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A maior dor do mundo

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Era preciso sacrificar aquele tigre. A companhia não poderia se dar ao luxo de arcar com as despesas de um animal que acabara de nascer e ter as duas pernas esmagadas por descuido de uma mãe incauta, desatenciosa e relaxada.

O circo não aceitava seres inválidos, o show ocorria graças à saúde de aninais fortes, pujantes e que pudessem encantar a plateia com suas travessuras, inteligência, porte e ferocidade. Era preciso abandonar o felino que se quer conseguia pôr-se de pé para aparar a carne jogada na jaula. Ele não teria chances na selva dos negócios de diversões.

Após a alimentação da manha, o acrobata fora o designado para por fim àquela vida desnecessária ao circo. Como só trabalhava à noite, era ele que teria de executar essa cruel missão.

Erguido o afiado e brilhoso punhal, nas redondezas onde se instalava o acampamento dos artistas, na hora de se despedir do recém-nascido, o acrobata teve sentimentos fortes de carinho e ternura por aquele felino que nem bem conseguia abrir os olhos.

Os lamentos de uma dor insuportável de duas pernas quebradas levaram o artista a se compadecer da pobre fera. Ele não tinha culpa, nascera para reinar no circo. Fora sua mãe a culpada de tudo. Um pouco mais de atenção e essa hora estaria amamentando e recebendo cheiros e afagos de uma língua grossa que lhe enxugaria o macio pelo.

O acrobata não o matou. Pegou o bichano, o colocou sobre seus braços e o levou para sua tenda, a fim de dar-lhe o tratamento devido. Todos do circo foram unânimes: não se criaria, não teria condições de manter-se vivo daquela forma. Alheio aos conselhos dos amigos de trabalho, o novo pai dirigiu-se ao dono da companhia e solicitou que lhe dessem a fera mal nascida.

Depois de uma curta e prática conversa, fizeram um excelente acordo que muito agradou o artista. O dono do circo iria vendê-lo e a comida do acrobata serviria para os dois, uma vez que o movimento não estava forte.  Reunidas as poucas economias, o felino agora tinha um dono que lhe daria se possível a vida para que ele não perecesse nesse mundo difícil.

Aceito o negócio, o acrobata passou a viver apenas para a fera. Muitas vezes passou fome, sentiu necessidade e, quando o animal crescia forte e feliz, o artista teve de buscar trabalho dobrado, pois a ração diária, que teoricamente seria compartilhada entre os dois, não dava mais nem para o tigre.

Passou a trabalhar intensamente. Durante o dia era serviçal, fazia comida, limpava o espaço, banhava os animais, contava dinheiro, fazia anúncio na cidade e tudo o mais que precisasse. À noite fazia o que mais sabia: arrojadas coreografias, davam ao espetáculo todos os aplausos possíveis. Era o número mais esperado, devido ao êxtase dos espectadores, todos queriam ver sua desenvoltura reiteradas vezes, tendo de abandonar o palco apenas quando a noite se enfraquecia, dando provas de que o dia estava nascendo.

Assim foi por três  anos, como o tigre que crescia não precisava se expor ao público, suas pernas deformadas não eram problemas para ele. Todos os dias tinha comida, banho e carinho que, com o tempo, se transformou em um verdadeiro amor. Era um sentimento puro de um artista que viu naquele felino debilitado razões para suportar tudo o que passara.

Certo dia, o artista, na hora de alimentar sua cria, recebera uma carta que iria mudar sua vida. Seu tio havia morrido e como ele era o único parente vivo, receberia todos os bens do parente que, diga-se de passagem, não eram poucos.

A felicidade tomou conta de sua alma. Aquele sofrimento iria acabar. As coisas iriam mudar, o mundo seria melhor para ele e para o animal que tanto amor tinha dispensado.

Com o vaso que continha os alimento do tigre nas mãos, passou a imaginar que dias felizes teriam. Não precisava mais trabalhar tanto, passar fome, ser alvo de gracejos, dormir pouco e fingir muitas vezes que não estava doente apenas para que a comida do animal não fosse comprometida.

Tanta foi a sua alegria que se esqueceu da realidade ao seu redor. Alguém tinha deixado acidentalmente a jaula aberta. O tigre que ele tinha criado desde tenra idade, apesar da difícil locomoção, trouxe, com uma das suas fortes patas, o acrobata para sua boca.

Restou apenas um pouco de roupa e o balde trazido. Deitado satisfeito no interior de sua cela, o tigre dormiu feliz. Só fora acordado quando, depois de saberem do acontecido, se preparavam para matá-lo. Um tiro certeiro dava fim a uma vida que pelos que viviam naquele circo não deveria ter continuado. Fora a teimosia do acrobata a grande culpada. Todos sabiam que ele era inválido, não servia para os propósitos do espetáculo e dos negócios.

Essa história aconteceu em um local que ficou conhecido como “A Cidade de Omi”. Contado pelo encantador de serpentes, foi passado para as futuras gerações o fato de que, antes de fenecer, o tigre olhava desesperadamente para os lados, como que perguntando: onde está meu dono para me proteger?

Seus instintos herdados não foram capazes de fazê-lo ver que ele estava perto, bem perto, unidos em um mesmo corpo. Sua falta de senso e irracionalidade não o deixou ver os novos tempos que despontavam.

Por não haver mais acrobata, a dúvida agora era saber quem jogaria o cadáver do tigre ao rio. O amor tinha acabado.

Essas letras eu as escrevo logo. Antes que a minha dor não me permita prosseguir. Nunca me foi fácil adestrar serpentes.

FRANCISCO RODRIGUES PEDROSA     [email protected]

 

Crônicas de um Francisco

Mais da metade da população de Rio Branco vai gastar menos com presente no Dia das Mães

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Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Aproximadamente 53% da população rio-branquense pretende presentear as mães neste domingo, 9, mas com gastos inferiores aos realizados no ano passado. A pesquisa, realizada de forma remota, foi feita pelo Sistema Fecomércio-Sesc-Senac/AC entre os dias 19 e 27 de abril, junto a 100 pessoas. Ainda de acordo com o levantamento, 18% admitem consumo maior que os de 2020.

Comercialmente, o Dia das Mães é a data mais importante do varejo, depois do Natal e Black Friday, em especial, no que se relaciona a gastos de consumo doméstico. Neste ano, o percentual está bem abaixo do verificado em 2020, quando 84% dos entrevistados afirmaram ter pretensão de gastos na data.

O estudo avaliou também os presentes preferidos pelos consumidores: 32% demonstra disposição para compras de “perfume”; seguidos de 17%, com tendência para “roupa”; outros 17%, produtos de beleza; 17%, com interesse em objetos diversos (celular, flores, doce), 10% devem preferir “calçados”¨; e 7%, “bijuterias”.

Para os principais presentes em destaques para homenagem no Dia das Mães, 70% da população se mostra disposta a gastos de até R$100 (22% até R$50 e 48%, entre R$51 a R$100). Outra parcela de 21% sinaliza pretensão de gastos entre R$101 a R$200 e 9% acima de R$200.

Quanto ao modo de pagamento dos gastos para o Dia das Mães de 2021, 56% da população de Rio Branco vão preferir a realização “à vista”, e 44% de forma parcelada. O estudo avaliou também o local escolhido pelos consumidores para os gastos, e, 39% dos entrevistados devem optar pelo comércio do centro da cidade, seguidos de outra parcela de 22% que vão ao shopping. São observados ainda, 17% com preferência pelo comércio eletrônico e dentre outros, 7% que sinalizam compras diretamente no comércio de sacolas.

Com informações da assessoria da Fecomércio do Acre.

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Cotidiano

Bandidos armados invadem loja, fazem o limpa e são presos na Via Verde

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Mais uma ação rápida dos Policiais Militares do 2°Batalhão impediu que uma empresária tivesse um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Os assaltantes Giovane Lucas Sousa Santos, 20 anos, Davi da Silva Limeira, 18 anos, e os adolescentes J.W.O e M.M.S, ambos de 17 anos, foram presos após invadirem a loja Jaque Confecções, render a proprietária e roubar vários pertences. O roubo aconteceu no bairro Santa Inês,  Segundo Distrito de Rio Branco.

A polícia foi acionada via Ciosp para atender a uma ocorrência de roubo a loja de confecções. Quarto homens armados em um Fiat Uno, de cor branca, placa NAD-5363, pararam na frente do estabelecimento e três dos criminosos invadiram a loja, renderam a proprietária com uma arma apontada para a sua cabeça e fizeram um limpa, subtraindo vários tênis, sandálias e roupas. A ação dos criminosos durou aproximadamente 10 minutos, os bandidos colocaram os pertences da loja no carro, roubaram o relógio e o anel da vítima e em seguida fugiram do local.

Durante patrulhamento na Via Verde, próximo ao Balneário Águas Claras, uma guarnição da polícia se deparou com o carro, houve um acompanhamento e o veículo foi abordado. Durante a revista no carro foi encontrado em posse dos criminosos, dois revólveres calibre 22, uma Garucha, um simulacro, um anel, um relógio e os pertences da loja. Foi feito uma consulta no sistema e foi constatado que o veículo em que os assaltantes estavam havia sido roubado no dia 8 deste mês por volta das 5h da madrugada.

Diante dos fatos o quarteto foi detido e encaminhado a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) para os devidos procedimentos.

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Crônicas de um Francisco

É preciso sacudir a Rede

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Esqueçam as armas, os combates, as barricadas e os tambores! A guerra atual se ensaia e é travada nas redes sociais. No maior símbolo da expressão de um mundo sustentado na desigualdade e na informação, a internet, acumulam-se fatos e factoides.

As verdades são montadas, forjadas, climatizadas na frieza das artimanhas e nas tentativas tendenciosas de impor o seu quadro, a sua publicação. A verdade, aquela lá, distante e distanciada, perdida em algum lugar, se ausenta!
Nos sites de relacionamentos, formatam o pensamento, dividem as ideias, separaram as pessoas em duas classes: os da esquerda e os da direita.

