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Rendimento médio do trabalho cai em 4,4% em um ano

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No artigo de hoje vamos continuar a analisar os dados da força de trabalho do Acre, trazidos pelo IBGE, através da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, referente ao segundo trimestre de 2021. Como vimos no artigo anterior, a taxa de desemprego no estado caiu para 15,9% no segundo trimestre, uma redução de 0,9 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre (16,8%). Na comparação com o período de abril a junho do ano passado, houve alta de 1,7 ponto percentual (14,2%). Vimos também que, apesar da diminuição na taxa, o estado ainda soma 62 mil pessoas na fila em busca de um trabalho. O número representa estabilidade em relação ao primeiro trimestre do ano (61 mil pessoas), mas aumentou 29,2% (mais 14 mil pessoas) na comparação com o segundo trimestre de 2020 (48 mil pessoas).

Portanto, o mercado de trabalho acreano ensaia reação no segundo trimestre, com um pequeno aumento na população ocupada. Conforme o levantamento, o número de profissionais ocupados avançou 2,6% na comparação com o primeiro trimestre deste ano. Com isso, passou de 301 mil para 325 mil, acréscimo de 24 mil. Os ocupados são os trabalhadores que estão atuando com ou sem carteira assinada ou CNPJ. Como vimos, o avanço da ocupação acabou levando a taxa de desemprego para baixo, que caiu de 16,8% para 15,9% no segundo trimestre. 

Ao mesmo tempo que houve alta na ocupação, o rendimento médio real, habitualmente recebido pelos trabalhadores empregados, recuou de R$ 2.265 para R$ 2.165 no segundo trimestre.

Os sinais de melhora, contudo, foram insuficientes para recuperar a renda média dos trabalhadores, que voltou a cair em relação ao mesmo período de 2020, sinalizando que a abertura de vagas – formais e informais – tem sido acompanhada por salários menores.

A baixa foi de 4,4% em relação ao segundo trimestre de 2020 (R$ 2.265) e um pequeno aumento de 4,7% frente ao período de janeiro a março de 2021 (R$ 2.067). Os dados foram deflacionados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Conforme pode ser observado no gráfico acima, no segundo trimestre de 2021, o rendimento médio ficou mais enxuto em praticamente todas as ocupações em comparação com o segundo trimestre de 2020. Entre os empregados com carteira assinada, por exemplo, houve baixa de 6,1%. Nos empregados sem carteira, a variação negativa foi ainda maior 15,0%. Nos empregadores, a variação foi de (-12,1%) e nos trabalhadores por conta própria (-13,0%). A única categoria que apresentou aumento foi a de trabalhador doméstico (5,9%).

A Massa Salarial de todos os trabalhos vai a R$ 684 milhões e aumenta 9,5% em um ano

A Massa Salarial, que representa a soma de todos os salários pagos aos trabalhadores durante um determinado período é muito importante. O seu crescimento pode indicar um aumento do consumo dos trabalhadores fazendo circular parte dos seus salários na economia. A massa de rendimentos real habitualmente recebida por pessoas ocupadas em todos os trabalhos foi de R$ 684 milhões no segundo trimestre de 2021. O número aponta aumento de 12,0% em relação aos três primeiros meses de 2021 (R$ 611 milhões), embora seja considerado estatisticamente estável pelo IBGE. Frente ao segundo trimestre de 2020, o aumento foi de 9,5% (R$ 625 milhões).

O IBGE destaca que embora haja um aumento quantitativo de pessoal ocupado, mas que ocorre principalmente pelo trabalho informal. Vimos no artigo anterior que no Acre, os trabalhadores informais, 159 mil pessoas e uma taxa de 48,9%. No Brasil essa taxa é de 40,6%. Portanto, o mercado de trabalho acreano ampliou o contingente de trabalhadores no segundo trimestre de 2021, mas este movimento se deu com aumento da informalidade, influenciando fortemente a queda no rendimento médio da população.

 Por outro lado, estamos vivendo um período de expansão inflacionária. Rio Branco apresenta uma inflação acumulada de 5,93% (janeiro a julho). A inflação mais alta, diminui o poder de compra das famílias, enquanto o desemprego permanece em nível elevado, além de o rendimento ter ficado menor. 

O quadro atual do mercado de trabalho no Acre é que as pessoas estão voltando ao mercado de trabalho com um salário mais baixo. Por isso, a renda média cai. Para potencializar nossas preocupações, a reação do mercado, no entanto, é ameaçada por fatores como a pandemia prolongada e agora a crise hídrica, que encarece as contas de luz e pressiona a inflação.

O número de desempregados, mesmo com o aumento das ocupações, ainda é muito volumoso no estado. Há um excesso de mão de obra. Isso faz com que, em um primeiro momento, a retomada dos empregos venha com salários médios menores. O rendimento inferior também pode ser associado ao avanço dos trabalhadores subocupados. Esse grupo, que voltou a bater recorde, reúne profissionais que trabalham menos horas do que gostariam. No Acre esse contingente chegou a um número recorde de 29 mil pessoas, um aumento de 23,3%, com mais 5 mil pessoas, em relação ao primeiro trimestre de 2021.

Infelizmente o IBGE não divulgou os números para o Acre dos desempregados no estado que estão sem trabalho há mais de um ano. No Brasil são seis milhões, desses, são 3,8 milhões buscando vaga por mais de dois anos. Na pandemia, avançou a parcela dos que estão sem trabalho há muito tempo no Brasil, o chamado desemprego de longa duração. A situação no Acre não dever ser diferente. Muito angustiante para os chefes de família. 


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas

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