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Carta aberta ao governador Gladson Cameli

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Prezado governador, não temos proximidade, tampouco intimidade, porém, na condição de cidadão debaixo dos seus domínios governamentais, com o devido respeito, sirvo-me da presente para lhe apresentar algumas opiniões e umas poucas sugestões – num ato de tremenda ousadia, reconheço.


Governador, neste momento em que o senhor quase em desespero busca o melhor arranjo político para a reeleição, saiba que o Acre clama por boa gestão de governo. Bom governo, diga-se repetidamente, vale para o povo neste momento mais do que qualquer arranjo político de cúpula. Portanto, sua maior chance, talvez única, de conquistar a vitória eleitoral que tanto necessita seja renovando a promessa de 2018 em novas condições. Esteja ciente, porém, que boa parte do povo já sabe que há quatro anos o senhor prometeu o que não podia entregar. Recuperar confiança perdido é sempre mais difícil, o senhor sabe, não é mesmo?!

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Hoje, mais que antes, dinheiro tem, o que falta é gestão. Seu governo tem até alguns bons gestores em pastas importantes. Contar com Ricardo Brandão no planejamento, Dra. Paula Mariano na saúde e Marcos Motta na PGE é um luxo. Mas, umas poucas andorinhas não fazem um verão. No geral seu governo é fraco. Falta conhecimento dos problemas e potencialidades do Acre e proximidade das reais necessidades do povo. No cotidiano da administração, falta integração, coordenação, propósito comum e uma estratégia de longo prazo. Enfim, falta um plano e uma equipe capaz de realizá-lo, além de um líder focado, disciplinado e disposto a manter o time unido e engajado.


Em 2018 o senhor prometeu boa gestão, honestidade e transparência. Apresentou um plano com quarenta programas e mais de duzentos projetos. Mas as coisas não avançaram. E não apenas porque o plano era ruim. Faltou execução, e sobraram denúncias de corrupção, além da horrorosa posição de último lugar no ranking de transparência pública. Segundo levantamento do portal G1, após dois anos e meio seu governo havia realizado apenas dez das sessenta e oito promessas monitoradas, ou seja, menos de 15%.


E tudo isso nem é o mais grave. O problema mesmo é essa sensação geral que as coisas não estão acontecendo. E nada em seu governo atual indica que o cenário irá mudar. Nada de inovador está por acontecer na educação, na assistência social ou na segurança. Nenhuma boa notícia capaz de renovar ânimos na produção rural, na indústria, na gestão de florestas ou no meio ambiente. Nenhuma grande obra; nenhum acordo de financiamento para investimentos de longo prazo. Nada, infelizmente.


Era previsível. Na eleição de 2018 o senhor foi levado a compor um grande arranjo eleitoral que juntava gente estranha numa festa esquisita, com tema único: “derrotar o PT a qualquer custo.” Foi levado até mesmo a assumir Major Rocha de vice. Sua geringonça funcionou para ganhar a eleição, mas foi um desastre na composição e na gestão de governo, além de desastroso no quesito honestidade. A transformação de secretarias de Estado em feudos distintos para contemplar aliados fez do início de seu governo uma experiência tão fadada ao fracasso quanto a parte final do ciclo que ele encerrava.


Até porque, governador, seus aliados jamais se contentariam com uma ou outra secretaria. Eles queriam mesmo era um governo para “chamarem de seu”. Então, não tinha mesmo como dar certo. Assim, um após outro seus aliados foram virando oposição. O que era maldição até poderia ter se tornado benção, caso o rearranjo de governo tivesse dado certo, não é mesmo? Até agora não deu. Os antigos dizem que pau que nasce torto, até a cinza é torta…


Ainda assim o senhor, repetindo 2018, parece aceitar que novamente lhe enfiem goela abaixo um arranjo político tão esquisito e fadado ao fracasso quanto o anterior. O problema é que desta vez o senhor não terá como pedir nova chance. Se errar, definitivamente a biografia de um político jovem e que nunca perdeu uma eleição ficará marcada pelo fracasso de um governo medíocre e incapaz de atender às necessidades do povo que sofre.


Fuja o quanto antes, governador. Fuja de compromissos que com certeza lhe impedirão novamente de fazer boa gestão de governo. Assuma o risco de gozar da liberdade de conduzir um segundo mandato correto e competente. Afinal, o que está em jogo são as possibilidades de futuro do Acre e sua biografia. E, convenhamos, são duas coisas com as quais uma autoridade não deve brincar.


P.S: Vai um conselho final: quase tão certo quanto o nascer do sol, se Jorge Viana resolver disputar o governo, ganha essa eleição. Como disse antes, o Acre hoje mais que nunca clama por boa gestão de governo ao invés de espertezas e ambição política desmedida. Melhor não cutucar onça com vara curta, governador.


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