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Chove cadeados ambientais

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Duas notícias chamaram a atenção do setor produtivo da região nos últimos dias. Uma, alvissareira, dá conta da autorização para ampliar as exportações de carne bovina para o Canadá, abarcando a produção originada em estados livres de aftosa sem vacinação, o que inclui Acre, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e partes do Amazonas e Mato Grosso. A partir da última reunião da Comissão Alimentar CODEX, em Roma, ficou decidido que essas áreas estariam aptas a, considerando ainda outras exigências específicas, acessar o mercado canadense de aproximadamente 50 milhões de toneladas anuais.


Outra, em sentido contrário, é de responsabilidade do governo brasileiro que EXCLUIU o Acre do seu plano de obras em rodovias para escoamento de grãos. Os 2,6 bilhões destinados ao Arco Norte em 2024 dão meia volta no vizinho Estado de Rondônia e nos deixam chupando o dedo. Ainda não é dessa vez que o Acre será incluindo como corredor agrícola.


Apesar de nos últimos anos uma série de fatores, entre eles a própria estratégia do governo Gladson de, pelo discurso e ações, desinibir vetores da produção em larga escala, e dos resultados promissores das exportações de soja e carne suína, como verificou AQUI o economista Orlando Sabino, ainda somos “patinho feio” quando se trata de avanço do desenvolvimento agropecuário. 


A partir dos fatos noticiados é possível afirmar que, embora estejamos no Acre fazendo o nosso dever de casa, ou seja, produzindo grãos a uma produtividade maior que a média nacional, estimulando o melhoramento genético, aumentando o rebanho, especializando a produção de carnes e aves, aumentando a lotação animal/hectare, realizando a integração lavoura-pecuária, zelando pela sanidade animal e vegetal, mobilizando capital privado para investimentos no setor (construção de silos, p.ex.), o governo brasileiro, capturado pela agenda internacional e pelo discurso ambientalista fanático de supressão do consumo de carnes, nos enxerga apenas como estoque florestal a ser vendido na bacia do carbono.


Enquanto isso, na Europa, embora quase totalmente omitida pela grande imprensa, há uma reação fortíssima às exigências ambientais. É pela internet, graças a liberdade de informação ainda existente (o governo Lula-STF prepara um golpe via PL 2630), que somos informados da movimentação de centenas de milhares de agricultores holandeses, belgas, alemães, franceses, espanhóis, gregos, italianos, poloneses etc. Em síntese, eles questionam: “por que somos submetidos a restrições ambientais insuportáveis e a custos de produção altíssimos e, ao mesmo tempo, são liberadas importações de países (entre eles o Mercosul) cujas exigências são bem menores?”. Eles colocam na mesa um problema real. É possível alimentar a população mundial com minimização do uso de máquinas, fertilizantes e defensivos em função de um alegado aquecimento global antropogênico? A que custos? Ou muda a agenda europeia que transborda para as Américas, ou haverá escassez e insegurança alimentar. Até aqui, de modo insuficiente para os manifestantes, a União Europeia recuou timidamente com a diminuição de restrições e o adiamento de metas ambientais. Além disso, a tendência é de que o acordo União Europeia – Mercosul continue travado.


Como se vê, mesmo nos países centrais há um confronto do desenvolvimento agropecuário com as restrições ambientais decorrentes da agenda que tem como objetivo as tais emissões zero, o que pressupõe um discutível (AQUI) aquecimento global provocado pelo homem. Estamos submetidos a um ordenamento supranacional originado em fóruns criados e comandados à revelia do produtor.


E nós com isso? Ora, não vê quem não quer. Estão aí, nas nossas ventas, sinais de que o Acre continua, como durante a florestania, sendo considerado pelo governo federal como agente marginal e indesejado da economia agrícola. Apesar de todos os esforços de nossas instituições e lideranças políticas, em todos os níveis, não é difícil identificar uma espécie de camada de poder acima de todos que nos impõe cadeados e restrições. Marina Silva, por exemplo, ao se declarar contra o asfaltamento da BR 319 (rodovia Porto Velho – Manaus), justificou que o asfaltamento de estradas na região serve para bacanas passearem de carro. Em nome de uma diminuição das emissões de Gases do Efeito Estufa – GEE, na Europa não se pode usar fertilizantes e aqui nem estrada velha pode ser pavimentada.


Como viabilizar o desenvolvimento acreano sem que o Estado brasileiro abra ou viabilize fronteiras de produção? Uma avaliação equivocada para o caso diz que “o baixo volume da produção” de grãos justifica a exclusão do Acre do plano de investimentos anteriormente referido. Não é bem assim. Isso não se aplica a regiões de ocupação recente. Pelo contrário, em estágios como o nosso, são os investimentos públicos que movem as alavancas do desenvolvimento, atraem o capital excedente em outros centros de acumulação, solucionam entraves normativos, impulsionam a potencialidade regional. Não agir neste sentido significa submeter a região ao marasmo e estagnação. Não por acaso, o Acre passou a exportar seus jovens e vê crescer, sem freios efetivos, o narcotráfico.


Em resumo, pode-se dizer que, guardadas as devidas proporções e considerados os diferentes estágios evolutivos e comprometimento político, o mundo inteiro, de Amsterdã a Santa Rosa do Purus, aceitando o maior embuste da história, está sendo dominado por uma espécie de multinacional que tranca o desenvolvimento agropecuário eleito como vilão. Fazem uma marcha insana contra a humanidade tendo como objetivo o controle, a governança e uma autoridade global.



Valterlucio Bessa Campelo escreve às sextas-feiras no site ac24horas e, eventualmente, no seu BLOG, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor Percival Puggina e outros sites. Quem desejar adquirir seu livro “Desaforos e Desaforismos (politicamente incorretos)” pode fazê-lo por este LINK.