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Bloqueio na BR-317 já ameaça desabastecimento em Boca do Acre

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Desde o início desta semana, produtores rurais interditam parte da BR-317, estrada que liga Rio Branco ao município de Boca do Acre (AM). O bloqueio ocorre no quilômetro 70, devido à falta de pavimentação na rodovia. Já são mais de 48 horas de protesto e agora um novo risco ameaça os moradores do município do estado vizinho: o desabastecimento.

Até ontem, os manifestantes só liberavam a passagem de ambulâncias. O dono de um posto de combustível em Boca do Acre informou ao portal O Alto Acre que o estoque já não é muito e a interdição por prejudicar o reabastecimento do combustível.

Um grupo de médicos relatou ao ac24horas: “não conseguimos passar de volta para Rio Branco. Não há nem mesmo previsão de reabertura da estrada”.

Líderes do movimento estiveram com representantes da prefeitura para tentar falar com o prefeito Zeca Cruz, mas ele não estava no gabinete. Antes de sair da cidade, os manifestantes disseram que pretendiam liberar o tráfego nesta quinta-feira, 12, por 24 horas, e em seguida, retomar o bloqueio na estrada. Mas, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a estrada segue interditada. O protesto é acompanhado pela polícia.

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Acre

Petrobras sobe gasolina pela sexta vez no ano; diesel tem quinta alta

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A Petrobras vai elevar mais uma vez os preços da gasolina e do diesel nas refinarias a partir de terça-feira (9), informou a companhia nesta segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa. A nova alta vem em meio aos trâmites para a substituição do presidente da petroleira, após intervenção do presidente Jair Bolsonaro.

O preço médio de venda da gasolina passará a ser de R$ 2,84 por litro, alta de R$ 0,23 por litro (alta de 9,2%), enquanto o diesel passará a média de R$ 2,86 por litro, aumento de R$ 0,15 por litro (alta de 5,5%).

É a sexta alta do ano nos preços da gasolina, e a quinta no valor do litro do diesel. Em dezembro, o litro da gasolina custava em média R$ 1,84. Já o do diesel saía a R$ 2,02.

Desde o início do ano, a gasolina acumula alta de 54% nas refinarias, enquanto o diesel subiu 41,6%.

Troca de comando

As sucessivas altas nos combustíveis este ano irritaram o presidente Jair Bolsonaro, que indicou o general Joaquim Silva e Luna para substituir o atual presidente Roberto Castello Branco do comando da estatal, como mostra o vídeo abaixo. O mandato de Castello Branco, no entanto, termina em 20 de março, e ele segue no cargo.

A troca provocou um forte forte abalo nas ações da companhia, que chegou a perder R$ 75 bilhões em valor de mercado em um só dia.

Lucro recorde

A Petrobras encerrou o quarto trimestre de 2020 com lucro recorde de R$ 7 bilhões, apesar do momento de crise. Segundo a Economatica, o resultado é tanto recorde nominal entre as empresas brasileiras como também quando se ajustam os valores dos maiores lucros da história pela inflação.

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Acre

Acre vacinou apenas 3,37% da população contra a Covid-19

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O Estado do Acre já aplicou cerca de 30.223 doses de vacinas contra Covid-19 até esse domingo (7). Desse total, 25.266 vacinas foram aplicadas durante a primeira dose, representando 2,82% de imunizados. Outros 4.957 vacinas foram usadas para a segunda dose, acrescentando mais 0,55%. Ao todo, os 22 municípios acreanos já imunizaram o equivalente a 3, 37% da população.

Os números foram atualizados nesse domingo pelo Consórcio de veículos de imprensa, com dados da secretaria estadual de Saúde (Sesacre). Até agora, o Acre recebeu 79.360 doses de imunizantes contra o coronavírus. O Acre registrou nesse domingo, 7, mais 218 casos de infecção por coronavírus fazendo com que o número de infectados saltasse para 60.288.

Mais 10 notificações de óbitos foram registradas, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 subisse para 1.063 em todo o estado.

Até o momento, o Acre registra 163.436 notificações de contaminação pela doença, sendo que 102.589 casos foram descartados e 559 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. Pelo menos 51.502 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 336 pessoas seguem internadas.

