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Metamorfose

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No verão, os jardins das casas que ficam no outro lado da montanha se enchem de borboletas. É um cenário encantador, repetitivo e trágico.

Encantador, porque as flores se alegram diante da variedade de cores, de asas a dançar com o vento e de visitas que as sementes fazem, graças à ajuda desse pequeno e bonito inseto.

Repetitivo, porque a beleza em demasia cansa. Torna-se comum e, com o tempo, os olhos se recusam a quedar-se mirando frente a esse milagre da natureza.

Trágico, porque ali, nesse episódio da vida real, esse corpo alado carrega a sina de uns poucos dias, dando à singela flor que se abre a sentença de que lhe fará companhia breve. Morreram para nascer!

– Pai, há tempos queria conversar com o senhor.

– Diga filhão! Fale para o seu pai.

– Pai, eu sou gay.

– Que?

– Eu sou gay, pai! Gosto de homens.

RISOS REPENTINOS, ROSTOS RAIVOSOS, RUMINAVAM RESPOSTAS: REAÇÕES.

– Você tá maluco! Respeite-me rapaz. Como é que é? Você é “bicha”?

– “Bicha” não, pai! Sou homossexual. Tentei, namorei mulheres, pensei em ter família, mas não deu. Perdoe-me, mas minhas predileções e vontades são outras.

– Como é que se perdoa uma pouca vergonha dessas? Veado de merda! Imundo! Onde é que eu estou que não levo aos seus dentes essas honrosas mãos. Mãos que te criaram, filho da puta. Mãos que te deram escola, estudo, oportunidade que poucos nessa vida têm.

– Por favor, pai! Sei do que fez por mim. Agradeço muito. Mas o que é que isso tem a ver com meus gostos? Minha intimidade não é pouca vergonha não. Imundície pode haver em qualquer opção sexual. Por favor. Pai! Procura entender. Isso não é uma coisa que a gente escolhe. Não queria que o senhor passasse por isso. Não sabe o quanto tentei ser normal. Quer dizer, dentro dessa normalidade que nos ensinam.

– O que eu fiz, meu Deus? Nunca imaginei que isso fosse acontecer na minha família, com o meu filho. Filho que eu achava que era homem.

– Mas eu sou homem, pai.

– Homem? Você? Sua “bicha” nojenta! Acha que seu pai é idiota? Esse homem aqui, que se chama Alberto Moura, é burro para você? A partir de hoje, não se considere mais meu filho. Suma da minha vida. Não quero passar mais vergonha do que já estou sentindo: ter te colocado no mundo. Maldito do diabo.

– Eu vou embora, pai. Quando decidi te contar isso, já tinha definido meu futuro. Vou morar com o meu namorado. Apenas queria que o senhor soubesse o que estava acontecendo. Eu precisava dizer.

Se não fui o filho que o senhor sonhou, peço perdão. Mas fique certo que o senhor foi um pai maravilhoso. Ter me descoberto não nega, nem esconde a admiração por tudo o que o senhor me fez. Tenho uma gratidão eterna pelo senhor. Por tudo que pensa e diz agora, não levo mágoas. Sei que a dor invade seu peito de maneira forte.

– Desapareça da minha casa! Veado de merda! Tentarei salvar o resto dos filhos. Não deixarei que sua frivolidade ponha em ruína meu nobre lar. Vai! Some! Suma! Imundo!

– Pai, eu te amo! Eu… ah deixa pra lá! Adeus!

No verão, os jardins das casas que ficam no outro lado da montanha se enchem de borboletas. É um cenário encantador, repetitivo e trágico.

Encantador, porque a beleza em demasia cansa. Torna-se comum e, com o tempo, os olhos se recusam a quedar-se mirando frente esse milagre da natureza.

Repetitivo, porque ali, nesse episódio da vida real, esse corpo alado carrega a sina de uns poucos dias, dando à singela flor que se abre para ela a sentença de que lhe fará companhia breve. Morreram para nascer!