Você não pode ficar fora desses dois lados. Nem que isso signifique que você não acredita em muitas coisas que essas duas frentes políticas vem mostrando e revelando. Mesmo que o que você quer é a reprovação e a condenação de todos os que mergulharam, sem a inocência infantil, na lagoa azul do crime contra o patrimônio público.

Ai começa a putaria! Abrem-se os bordeis! Não se sabe se é o cisne que pega o peixe ou se o peixe que vai pra morte.

As reportagens, as manchetes, as investigações, as decisões judiciais, enfim, tudo passa pelo filtro ideológico das afinidades políticas. Temos a impressão de que há um exército munido de brios e bravuras para detonar notícias e escândalos do outro.

O seu “doutor”, juiz, condenou o seu “bixim”. É de um partido de esquerda, foi golpe, manifestação das elites que querem morder a bunda dos revolucionários.

O mesmo seu “doutor” aceitou a denúncia contra o seu “zezim”. É da direita, é sacanagem, é injustiça, foi a esquerda que quando estava no poder conseguiu nutrir o judiciário de mentes vermelhas e avermelhadas.

A delação do “seu xikim” revela que milhões foram dados pro coelho da pascoa trazer ovos pra mim. Ah não, esse aí fazia parte do projeto político que tirou milhões da miséria e os colocou na pobreza. É mentira, difamação de uma elite quadrada que quer controlar ainda mais o Brasil.

A outra delação do seu “toim” forneceu documentos que comprometem um monte de políticos que pediram o impeachment da “lulu”. Ah não! Isso é um absurdo. Não podemos condenar ninguém antes da sentença. Além disso, as doações foram todas registradas e declaradas legais pelo pato que perdeu a pata.

E assim vamos! Cercados por cachoeiras de manchetes, tornados de acusações, campeonato de quem tirou o seu, mas “roubou” menos.

Nessa guerra de estrelas, nessa feroz batalha de quem brilha mais, há a certeza de que nenhum dos dois lados se sustenta, quando em fim raiar o dia.

Fale com Francisco Pedrosa no e-mail [email protected]

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Crônicas de um Francisco

Quem ganha com a greve dos professores?

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O dia tinha amanhecido quente! Os organizadores do movimento grevista combinaram na tarde passada mostrar do que o sindicato poderia ser capaz. Como forma de demostrar para o governador o repúdio a suas declarações de que não há dinheiro para conceder as misérias que melhorariam um pouco as misérias dos professores, a categoria iria bloquear as duas pontes do centro da cidade no horário mais tumultuado. O caos seria completo!

Os líderes do movimento sabiam que a peleja era desigual, lutavam contra um governo que reunia nas suas coxas muito da história do sindicalismo público do estado. Os professores sabiam mesmo que o partido que criou, sustentou e legitima ideologicamente o governo tinha inúmeros ex/falsos-sindicalistas. Sujeitos que no passado propuseram o debate, articularam as preposições de luta e criaram aquela linguagem enfadonha e renitente de um fantasioso companheirismo. Ardia mais o fogo, quando vinha do que se imaginava amigo.

Meio dia! O sol de matar formiga, escaldante e rude, lençol típico da Amazônia nessa época do ano, batia nos rostos secos e fustigados de tanto descaso. Pronúncias das mais altas insatisfações, combate do vil combate, pulsos aos céus em intermitentes socos, os professores marcharam em gritos de guerra, formulando inúmeros cânticos e parodias em protesto ao trato que a educação recebe no estado.

Quem realmente perde com a greve dos professores? Quem definitivamente ganha com ela? Perguntas difíceis, dilemas que a mão não consegue tocar: portfólio da irresponsabilidade que já passa dos quinhentos anos. Celebrem, homenageiem quem disse um dia que o Brasil não é serio.

Seu Chiquim ganhou com a greve! Idoso que avançava os setenta, sugado pelo inconformismo das agruras que a vida lhe ofereceu, picolezeiro por opção de se manter vivo ainda, naquele dia, bem dizer, naquela manhã, vendeu todos os seus produtos rapidamente.
Em meio a tantas alegrias, teve tempo de voltar a sorveteria e recarregar seu carrinho uma vez mais de tantos quantos pudessem comportar. Vendeu todos mais uma vez. O apurado no fim do dia foi gordo, iria escolher uma carne com ossos menores no açougue, trocaria a havaiana que namorava uns pregos há tempos e levaria um leite de rosas para a mulher.

Seu Chiquim perdeu com a greve! Feliz da vida com o dia que teve, não se ateve a perceber que avançou nos pratos da janta, descontrolou-se no carinho e tentou ir bem além do beijo seco e do abraço que sustentava aquela santa relação. Não existia mais! O coração não estava preparado para tanta afetividade. Quis muito! Quis amar e demonstrar sua simples felicidade, rememorar os anos em que fechava os bares, e mulher nenhuma sentia algo maior longe de seus braços. O Chicão tinha morrido, só ele não sabia!

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