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Acre

Tereza: Mulher e Nortista

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“O sertanejo é, antes de tudo, um forte”.

“Sertanejo”. Muitos tomaram essa locução de Os Sertões e, achando que podiam melhorá-la, tornando-a, assim, mais significativa daquilo, ou daqueles, de que(m) Euclides da Cunha verdadeiramente falava, comutaram o vocábulo original por “nordestino”. Não soou, mesmo, algo fora do lugar. Ora, se o todo – neste caso, o livro – é aquilo a que chamamos “obra aberta”, de apropriação coletiva e, pois, dado à mais ampla interpretação, por que não o seria também a parte, isto é, cada uma de suas sentenças?

“O nordestino é, antes de tudo, um forte”.  Quem seria capaz de o negar?

Não pesquisei, nem o farei, mas imagino que essa versão deva contar, hoje, com mais “entradas” (e talvez até “resultados”) nos mecanismos de pesquisa da Internet do que o arranjo original.

Quero, no entanto, propor um passo novo – que, por avanços que tenhamos cometido, ainda não demos –, na forma de duas alternativas: “a sertaneja é, antes de tudo, forte”.  Ou, o que também me agrada, “a nordestina é, antes de tudo, forte”. Contrario-me e vou além, numa terceira variação: “a nortista é, antes de tudo, forte”.

Penso que assim vou me aproximando, muito modestamente, do que Euclides da Cunha efetivamente quisera pronunciar. Porque ele certamente não excluiria de tão bem rematada síntese o homem nortista. Não apenas porque, na genealogia, descendente direto, e herdeiro, da fibra, da coragem e da bravura do nordestino; mas também porque as lutas do nortista se mostram ainda mais duras, pois desgraçadamente anacrônicas, em pleno século XXI, que aquelas travadas, no passado e mesmo no presente, por seus ascendentes, por assim dizer.

E tudo quanto digo sobre o homem nordestino e o homem nortista se aplicam, e se aplicam ainda mais, à mulher nortista – brava, forte, corajosa, persistente e, para usar um vocábulo da moda, “resiliente”. Penso que o autor de Os Sertões me daria sua benção.

Tive a honra de conhecer uma dessas mulheres.

Tereza Lima de Souza Barreira: mulher, esposa, viúva, mãe, trabalhadora e trabalhadeira. Nascida no seringal, sem berço e sem instrução. Se existe um chamado “Brasil profundo”, D. Tereza veio de um país ainda mais profundo e incógnito – o interior perdido do Amazonas.

Nortista. Adicionar que também “brava”, “corajosa” e “forte” soa redundante.

Muito cedo, D. Tereza se casou; muito cedo lhe rebentaram os filhos e, também muito cedo, Deus lhe recolheu o marido, deixando-a, praticamente uma menina, na casa de seus brevíssimos dezenove anos, sozinha, com quatro bocas e respectivos pandulhos para alimentar e encher.

“Tereza no velório do marido Raimundo Galdino, junto a seus 4 filhos, por volta de 1972, Vila Ivonete, Rio Branco-AC” – Foto: Arquivo

Já não estava sequer em sua terra, mas numa Rio Branco inóspita, que nada lhe devia, nem mesmo um sorriso ou um afago nas costas – para onde fora em busca de dar à prole a educação que não tivera para si.

Sem saber riscar o próprio nome, D. Tereza bem poderia ter, como a muitas ocorreu, desandado na vida. A dignidade, a fibra, enfim, a “força sertaneja e nortista” que lhe percorriam as veias, não o permitiram.

Foi trabalhar em casa de família, onde fazia de “um-tudo”; e, assim, criou, e criou muito bem, os filhos que teve. Só pôde contar, na empreitada da vida, com os próprios genitores e alguns irmãos, a dividirem com ela a pobreza que na família fartava, sobejava.

Tereza criou os filhos e fez deles gente. Souberam mais, muito mais que desenhar ou assinar nomes. Todos estudaram e, embora seja isso um “lugar comum”, venceram na vida justamente pelo estudo.

Um dos filhos tornou-se procurador de justiça do Ministério Público do Acre, feito para poucos.

“Diga-me com quem jantas e eu te direi quem tu és”.

Certa vez, tive privilégio de levar D. Tereza para um jantar em Brasília. Fomos a um restaurante da moda, com certo garbo. Chamei o garçom e lhe pedi dois cardápios. Pus um diante dela, que logo o baixou na mesa e me disse: “pode escolher por mim, meu filho. Não vou conseguir ler. Esqueci meus óculos no hotel”.

Eu então não sabia que ela, por motivo outro – a desgraça do anacronismo socioeconômico que ceifa, no nascedouro, o futuro de brilhantes nortistas, homens e, principalmente, mulheres –, não podia ler. Em sua altivez, no entanto, não me permitiu que eu o percebesse.

Não por constrangimento ou vergonha, eu sei; mas, de alguma forma, para me preservar, o que ela entendia que lhe cabia fazer.

Ao final daquele jantar, e em razão da companhia distinta que tive, senti que podia ser um pouco mais do que o pouco que me julgava. D. Tereza, mulher, nortista, brava e forte, ao cear comigo, havia conseguido me elevar.

“Pelos frutos, conhecereis a árvore”.

Basta procurar nas Escrituras que nela se encontrará – está, aliás, em dois evangelistas, Lucas e Mateus: não se deve esperar uvas de espinheiros nem figos de abrolhos.

Prefiro, porém, uma outra fonte, igualmente rica, mas mais singela, da Doutrina que acolhi e me acolheu: “Laranjeira carregada de laranjas boas; assim são algumas pessoas”.

Tereza foi essa árvore. Sei disso, entre outras coisas, porque lhe conheço, justamente, os frutos.

Além do Bojador e da dor, o repouso de uma nortista

Conheci poucas pessoas com a alegria de viver de D. Tereza. Isso estava no olhar, na escolha das palavras, no modo de enfrentar a vida, nos simples atos de cozinhar e de cuidar da casa.

Nos últimos meses, a matéria, a densa matéria, passou a lhe pesar muito sobre os ombros, cobrando-lhe um preço altíssimo para cada passo ou respiração dados. Aos poucos, foram-lhe sendo tirados a energia, a graça, os risos – que deram lugar a demasiado sofrimento. Ninguém merece passar por isso, um quase perder-se de si mesmo; merecia menos ainda D. Tereza.

Os filhos cuidaram como puderam – e mais. Um, em especial, fez tudo, ou mais, o que podia. Avançou com a medicina até onde essa foi capaz, seja como ciência, seja como arte.

Tereza precisava, no entanto, de descanso. Fora uma vida inteira de batalhas muitas. Deus o permitiu, impedindo que o suplício se prolongasse muito além do necessário. Foi-se, na última semana de fevereiro, isenta de aflição, levando consigo a certeza de que a descendência ficou muito bem encaminhada.

O legado de D. Tereza é o espólio de todas as mulheres: a bravura, a coragem e a fibra que lhes são inerentes e não podem ser tolhidas nem roubadas. Especialmente, da mulher sertaneja, da mulher nordestina e da mulher nortista, forte entre as mais fortes.


Por Rogério de Melo Gonçalves – Consultor Legislativo do Senado Federal, Mestre em Direito do Estado.

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Acre

Média salarial das mulheres é 90,4% do salário dos homens no Acre

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A remuneração entre mulheres e homens guarda diferenças significativas no Acre, segundo um levantamento divulgado pelo G1 nesta segunda-feira, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

A remuneração média das mulheres acreanas é de R$ 1.902,00 e a dos homens acreanos é de R$ 2.103,00. Ou seja: o ganho das acreanas representa 90,4% dos acreanos.

O levantamento diz que a pior situação para as trabalhadoras é observada no Mato Grosso do Sul: no Estado, a remuneração média das mulheres equivale a apenas 65,4% da recebida pelos homens.

A melhor relação é observada no Amapá, onde os valores são muito próximos, embora as trabalhadoras também estejam em desvantagem. No estado, a remuneração dos homens é de R$ 2.171, enquanto as mulheres recebem R$ 2.162.

Os números foram compilados pela consultoria IDados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio e são referentes ao terceiro trimestre do ano passado.

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