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Mulheres acreanas se dedicam a salvar vidas na pandemia

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Este dia 8 de março de 2021 será diferente. O Dia Internacional da Mulher deste ano não vai ter as comemorações habituais, nem os eventos onde as mulheres demostram que ainda lutam por direitos iguais na sociedade. Muitas nem vão poder comemorar seu dia em casa ao lado dos familiares. Algumas centenas, espalhadas por todo o Acre, vão repetir o que fazem há quase um ano: lutar pela vida de pessoas desconhecidas acometidas pela Covid-19.

As mulheres na saúde pública acreana têm sido protagonistas na luta contra a pandemia que já matou mais de mil pessoas, mas que também fizeram com que cerca de 51 mil pessoas recebessem alta médica e pudessem voltar para seus lares e dizer: “eu venci a Covid-19”.

As profissionais envolvidas no combate à pandemia estão em todos os lugares. Da área administrativa, na luta pela compra de insumos, na chefia de profissionais, na parte de motivar equipes que estão no seu limite, extenuadas de combater uma doença que a cada dia aumenta o número de infectados e que faz com que a luta pareça não ter fim e é claro estão na linha de frente, cuidando e tratando dos pacientes.

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Hoje, o comando da saúde pública no Acre tem uma mulher à frente. A médica Paula Mariano, nascida em Rio Branco, atua desde 2001 com especialidade em clínica médica e cardiologia. Hoje é secretária adjunta de assistência, desde novembro de 2019, e secretária de saúde em exercício do Acre. Mãe de duas filhas, parte do seu domingo foi visitando pacientes com Covid-19.

“Eu acredito que Deus nos dá missões. Eu agradeço por essa missão. Não é fácil, mas a palavra é gratidão de poder estar junto e ajudar as pessoas neste momento, apesar do sofrimento ser grande”. Paula Mariano sabe o que é a dor da perda pela Covid-19, já que perdeu o próprio pai para a pandemia. “Eu perdi meu pai, meu amigo e até hoje eu não consigo expressar o tanto que dói”, diz emocionada.

Desde o dia 17 de março do ano passado, quando o Acre confirmou os primeiros casos da pandemia e com o agravamento da situação, o governo começou a pensar e agir para garantir um atendimento mais eficaz aos pacientes. A primeira unidade de referência para o tratamento da Covid-19 no Acre foi a UPA do 2º Distrito que teve uma mulher no comando. “Foram dias de muita angústia porque nos pegou quando éramos inexperientes. A primeira fase foi de muito aprendizado, já que ninguém sabia o que era o coronavírus e uma pandemia tão grande. O que eu mais me preocupava era quando eu voltava para casa, já que tenho um filho asmático”, explica Dora Vitorino, que tem 28 anos de serviço prestado na saúde pública do Acre. Duas semanas atrás, a UPA voltou a receber pacientes Covid-19.

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Com o aumento desordenado da pandemia, um dos principais investimentos do Acre foi a construção do Hospital de Campanha no Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into), que se tornou a maior referência no atendimento aos pacientes com a doença. Em quase um ano de funcionamento, uma mulher é responsável por coordenar a unidade de saúde. Lorena Seguel, enfermeira chilena, naturalizada brasileira, tem 54 anos e veio trabalhar no Acre em 1998.

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“Eu me emocionei muito quando terminamos de adequar a estrutura física porque a gente não sabia como ia ser. Apesar de toda tribulação, minha emoção não foi à toa. Eu não gostaria de estar em outro hospital, acho que a minha missão é aqui mesmo. Nosso objetivo é ir além do tratamento e muitas vezes ajudar com uma palavra de amor e de esperança que também ajuda a fazer toda a diferença para quem está internado e assustado com a doença”, diz.

Depois de se formar em Manaus e concluir sua especialização em São Paulo, a acreana Eliza de Souza voltou ao Acre há quase 30 anos para exercer a medicina. Hoje, é responsável pela Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Pronto-Socorro. Logo ela que é conhecida por não se conformar em perder pacientes.

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“Nunca me conformei de perder pacientes. Com o início da pandemia, me vi no meio de uma coisa inédita onde meu coração me pedia para estar atuando. Trabalhar nesta pandemia nos faz questionar o que fizemos pra nosso Pai para enfrentar tanto sofrimento e tanta dor! Diferente dos acidentes que podemos ser acometidos a qualquer momento ou de doenças pré-existentes que sabemos poder descompensar a qualquer hora, o SARS-Cov-2 nos pega de surpresa, sorrateiramente, nos momentos de alegria, de convívio com quem amamos. É muito cruel”, explica.

Ela diz que se sente impotente. “Nem temos um tratamento que se possa dizer que seja o ideal, estamos tentando acertar e erramos, perdemos, choramos, nos frustramos, mas o sentimento que não podemos recuar é mais forte que nós. Precisamos seguir em frente, erguer a cabeça, enxugar lágrimas, sufocar o coração, reprimir o desânimo e dizer a nós mesmos que vai passar. Só precisamos ser fortes, ter fé, e olhar pro amanhã”, afirma.

Ao lado de Eliza estão mulheres que diariamente estão na linha de frente cuidando e tentando salvar a vida de cada um paciente que entra em uma unidade de saúde do Acre com a Covid-19. É o caso da enfermeira da UTI do INTO, Mônica de Oliveira, 38 anos. Ao ser perguntada se tem medo, a resposta está na ponta da língua.

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“Respondo que minha missão dada por Deus é maior do que qualquer medo”. Mônica mora com a mãe, que faz parte do grupo de risco, e uma filha, e conta que já foi contaminada. “Não via a hora de me recuperar e voltar porque meus pacientes precisavam de mim, era só nisso que eu pensava. Eu penso que esse paciente é pai de alguém, filho de alguém, o amor de alguém e acima de tudo, um dia pode ser um familiar meu. Então, faço o que gostaria que fizesse por um dos meus”, afirma.

Uma coisa é clara entre todas as profissionais com quem o ac24horas conversou. O medo de se infectar ou levar para casa um vírus tão mortal é presente na vida de quem está na linha de frente, mas nem isso é capaz de interromper a missão de salvar vidas e contribuir para que o Dia da Mulher de 2022 seja bem melhor.

“Eu tenho uma filha e quando fui convidada para trabalhar na linha de frente, tive receio. É desafiador você acordar todos os dias, ir trabalhar e não saber como vai voltar, mas é muito gratificante acompanhar a alta de um paciente que você cuidou. Eu me emociono muito, como também, claro, é doloroso quando a gente não consegue ajudar para que o paciente consiga voltar para casa. A gente se apega a esse trabalho que é deixar nossas famílias para ajudar alguém que ninguém nem sabe quem é, mas que pede o nosso socorro”, diz a técnica de enfermagem do INTO, Ronnadecya Costa.

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