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Acre gerou 40% menos empregos em 2023 do que 2022

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O Acre registrou saldo positivo de 4.562 empregos formais em 2023, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na última terça-feira (30/1) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. No acumulado do ano (janeiro a dezembro), foram registradas 50.720 admissões e 46.158 desligamentos. 


Em dezembro, o Acre registrou saldo negativo de 364 postos de trabalho com carteira assinada. Foram 3.461 admissões e 3.825 demissões, segundo o Caged. Foi o segundo resultado negativo do ano. O primeiro ocorreu em janeiro de 2023, quando apresentou um saldo negativo de 818 postos.


Conforme pode ser visualizado no gráfico a seguir, o saldo de 2023 foi o menor dos últimos três anos. O resultado de 2023 ficou 40% abaixo de 2022 e 43% abaixo do resultado de 2021. Considerando o péssimo resultado de 2020 devido à pandemia, o resultado de 2023 ficou somente 74% acima daquele ano.


O resultado do saldo de 2023 foi impactado pelo alto número dos desligamentos ocorridos no ano, que ficou 9% acima daquelas ocorridas em 2022. O crescimento de quase 2% nas admissões, não foi suficiente para compensar os desligamentos ocorridos no ano.


O estoque de empregos no Acre (números de trabalhadores com carteira assinada), fechou o ano com 96.877 trabalhadores. Um crescimento de 5% em relação ao ano anterior. O resultado do estoque de 2023 ficou 4 pontos percentuais abaixo do crescimento de 2021/2022 (9%).



Com base nessa informação do estoque e, com base com os últimos dados do IBGE, que estimou em 319 mil o número de pessoas empregadas no Acre, indica que, desse total, somente 30% tinham carteira de trabalho assinada.


Sete municípios acreanos tiveram saldos negativos


Os municípios de Capixaba, Porto Walter, Acrelândia, Sena Madureira, Jordao, Bujari e Rodrigues Alves apresentaram saldos negativos no ano. Do restante, 14 municípios obtiveram saldos positivos e Santa Rosa do Purus manteve a estabilidade. Na tabela a seguir destacamos os 5 maiores saldos positivos e os 5 menores saldos negativos. 



Chama a atenção que municípios mais populosos, como Cruzeiro do Sul e Sena Madureira não aparecerem como destaque na geração de empregos com carteira assinada. Cruzeiro por exemplo, o segundo maior município do Acre, ficou somente na décima primeira colocação no ranking, com saldo de somente 53 postos, ficando abaixo de Placido de Castro (104), Brasiléia (69), Xapuri (66), Manoel Urbano (59) e Feijó.


O caso de Sena Madureira também é emblemático, pois é o quarto mais populoso do Acre e obteve um saldo negativo de 26 postos, o quarto pior indicador no ranking. O município de Acrelândia também merece destaque negativo, já que conta com uma economia diversificada e a sua proximidade com à capital.


Porém, quando falamos em estoque, ou seja, o número de pessoas existentes com carteira assinada, em dezembro de 2023, a ordem é estabelecida e os municípios potencialmente maiores e mais dinâmicos economicamente aparecem em destaque. Os maiores estoques estão em: Rio Branco (67.494), Cruzeiro do Sul (7.397), Sena Madureira (4.622), Senador Guiomard (2.314), Epitaciolândia (2245) e Brasiléia (2.062).


Em 2023 os setores da Indústria e da Construção foram os que mais ampliaram seus estoques de empregos com carteira assinada


Os setores do comércio (1.152 postos), dos serviços (1.549 postos) e da construção (829 postos) foram os que mais tiveram redução em seus saldos de 2022 para 2023. Por outro lado, a indústria (645 postos) e a agropecuária (32 postos) foram os setores que apresentaram saldos dos maiores que no ano anterior, conforme os dados explicitados na tabela abaixo.


Do ponto de vista do estoque, os números indicam que aumentaram os números de trabalhadores com carteira assinada em todos os setores. Porém, aqueles que ficaram acima da média, que foi de 5%, aparecem os setores da indústria e da construção cresceram acima da média, 9 e 8,9%, respectivamente.



Assim como o Acre, em dezembro, o Brasil registrou saldo negativo de 430.159 postos de trabalho com carteira assinada. O Ministro do Trabalho justifica a queda como uma questão sazonal. Afirmou que dezembro não é o melhor mês do Caged, pelo contrário, é um mês em que as empresas fazem a rescisão de contratos, especialmente os contratos temporários. A explicação é perfeitamente adequada a queda do saldo no Acre.


Mas, fica claro que existem questões conjunturais e estruturais envolvidas nas explicações dos números. Pergunta-se: o Estado pode ajudar para ampliar os empregos com carteira assinada? 


No Brasil existe um Sistema Nacional de Emprego (Sine), criado em 1975, foi concebido para executar as políticas públicas de emprego em todo o país e apoiar a população na sua busca por trabalho. Em recente estudo publicado pelo IPEA, após analisarem a estrutura administrativa da política de emprego em nível estadual, no tocante a instalação de unidades do Sine entre os entes federativos. O resultado mostrou que o Acre ocupa a 5ª pior posição no ranking dos estados, com somente 9,1% de cobertura, ficando à frente somente de Tocantins (6,5%); Roraima (6,7%); Piauí (7,1%) e Maranhão (7,4%). O estudo chega à conclusão de que em um país tão diverso, fica difícil imaginar uma articulação exitosa do governo federal com os estados para a operacionalização de sua política de emprego, considerando-se que menos de um quarto dos municípios possui postos de atendimentos presenciais. Estudo disponível em: (https://www.ipea.gov.br/portal/publicacao-item?id=8dbde096-b138-480c-a00a-1d7e50889c30&highlight=WyJhY3JlIl0=).


Portanto, ampliar a atuação do Sine no Acre pode ser uma boa política pública.



Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas