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Em 12 meses, 49 mil pessoas saíram da força de trabalho no Acre 

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou no último dia 15/8, os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, que aponta os principais indicadores da força de trabalho para todos os estados da federação. A proposta de hoje é destacar alguns achados da pesquisa em relação à força de trabalho acreana. Como base, vamos comparar as estimativas dos meses de abril, maio e junho dos anos de 2022 e 2023, avaliando os dados do mercado de trabalho dos últimos 12 meses.


Em um ano, 49 mil pessoas deixaram a força de trabalho. 


Essas 49 mil pessoas, que em um ano deixaram a força de trabalho, não deixa de ser um problema. E os dados mostram que a saída do mercado acontece em todo o país. Conforme a reportagem da jornalista Marsílea Gamboa do Jornal Econômico do dia  12/06/2023 (https://valor.globo.com/brasil/noticia/2023/06/12/3-em-cada-10-que-sairam-da-forca-de-trabalho-em-2022-receberam-auxilio-brasil.ghtml), o Auxílio Brasil pode ter sido responsável por cerca de um terço dos trabalhadores que deixaram a força de trabalho no ano passado. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua Anual 2022 compilados pela LCA Consultores, 31,8% do total que deixou a força de trabalho era beneficiário do Auxílio Brasil, enquanto 41% recebiam pensão, aposentadoria ou BPC/Loas, e outros 27% que saíram não recebiam outro tipo de rendimento. Para a autora, o Auxílio Brasil lançado às vésperas da eleição pode ter tido efeito adverso no emprego. No gráfico abaixo demostramos a queda na força de trabalho acreana:



Em um ano desemprego caiu de 45 mil pessoas para 31 mil (taxa de 9,3%)


Essa retirada de 49 mil pessoas da força de trabalho influenciou fortemente a queda da taxa de desemprego que é medida pela divisão dos desempregados pelo total da força de trabalho. Como a queda da foi acentuada fez com que a taxa caísse de 11,9% para 9,3%, conforme a tabela abaixo:



Em um ano todos os setores da economia tiveram queda nas ocupações


Influenciados pela queda da força de trabalho, todos os setores da economia, em 12 meses, tiveram queda na mão de obra ocupada. Conforme pode ser verificado no gráfico abaixo, os setores que mais perderam ocupações foram: construção (20%), indústria (16,7%) e agropecuária (10,5%). O setor comercial foi o que menos perdeu (4,8%).



Informalidade caiu 3,7 pontos percentuais e atinge 134 mil dos ocupados


A taxa de informalidade para o Brasil foi de 39,2% da população ocupada. As maiores taxas ficaram com Pará (58,7%), Maranhão (57,0%) e Amazonas (56,8%) e as menores, com Santa Catarina (26,6%), Distrito Federal (31,2%) e São Paulo (31,6%). O Acre apresentou a 14ª maior taxa do país com 44,7%. Na tabela a seguir, contam os ocupados do setor informal, conforme o cálculo da proxy de taxa de informalidade da população ocupada usada pelo IBGE. A variação é também, é fortemente influenciada pela saída das 49 mil pessoas da força de trabalho.



Conforme o Jornal o Globo do dia 14/05/2023 (https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/05/em-um-ano-1-milhao-de-jovens-deixa-forca-de-trabalho-a-boa-noticia-e-que-55percent-deles-retomaram-os-estudos.ghtml), no Brasil, no ano passado, eram 17,6 milhões. Ante 2019, a queda foi ainda maior: 1,3 milhão não está mais disponível para o trabalho. A boa notícia é que 55% deles estão estudando. Os salários mais baixos nessa faixa etária desestimulam, e o aumento das transferências de renda permite que o jovem se dedique aos estudos.


Esse movimento de saída do mercado é um dos fatores que tem permitido que a taxa de desemprego fique abaixo de 10%, com a menor oferta de trabalhadores. No Acre, a taxa de desemprego caiu de 11,9% para 9,3% em um ano. Por outro lado, as ocupações caíram de 333 mil para 299 mil e, mesmo com o aumento do Bolsa Família, a massa de rendimento mensal real caiu de 796 para 709 milhões de reais. Vamos analisar os próximos movimentos dos números.



Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas