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Suinocultores do Acre amargam prejuízos e ameaçam protestos contra Dom Porquito

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As medidas anunciadas recentemente pelo governador Sebastião Viana de apoio à suinocultura na cidade de Brasileia, na fronteira do Acre, não agradam a Cooperativa de Suinocultores do Acre (SUINACRE) composta por um grupo de 34 produtores pioneiros no negócio. Se sentindo excluídos do que chamam de “ousadia” do governo eles ameaçam a realização de protestos e até de uma ação civil pública contra os incentivos direcionados à Indústria Dom Porquito, localizada na cidade de Brasileia, na fronteira com os países Peru e Bolívia. O secretário Edvaldo Magalhães, da Indústria e Comércio, negou política de abandono e garantiu que os produtores do entorno de Rio Branco vão receber investimentos para modernização.

De fato o projeto de implantação da Indústria Dom Porquito é ambicioso. Inaugurada no último dia 13, nos próximos dois anos o projeto prevê a geração de 800 empregos, o envolvimento de 100 produtores e a receita de R$ 150 milhões por ano – meta que supera o total da arrecadação anual do município de Brasileia.

Mas a reclamação dos produtores não é com a abertura do mercado de exportação para o Japão e países andinos como já foi anunciado, diz respeito à superlotação de suínos no mercado interno. Eles acusam a Dom Porquito de vender com incentivo do governo suínos no mercado de Rio Branco e o resto do Acre.

“Essa política está acabando com os pequenos produtores que viviam bem da venda no comércio local que foi invadido pela Dom Porquito que não deveria praticar vendas da carne suína para o mercado interno, mas o mercado externo como foi proposto” pelo governador Sebastiao Viana na inauguração da Dom Porquito, observa Tommaso Solito.

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Outra reclamação dos cooperados são os preços que passaram a ser praticados com a intervenção da indústria. O quilo da carcaça que era vendida a R$ 8 baixou para até R$ 5,60. Vários produtores das cidades de Rio Branco, Acrelândia e Plácido de Castro estão abandonando o negócio alegando que a produção de suínos no Acre deixou de ser um negócio rentável. De acordo com o presidente SUINAC, Tommaso Solito, o preço do suíno praticado pela Dom Porquito abaixo do custo de produção é devido ao excesso de oferta no mercado local e não necessariamente pela modernização dos galpões.

“A Dom Porquito pratica esse preço recebendo todos os incentivos do governo. Incentivos que não chegam para nós que fomos os pioneiros nesse ramo e que fomos incentivados a fazer financiamentos, comprar matrizes com a garantia de vendermos nosso produto”, volta a comentar Tommaso.

Outra observação de Tommaso é que o governo deve abrir caminhos para os produtores que já estão no mercado há muito tempo e não desqualificar o sistema de produção já existente, sem sequer ter conhecido as instalações dos cooperados da SUINAC.

Gládio Gadelha que produz suíno há 19 anos em Rio Branco, disse que o governador Sebastião Viana durante a campanha eleitoral fez promessas ao mesmo de incentivar o setor, o que o levou a buscar recursos mediante financiamento e ampliar o negócio, aumentando o número do plantel e modernizando os galpões, com tecnologia e genética nos mesmos padrões do sul do país.

“Pode fazer investimentos que nós vamos garantir mercado. Assim disse o Secretário Edvaldo Magalhães e assim nós fizemos. Fomos simplesmente abandonados. Esse ano nem na merenda escolar nós fomos incluídos. Também não fomos convidados a participar da Expoacre por que não pactuamos com esse modelo proposto pela Dom Porquito que torna os produtores escravos do negócio”, disse Gadelha.

