Segundo o Sisdepen-Sistema Nacional de Informações Penais, 3.500 dos nossos presos contam mais de 70 anos.
E com mais de 80 anos existe dezenas de aprisionados. Apenas nas cadeias do Estado de São Paulo 101 presos com mais de 80 anos continuam trancafiados. Que a idade de um criminoso justifica que sua condenação seja flexibilizada até entende-se, conquanto este tratamento fosse dispensado a todos os apenados exceto, é claro, aos chefões das nossas organizações criminosas. Um criminoso do naipe de um Fernandinho Beira Mar e vários outros, não basta completar 70 anos de idade para que sua liberdade seja concedida. A ou as naturezas dos crimes que tenham praticados precisam ser levadas em consideração.
Reporto-me a esta questão em razão das alegações que são levantadas em favor da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, isto pelo fato dele haver completado 70 anos de idade.
Outra alegação igualmente questionável. O estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro é bastante frágil e inspira todos os cuidados. Neste particular registre-se: todos os dias, invariavelmente, no nosso país, dois aprisionados morrem de causas naturais e, não raramente, de doenças curáveis, e muitas delas decorrentes das condições desumanas das nossas penitenciárias, ou seja, das nossas verdadeiras masmorras.
As alegações acima não têm o propósito de defender que o ex-presidente Jair Bolsonaro, como e diz na gíria, venha mofar e morrer na cadeia. Não, até porque, tendo presidido a nossa República, tratá-lo com distinção não é privilégio e sim um imperativo de ordem política.
Lamentavelmente a nossa radicalização política tem como um dos polos o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, o que muito tem dificultado a flexibilização da sua pena. Mas para que a sua prisão domiciliar seja concedida, jamais a mesma deveria ter sido atropelada por outra reivindicação, a da anistia ampla, geral e irrestrita.
Na prisão em que se encontra instalado, milhões e milhões de brasileiros, vítimas da nossa exclusão social, sequer dispõem das acomodações que lhes estão sendo disponibilizadas. Em relação ao seu estado de saúde, a grande maioria dos brasileiros não dispõe do atendimento médico que a própria papudinha pode oferecer, enquanto isto, a morte do Clezão continua sendo exaustivamente explorada.
A cada dia, mais de dois dos nossos aprisionados morrem de doenças naturais e por falta de assistência médica. Porém, se isto viesse acontecer com o mito do bolsonarismo, a sua morte se tornaria na plataforma da campanha eleitoral do seu filho Flávio Bolsonaro, a exemplo do que aconteceu com a facada do Adélio Bispo nas eleições de2018, cujo crime, nos quatro anos que esteve no poder seu governo não elucidou.








