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Desabrigados reclamam de promessas não cumpridas pelo governo do Acre

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O Rio Acre que tem sua média de seis a oito metros, ultrapassou nesta terça-feira a cota dos 18 metros de profundidade, um nível histórico, acima da maior cheia registrada em 1997 quando chegou a 17m66. No Parque de Exposições Marechal Castelo Branco, 1.395 famílias estão alojadas em abrigos improvisados, um total de 4.933 pessoas.

Elas não reclamam do atendimento dado pelo poder público. Um abrigo de 4m² fechado por lona preta, água potável, três alimentações diárias, posto de saúde com medicamentos, segurança reforçada, psicólogo, terapia ocupacional para as crianças, rádio, e até um contato mais próximo com as maiores autoridades do estado e município que aparecem de vez em quando mostrando preocupação com a situação de calamidade.

“Tudo isso seria bom se saíssemos daqui para nossa casa fora da área de alagação”, comentou a empregada doméstica Roberta Paula.

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Roberta Paula passa o tempo desenhando com as filhas no Centro de Multimeios

No Centro de Multimeios organizado pelo município, Roberta, ao lado dos dois filhos, rabiscava com lápis coloridos e muita paciência, o sonho de não enfrentar mais essa situação. Moradora do bairro Baixada da Habitasa, ela está há seis dias no abrigo público.

Esta é a realidade de milhares de famílias que todo ano são retiradas das margens do Rio Acre – a grande maioria – com o mesmo perfil social. Pai e mãe desempregados, beneficiários do Bolsa Família, alta taxa de natalidade, acossadas por rendas miseráveis.

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Ex-seringueiro, seu Francisco do Carmo divide o espaço de 4m² com mais oito pessoas

Seu Francisco do Carmo, aos 84 anos, é ex-seringueiro, vive pela décima vez a mesma situação. Tem que sair do bairro Triângulo onde mora com a filha e mais sete netos. Cego desde os 18 anos de idade, ele divide um dos abrigos improvisados no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco.

“Eu penso que pelo fato de eu ser cego deveria ter prioridade. Até hoje eles só me prometem uma casa. Toda vez é a mesma história quando chegamos aqui. Nos cadastram, fazem um monte de perguntas e nada sai do papel”, relatou o ex-seringueiro.

Do outro lado do galpão que abriga as famílias, “prioridade” é o assunto mais debatido por um grupo de mães que tem filhos especiais e que há anos sofrem com as enchentes ouvindo sempre a mesma promessa.

“Quando vocês saírem daqui irão para um aluguel social e de lá para a casa própria”, conta dona Creuza Lopes.

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Dona Creuza Lopes tem uma filha especial, mas nunca foi priorizada na hora de ganhar uma casa própria

Ela afirma que há três anos a Secretaria de Habitação e Interesse Social informou que ela tinha sido sorteada com uma casa que nunca saiu do papel. Com uma filha especial e sem condições de continuar pagando aluguel, ela relata que não sai para onde vai quando as águas baixarem.

“Todo ano temos que recomeçar nossa vida praticamente do zero. Dessa vez eu não sei o que vou fazer e nem para onde vou”, falou emocionada.

Dona Maria José Barbosa, dona Marcileuda Pereira da Silva e dona Maria Oliva, contam a mesma história, dividem o mesmo sonho, alimentam as mesmas esperanças. “Eu sonho com um cantinho digno para mim e minha mãe que sofre de deficiência”, relatou Maria José.

Atividades coletivas – Como as divisórias são finas e não há tetos, o jeito é usar os abrigos somente para dormir. No horário de maior calor, todos vão para frente dos galpões ou dividem espaços de uso coletivo como os banheiros para lavar roupa e tomar banho.

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“A noite a reclamação é do barulho do rádio do vizinho, a televisão com volume alto, mas temos que nos acostumar, não tem outro jeito”, contou seu José.

A criançada que não estar nem ai para a situação se diverte com os brinquedos disponíveis no Parque. Acompanhadas por professores e voluntários elas praticamente não querem sair do pula-pula, no campo de voleibol e futebol e são assíduos na hora da sessão de cinema.

“Para eles tudo é festa, aproveitam as brincadeiras que só tem aqui, uma realidade bem diferente do lugar onde moram”, comentou dona Maria do Carmo.