Com porco sobrando e sem mercado para vender o que produz, Gadelha vê a cada dia o negócio com suíno indo por água abaixo. Esse ano ele não conseguiu nem recuperar os galpões que foram derrubados por um vendaval em sua propriedade, na estrada Transacreana. Gadelha foi o pioneiro na introdução do suíno moderno no Acre, lutando há quase duas décadas, inclusive escoando a produção, enfrentando estradas de barro, atoleiros e hoje está sendo desqualificado pelo governo.

A reportagem visitou a maternidade de suínos construída na propriedade de Gadelha com financiamento feito junto ao Banco da Amazônia.  A produção é de 300 animais por mês. Com baias convencionais a estrutura não deixa nada a desejar. Gadelha também apresentou com orgulho os reprodutores híbridos que garantem a qualidade do negócio.

“Nossa carne de suíno tem a mesma qualidade que se encontra no sul do Brasil. aqui os animais não são alimentados com farinha de carne ou banha de boi, mas somente com ração balanceada”, disse Gadelha.

Governo fala do tripé de desenvolvimento
para a carne suína no Acre

Edvaldo_in1Para o secretário de Indústria e Comércio do governo do Acre, Edvaldo Magalhães, o estado atua em cada região de acordo com as suas especificidades. Com relação à região do entorno de Rio Branco, ele garantiu investimentos na suinocultura em torno de R$ 2,4 milhões.

A primeira perna deste tripé, Magalhães afirma ser o Alto Acre “que envolve toda cadeia produtiva que já tem uma pecuária estruturada, avicultura consolidada e a suinocultura que era um projeto antigo do governador para região”, comentou.

As indústrias instaladas no entorno de Rio Branco para atender os produtores de suínos, entre elas, o frigorífico Annasara, formam a outra meta de investimentos no setor. Ainda de acordo o secretário, completa esse tripé, a região do Juruá. Ele garante que a Dom Porquito terá características diferentes.

“Para a larga escala de produção de leitões temos que ter uma rede de engorda maior”, acrescentou.

O investimento do governo na construção de 55 galpões entre as cidades de Brasileia, Epitaciolândia, podendo chegar a Capixaba tem como meta o abastecimento da Indústria Dom Porquito que será o frigorífico com SIF exportação.

Embora não tenha confirmado a venda de carcaças de suínos para o comércio de Rio Branco e Cruzeiro do Sul – como denunciam os produtores – Magalhães reconheceu que esse frigorífico, tipo exportação, “ainda não existe”.

“Pra esse volume que já se produz no Acre, quando chegar de novembro em diante quando já se entregou os primeiros 30 galpões, ou vai para o mercado externo ou vai sobrar porco”, acrescentou.

O foco de exportação inicial será o mercado de fronteira da Bolívia e do Peru, desde Iñapari, Puerto Maldonado, nesta última cidade, Magalhães garante existir parceria para exportação.

Secretário lembra pacto com cooperados da Suinac
e fala de padronização de estágios de produção

Magalhães se lembrou de pactos cumpridos entre o governo do Acre e os cooperados como a construção de um frigorífico que não existia no entorno de Rio Branco e intervenções para impedir a entrada de suínos do Mato Grosso no mercado interno.

Ainda de acordo as informações do secretário, 10 produtores tradicionais do entorno do Alto Acre receberão investimentos na construção de galpões maternidade e galpões de engorda com o objetivo de manter a padronização da produção.

“Hoje eles estão em estágios diferentes de produção, com esses investimentos que nós vamos fazer, ocorrerá essa padronização, ou seja, existe a garantia de modernização. Nesse setor quem não se modernizar deixa de ser competitivo”, ressaltou.

Com relação aos preços de mercado, Magalhães disse que a regulação acontece por quem compra o produto.

De acordo com o Presidente da SUINAC, essa promessa do Secretário foi feita há dois anos, numa realidade diferente e hoje parte dos produtores selecionados está abandonando a atividade depois de terem realizados investimentos, inclusive incentivados pelo governo.

Governo visitou produtores do entorno
de Rio Branco há mais de um ano

A última visita do governo nas instalações de produtores do entorno de Rio Branco foi em julho de 2012, em pleno período eleitoral. Na oportunidade, o governador Sebastião Viana, acompanhado do secretário de pequenos negócios, José Carlos Reis, assumiu compromisso de estimular o crescimento da suinocultura no Estado. Na visita foi anunciada apoio e suporte técnico aos cooperados, “coisa que nunca aconteceu”.

 

 

 

 

 

 

Acre 01

Sammy Barbosa Lopes escreve: Essa senhora chamada “democracia”- Parte 2

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– O “Paradoxo da Tolerância”: quão tolerante uma sociedade democrática deve ser com os intolerantes? Quão tolerante uma sociedade democrática deve ser com as pessoas intolerantes, que buscam destruí-la? Com aqueles que preferem viver em um regime autoritário e de repressão, onde os seus próprios direitos e liberdades são subtraídos e negados, e a sua segurança esteja permanentemente em risco, desde que as suas próprias ideias e crenças – políticas, religiosas, filosóficas – e, sobretudo, os seus “preconceitos”, sejam as que prevaleçam hegemonicamente, a ferro e fogo, chegando ao ponto de desejar e defender publicamente uma ditatura civil, religiosa ou militar? É a indagação que faz o filosofo Karl Popper, um dos pensadores mais importantes do nosso tempo, em uma de suas obras mais conhecidas e festejadas: “A sociedade aberta e seus inimigos”, na reflexão que foi denominada de “o paradoxo da tolerância”.

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Para Popper, esse paradoxo leva a um problema crucial: “a tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da [própria] tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles” 1 .

No entanto, dada a sua complexidade e até por se tratar de um “paradoxo”, surge daí um novo problema axiológico: ao não permitir a existência e a “livre manifestação” 2 dos intolerantes, a sociedade democrática não acabaria por se tornar, ela própria, intolerante? Essa foi a posição defendida, inicialmente, por outro grande filósofo do século XX, John Rawls, na sua Teoria da Justiça3 . É por essa razão, que Popper esclarece que: “nessa formulação, não insinuo, por exemplo, que devamos sempre suprimir a expressão de filosofias intolerantes; desde que possamos combatê-las com argumentos racionais e mantê-las em xeque frente à opinião pública. Suprimi-las seria, certamente, imprudente” 4 .

Popper propõe então, com propriedade, uma solução para o paradoxo da tolerância, no sentido de que: “Devemo-nos, então, reservar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante. Devemos exigir que qualquer movimento que pregue a intolerância fique à margem da lei e que qualquer incitação à intolerância e perseguição seja considerada criminosa, da mesma forma que no caso da incitação ao homicídio, sequestro de crianças ou revivescência do tráfico de escravos” 5 . Nesse sentido, Rawls encontra-se em concordância, ao afirmar que: “ao passo que uma seita intolerante não possui pretexto para reclamar de intolerância, a sua liberdade deve ser restringida em relação aos tolerantes somente quando estes últimos creem que a sua própria segurança e as instituições que preservam a liberdade estão em perigo” 6 . Qualquer semelhança, portanto, com os fatos que estão acontecendo atualmente nos Estados Unidos e no Brasil, não é mera coincidência.

No dia 6 de janeiro de 2021, em Washington DC, extremistas, seguidores do ex-presidente norte-americano, Donald Trump, um dos símbolos mais representativos da atual extrema-direita no Mundo, estimulados por ele em um comício, romperam violentamente as grades de proteção e invadiram a sede do Parlamento Federal americano, denominado, em uma metonímia, de “Capitólio”, considerado sede e coração da democracia americana, desde a fundação do país, no século XVIII. Fato que nem mesmo Osama bin Laden, líder da organização terrorista “Al-Qaeda”, responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001; ou Leonid Brejnev, líder da União Soviética no auge da “Guerra Fria”, chegaram sequer a cogitar fazer. Na invasão do Capitólio, morreram cinco pessoas7 , inclusive um policial, que fazia a segurança do prédio, e várias outras ficaram feridas. O prédio precisou ser evacuado às pressas e os parlamentares e demais autoridades presentes, colocados sob proteção em fuga. Um dos invasores, fantasiado de bisão, uma espécie de búfalo, existente nas regiões geladas da América do Norte, inclusive com uma espécie de chapéu feito da cabeça do animal, com chifres e tudo, permitiu-se sentar e deixar-se fotografar na cadeira de presidente do Congresso, em meio à multidão, majoritariamente formada por homens brancos, de barbas longas e vestidos em simulacros de fardamentos militares, de estampa camuflada, que depredava tudo o que via pela frente8 . Na praça, do lado de fora do prédio, havia uma forca erguida, com o intuito de “enforcar”, segundo anunciavam os extremistas, o então vice-presidente da República, Mike Pence, que, na configuração constitucional americana, também acumula a função de presidente do Senado Federal, durante a sessão conjunta do Congresso, destinada a homologar o resultado das eleições presidenciais, nas quais Donald Trump não havia conseguido se reeleger9 . Naquilo que foi definido pelo FBI, a Polícia Federal norte-americana, como: “terrorismo doméstico” ou “terrorismo interno”10 .

Desde muito antes da campanha eleitoral, o ainda presidente Donald Trump, então no exercício do posto que é considerado de “o homem mais poderoso do Mundo”, após ter negado a pandemia de Covid19, boicotado as medidas de distanciamento social, fundamentais no combate da crise sanitária global e até mesmo das vacinas anticovid, além de defender publicamente o uso de medicamentos sabidamente ineficazes para a doença, em conflito direto com a maior autoridade em epidemiologia e imunologia dos Estados Unidos, o respeitado pesquisador norte-americano Anthony Fauci11 , o que acabou por transformar os Estados Unidos no “epicentro” da pandemia12 e campeão de mortes, após o colapso do seu excelente sistema de saúde; além de flertar abertamente com movimentos extremistas13 de supremacistas brancos e proferir discursos com alto grau de preconceitos a diversos segmentos da sociedade, como negros, homossexuais e imigrantes, no qual prometia até a construção de um muro na fronteira com o México, cuja conta deveria ser paga integralmente pelo país vizinho14 , já antecipava que qualquer resultado das eleições, diferente da sua vitória, representaria com certeza absoluta, fraude no processo eleitoral, mesmo sem apontar qualquer evidência disso15 .

O sistema eleitoral americano é muito diferente do brasileiro, sendo ainda o modelo decorrente do processo de independência e de construção do país, após a Revolução Americana e a Guerra Civil de Secessão que a seguiu e fundiu as treze colônias britânicas, que inicialmente intencionavam formar cada uma um país separado e depois uma Confederação de nações, em um país único, em um modelo de Federação (In pluribus unum – “de muitos se fez um” – slogan da Federação dos Estados Unidos da América) 16 .

Inicialmente, eles não possuem um modelo de eleição presidencial “direta”, como o Brasil. Nos Estados Unidos, em decorrência da Revolução Americana e da Guerra da Secessão, cada estado-membro possui um peso e uma representatividade na Federação, de acordo com a sua população e a sua importância econômica, no “Colégio Eleitoral” destinado a eleger o presidente da República. Sendo que, cada estado-membro elege os seus “delegados” ou “superdelegados”, como são chamados. E, esses sim, terão a incumbência de eleger o presidente.

Segundo, lá o voto é “facultativo”, considerado apenas como um “direito” e não um “dever” e uma “obrigação”. Então, vota quem quer, não havendo nenhuma consequência sancionadora para quem não votar, por qualquer motivo que seja. Por essa razão, e para que mais pessoas sejam estimuladas a votar, as eleições não ocorrem exclusivamente em um mesmo dia, mas em um período pré-estabelecido, no qual o eleitor pode escolher o dia e a forma como deseja manifestar o seu voto.

