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Pistas para recuperar empregos em meio à crise da Covid-19

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Na última semana o IBGE divulgou dois indicadores que refletem o impacto da crise sanitária sobre a economia acreana. Tratam-se dos dados do mês de abril da Pesquisa Mensal do Comércio – PMC, divulgada do dia 16/7 e da Pesquisa Mensal de Serviços – PMS, divulgada no dia 17/6. Os setores do comércio e dos serviços. Os números preocupam já que, conforme dados   da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, de 2018, esses setores, representavam juntos, mais de 86% dos trabalhadores e mais de 81% das empresas formais do Acre. 

O IBGE mostrou que, no Brasil, as vendas do comércio varejista registraram tombo recorde de 16,8% e o setor de serviços recuou 11,7%, em abril.  Na produção industrial, a queda também foi recorde, com recuo de 18,8% na comparação com março. São dados preocupantes porque o consumo das famílias representa 70% do PIB brasileiro.

No Acre, as vendas no comércio varejista caíram 14,4%, na comparação com o mês anterior, refletindo os efeitos do isolamento social para controle da pandemia de Covid-19. Foi o pior resultado desde o início da série histórica, em janeiro de 2000, e a segunda queda consecutiva, acumulando uma perda de 29,5% no período de janeiro a abril. Foi a primeira vez que a pesquisa trouxe os resultados de um mês inteiro em que o estado está no quadro de isolamento social, já que ele começou a ser adotado na segunda quinzena de março. A taxa média nacional de vendas do comércio varejista caiu em todas as 27 unidades da federação, com destaque para Amapá (-33,7%), Rondônia (-21,8%) e Ceará (-20,2%). 

Em comparação com mesmo mês do ano passado, a queda das vendas do comércio varejista nacional também foi registrada nas 27 unidades da federação, sendo que o Acre apareceu com a quarta maior queda (-25,9%), superado somente pelas quedas que aconteceram no Amapá (-42,8%), Rondônia (-40,8%) e Ceará (-33,8%). 

Já o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui também as atividades de veículos, motos, partes e peças e material de construção, a queda no Brasil foi 17,5% e no Acre 10,8%, em abril. No caso Acre, ele já vinha numa queda intensa desde o mês passado (-21,4%). O volume de vendas acumulou uma perda de 30,3% no período de janeiro a abril. O comércio varejista ampliado apresentou variação negativa também nas 27 Unidades da Federação, com destaque para Amapá (-31,6%), Espírito Santo (-23,4%) e São Paulo (-23,3%). Em comparação com abril de 2019, também, todas as 27 Unidades da Federação mostraram resultados negativos, com destaque para Amapá (-41,4%), Ceará (-37,2%) e Rondônia (-35,9%). O Acre apareceu com a nona maior queda (-29,7%).

Para o gerente da PMC do IBGE, Cristiano Santos, “Em março, podemos imaginar o cenário em que algumas atividades essenciais (Supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos) absorveram um pouco das vendas das outras atividades que tinham caído muito, mas em abril isso não foi possível. Tivemos também uma redução da massa salarial que, entre o trimestre encerrado em março para o encerrado em abril, caiu 3,3%, algo em torno de 7 bilhões de reais. Isso também refletiu nessas atividades consideradas essenciais”.

O setor de serviços no Acre, recuou 18,6% em abril, na comparação com março, ainda sob forte influência das medidas de distanciamento social para conter o contágio da Covid-19. Esse é o segundo recuo consecutivo e o mais intenso da série histórica, iniciada em janeiro de 2011. O setor já acumula uma perda de 26,5% no ano. Em março e abril, os indicadores mostraram os efeitos da pandemia o que traz o volume de serviços para um patamar 41,3% mais abaixo do ponto mais alto da série, em fevereiro de 2014.

Conforme o IBGE, a nível nacional, todas as cinco atividades investigadas tiveram quedas recordes, com destaque para transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-17,8%) e serviços prestados às famílias (-44,1%). Nas outras atividades, as retrações foram de 8,6% em serviços profissionais, administrativos e complementares, 3,6% em informação e comunicação e 7,4% em outros serviços. Outro dado importante é a magnitude da perda de receita em hotéis e restaurantes no mês de abril. O setor de transporte já havia caído em março e teve sua queda intensificada em abril.

Regionalmente, 26 das 27 unidades da federação tiveram recuos entre marco e abril. O Acre apresentou a sexta maior queda (-18,6%). Destaque para as perdas de Alagoas (-26,5%), Ceará (-21,8%) e Bahia (-21,0%) que sofreram pressão negativa, principalmente, dos segmentos de alojamento e alimentação. Na comparação com abril de 2019, o recuo foi do Acre foi de 19,2%, também o mais intenso da série histórica. 

Portanto, os dados dos serviços demonstram que o setor mergulhou em uma crise profunda diante das medidas de isolamento social impostas pela covid-19, já que a quarentena exigiu o fechamento da maior parte de serviços como bares, restaurantes e salões de beleza e ainda reduziu a demanda dos serviços que continuaram funcionando, como os transportes. Um dos principais subsetores dos serviços brasileiros, o turismo também foi fortemente impactado pela pandemia do novo coronavírus. E esse baque foi ainda maior que o do setor como um todo. Segundo o IBGE, o índice de atividades turísticas desabou 54,5% em abril, frente a março. Foi a maior queda da série histórica, iniciada em janeiro de 2011. 

Os números indicam que nós já estamos vivento uma depressão econômica. Se vamos permanecer e por quanto tempo permaneceremos, ainda não dá para saber. Isso porque a pandemia não está resolvida.

O problema é que alguns empregos não retornam após a pandemia. Defendo que será necessária uma medida alternativa dos governos. Vejo a necessidade de serem criados programas que busquem gerar empregos em todo o estado no segundo semestre do ano, em projetos de investimento público, principalmente a construção civil. Certamente medidas como estas, não serão suficientes para reduzir o impacto no mercado de trabalho, já que os investimentos gerarão empregos temporários, que não exigem mão de obra qualificada e que não seriam capazes de substituir os empregos perdidos, mas os projetos de investimento público rapidamente geram empregos. Portanto, no momento, o mais importante é que as pessoas tenham um salário com o qual possam sobreviver e alimentar suas famílias.

Por outro lado, não devemos esquecer o emprego privado (o maior empregador). Defendo que ele deva ser dotado de incentivos para a contratação, principalmente de jovens. Nesse sentido, o foco do Estado deve ser conhecer a realidade das empresas para estimular a criação de empregos através da simplificação de alguns procedimentos, principalmente considerando que as empresas que ainda estão de pé, assumem custos para adaptar seus negócios à nova normalidade. Embora não seja a hora da reforma trabalhista, em um cenário excepcional, medidas mais radicais devem ser tomadas, como o objetivo de gerar acordos com os empresários a fim de impulsionar o campo trabalhista durante essa crise econômica e de saúde.


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas.  

 

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