Cerca de seis mil pessoas estão em cinco abrigos públicos mantidos pela Prefeitura, que serve atualmente 18 mil refeições por dia. Segundo a agência de notícias do município, 75 mil pessoas estão diretamente afetada pela alagação em 40 bairros.

Cotidiano

Teatro Candeeiro abre seleção de atores para peça Romeu e Julieta

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A Associação Teatro Candeeiro está com audições abertas para a montagem da peça Romeu e Julieta, programada para ser exibida em 2023.

Para participar, é necessário ser maior de 15 anos, preencher um formulário especificando e-mail, nome completo, com a escolha de até 3 personagens que deseja interpretar e ter disponibilidade de horário.

Serão 15 vagas para apresentar a vida do casal mais apaixonado e amado da história. As inscrições acontecem até o dia 12 de agosto e as audições serão realizadas entre 15 e 16 do mesmo mês, às 19h30.

Segundo a diretora da iniciativa, Jaqueline Chagas, que estuda o dramaturgo William Shakespeare a mais de 5 anos, a peça deve estrear em maio do ano que vem.

“Romeu e Julieta é uma das peças mais famosas de Shakespeare e é conhecida no mundo todo, essa será a primeira montagem em caráter profissional em Rio Branco. Qualquer pessoa pode se candidatar independente de gênero aos personagens disponíveis”, disse.

Acesse aqui o formulário de inscrição.

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Cotidiano

Termina hoje (8) prazo para recusar nomeação como mesário nas eleições 2022

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Os eleitores que receberam na última quarta-feira (3) a convocação para trabalhar como mesários nas eleições deste ano têm até hoje (8) para pedir dispensa da nomeação, apresentando justificativa ao juiz responsável pelo cartório eleitoral onde vota.

Na última quarta-feira (3), terminou o prazo para que cada cartório eleitoral fizesse todas as nomeações de mesários e integrantes do apoio logístico para as eleições. O primeiro turno de votação está marcado para 2 de outubro e eventual segundo turno, para 30 de outubro.

Os mesários trabalham nas mesas receptoras de votos ou de justificativa, dando andamento à fila de votação. Neste ano, a Justiça Eleitoral prevê a convocação de 2 milhões de colaboradores para esse trabalho.

Quem foi nomeado recebeu uma convocação pelo correio, por e-mail ou por WhatsApp, a depender de como cada estado optou por fazer a comunicação. Desde a data de recebimento da convocação, o eleitor tem cinco dias para pedir a dispensa. Nesta segunda-feira (8), portanto, termina o prazo para quem recebeu a notificação na última quarta (3).

Entre os benefícios de trabalhar como mesário está o recebimento de vale-alimentação diário de até R$ 45, a dispensa do trabalho pelo dobro dos dias dedicados à Justiça Eleitoral, caso o cidadão tenha carteira assinada, e a vantagem em critérios de desempate em concursos.

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Cotidiano

Presidente das APAES denuncia que obra da prefeitura provoca alagação dentro de sua casa

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Cecília Lima, conhecida por ter sido presidente da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e que hoje é presidente da Federação Estadual das APAES, reclama de uma obra realizada pela prefeitura de Rio Branco na rua Almirante Castro e Silva, no bairro Estação Experimental.

Ocorre que depois que a rua foi pavimentada, o benefício da pavimentação chegou, mas a engenharia parece não ter sido completamente bem feita, já que a chuva alaga a casa pela frente e por trás. Na tarde desta segunda-feira, 8, a forte chuva provocou transtornos para familiares de Cecília, já que quem mora na residência é uma filha.

“Preciso de ajuda, alguém tem que fazer alguma coisa. Agora estamos no período do verão, imagina quando chegar no inverno que chove quase todo dia, imaginem como vai ficar a nossa situação”, disse Cecília.

Vídeos feitos pelos moradores da residência mostram a água invadindo o local em grande quantidade, colocando em risco os móveis e demais utensílios domésticos da casa.

O ac24horas falou com o Secretário de Cuidados com a Cidade, Joabe Lira, que se comprometeu em mandar uma equipe até o local nesta terça-feira, 9, para averiguar o problema.

