Um desejo de mudar de vida e uma ideia inovadora. Esses foram os ingredientes que deram vida à empresa de telecomunicações acreana Sem Fronteiras, que começou num quartinho na periferia de Rio Branco e atualmente é a segunda maior do estado em número de clientes. O acreano Makleysh de Oliveira trabalhava na área em outra empresa quando decidiu sair e criar o próprio negócio do zero.

 

A promessa é levar ao Acre um salto brutal de conectividade com toda ação da empresa. Parece que não, mas o Acre é um estado extremamente conectado. O desejo de colocar a Sem Fronteiras em prática surgiu em 2013, mas só a partir de 2015 começou a ser de fato projetada. “Vi a necessidade de uma empresa que prestasse serviço de qualidade na internet. Juntei capital com um primo que me ajudou na ideia e traçamos o projeto. A Sem Fronteiras nasceu no Segundo Distrito, mais precisamente no Belo Jardim I, próximo ao Santo Afonso”.

 

 

No início era uma empresa de um homem só. Mak fazia panfletagem pela manhã, vendia o serviço e à tarde ia na casa dos clientes fazer as instalações. Em fevereiro de 2016 a empresa entrou em processo de execução com a montagem da primeira torre. “Nesse período ainda era 100% via rádio. Atendíamos a demanda do Belo Jardim e logo começamos a expandir o serviço, indo para a Cidade do Povo, que não tinha nenhuma infraestrutura de internet, já que as demais operadoras deixavam a desejar”.

 

Em seis anos de operação, a Mak usou todo seu conhecimento adquirido em outras empresas para dar um passo a mais. “Em muitos bairros não tinham nem conexão. A Sem Fronteiras começou a atuar nesses pontos, onde não existia conectividade, para valorizar os clientes desamparados, aqueles que não estavam na região central”, conta o gerente comercial, Bruno Freitas.

 

No início, a maior dificuldade era a parte financeira, já que Mak possuía pouco recurso para investimento e acabava usando o próprio capital que entrava para reinvestir na empresa. Bruno relata que o criador precisou por muito bater na porta das pessoas para poder ter acesso e apresentar o produto. “No começo foi muito difícil”.

 

 

Chegada de investidores

 

Carlos Henrique e Osvaldo Júnior estavam procurando negócios para investir quando descobriram a Sem Fronteiras numa periferia acreana. Eles já tinham experiência na parte administrativa e de gestão quando se depararam com um negócio incomum, mas muito promissor. “Foi o negócio mais feio que apareceu para a gente, tanto que quando fomos visitar não conseguimos chegar ao local”.

 

A rua da sede da empresa não tinha asfalto e estava repleta de lama. “Chegamos a pensar: onde estamos nos metendo? Mas conversamos que não poderíamos ter preconceito e tínhamos que conhecer. Era tudo muito precário. Quando chegamos lá, só tinha o Mak”. Os investidores ouviram sobre o negócio e prometeram se aprofundar na empresa.

 

Carlos conta que passou três meses pesquisando sobre a área de provedor de internet em 2017 e viu potencial nesse modelo de negócio. Até então a empresa tinha quase 300 clientes e Mak só havia contratado um funcionário. “Ainda operamos por uns dois anos via rádio e começamos a expandir para outros bairros. Esse mercado muda muito e chegamos à conclusão de que teríamos que migrar para a fibra ótica”.

 

 

Em 2018 fizeram um teste no loteamento Santo Afonso com a fibra óptica e o negócio começou a dar muito certo. “Os investimentos se tornaram muito maiores e a gente foi batalhando. A demanda aqui é muito forte. A necessidade de conectividade era muito alta. Acertamos no negócio. Em 2019 começamos assíduos na fibra e segundo a Anatel somos a segunda operadora de telecomunicações do estado do Acre”.

 

Após ganhar os investidores, Mak hoje é diretor de rede, dirige toda a parte de infraestrutura, de rede e tecnológica. Recentemente a Sem Fronteiras chegou a todos os municípios, mas opera em Rio Branco e Senador Guiomard. “Essa virada de rádio para fibra tem uns 3 anos e interfere na qualidade e estabilidade do sinal”, afirmam.

 

Sem Fronteiras TV

 

A internet 100% fibra tem mais estabilidade, velocidade e uma capacidade muito maior de atingir a banda que o cliente precisa. A marca está com uma novidade que é a Sem Fronteiras TV, onde os clientes que já possuem os planos já têm acesso automático com a Sem Fronteiras TV, que é acessada por um aplicativo. “Não precisa de aparelho, é direto na TV já com 80 canais liberados, sem custo, com programação regional, horário local, todos os canais abertos, mais uma série de canais da parabólica sem ônus para o cliente”.

