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No Acre, bem-estar não avança e acreano fica mais infeliz 

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O jornal Folha de São Paulo do dia 05/07/2021, publicou os dados de um levantamento do pesquisador Daniel Duque, do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas), divulgado com exclusividade por aquele jornal. O levantamento mostrou que nos últimos 8 anos, o Acre ficou mais “infeliz”. O “índice de infelicidade” (indicador que soma os dados de inflação com os de desemprego), considera a taxa de inflação acumulada em quatro trimestres para cada estado e a média da taxa de desemprego nos últimos quatro trimestres. Quanto maior o índice, significa que o estado piorou o “índice de infelicidade”.

Conforme os dados publicados, constantes no gráfico acima, o índice do Acre foi de 14,10% em 2013, sendo o 11º estado mais “infeliz” da federação e o 3º mais “infeliz” da Região Norte, superado na região somente pelo Amapá e pelo Amazonas. Em 2021 o índice subiu para 21,30% tornando o Acre o sétimo estado mais “infeliz” do país e o segundo da Região Norte, sendo superado somente pelo Amazonas.

Em vários artigos anteriores temos mostrado preocupação com os indicadores de desemprego e inflação medidos pelo IBGE. Ambos estão em patamares elevados, bem acima da média Brasil, como pode ser observado nos gráficos abaixo. A inflação acumulada no Acre (medidos pela cidade de Rio Banco) em 2020, foi de 6,12%, enquanto no Brasil foi de 4,52%, muito pela pressão dos preços dos alimentos e dos combustíveis. Já a taxa de desemprego no final de 2020 apresentava 15,5% no Acre e no Brasil era de 13,9%. No primeiro trimestre de 2021 a taxa do Acre ficou em 16,8% e no Brasil, 14.7%.

Beneficiados pela desocupação mais baixa que a média do país, o estudo indica que os estados do Sul e do Centro-Oeste aparecem como os campeões de bem-estar no país. O destaque no período é Santa Catarina (10%). Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul (13%) e o Paraná (13,6%).

Sobretudo devido ao alto patamar de desocupação, nove entre os dez estados considerados mais “infelizes” são da região Norte e Nordeste, com destaque para Bahia (24,7%), Alagoas (24,3%) e Sergipe (23,9%) nas piores posições do ranking, 

No Acre a informalidade é muito alta e pouco resiste a um período de crise que estamos vivendo. Enquanto a taxa de informalidade no Brasil foi de 39,6% no primeiro trimestre deste ano, no Acre a taxa foi de 46,5% o que equivale a 140 mil pessoas. Como consequência temos uma alta taxa de desemprego, que faz com que o estado figure como o sétimo mais “infeliz” do ranking.

Pelo gráfico acima, verifica-se que tanto o Brasil como o Acre, pioraram suas posições no índice de infelicidade, em 8 anos. O Acre ficou mais “infeliz” 51,1%, enquanto o aumento da infelicidade no Brasil foi de 43,5%.

Conforme a FSP, na comparação com os países que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil aparece na segunda pior posição do ranking de infelicidade, atrás apenas da Turquia, com 26,28%. Na lista com 38 países, as melhores posições no primeiro trimestre ficaram com Japão (2,4%), Finlândia (4,40%) e Eslovênia (4,80%).

O autor do estudo diz que não há atalhos para melhorar a situação desses estados. “Não há solução mágica, apenas maiores compensações financeiras, por meio de transferências diretas para região. O auxílio emergencial tem tido esse papel, mas o Bolsa Família também pode ajudar.”. Já nos detivemos, em artigos anteriores a importância do auxílio emergencial para os trabalhadores acreano. A boa notícia é a que o governo federal vai renovar o auxílio por mais três meses.

Temos repetido que algumas variáveis macroeconômicas estaduais já começam a apresentar retomada interessantes, sem, no entanto, se refletirem na geração de empregos (aumento do volume de crédito, aumentos nas relações comerciais interestaduais e internacionais, melhorias no desempenho das vendas do comércio varejista, aumento da arrecadação do ICMS, etc.). A inflação também não dá tréguas, continuamos amargando a maior inflação do país.

O governo local anuncia a retomada de obras públicas no estado. Conforme notícias do ac24horas do dia 06/7. Além de anunciar outros investimentos em obras públicas, conforme a notícia o governo está priorizando neste segundo semestre, obras que estavam paradas desde a gestão do PT, com investimento superior a R$ 120 milhões, durante o período de verão amazônico. Essa é uma boa notícia. Investimentos na construção civil repercute com muita intensidade na geração de empregos. Vamos torcer para que os níveis de execução dos investimentos governamentais possam aumentar, assim como a vacinação em massa. Pode ser o início da recuperação do Acre no índice da infelicidade do Brasil.


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas.

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