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“Juntos somos mais fortes”, diz Lula na Cúpula do Mercosul

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou nesta quinta-feira, 7 de dezembro, na abertura da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, que juntos os países da região são mais fortes. O encontro dos líderes do bloco ocorre no Rio de Janeiro sob a Presidência ‘pro tempore’ brasileira.


“Tenho há décadas a consciência de que, qualquer que seja o presidente que governar os nossos países, temos que ter a consciência de que juntos somos mais fortes, separados somos mais fracos”, afirmou Lula na reunião, ao lado dos presidentes da Argentina, Alberto Fernández; da Bolívia, Luis Arce; do Paraguai, Santiago Peña; e do Uruguai, Luis Lacalle Pou.

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No contexto das relações extrarregionais, o presidente Lula destacou o estabelecimento do acordo de livre-comércio Mercosul-Singapura. Trata-se do primeiro acordo do tipo do bloco em mais de dez anos e o primeiro com um país asiático. “É um estímulo para a gente acreditar que as coisas vão dar certo. Um passo importante”, disse.


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BOLÍVIA – Lula também celebrou a adesão da Bolívia ao bloco. “A entrada deles é uma conquista importante para o Mercosul, que passará a contar com 283 milhões de pessoas e um PIB de US$ 4,8 trilhões. Não é um PIB qualquer, é importante”, frisou o presidente brasileiro.


O líder brasileiro ressaltou que, com essa adesão, que ainda depende da aprovação do Protocolo de Adesão pelo Legislativo boliviano, a região está perto de realizar o sonho de integração entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Ele antecipou que o governo brasileiro vai apresentar um programa de estruturação de ligação dos países do continente, com ferrovias, rodovias, hidrovias e aeroportos . “Vamos ter uma boa quantia de dinheiro para poder cumprir esse sonho, finalmente, da nossa integração física”, afirmou.


SOCIEDADE CIVIL – Antes do encontro dos chefes de Estado, entre os dias 4 e 5 de dezembro, foi realizada a Cúpula Social do Mercosul, com participação de mais de 300 pessoas da sociedade civil. Lula comemorou a retomada da participação social presencial após sete anos de interrupção. E recomendou ao presidente paraguaio que continue a promover a iniciativa quando assumir a Presidência ‘pro tempore’ do bloco. “Essa gente representa o que temos de vivo na nossa sociedade e que vão nos ajudar, porque são os trabalhadores, são as pessoas da saúde. Então, é bom tratá-los com muito carinho”, defendeu Lula.


UNIÃO EUROPEIA — O presidente também citou os múltiplos esforços brasileiros nas negociações para conclusão do acordo entre Mercosul e a União Europeia. “Confesso a vocês que eu tinha um sonho de que na minha Presidência e na Presidência de Pedro Sánchez, presidente político da União Europeia — inclusive tinha feito convite dele vir aqui, convidei a Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) também, para a gente fazer a conclusão do acordo, eu achava que a gente merecia, eu participei de muitas reuniões e nunca saio desanimado. Acho que nunca antes na história do Mercosul se conversou com tanta gente”, afirmou, citando ainda tratativas que estabeleceu com o chanceler alemão, Olaf Scholz, e com o presidente da França, Emmanuel Macron, que afinal se declarou contra o acordo, em coletiva em Dubai, na semana passada.


Considerando que o acordo pode promover avanços para o bloco, Lula pediu para que os demais chefes de Estado não desistam das negociações para estabelecimento do acordo com a União Europeia. Nesta tarde, o Ministério das Relações Exteriores publicou um comunicado conjunto entre Mercosul e União Europeia em torno das negociações. O texto registra que nos últimos meses houve avanços consideráveis. “As negociações prosseguem com a ambição de concluir o processo e alcançar um acordo que seja mutuamente benéfico para ambas as regiões e que atenda às demandas e aspirações das respectivas sociedades”, indica o comunicado .


ESSEQUIBO — No encontro, o presidente Lula abordou ainda a situação de Essequibo e demonstrou a preocupação brasileira com possíveis conflitos entre Venezuela e Guiana. “Estamos acompanhando com crescente preocupação os desdobramentos relacionados à questão do Essequibo. O Mercosul não pode ficar alheio a essa situação”.


Uma coisa que não queremos aqui na América do Sul é guerra. Nós não precisamos de guerra, de conflito. O que precisamos é construir a paz, porque somente com muita paz a gente pode desenvolver o nosso país, gerar riqueza e melhorar a vida do povo brasileiro”


Sobre a questão, o presidente propôs uma declaração dos Estados Partes do Mercosul. “Enfatizo a importância de que as instâncias da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e União de Nações Sul-Americanas (Unasul) sejam plenamente usadas para o encaminhamento pacifico dessa questão”, disse, completando que o Brasil estará à disposição para sediar quantas reuniões forem necessárias.

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“Uma coisa que não queremos aqui na América do Sul é guerra. Nós não precisamos de guerra, de conflito. O que precisamos é construir a paz, porque somente com muita paz a gente pode desenvolver o nosso país, gerar riqueza e melhorar a vida do povo brasileiro”.


CLIMA E TRANSIÇÃO ENERGÉTICA — O presidente Lula também abordou a importância de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. “Retornei da COP28 em Dubai movido por um sentimento de grande urgência diante da questão climática. O mundo se aproxima muito rapidamente de um cenário catastrófico”, sinalizou.


“Há 30 anos, tratávamos essa questão com certo desprezo. Era uma questão de intelectuais e acadêmicos. Agora a natureza está nos chamando a atenção: dê importância porque agora as coisas vão acontecer cada vez mais rápido se vocês não respeitarem”, alertou.


Lula lembrou que a América do Sul tem a maior floresta tropical, as maiores reservas de águas e de biodiversidade do mundo. “Abrigamos duas das cinco maiores bacias hidrográficas do planeta, a Amazônica e a do Prata. O Mercosul é um espaço estratégico de coordenação também para temas globais”, afirmou, lembrando que o Brasil vai sediar a COP30 em 2025.


Para o presidente, os países da região têm muito a ensinar ao mundo em relação à transição energética e à questão climática. Lula pediu, ainda, a participação dos integrantes do Mercosul para a construção do G20 , que será realizado em 2024, no Rio de Janeiro, no período da Presidência brasileira no bloco das principais economias do mundo.


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