 

 

Em Rio Branco a empresa atua em todos os bairros, só não no Taquari, por questões de segurança. “Já estivemos lá na época da rádio, mas por falta de segurança tivemos que nos retirar e não temos interesse em entrar lá novamente, infelizmente”. A Sem Fronteiras garante que possui hoje a maior banda da cidade. “Nosso menor plano é 400 mega, que é nosso carro-chefe, e nosso segundo plano é 700 mega”.

 

Diferencial

 

Um atendimento humanizado e regional é o que eles têm procurado. “A gente atende com nossos próprios colaboradores. As grandes operadoras terceirizam esse trabalho, onde os clientes caem em alguma central de atendimento. Nosso atendimento na parte de venda, pós-venda, suporte, financeiro é todo local, da nossa matriz. A gente tem aquela preocupação de lidar com o cliente desde o primeiro contato com o vendedor até o técnico”.

 

O principal diferencial assegurado é que se alguém quiser falar com a Sem Fronteiras, pode bater na porta e entrar, manter um contato. “Nem todo mundo sabe que é uma empresa acreana, mas a aceitação já tem sido muito boa. Estamos em processo de consolidar a marca, fazemos um trabalho de porta a porta, nosso vendedor vai até o cliente fazer o atendimento, mostrar nossos planos e estamos sendo muito bem recebidos”.

 

 

O empreendimento recebe muitas indicações pela qualidade da internet e preocupação com o atendimento do cliente, com uma média de 130 colaboradores. O mercado tem mudado muito, bem como a mentalidade dos clientes. “Os clientes eram reféns das grandes operadoras, ficaram muito tempo sendo maltratados e estamos levando uma solução, um diferencial, um cuidado e atendimento mais humanizado”.

 

Nos próximos dias, chegará o telefone fixo da marca, que já está homologado. “O servidor já está pronto e falta só liberações burocráticas da Anatel. Temos perspectiva também de atuar com telefone móvel. Atingir clientes mais antigos que fazem questão de ter telefone fixo e atender público empresarial e se tornar de fato uma empresa de telecomunicações e ter todos os produtos”.

 

Lado social

 

Atualmente a marca briga para chegar em primeiro colocado no estado. No início de julho foi ativada a rede para Cruzeiro do Sul. Dos 22 municípios, só 4 ainda não receberam pelo fato de serem isolados por terra. “A gente vai melhorar a qualidade de vida da população. Em Tarauacá, Feijó a gente ajudou a alimentar link, construir rede dentro das cidades. O que a gente fez na capital vamos fazer no interior”.

 

Existe o lado do negócio, mas também o social da empresa. A modificação social que a Sem Fronteiras já causou em Rio Branco e Senador Guiomard promete provocar uma revolução com a interligação no interior. Apesar de já terem recebido proposta de venda, os sócios são contra. “O negócio está muito bom, tem uma base bem feita e estamos sempre tentando melhorar. Temos a cara à mostra, os clientes têm acesso direto a nós, então a exigência é muito grande. Somos a única empresa hoje com quatro saídas de backbone (redes principais por onde os dados dos clientes da internet trafegam) no estado”.

 

 

A Sem Fronteiras conta com fibra subterrânea, pelo linhão da Eletronorte, fibra aérea e a própria fibra que vai até Iñapari, onde se interliga com a maior empresa de fibra óptica do Peru. Atualmente é a única empresa que já recebe internet do Pacífico, com saída internacional, ligada com o país vizinho ao estado. “Indiretamente, a gente consegue salvar Cobija também, pois a Bolívia tem deficiência em link de internet. Hoje com a fibra que levamos somos a maior empresa que abastece Cobija”.

 

Para Mak, ainda não caiu a ficha que a Sem Fronteiras se tornou uma empresa tão grande. “A gente trabalha bastante, com qualidade, seriedade. Em 2020 vimos a proporção da empresa e já éramos referência no Segundo Distrito. Isso que a gente busca, sempre qualidade e excelência”. Daqui para frente querem continuar crescendo, dando seguimento ao trabalho massivo no interior do estado. “Queremos atender cidades que mesmo sem estar atuando lá, conseguimos vender, atender empresas que prestem serviços para as residências, além de firmar essa conectividade no estado”, concluiu.

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