Trágico, porque as flores se alegram diante da variedade de cores, de asas a dançar com o vento e de visitas que as sementes fazem, graças à ajuda desse pequeno e bonito inseto.

DESGOTOSOS DIAS DEPOIS, DEDICADO DESENHOS DE DORES DIFÍCEIS: DECEPÇÃO E DESCOBERTA.

– Carlos, sou eu Alberto Moura. Como você está?

– Estou bem! A que devo a honrosa ligação?

– Ainda vende aquelas coisas para a cabeça?

– Não, mas sei onde encontrar. É de primeira qualidade.  Sentiu saudade foi?

– Qual o nome daquela festa que você me disse que ia?

– Fechou! Mas as pessoas que frequentavam lá continuam se encontrando.

– Bom saber.

– Vamos? Sempre te esperei sabia. Nunca acreditei que seu casamento iria apagar o que vivemos. Sei que amava seu pai, mas nosso amor era maior.

– Ainda tem aquelas fantasias?

– Bicha safada! Tenho sim! Faremos loucura no Coliseu. Quero ser seu soldado africano, sua tigresa, e seu carrasco. Meu gladiador.

– Não se esquece da plateia tá? Quanto à interação com ela, as regras continuam as mesmas. Sei que você ainda se lembra de como gosto de socializar.

– Pode deixar. Todos terão todos.

No verão, os jardins das casas que ficam no outro lado da montanha se enchem de borboletas. É um cenário encantador, repetitivo, fatal e trágico.

Encantador, porque ali, nesse episódio da vida real, esse corpo alado carrega a sina de uns poucos dias, dando à singela flor que se abre para ela a sentença de que lhe fará companhia breve. Morreram para nascer!

Repetitivo, porque as flores se alegram diante da variedade de cores, de asas a dançar com o vento e de visitas que as sementes fazem graças à ajuda desse pequeno e bonito inseto

Trágico, porque a beleza em demasia cansa. Torna-se comum e, com o tempo, os olhos se recusam a quedar-se mirando frente esse milagre da natureza.

FRANCISCO RODRIGUES PEDROSA   [email protected]

Crônicas de um Francisco

Mais da metade da população de Rio Branco vai gastar menos com presente no Dia das Mães

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Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Aproximadamente 53% da população rio-branquense pretende presentear as mães neste domingo, 9, mas com gastos inferiores aos realizados no ano passado. A pesquisa, realizada de forma remota, foi feita pelo Sistema Fecomércio-Sesc-Senac/AC entre os dias 19 e 27 de abril, junto a 100 pessoas. Ainda de acordo com o levantamento, 18% admitem consumo maior que os de 2020.

Comercialmente, o Dia das Mães é a data mais importante do varejo, depois do Natal e Black Friday, em especial, no que se relaciona a gastos de consumo doméstico. Neste ano, o percentual está bem abaixo do verificado em 2020, quando 84% dos entrevistados afirmaram ter pretensão de gastos na data.

O estudo avaliou também os presentes preferidos pelos consumidores: 32% demonstra disposição para compras de “perfume”; seguidos de 17%, com tendência para “roupa”; outros 17%, produtos de beleza; 17%, com interesse em objetos diversos (celular, flores, doce), 10% devem preferir “calçados”¨; e 7%, “bijuterias”.

Para os principais presentes em destaques para homenagem no Dia das Mães, 70% da população se mostra disposta a gastos de até R$100 (22% até R$50 e 48%, entre R$51 a R$100). Outra parcela de 21% sinaliza pretensão de gastos entre R$101 a R$200 e 9% acima de R$200.