Terceiro, lá não existe um ramo do Judiciário encarregado de realizar as eleições e proclamar os eleitos, como no Brasil existe a Justiça Eleitoral, criada na década de 1930, como uma estratégia nacional para combater as fraudes eleitorais generalizadas. Assim, cada estado-membro da Federação americana organiza as eleições. Ou seja, tal como era no Brasil no passado, são os próprios políticos que organizam as eleições e proclamam os eleitos. É por isso, que cabe ao Parlamento (o Capitólio) reconhecer e homologar o resultado.

Em razão do fato de que cada estado-membro organiza as eleições e do nível de autonomia que eles detêm no modelo federativo norte-americano, relembre-se, que foi conquistado em uma guerra civil e não predefinido por decreto, como no caso do Brasil, após a proclamação da República, em 1889: cada estado tem autonomia para organizar as eleições da forma que convencionar e lhe parecer mais adequado, desde que dentro dos preceitos da Constituição e das leis. Assim, por exemplo, uns admitem o voto pelo correio, outros não. Uns adotam uma máquina de votar (sim, alguns estados americanos também adotam modelos de urnas eletrônica); outros, mais conservadores, ainda adotam o modelo de votação tradicional por cédulas de papel e até, pasme, por “cartões perfurados”, como eram feitos os jogos da “loteria esportiva” no Brasil, nos anos 1960 e 1970 (e depois conferido o resultado, nas noites de domingo, pela animação rudimentar de uma zebra, que só conseguia movimentar a mandíbula, em um famoso programa de televisão).

Ora, como os adeptos de Donald Trump eram (e ainda são), em sua grande maioria, negacionistas em relação à pandemia de Covid, acreditando piamente na eficácia de um antigo remédio antiprotozoário, tais como os do gênero Plasmodium, que causam a “Malária”, dentre outras doenças, muito conhecido e utilizado no Brasil, desde priscas eras, e não um antiviral; o que foi desmentido pelos maiores e mais importantes institutos de pesquisa do mundo e, inclusive, apontado os seus elevados riscos de efeitos colaterais. Além de insurgirem-se em massa e sabotarem as medidas de distanciamento social, seus eleitores, mais apaixonados política e ideologicamente, inclusive aqueles ligados diretamente com movimentos racistas de supremacistas brancos e neofascistas, eram mais dispostos a correrem o risco de contaminação, uma vez que o negavam, ao ficar em longas filas nos locais de votação, do que os eleitores do seu adversário, o candidato do Partido Democrata, Joe Biden, mesmo a eleição ocorrendo ainda no auge da pandemia.

Assim, o alvo principal da enxurrada de notícias falsas (fake-news) e das teorias conspiratórias na campanha eleitoral norte-americana de 2020, foi o “voto pelo correio”, preferido, na ocasião, pela maioria dos eleitores do Partido Democrata, temerosos com a própria saúde, e não as “urnas eletrônicas”, adotadas no “voto presencial” em alguns estados, preferido pela maioria dos eleitores trumpistas.

As “urnas eletrônicas” americanas, aparentemente, não tinham problema algum para os eleitores de Donald Trump, já que exigiam a presença física do eleitor no local de votação. O problema deles era o “voto pelo correio”, que permitia que o eleitor exercesse o direito de participação cívica da segurança de sua casa.

