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Panelada e uma dose de Jucá, o suprassumo do Bar dos Papudos no Acre

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“E aí, papudo?”. É assim que, geralmente, os clientes são recebidos no famigerado Bar dos Papudos, um botequim genuinamente raiz e idealizado por uma mulher. Localizado na rua Valério Magalhães, bairro Bosque, em Rio Branco (AC), não tem formalidade alguma e sobrevive a uma trajetória de aproximadamente 20 anos com muita tradição na capital acreana.


Difícil mesmo é alguém não conhecer, nunca ter ouvido falar ou visitado o Bar dos Papudos. Nessas duas décadas de existência, a simplicidade tem sido o carro-chefe, acompanhada de um bom prato de panelada e da indispensável dose de Jucá, bebida alcoólica preparada pela casa e que é referência do Bar.


Panelada é o prato mais pedido e querido do Bar. “Não pode faltar”, diz atendente – FOTO: Sérgio Vale

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Ah, e nada de conversas politicamente corretas. Quem está acostumado a frequentar o local, sabe que se trata de um ambiente totalmente favorável e propício ao esdrúxulo (sem moderação). Isso é apenas uma amostra do que compõe o Bar dos Papudos, um estabelecimento que agrega o antiquado e o contemporâneo no mesmo lugar.


Maria Divina, de 70 anos, é proprietário do bar e começou o negócio há 20 anos vendendo comida – FOTO: Sérgio Vale

Tudo começou quando Maria Divina Araújo, de 70 anos, parou de lavar roupa “para fora” e passou a vender comida em casa para apenas duas pessoas. Encantados com o tempero, os dois únicos clientes logo espalharam para os conhecidos o quão saborosa era a comida de Maria. A partir de então, ela teve de alugar um espaço maior, para atender toda a clientela que pagava para experimentar seus pratos.


Assim nasceu o Bar dos Papudos, ainda sem nome nessa época. “Passei mais de 30 anos me sustentando lavando roupa. Depois, comecei vendendo comida ali, mais na frente, na esquina. Só vendia comida. Foi ficando pequeno o local, pois não tinha mais espaço para as pessoas e aluguei aqui ao lado de onde funciona o bar hoje e que permitiu eu criar meus filhos”.


A partir desse momento, sua irmã, que também trabalha no estabelecimento, Maria das Graças, de 62 anos, chamada carinhosamente de ‘Papuda’, ajudou a escolher o nome do empreendimento. “Na época, o bar do Papinha, que fica aqui perto, estava em alta e falei: vamos colocar um nome parecido. E aí surgiu Papudo. Eu disse: vamos ver se cola? E colou”, contou caindo em gargalhadas.


Irmãs trabalham juntas desde o início e dividem as tarefas do empreendimento – FOTO: Sérgio Vale

As irmãs consideram o Bar um empreendimento familiar. Para ambas, o segredo de manter um negócio por tanto tempo é a coragem. “Tem que ter coragem para vencer, para trabalhar, para não deixar faltar o que o cliente gosta”. Maria Divina e ‘Papuda’ não conseguem ver dificuldade em atuar nesse ramo na capital do Acre. “Graças a Deus não falta o dinheiro para a mercadoria de todos os dias. Tem a carne todo dia para o almoço, tem a água, o suco, as bebidas do bar”.


Por falar em bar, não há como não mencionar o Gel, que cuida das cervejas como ninguém. Gelcimar da Cunha, de 62 anos, é esposo de Maria Divina e tem um lugar especial no coração dos clientes. De humor peculiar, conquista aquele freguês que prefere sentar no balcão, no ‘front’ das bebidas.


Bar comercializa a famosa dose de Jucá e cerveja estupidamente gelada – Foto: Sérgio Vale

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É ele quem serve a famosa dose de jucá, especialmente temperada por Maria com cravo, canela e mais alguns segredos da casa. Cada dose custa de R$ 3 a 5 reais e vende tanto quanto a cerveja. O bar tem quatro funcionários fixos, sendo Maria, a cozinheira, Papuda e mais um ajudante como atendente e Gel, servindo as bebidas.


“Atendemos todo tipo de público, mas a maioria, em dia de semana, são as pessoas que saem do trabalho no horário de almoço para comer aqui. Alguns ligam antes pedindo para deixar a comida no ponto ou encomendando algo especial. Temos clientes fies, que estão conosco desde o início”, afirmam.


Estabelecimento mantém simplicidade característica em sua estrutura – FOTO: Sérgio Vale

As irmãs dizem não ter noção da importância e do sucesso que fazem com a clientela. “Sentimos que os clientes gostam do nosso tratamento, mas principalmente da comida. Tem gente que vem dos municípios só para comer a nossa panelada, a nossa buchada. A panelada não tem para ninguém. Todo dia a gente faz e todo dia acaba. Se faltar a panelada, Deus o livre”, brincam.


Apesar de ser um bar, onde os ânimos podem ficar exaltados, não é comum haver confusão nos Papudos. Maria ressalta que não aceita crianças no local cujos responsáveis estejam ingerindo bebida alcoólica. “Somos um bar família, mas às vezes querem beber com criança e eu não aceito, não. Tem gente que entende, mas outros ‘botam’ para brigar”, conta.


Maria das Graças, a “Papuda”, de 62 anos, é querida pela clientela por seu carisma e simpatia – FOTO: Sérgio Vale

O Bar dos Papudos funciona todos os dias, de domingo a domingo, das 11h da manhã às 23 horas, servindo pratos tradicionais, como bife e assado de panela, mas também o sarapatel, porco frito, peixe frito, rabada no tucupi, buchada e a inigualável panelada.


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