Alguns cursos são fracos, isso não resta dúvida, mas se houver o mínimo de interesse pode haver o aprendizado. O problema que existe hoje em Santa Cruz é que os alunos estão soltos e sem controle dos pais, algo tem que ser feito, pois nem sempre a culpa é das faculdades”.

Ray Melo, da redação de ac24horas – raymelo.ac@gmail.com

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Acre

Morre Maria Luíza Abrahão, fundadora da Casa Natal

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A empresária acreana Maria Luíza Abrahão Felício, 85 anos, faleceu nesta quarta-feira, 20, em uma Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) em São Paulo. Ela foi transferida para São Paulo, após ser contaminada pela dengue e ficar internada.

Ela saiu de Rio Branco em UTI aérea para São Paulo, onde faleceu. Segundo informações preliminares, uma pneumonia agravou o seu estado de saúde e fez com que a idosa não resistisse.

Ela é mãe da empresária Síglia Abrahão, proprietária da Malharia Ponto Sem Nó. Ela era matriarca de uma das mais tradicionais famílias do Acre. Dona Luiza foi esposa do filho de libaneses Alberto Felício Abrahão, que nasceu em Xapuri e faleceu em Rio Branco há cerca de oito anos. Há 70 anos eles fundaram a Casa Natal, uma das lojas mais tradicionais da capital do Acre.

O corpo dela foi cremado ainda nesta quarta-feira, 20, na capital paulista. Ela deixa órfãos os filhos Siglia, Simone, Genir, Gracy e Beto.

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Acre

Jenilson crítica decisão de Bocalom acerca de retorno às aulas e afirma que irá acionar Comitê

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O deputado estadual e médico infectologista, Jenilson Leite, usou as redes sociais na noite desta quarta-feira, 20, para se manifestar contrário a decisão do prefeito Tião Bocalom (Progressistas) em relação à volta às aulas para o próximo dia 8 de fevereiro.

Em sua fala, o parlamentar destacou que apesar da chegada do imunizante ao Acre, esse não é o momento ideal de retomar as aulas. Ele pediu ao prefeito que reconsidere a decisão.

“A vacina que chegou não vai ser suficiente para imunizar nem os profissionais que estão na linha de frente, estamos vendo que em nossos Estados vizinhos as pessoas morrem por falta de oxigênio. Há um ditado que diz que quando a gente vê um problema acontecendo ao nosso lado, a gente põe as “barbas de molho”, destacou.

O deputado afirmou que vai consultar o Comitê do Acre sem Covid a respeito da decisão de Tião Bocalom.

“Vou consultar o comitê para saber se essa é uma decisão do comitê ou uma determinação unilateral do prefeito Bocalom. Mas acredito que o comitê não autorizaria o início das aulas num momento difícil como esse que estamos vivendo, mesmo com adaptações sanitárias. Há uma recomendação sanitária de adaptação de escolas que queiram funcionar, mas para momentos de maior tranquilidade”, destacou.

Em outro trecho, Jenilson citou o caso de Manaus, que viveu momentos difíceis nos últimos dias, e argumentou que o retorno às aulas poderá resultar no colapso da saúde do Estado.

“Nossas unidades já atingiram praticamente 100% de lotação. Por exemplo, no INTO já não temos vagas. O Hospital Juruá atingiu 94% da capacidade de internação. As crianças podem adquirir o vírus na escola e disseminar aos pais e demais parentes. Não podemos pensar em voltar às aulas sem imunizar pelo menos 50% da população. Isso é ter responsabilidade como representante do povo”, salientou o infectologista.

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Acre

Pedro Longo apresenta PL sobre programa de integridade no TCE

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Cumprindo agenda nesta quarta-feira (20), o deputado estadual Pedro Longo fez uma visita institucional ao presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ronald Polanco Ribeiro. O parlamentar se colocou à disposição do órgão fiscalizador do estado, representando a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).

Na ocasião, além de enaltecer o trabalho que o TCE vem realizando, Pedro Longo fez questão de entregar a Ronald Polanco a cópia de um projeto de lei apresentado por ele na Casa do Povo, que institui o Programa de Integridade e Compliance dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Acre.

A proposta aprovada desenvolve e aplica procedimentos que aumentem a credibilidade das instituições, pela segurança no cumprimento da legislação, além de contribuir para a prevenção de práticas irregulares e ilegais.

“Uma visita de cortesia muito importante e satisfatória. A relação respeitosa dos poderes com os órgãos que estão trabalhando no mesmo sentido de garantir transparência para a população, deve sempre ser valorizada”, defendeu Pedro Longo.

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Acre

Acre tem 221 novos casos de Covid-19 e chega a 840 mortes

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O Estado do Acre registrou 221 novos casos de infecção por coronavírus nesta quarta-feira, 20, sendo 78 casos confirmados por exame de RT-PCR e 146 testes rápidos. O número de infectados subiu de 45.208 para 45.429 nas últimas 24 horas.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), um óbito foi notificado nesta quarta-feira, sendo do sexo feminino, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 840 em todo o estado. M.C.S., de 66 anos, era moradora de Epitaciolândia e deu entrada no dia 10 de janeiro no Hospital Raaimundo Chaar, vindo a falecer no dia 12 de janeiro.

Até o momento, o Acre registra 128.652 notificações de contaminação pela doença, sendo que 82.466 casos foram descartados e 757 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. Pelo menos 38.970 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 151 pessoas seguem internadas.

Os dados da vacinação nos municípios ainda não estão disponíveis e serão atualizados de acordo com a plataforma do Ministério da Saúde (MS), ficando sujeito à alterações constantes, em razão das informações inseridas por cada município.

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