Quanto ao modo de pagamento dos gastos para o Dia das Mães de 2021, 56% da população de Rio Branco vão preferir a realização “à vista”, e 44% de forma parcelada. O estudo avaliou também o local escolhido pelos consumidores para os gastos, e, 39% dos entrevistados devem optar pelo comércio do centro da cidade, seguidos de outra parcela de 22% que vão ao shopping. São observados ainda, 17% com preferência pelo comércio eletrônico e dentre outros, 7% que sinalizam compras diretamente no comércio de sacolas.

Com informações da assessoria da Fecomércio do Acre.

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Cotidiano

Bandidos armados invadem loja, fazem o limpa e são presos na Via Verde

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Mais uma ação rápida dos Policiais Militares do 2°Batalhão impediu que uma empresária tivesse um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Os assaltantes Giovane Lucas Sousa Santos, 20 anos, Davi da Silva Limeira, 18 anos, e os adolescentes J.W.O e M.M.S, ambos de 17 anos, foram presos após invadirem a loja Jaque Confecções, render a proprietária e roubar vários pertences. O roubo aconteceu no bairro Santa Inês,  Segundo Distrito de Rio Branco.

A polícia foi acionada via Ciosp para atender a uma ocorrência de roubo a loja de confecções. Quarto homens armados em um Fiat Uno, de cor branca, placa NAD-5363, pararam na frente do estabelecimento e três dos criminosos invadiram a loja, renderam a proprietária com uma arma apontada para a sua cabeça e fizeram um limpa, subtraindo vários tênis, sandálias e roupas. A ação dos criminosos durou aproximadamente 10 minutos, os bandidos colocaram os pertences da loja no carro, roubaram o relógio e o anel da vítima e em seguida fugiram do local.

Durante patrulhamento na Via Verde, próximo ao Balneário Águas Claras, uma guarnição da polícia se deparou com o carro, houve um acompanhamento e o veículo foi abordado. Durante a revista no carro foi encontrado em posse dos criminosos, dois revólveres calibre 22, uma Garucha, um simulacro, um anel, um relógio e os pertences da loja. Foi feito uma consulta no sistema e foi constatado que o veículo em que os assaltantes estavam havia sido roubado no dia 8 deste mês por volta das 5h da madrugada.

Diante dos fatos o quarteto foi detido e encaminhado a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) para os devidos procedimentos.

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Crônicas de um Francisco

É preciso sacudir a Rede

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Esqueçam as armas, os combates, as barricadas e os tambores! A guerra atual se ensaia e é travada nas redes sociais. No maior símbolo da expressão de um mundo sustentado na desigualdade e na informação, a internet, acumulam-se fatos e factoides.

As verdades são montadas, forjadas, climatizadas na frieza das artimanhas e nas tentativas tendenciosas de impor o seu quadro, a sua publicação. A verdade, aquela lá, distante e distanciada, perdida em algum lugar, se ausenta!
Nos sites de relacionamentos, formatam o pensamento, dividem as ideias, separaram as pessoas em duas classes: os da esquerda e os da direita.

Você não pode ficar fora desses dois lados. Nem que isso signifique que você não acredita em muitas coisas que essas duas frentes políticas vem mostrando e revelando. Mesmo que o que você quer é a reprovação e a condenação de todos os que mergulharam, sem a inocência infantil, na lagoa azul do crime contra o patrimônio público.

Ai começa a putaria! Abrem-se os bordeis! Não se sabe se é o cisne que pega o peixe ou se o peixe que vai pra morte.

As reportagens, as manchetes, as investigações, as decisões judiciais, enfim, tudo passa pelo filtro ideológico das afinidades políticas. Temos a impressão de que há um exército munido de brios e bravuras para detonar notícias e escândalos do outro.

O seu “doutor”, juiz, condenou o seu “bixim”. É de um partido de esquerda, foi golpe, manifestação das elites que querem morder a bunda dos revolucionários.

O mesmo seu “doutor” aceitou a denúncia contra o seu “zezim”. É da direita, é sacanagem, é injustiça, foi a esquerda que quando estava no poder conseguiu nutrir o judiciário de mentes vermelhas e avermelhadas.

A delação do “seu xikim” revela que milhões foram dados pro coelho da pascoa trazer ovos pra mim. Ah não, esse aí fazia parte do projeto político que tirou milhões da miséria e os colocou na pobreza. É mentira, difamação de uma elite quadrada que quer controlar ainda mais o Brasil.

A outra delação do seu “toim” forneceu documentos que comprometem um monte de políticos que pediram o impeachment da “lulu”. Ah não! Isso é um absurdo. Não podemos condenar ninguém antes da sentença. Além disso, as doações foram todas registradas e declaradas legais pelo pato que perdeu a pata.

E assim vamos! Cercados por cachoeiras de manchetes, tornados de acusações, campeonato de quem tirou o seu, mas “roubou” menos.

Nessa guerra de estrelas, nessa feroz batalha de quem brilha mais, há a certeza de que nenhum dos dois lados se sustenta, quando em fim raiar o dia.

Fale com Francisco Pedrosa no e-mail [email protected]

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Crônicas de um Francisco

Quem ganha com a greve dos professores?

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O dia tinha amanhecido quente! Os organizadores do movimento grevista combinaram na tarde passada mostrar do que o sindicato poderia ser capaz. Como forma de demostrar para o governador o repúdio a suas declarações de que não há dinheiro para conceder as misérias que melhorariam um pouco as misérias dos professores, a categoria iria bloquear as duas pontes do centro da cidade no horário mais tumultuado. O caos seria completo!

Os líderes do movimento sabiam que a peleja era desigual, lutavam contra um governo que reunia nas suas coxas muito da história do sindicalismo público do estado. Os professores sabiam mesmo que o partido que criou, sustentou e legitima ideologicamente o governo tinha inúmeros ex/falsos-sindicalistas. Sujeitos que no passado propuseram o debate, articularam as preposições de luta e criaram aquela linguagem enfadonha e renitente de um fantasioso companheirismo. Ardia mais o fogo, quando vinha do que se imaginava amigo.

Meio dia! O sol de matar formiga, escaldante e rude, lençol típico da Amazônia nessa época do ano, batia nos rostos secos e fustigados de tanto descaso. Pronúncias das mais altas insatisfações, combate do vil combate, pulsos aos céus em intermitentes socos, os professores marcharam em gritos de guerra, formulando inúmeros cânticos e parodias em protesto ao trato que a educação recebe no estado.

Quem realmente perde com a greve dos professores? Quem definitivamente ganha com ela? Perguntas difíceis, dilemas que a mão não consegue tocar: portfólio da irresponsabilidade que já passa dos quinhentos anos. Celebrem, homenageiem quem disse um dia que o Brasil não é serio.

Seu Chiquim ganhou com a greve! Idoso que avançava os setenta, sugado pelo inconformismo das agruras que a vida lhe ofereceu, picolezeiro por opção de se manter vivo ainda, naquele dia, bem dizer, naquela manhã, vendeu todos os seus produtos rapidamente.
Em meio a tantas alegrias, teve tempo de voltar a sorveteria e recarregar seu carrinho uma vez mais de tantos quantos pudessem comportar. Vendeu todos mais uma vez. O apurado no fim do dia foi gordo, iria escolher uma carne com ossos menores no açougue, trocaria a havaiana que namorava uns pregos há tempos e levaria um leite de rosas para a mulher.

Seu Chiquim perdeu com a greve! Feliz da vida com o dia que teve, não se ateve a perceber que avançou nos pratos da janta, descontrolou-se no carinho e tentou ir bem além do beijo seco e do abraço que sustentava aquela santa relação. Não existia mais! O coração não estava preparado para tanta afetividade. Quis muito! Quis amar e demonstrar sua simples felicidade, rememorar os anos em que fechava os bares, e mulher nenhuma sentia algo maior longe de seus braços. O Chicão tinha morrido, só ele não sabia!

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