E assim, choveu notícias falsas de supostas fraudes eleitorais. Nenhuma comprovada. Inclusive, com fotografias de supostas cédulas eleitorais, ora enterradas aos montes em algum buraco, ora empilhadas em alguma estante, ora queimadas em uma fogueira… A imaginação não encontrou limites. Todas elas devidamente investigadas pelo FBI e até pelos governos dos estados, organizadores das eleições, nos locais em que os supostos fatos estariam ocorrendo. Inclusive governos do Partido Republicano, o mesmo de Donald Trump. Ao final, nenhuma denúncia restou comprovada. Mas, em tempos de “pós-verdade”, quem precisa dela? 17

Para uma parte considerável do eleitorado e da própria sociedade norte-americana, a eleição de Joe Biden foi fraudada, simples assim, sem qualquer prova ou mesmo um indício sequer, apenas pelo mero desejo e a “livre opinião” da pessoa. Ou, apenas pelo exercício do direito de ser intolerante em uma sociedade tolerante, ante a derrota do seu candidato.

Não precisou de muito esforço, portanto, para que o ex-presidente utilizasse o mecanismo que a Psicologia chama de “apito de cachorro” (política do “dog whistle”) 18 , para, com poucas e inflamadas palavras, insuflar a malta a invadir o Capitólio e tentar enforcar o vice-presidente da República dos Estados Unidos da América, também candidato derrotado, que recusava-se a reconhecer as teorias conspiratórias sem qualquer sombra de provas, acerca da lisura do pleito eleitoral, fiscalizado por várias instituições, nacionais e internacionais, sem pensar nas consequências que um ato dessa natureza e gravidade teria.

Passado pouco mais de um ano desses fatos, as responsabilidades começam a aparecer, na medida de sua imensa gravidade. Pessoas, inclusive o próprio ex-presidente, foram identificadas pelas forças de segurança, através de vários meios tecnológicos disponíveis, e agora encontram-se respondendo pelos seus atos, em várias esferas: civil, criminal, administrativa, política… É muito provável que venham a receber a reprimenda cabível e sobre elas recaiam as suas responsabilidades.

Várias pessoas já foram condenadas e presas.

Mais uma vez, a Democracia prevaleceu. A pergunta que tem sido feita com muita frequência é: mas, até quando continuará a prevalecer? Até quando o “paradoxo da tolerância” continuará a ser equacionado em favor da Democracia?

Quando este artigo já estava pronto e em fase de correção, na tarde do domingo, dia 08 de janeiro de 2023 (a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, ocorreu no dia 06 de janeiro de 2021), uma horda, de aproximadamente quatro mil pessoas, vinda de diversos locais do país, em vários ônibus fretados e gastos de viagem devidamente custeados, de forma previamente planejada e anunciada, caminhou, escoltada pela Polícia Militar do Distrito Federal, vestida majoritariamente com a camisa “Canarinho”, da seleção brasileira de futebol, cinco vezes campeã da Copa do Mundo, e, enrolados em bandeiras do Brasil, desde o Quartel General do Exército – onde, acampados fazia mais de dois meses, reivindicavam a subversão dos resultado das urnas, mas apenas para a eleição presidencial, um golpe militar, o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, inclusive com a destituição e prisão dos Ministros da Suprema Corte – até a Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde, inicialmente sem qualquer resistência por parte das forças de segurança pública, inclusive da Guarda Presidencial, sob o olhar complacente de policiais que compravam água de coco e faziam selfies com os telefones celulares, invadiu e destruiu as sedes dos três Poderes da República.

Uma imagem, registrada pelos telefones celulares dos próprios extremistas, mostrava um homem arriando a bermuda e, de cócoras, defecando em público sobre os escombros de um dos ambientes do Supremo Tribunal Federal. Outra imagem, mostrava outro homem dando risadas e exibindo-se, do lado de fora do prédio, que agora parecia um cenário de guerra, sentado em uma das poltronas arrancadas do Plenário do STF19 , afirmando ser a “cadeira do Xandão”, em referência ao Ministro Alexandre de Moraes, que depois foi fotografada abandonada, com o brasão da República que foi arrancado da parede do Plenário, sobre ela. O próprio gabinete do Ministro Alexandre de Moraes foi invadido e destruído.

