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No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, Educação destaca trabalho de inclusão

Foto: Mardilson Gomes/SEE
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Neste 2 de abril, é comemorado o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, e no Acre, a Secretaria de Educação, Cultura e Esportes (SEE), por meio do Departamento de Educação Especial, trabalha na inclusão e socialização dos alunos.


A data tem como objetivo levar conhecimento à população sobre o transtorno e promover a inclusão de todos na sociedade. De acordo com a chefe do departamento, professora Hadhianne Peres, a participação das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) em atividades escolares aumenta as possibilidades de desenvolvimento.

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“A participação dessas pessoas contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva, que valoriza e respeita as diferenças, além de assegurar a cada indivíduo com autismo a oportunidade de usufruir dos mesmos direitos”, assegura a professora.


A participação escolar de alunos com o transtorno do espectro autista é fundamental na educação. Somente na Escola Humberto Soares da Costa, localizada no bairro José Augusto, são 71 estudantes matriculados. Eles complementam o ensino no Atendimento Educacional Especializado (AEE), coordenado pela professora Rosângela Melo.


Foto: Mardilson Gomes/SEE

Ela explica que eles estudam em sala e frequentam o AEE uma vez por semana. No espaço é trabalhada a questão da memória, da manutenção do foco, a interação social, além de cálculos matemáticos. “Utilizamos jogos e trabalhamos a leitura e a escrita”.


A coordenadora do AEE destaca, ainda, que a escola é inclusiva e que são trabalhadas as especificidades de cada indivíduo. “Alguns têm necessidade de fazer terapias. Eles são liberados e depois retornam às atividades escolares”, explica.


Sobre a data, a professora Rosângela destaca ser fundamental porque ajuda no entendimento sobre o espectro, ajudando tanto os pais como a própria sociedade a identificar as pessoas com o transtorno.


“Aos primeiros sinais é preciso fazer o diagnóstico para que se possa estabelecer as terapias, os modelos de tratamento e também para que possamos fazer a inclusão. E é fundamental a participação de todos na vida escolar, já que muitas vezes os primeiros sintomas são vistos pelos professores”, afirma.


Aprende do mesmo jeito


Entre os alunos com TEA na escola Humberto Soares está o aluno Miguel Barbosa da Silva, que está no segundo ano. Ele descobriu o autismo quando teve epilepsia e destaca que socializa muito bem com os colegas. “A gente aprende do mesmo jeito”, diz.


Talento para o desenho

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Outra aluna que apresenta o transtorno do espectro autista é Laís Lima Galvão, que está no terceiro ano do ensino médio. Seu talento para o desenho está sendo investigado pelo Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S Acre).


Seu talento foi descoberto por volta dos 8 anos de idade. Tem uma letra impecável e se vê como perfeccionista. Ela destaca que foi muito bem aceita na escola, mas recorda que sofreu bullying em outras instituições, quando fazia o ensino fundamental.


A professora Rosângela Melo lembra que Laís teve que ir três vezes à escola até efetivar a matrícula. “Ela é muito emotiva, tem hiperfoco e uma sensibilidade muito alta, mas aqui os professores ajudam muito”, destaca Rosângela.


Já o aluno Pedro Henrique dos Santos Mesquita, do terceiro ano do ensino médio, diz que a única escola onde não sofreu bullying foi a Humberto Soares. Quanto ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) afirma não ter muita certeza, mas pensa em fazer Psicologia.


“Sofri bullying por causa da língua, não por causa do autismo, porque eu falava muito errado, mas fiz fonoterapia, e hoje apresento até trabalhos aqui na escola. Perdi o medo de falar”, explica.


Esportes


O aluno Eduardo Quiroga, do primeiro ano do ensino médio, conta que gosta de estudar e que a escola é inclusiva e muito boa. A professora Rosângela explica que ele é bastante receptivo. “Ele conversa bem com a turma e gosta muito de assistir esportes em geral”, destaca.


Em investigação


Um caso de investigação do transtorno do espectro autista que está acontecendo na Humberto Soares é da aluna Withyney Santos, do segundo ano. A investigação está sendo realizada porque os professores identificaram sinais que apontam para o autismo.


Ela, que pretende ser advogada, se considera muito comunicativa. A aluna, inclusive, trabalha como Jovem Protagonista Acolhedora (JPA), cuja função é auxiliar a gestão e, principalmente, acolher os novos alunos.


Autodidata


Além da aluna Laís Galvão, outro aluno com transtorno do espectro autista que tem se revelado um verdadeiro talento é Daniel Facini, do terceiro ano. Muito focado no que deseja, diz que vai fazer o Enem e que pretende trabalhar com Tecnologia da Informação (TI). “Gosto muito de computadores e de jogos online”, disse.


A professora Rosângela, que acompanha o aluno, diz que além de muito focado, ele também é autodidata. Lembra que durante a pandemia levava as atividades para casa, estudava e aprendia tudo praticamente sozinho. “A gente dava o material e ele fazia a prova”, explica a professora.


A professora Antônia Leite, que é mediadora do aluno, destaca que ele é muito inteligente e que tem muita facilidade em matemática. “A dificuldade maior dele é com interpretação de texto, com textos longos, mas ele interage muito bem com os professores e sempre pergunta bastante”, afirma.


Centro de Referência


Para auxiliar o trabalho que as escolas desenvolvem com os alunos que apresentam alguma deficiência e alunos com transtorno do espectro autista, a SEE está em processo de implementação do Centro de Referência em Educação Especial (Ceespe), que está sendo implementado em parceria com a Secretaria de Saúde (Sesacre).


Foto: Mardilson Gomes/SEE

A chefe do Departamento de Educação Especial da SEE explica que o centro de referência será formado por uma equipe multiprofissional composta por psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, neuropsicopedagogos e assistentes sociais.


“Essa equipe vai trabalhar com vistas a escrever o projeto de vida dos alunos com autismo e com deficiência, e esse trabalho vai fortalecer o atendimento que é realizado dentro da escola e traçar as melhores estratégias de intervenção para esses alunos”, explicou Hadhianne.


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