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Área agrícola do estado caiu 23 km² e a vegetação florestal diminuiu 8.857 km² entre 2010 a 2020

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O IBGE publicou um estudo no final de 2022, no âmbito das Contas Econômicas Ambientais da Terra – Brasil 2000/2020. O estudo apresenta o monitoramento da Cobertura e uso da terra em todos os estados do Brasil. A pesquisa quantifica a cobertura e uso da terra a cada dois anos, permitindo a comparação entre os anos analisados e a geração da contabilidade de todas as mudanças nas formas de ocupação do país. No artigo de hoje vamos analisar o resultado da pesquisa para o Acre para o período 2010-2020.


De início, observamos no gráfico a seguir, como estava em 2020 a cobertura do uso da terra do Acre, medidos em quilômetros quadrados. Do total de seus 164.042 Km2, 94,4% do uso da terra no Acre era composto por 142.017 Km2 (86,57%) de florestas, 12.795 Km2 (7,80%) de pastagem com manejo e 9.014 (5,49%) de mosaicos de ocupações em áreas florestais (áreas caracterizadas por ocupações mistas de área agrícola, pastagem e/ou silvicultura associada ou não a remanescentes florestais, na qual não é possível uma individualização de seus componentes). Portanto, somente 13,4% da cobertura e uso da terra do Acre, em 2020, eram compostos por outras classes que não a vegetação florestal.



Em termos de evolução, no gráfico a seguir, destaca-se que, as área de vegetação florestal decresceram -5,87% no período 2010-2020, sendo que no período 2018/2020 a perda foi de -0,65%. O crescimento das áreas de Pastagem com manejo foi de 73,42% (2010/2020) e 2,36% (2018/2020). Já as áreas que podem ser caracterizadas por ocupações mistas de área agrícola, pastagem e/ou silvicultura, os chamados mosaico de ocupações em área florestal, cresceram 60,53% (2010/2020) e (7,34%) (2018/2020).


Embora tenha crescido 162,5% de 2018 para 2020, a área agrícola decresceu -52,27% no período 2028/2020. O aumento recente da área agrícola já poder ser um reflexo da expansão da plantação de soja e de milho no estado.



Para o Brasil como um todo, o IBGE observa que, entre 2018 e 2020, o processo de perda da cobertura natural ocasionou a redução efetiva de 0,4% e de 0,6%, respectivamente, da área de vegetação florestal e de vegetação campestre. As maiores reduções efetivas absolutas da área de vegetação florestal (Gráfico 5) ocorreram no Pará (4 717 km²), Mato Grosso (2 478 km²), Rondônia (2 112 km²), Amazonas (1 652 km²) e Acre (910 km²) (grifo nosso). Prossegue na análise alertando que a dinâmica das áreas florestais nessas Unidades da Federação é marcada pelas conversões para mosaicos de ocupações em área florestal e para pastagem com manejo. A transição de Vegetação florestal para mosaicos é frequente em áreas de ocupação recente, como na expansão das chamadas “espinhas de peixe”, rodovias e estradas vicinais que atraem processos de ocupação na região amazônica.


Quando o IBGE faz o panorama da distribuição das conversões de cobertura e uso da terra no Brasi, no período de 2018 a 2020, indica uma intensidade diferenciada dessas alterações na porção nordeste do Pará (divisa com Maranhão); nas divisas dos Estados de Rondônia, Acre e Amazonas (grifo nosso); centro-norte do Estado de Mato Grosso; sobre a savana do Estado de Roraima; nas áreas do MATOPIBA; no sul do Rio Grande do sul; e no trecho do Rio Paraná que engloba o Oeste Paulista, o Leste do Estado de Mato Grosso do Sul, entrando em Goiás e no Triângulo Mineiro.


Vamos aguardar os próximos números do IBGE. Porém, pelas publicações dos institutos que medem os níveis de desmatamento na Amazônia, amplamente divulgadas pela mídia, tudo indica que tivemos uma redução considerável das florestas acreanas no últimos dois anos.


*Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas