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O comércio com o exterior do Acre em 2021 – Parte 3

O ciclo pecuário vive um momento de baixa no preço da arroba - Foto: Sérgio Vale

As exportações dos Produtos da Pecuária

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Dando continuidade à série de artigos que tratam do comércio exterior do Acre em 2021, hoje vamos destacar alguns elementos importantes das exportações de carnes e derivados de bovinos e suínos. A pecuária foi representada por esses dois produtos nas exportações acreanas em 2021.  O valor total de carnes e os derivados de bovinos exportado em 2021 foi de US$ 6,136 milhões , correspondendo a 12,6% de tudo o que foi exportado. A carne de suínos e seus derivados somaram US$ 2,262 milhões, correspondendo a 4,6% do total das exportações. Portanto, esses dois produtos juntos somaram US$ 8,398 milhões, uma queda de 28,7% em relação ao ano passado. 



Uma das causas desse recuo foi a ausência, em 2021, das exportações de couro bovino, produto que em 2020 superou os US$ 2,286 milhões. Apesar do crescimento das exportações de suínos (6,4%), observou-se um pequeno recuo nas exportações de derivados de bovinos (16,8%), excluindo-se o couro, já citado anteriormente.



Como pode ser observado no gráfico acima, Hong Kong, com 85%,  foi o principal mercado dos nossos produtos bovinos, seguido de longe pelo Paraguai (12,1%) e Suiça (1,7%). É bom lembrar que o Acre não possui capacidade de exportação de cortes especiais, o que é um requisito dos principais mercados importadores. A carne bovina acreana é exportada para o exterior por outros estados da federação, principalmente Rondônia.



Pelo Porto de Santos foram embarcados  mais de 61% das nossas exportações dos derivados de bovinos, cujo destino principal foi Hong Kong. Por Itajaí saíram 13,7% dos produtos exportados. Por Foz do Iguaçu saíram nossas exportações para o Paraguai (11,1%) e merece destaque o registro de exportações pelo Aeroporto Internacional de São Paulo (3,1%) com um valor de US$ 205 mil.


O principal mercado da  carne suína acreana foi o boliviano que adquiriu 74,7% da nossa produção, seguido pelo de Hong Kong 15,9%, o de Moçambique 5,8% e o da Dinamarca com 3,6%.



Como não poderia deixar de ser, a principal alfândega utilizada para as exportações de suíno foi a de Epitaciolândia com 48%. Chama a nossa atenção as exportações pela alfândega de Assis Brasil (37,5%). Como não consta exportações para o Peru, infere-se que as exportações para os países importadores, utilizaram as rodovias peruanas, inclusive a Bolívia. Verificou-se registros de exportações dos derivados de suínos também pelo Porto de Santos (10,8%) e pela alfândega de Chuí (3,6%). 



No nível nacional, a carne bovina em 2021, apresentou aumento de 8,5% no total do valor exportado e queda de 8,3% na quantidade diante de 2020. Como consequência, o preço médio obtido pelo exportador dessa proteína sofreu valorização de 18,3%. Conforme relatório do IPEA, apesar dos problemas de acesso ao mercado chinês, o preço médio da carne bovina bateu a cotação histórica em 2021, chegando à máxima de US$ 5.695/t em setembro. 


Já a carne suína, nacionalmente, terminou 2021 registrando recorde de envios ao exterior – alta 16,1% no valor diante do ano anterior. Os preços médios também sofreram alta no acumulado do ano de 4,9%, porém em patamares inferiores se comparados às demais commodities. Conforme relatório do IPEA, a trajetória da exportação de carne suína foi prejudicada, principalmente nos últimos meses do ano pela retomada da produção doméstica chinesa, que, além de impactar as exportações do Brasil, contribuiu para a queda nas cotações internacionais.


O que dizem as projeções da pecuária para 2022 da conceituada revista Forbes? Para ela,  as exportações de carne bovina brasileira devem crescer, com a Ásia continuando a ser o principal mercado, embora as exportações de carne bovina ainda tenham sofrido com a suspensão das importações pela China. Para ela, porém, as exportações de carne bovina dos EUA, ganhando acesso à China, proporcionarão competição adicional à carne bovina brasileira.


Quanto à  produção de suínos, a revista estima que ela volte a cair em muitos mercados asiáticos, incluindo a China, em 2022, pelos preços descendentes e alto custo com insumos, desestimulando assim a produção. Isso, criará oportunidades para as exportações brasileiras.


Portanto, em 2022, a tendência é de melhoria dos mercados para a nossa produção de proteína animal. Vamos esperar!



Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas