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As estranhas coisas de um lugar que abandonou seu futuro

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Coisas estranhas andam acontecendo no Acre. Aliás, falar de coisas estranhas acontecendo por aqui é até uma redundância. Nos últimos tempos, tudo é estranho. Estranho será se as coisas voltarem ao normal.


Não é estranho que bandidos faccionados invadam uma festa de jovens, matem um e firam  vários outros, e dias depois ninguém fale mais no assunto? Não é estranho o silêncio de todos ante a prodigiosa construção de mansões por autoridades públicas, com dinheiro saído sabe-se lá de onde? O que falar de um certo parlamentar federal bolsonarista que até há pouco se mostrava um saltitante negacionista da mudança climática, além de ardoroso defensor do agronegócio, e meio que “de repente” aparece promovendo evento de bioeconomia amazônica para falar sobre economia de baixo carbono e desenvolvimento sustentável?


O que dizer da votação e do expressivo apoio que o bolsonarismo tem no estado, mesmo depois dos quatro anos em que o Acre foi tratado com indisfarçado desdém e zero de investimento?

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A ponte Juscelino Kubstchek, no centro de Rio Branco, está fechada há quase dois meses. Até o momento, não se tem notícia de quando serão iniciados os serviços de reforma da estrutura. O trânsito ficou ainda pior. E vai ficando por isso mesmo. Como ficou por isso mesmo os anos de total abandono da BR-364 entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, em período recente. Sem cobranças e sem reclamações, voltamos a nos comportar como uma sociedade servil e que, bovinamente, acompanha o farfalhar de seus governantes, como se deles se devesse esperar apenas favores em troca de privilégios.


A bem da verdade, nos últimos tempos, governar no Acre tornou-se a coisa mais fácil do mundo. Talvez a culpa seja do tik tok, esse famigerado aplicativo chinês. Ou do reels do Instagram. É, porque basta a pessoa fazer umas dancinhas e espalhar sorrisos, e pronto! Trabalho, obra, geração de empregos, saúde pública, segurança das famílias ou qualquer outro desses assuntos chatos que queiram concorrer com a graça e a simpatia de uma dancinha bem feita, nada importa – tudo coisa de gente careta e sem graça.


Já para quem não tem carisma e nem a disposição de dançar nas redes, tem outra solução, outro “mecanismo” simples: é só apelar para o velho e bom costume de negociar votos na bacia das almas da consciência dos eleitores. Não falha! E não dá trabalho. Basta criar uma rede de apoiadores eficiente, capaz de mapear e comprar “lideranças” nos bairros. Depois, é preparar os bolsos para irrigar os dutos por onde o dinheiro vai e os votos vêm. Está garantido o mandato para mais quatro anos de tranquilidade.


Nesse passo, em que hora as coisas funcionam de maneira escangalhada e, noutra, no modo “esperteza malandra”, o tempo vai passando e o Acre vai ficando para trás. Enquanto isso, facções ganham terreno, aumentam seu poder de sedução sobre a garotada pobre, preta e sem
expectativas nas periferias, o estado vai se consolidando como rota segura do tráfico internacional de drogas pesadas, e nossos melhores talentos emigram para o sul sem esperança de ver futuro por aqui.


Mas, não tem problema, não é mesmo? Afinal, nossa dose diária de dopamina está garantida: basta assistir umas dancinhas legais no tik tok ou no Instagram. Para quê complicar se a vida pode ser bem simples, não é mesmo?!


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