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Irailton Lima

O jogo de desconfianças, trapaças e vinganças na formação das chapas para a eleição de outubro e o que isso revela sobre a situação do Acre neste momento

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Encerrado o tempo das articulações e realizadas as convenções partidárias, o diálogo dos políticos agora terá que ser com o povo. Antes, porém, terão que fazer um esforço enorme para justificar toda a confusão que fizeram na fase que deveria ser de entendimentos e alianças. E toda essa confusão para definição das chapas que disputarão os votos dos eleitores em outubro denuncia o estado de bagunça em que se encontra nossa elite política – e vamos logo esclarecendo a diferença: estamos falando daquele seleto grupo de representantes eleitos; dos detentores de mandato com poder de dirigir o estado, excluindo-se, por óbvio, a oposição.

E o que isso tem a ver com você? Tudo. Explico.

Conversas de articulação política são normais na democracia. Na verdade, mais que isso: fazem parte da natureza da política. Compõem um jogo de força e poder em que os diferentes interesses da sociedade se articulam e formam alianças na tentativa de construir maiorias eleitorais. Por isso, em todo tempo e em todo lugar se constituiu uma elite política, que somada a outros atores sociais e institucionais formam o grupo dirigente.

E ser elite tem seu preço – é bem verdade que tem imensos privilégios, como prestígio social e quase sempre uma elevada compensação financeira. O preço a pagar é o da responsabilidade de conduzir o povo na satisfação de ansiedades, necessidades e desejos. Lembremos de Moisés dirigindo exigentes ex-escravos na peregrinação pelo deserto em busca da terra prometida. Por isso, podemos até dizer que a realidade e o futuro das pessoas de um lugar estão diretamente vinculados à qualidade de quem o dirige.

E, convenhamos, nisso estamos muito mal.

No Acre, praticamente tudo depende do governo e das prefeituras. Aqui o peso dos políticos com mandato é imenso, reforçando ainda mais a condição de elite dirigente que ocupam. Pois bem, o que os nossos líderes políticos fizeram por esses dias é inacreditável. O festival de rasteiras, mentiras e discursos vazios que encenaram ao longo das articulações e nas convenções partidárias não deixam dúvidas sobre isso.

Esse talvez tenha sido o pior momento da política acreana em muitas décadas. E tudo sendo transmitido ao vivo pelos portais, pelos programas de entrevistas e ocupando generosos espaços nas manchetes aqui do AC24H. Aliás, a imprensa corretamente fez a sua parte. Abriu espaços e noticiou, possibilitando que os políticos anunciassem seus acordos e desacordos. Talvez jamais tenhamos tido um processo tão transparente quanto esse – e isso foi bom.

Voltemos a falar de rasteiras. Das tantas ocorridas, algumas saltaram aos olhos. Por hora não falaremos da maior de todas, que é o fato de o governador Gladson Cameli iniciar a campanha tendo que pedir ao povo um segundo mandato sem ter realizado sequer a terça parte do que prometeu na eleição passada.

A humilhação imposta pelo governador ao senador Márcio Bittar ao trocar sua ex-esposa, Márcia Espinosa, pelo deputado Alan Rick na vaga de vice é seguramente daqueles episódios que entrarão para a história. E olha que Bittar era o único sobrevivente do grupo de aliados fortes que ajudaram Cameli na vitória sobre a Frente Popular em 2018.

Mas o senador Bittar não é apenas vítima. Bom executor das leis do poder, sabe que as pessoas não seguem líderes fracos, tampouco bons. Elas acompanham a quem temem. Bittar vingou-se de Cameli e Alan Rick, assumindo o controle do União Brasil e impedindo a presença do deputado na chapa de Cameli. Agora Márcio Bittar é candidato ao governo tendo Alan Rick de companheiro de chapa na vaga de senador, enquanto sua protegida Márcia Espinosa é candidata ao senado na chapa do MDB, que tem Mara Rocha de governadora.

O deputado Alan Rick, por sua vez, é candidato na chapa de Márcio Bittar mas quer mesmo é ser o ungido do governador Gladson Cameli. O governador, por outro lado, convidou o ex-deputado Ney Amorim para a vaga de senador prometendo fidelidade. O estranho é que já na convenção do PP Alan Rick subiu no palco onde estavam os candidatos do governador. Esse é apenas mais um dos muitos indícios a sugerir que Ney Amorim será traído e trocado por Alan Rick no dia a dia da campanha de Cameli.

O fato é que a fase final das articulações virou um jogo de desconfianças, trapaças e vinganças, revelando a fragilidade do arranjo que fez ascender ao poder a elite política saída da eleição de 2018. Enquanto isso, da parte desses, nosso Acre segue sem rumo e sem um projeto claro de futuro.

Como visto, estamos mesmo muito mal.

 

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