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Breves impressões sobre as eleições

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Sem surpresas para os cargos majoritários, no Acre, as eleições foram decididas no primeiro turno. Há um mês, pelo menos, era visível que o governador Gladson Cameli seria reeleito e que o deputado federal Alan Rick ganharia a vaga no senado. A bem da verdade, nenhum dos dois foi efetivamente ameaçado durante a campanha. Os principais opositores do Gladson praticamente não se moveram desde o instante UM da campanha. As pesquisas, sem exceção, apontavam isto. Jorge Viana partiu do teto cada vez mais baixo e andou de lado, Petecão nunca demonstrou competitividade, Mara Rocha não encantou e Marcio Bittar não foi candidato efetivo. Sentindo que dava pra chegar no primeiro turno, o governador acelerou na chegada e conseguiu a vitória. Aplausos.

Em que pese a confusão partidária à sua volta, o deputado Allan Rick já havia adquirido aquela espécie de força gravitacional de atração, assim conhecida na física, mas na política chamada de “cair na graça do povo”. Sem grandes estruturas, lutou como pode, sentou na fileira da frente e se deixou levar a favor de dois ventos fortes – o governador Gladson e o presidente Bolsonaro. Ancorado em dois bons mandatos como parlamentar, não recebeu críticas capazes de miná-lo. De tal modo que não houve tempo nem condições para que o candidato oficial – Ney Amorim, fosse transformado em ameaça, tanto que o segundo colocado foi o tinhoso Dr. Jenilson. Marcia Bittar, que deixou a marca de uma lutadora incansável, de uma mulher que não foge ao enfrentamento duro do politicamente correto, de obstinação e fidelidade à pauta que escolheu abraçar, não o ameaçou.

Se nas majoritárias as coisas transcorreram sem pontos fora da curva, nas proporcionais o bicho pegou. Do eleitorado veio uma chuva com vento forte derrubando as velhas estruturas partidárias. PSD, PMDB e PT, além de PC do B, PSB e outros, não obtiveram representações federais e foram duramente massacrados em nível estadual, o que, se não os enterra de vez em vista de votações isoladas de alguns poucos candidatos, serve de aviso para que entrem em modo reforma desde a base. O PSDB, que já vinha claudicando, também sumiu da cena e conseguiu salvar apenas o bom Luiz Gonzaga como deputado estadual. O PSD do Petecão elegeu dois estaduais. 

Pode-se mesmo dizer que a ventania abalou as estruturas até dos partidos vitoriosos, pois dos oito novos representantes na câmara federal, à exceção da deputada Antônia Lucia, todos serão neófitos por lá. Os três partidos – PP, Republicanos e União Brasil terão que se acomodar ao novo momento, realinhar internamente as forças políticas e, provavelmente, posições de direção. Recomenda-se muita calma nessa hora.

Para presidente, Bolsonaro, ganhou de lavada novamente. A razão, que para os renitentes merece um tratado sociológico é apenas uma: O acreano é conservador e não gosta do ex-presidiário nem de sua pauta macabra. Foi infrutífero o esforço recente dos lulopetistas de plantão para esconder a miséria programática da esquerda, trocando-a por discursos do tipo “amo o agronegócio”,

Surpresa apenas para quem se vê na Globo, Bolsonaro conseguiu chegar ao segundo turno cinco pontos percentuais atrás do ex-presidiário. Isso apesar de passar quatro anos sob fogo cerrado do consórcio da velha mídia, do consórcio dos institutos de pesquisa e do partido dos tribunais (termos do comentarista Roberto Motta, da Jovem Pan). Não fosse a ação mafiosa dos fatores antes referidos, seguramente, o presidente teria sido reeleito com folga. 

No segundo turno, excluindo-se teorias cibernéticas, relativas a certos computadores em certas salas, é possível dizer o jogo está em aberto. O cálculo é simples. Os votos lulistas do Ciro já foram no primeiro turno engordar o ex-presidiário e os votos obtidos pela Simone Tebet pertencem a um campo de centro sobre o qual ela própria não tem comando real. Isto sem contar que sua vice, a Gabrilli, diz aos quatro ventos, para surpresa de ninguém, que o ex-presidiário é responsável pelo assassinato do prefeito Celso Daniel. Considere-se o apoio engajado dos governadores Zema em Minas Gerais, Caiado em Goiás, Rodrigo Garcia em São Paulo, do Cláudio Castro no Rio de Janeiro, do Ratinho JR. no Paraná e a disputa direta em vários estados importantes, Bahia, Sta. Catarina, Rio Grande do Sul, por exemplo, e temos um quadro que justifica o ânimo bolsonarista, apesar de saber-se que nenhum daqueles fatores-chave foi desativado.

Contudo, o mais importante, que moveu bolsas e câmbio, repercutiu marcadamente no exterior e fez os vermelhinhos “morderem os cotovelos” como diria Neymar, foi o aumento significativo da bancada conservadora na Câmara Federal e no Senado. Aquelas promessas asquerosas do ex-presidiário, tipo liberação de aborto e das drogas, facilitação aos criminosos, impedimento da posse de armas, adoção da ideologia de gênero, controle da mídia, eliminação do teto de gastos, reestatização, desfazimento das reformas liberais do Bolsonaro etc., subiram no telhado. Se ganhar, muito provavelmente o ex-presidiário será contido por um Congresso muito mais conservador do que imaginou. 

Dirão alguns mais pragmáticos ou cínicos que, mesmo assim, a di$posição para negociação atropela ideologias e palavras dadas. Pode ser. Já vimos acontecer antes, com o mensalão e o petrolão, o leilão das consciências promovido pelo ex-presidiário, mas é um caso a ver. Se, porém, o Bolsonaro ganhar, a situação se inverte e ele terá todas as condições de governar e realizar as reformas que o país exige e necessita. Com a Câmara e o Senado a favor de Bolsonaro, até o Xandão vai ao banheiro.

Em resumo, no Acre as coisas tendem a se acomodar bem. O governador poderá se desvencilhar de algumas velharias incômodas e desgastantes, fez maioria folgada na Assembleia Legislativa e, em tese, contará com o apoio dos oito novos deputados e de dois senadores que pertencem a partidos da base do Bolsonaro. Se o presidente for reeleito, a vitória será completa. Quanto aos derrotados, alguns terão chance de recomporem-se e outros vestirão o pijama. Cest la vie. Em nível federal, segue o jogo.


Valterlucio Bessa Campelo escreve às sextas-feiras no site ac24horas e, eventualmente, no seu BLOG, no site Liberais e Conservadores do Puggina, na revista Navegos e em outros sites.

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