Várias imagens, feitas pelos próprios invasores, foram divulgadas nas redes sociais, em comemoração ao feito, permitindo a identificação de vários deles e a sua participação. Uma das imagens mostra uma senhora idosa, chamada no vídeo de “Dona Fátima de Tubarão”, depredando o prédio do STF. “Quebrando tudo!”, ela afirma. Posteriormente, foi identificada como uma traficante de crack já condenada, além de possuir outros processos por tentar fraudar o INSS e por estelionato. Ela também teria defecado nos escombros do STF.

Em outra imagem, um homem com o rosto encoberto por um pano, lembrando os agentes do ISIS, o Estado Islâmico, exibe triunfalmente a réplica da Constituição Federal, assinada pelos constituintes, que se encontrava em exposição no prédio do STF.

Claramente, um golpe de Estado teve uma tentativa de início naquela tarde de domingo.

As perguntas que ficam é: para onde seguirá a Democracia brasileira e qual a sua capacidade de autodefesa? A Democracia brasileira tem condições de combater os intolerantes?

Assuntos para um próximo artigo.

Sammy Barbosa Lopes, procurador de Justiça do Ministério Público do Estado do Acre, professor de Direito Constitucional e Ciência Política. Mestre e doutor em Direito. Autor de obras jurídicas.

 

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Destaque 3

Confirmada bandeira verde na conta de luz dos acreanos em fevereiro

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou que será mantida a bandeira tarifária verde para o mês de fevereiro de 2023. Com boas condições de geração no País, a bandeira verde — que não acrescenta custos às contas de energia dos consumidores do Acre e de todo o Brasil — está em vigor desde abril de 2022.

Com a chegada do período chuvoso, melhoram os níveis dos reservatórios e as condições de geração das usinas hidrelétricas, que possuem um custo mais baixo. Dessa forma, diz a Agência, não é necessário acionar empreendimentos cuja energia é mais cara, como é o caso das usinas termelétricas.

Lançado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias é uma importante ferramenta de transparência que permite aos consumidores acompanhar, mês a mês, as condições de geração de energia no País. Saiba mais sobre as bandeiras tarifárias.

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Cotidiano

IBGE disponibiliza disque-censo para quem não participou do levantamento no Acre

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Para as pessoas que ainda não responderam ao Censo 2022, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está disponibilizando o disque-censo, canal com agendamento para a realização da atividade.

O atendimento ocorre por meio do número 137, das 06h às 19h30, para o cidadão responder o questionário novamente em formato presencial.

O morador escolhe o melhor horário para participar da pesquisa, que deve ser feita até o final de janeiro. Será necessário informar telefone, e-mail, endereço, nome do informante e ponto de referência. O sigilo das informações prestadas é garantido por lei.

Com a confirmação de que nenhum recenseador tenha visitado a moradia, uma nova data será marcada para a presença do IBGE na localidade.

O Censo constitui a principal fonte de referência para o conhecimento das condições de vida da população em todos os municípios do País e em seus recortes territoriais internos, tendo como unidade de coleta a pessoa residente, na data de referência, em domicílio do Território Nacional.

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Na rede

Um dos assaltante do ônibus na BR-364 é preso

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]Um dos acusados do assalto ao ônibus da Transacreana na última sexta-feira, 27, na BR-364,foi preso pelas Policiais Civil e Militar de Manoel Urbano nesta segunda-feira, 30, no município. Ele será transferido para o presídio de Sena Madureira.

O homem, que não teve o nome divulgado, foi preso após ser identificado por meio das imagens da câmera de segurança do ônibus. A arma usada no assalto, tipo escopeta, foi apreendida com o ladrão. O comparsa segue foragido.

Os assaltantes pararam o veículo na rodovia federal fingindo serem passageiros e anunciaram o assalto. Do motorista levaram R$ 500 em dinheiro, 1 mochila, 1 aparelho celular e 1 caixa de som e não entraram no compartimento do ônibus onde estavam os passageiros do ônibus.

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