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Procuradora Patrícia Rêgo diz que mulheres mortas no Acre geram órfãos em situação preocupante

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O Bar do Vaz entrevistou nesta terça-feira, 31, a procuradora de justiça do Ministério Público, Patrícia Rêgo, que falou abertamente da violência contra a mulher. Segundo a procuradora, somente nos últimos anos mais de 60 mulheres foram vítimas do crime de feminicídio.


Rêgo afirmou que a causa desses crimes ocorre devido à maneira de criação – chamado de machismo estrutural, do preconceito, gênero e classe estrutural. “Precisamos se situar. É o 5° país com a pior taxa de feminicídio, o Acre tem a pior taxa, sendo o primeiro com essa taxa desde 2018. O Acre não é lugar seguro para a mulher viver O feminicídio é o ápice do crime e a causa é o machismo de uma sociedade patriarcal e é sobre isso que precisamos abordar. Isso gera uma desigualdade entre o homem e a mulher. Nós tivemos nos últimos anos 149 homicídios, destes, 61 feminicídios e mais de 85% ocorreu pelo companheiro, marido, namorado”, declarou.


Patrícia relatou ainda que somente no Acre, centenas de crianças e adolescentes ficaram órfãs devido ao crime. “Tivemos 102 crianças e adolescentes que ficaram órfãos, o pai vai preso, e a pena é de 12 a 30 anos. Ele é o cidadão de bem que vai pra igreja, trabalhador. O feminicídio ocorre em todas as classes sociais, mais de 70% das mulheres estão em situação de vulnerabilidade”, mencionou.


A representante do MP também criticou os discursos proferidos pelo ex-presidente da República, Jair Bolsonaro durante sua gestão. “Declarações misóginas que encorajam o ódio. Nunca imaginei que pudesse assistir uma cena daquela. Felizmente, as instituições reagiram e vamos seguir”, opinou.


A procuradora citou no decorrer do entrevista a diferença do crime de assédio e estupro. “Não é não, ela pode se exibir, usar roupa que quiser, mas, ela estipula limites”, disse.


Rêgo pontuou também que a situação de inferioridade da mulher na política acreana – na bancada estadual e federal. “Se olhar pra política, temos mais da metade das pessoas da classe política sendo composta por homens, temos uma minoria que salta aos olhos. Quando uma mulher abre uma porta, ele abre para outras passar
Temos minoria também no judiciário como o STF e STJ. Algumas mulheres ganham menos que os homens, no serviço público temos menos, mais no privado, é mais. No poder judiciário, de 30 promotoras, temos 3”, reclamou.


Ao citar uma pesquisa do Datafolha, a Rêgo contou que na pandemia, as mulheres tiveram que abrir mão de suas carreiras para cuidar dos filhos e idosos. “A cultura da desigualdade é muito grande, a mulher só passou a ter liberdade plena apenas em 2022. Ela precisava de autorização para quase tudo”, argumentou.


Ao fim, em um bate papo descontraído com o jornalista Roberto Vaz, Patrícia pediu empenho do governo na distribuição de recursos públicos. “Precisamos melhorar as políticas públicas de prevenção. Enquanto não houver mudanças, a situação não melhora. O governo precisa melhorar isso”, analisou.


Assista a entrevista na integra:


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