Democracia, crescimento, Amazônia, desmatamento, desigualdade, aborto… na eleição, o que realmente importa para você?

O assunto do momento é a eleição do dia 30 – e não poderia ser diferente, não é mesmo? Trata-se de um embate direto entre, de um lado, a esquerda e, de outro, a extrema-direita; uma disputa em que os eleitores decidirão não apenas quem será o próximo presidente da república, mas, acima de tudo, qual projeto de país governará nossas instituições pelos próximos anos, sabendo que o reflexo de tal decisão ecoará por muito mais tempo que os quatro anos da próxima gestão de governo.


O Brasil em disputa política é também um país partido em vários aspectos. Partido em classes, com os pobres e a baixa classe média majoritariamente votando na esquerda, representada por Lula, e os ricos e remediados-ricos votando na extrema-direita de Bolsonaro. Partido geograficamente, com o Sul e o Centro-Oeste bolsonaristas, e o Nordeste esmagadoramente lulista, com as demais regiões divididas ao meio. O Brasil também está dividido por religiões, com evangélicos com Bolsonaro e católicos com Lula.


Acima de tudo, o Brasil está dividido entre quem tem compromisso com a democracia e quem não critica e nem se incomoda com as práticas comuns da extrema-direita aqui e pelo mundo: preconceito de classe, racismo, homofobia e machismo; atitudes que, na verdade, anunciam o autoritarismo que tão bem caracteriza a extrema-direita como força social e política.


Aqui em nossa região outra característica marcante distingue a extrema-direita: o negacionismo ambiental, a recusa em reconhecer que o clima do planeta está mudando e que a derrubada e queima de florestas vem contribuindo decisivamente para isso. Nos últimos quatro anos, desde o golpe parlamentar que levou Michel Temer ao poder, os índices de desmatamento da Amazônia vêm crescendo assustadoramente. Recentemente, com as medidas adotadas pelo governo Bolsonaro, de afrouxamento das ações de fiscalização, desmonte dos órgãos de comando e controle da política ambiental e incentivo indireto às práticas criminosas de garimpo em terras indígenas e grilagem de áreas públicas, principalmente no sul do Amazonas, a situação piorou bastante.


Qual a consequência, no médio prazo, dessa atitude negligente com a manutenção das florestas? Grandes especialistas em mercados internacionais dizem que é apenas uma questão de tempo (não muito) para os produtos do agronegócio brasileiro começarem a sentir o peso das barreiras que serão erguidas pelos compradores mundo afora para produtos e produtores que tenham, direta ou indiretamente, contribuído para a destruição de florestas tropicais e, assim, liberado bilhões de toneladas de gases estufa na atmosfera.


A questão do clima será o grande tema do mundo pelos próximos anos. A extrema-direita continuará a tratá-lo como uma pauta ideológica, a exemplo do que fez com as vacinas durante a pandemia? A esquerda aborda esse assunto com mais responsabilidade e cuidado, ainda que, pelo que vejo, esteja sendo malsucedida em mostrar que é possível gerar desenvolvimento cuidando das florestas, da biodiversidade e das populações indígenas.


Outros assuntos fundamentais para nós, acreanos, são a superação da pobreza e o combate às absurdas desigualdades regionais. Morar na Amazônia precisa deixar de ser sinônimo de vida precária. Isso só é possível com fortes investimentos do governo federal em nossa região.


Também nesses assuntos as posições da extrema-direita e da esquerda são profundamente diferentes, antagônicas mesmo. Enquanto Bolsonaro e sua maioria parlamentar não fizeram qualquer movimento em direção ao fortalecimento das regiões Norte e Nordeste, que são as com maiores problemas sociais e econômicos, os governos de esquerda investiram fortemente no Nordeste e na Amazônia, com fortalecimento dos bancos regionais, como BASA e BNB, e das agências de desenvolvimento regional, além do grande volume de recursos aplicados em infraestrutura e produção familiar.


Já em relação à questão da desigualdade – a meu ver, a grande questão brasileira – as diferenças de procedimento entre as duas forças políticas são ainda mais claras. A direita não encara a pobreza e a grande diferença de renda entre ricos e pobres como problemas a serem atacados prioritariamente pelo Estado. Eles seriam resolvidos pela via do mercado, como consequência da ação dos agentes econômicos. Já a esquerda assume o combate à pobreza e a redução da desigualdade como temas centrais de suas políticas sociais e econômicas.


Esses são os debates do momento. As questões sobre costumes, religião e corrupção não passam de cortinas de fumaça. Mas, infelizmente, são o que mais chamam a atenção de boa parte do eleitorado, confundindo o jogo e escondendo o que realmente importa.


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