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O PIB do Acre cresceu 76,5% de 2002 para 2010 e somente 12,9% de 2010 para 2020

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O PIB – Produto Interno Bruto é o valor total da produção de bens e serviços finais obtidos por determinado ente (País, Estado ou Município). No dia 23/12/2022, o IBGE divulgou, através do Sistema de Contas Regionais, o PIB de 2020, para os estados e os municípios brasileiros. Como 2020 foi o ano em que a pandemia de COVID-19 impactou toda a economia, é importante analisarmos os números do Acre. A série histórica disponível pelo IBGE inicia-se em 2002, portanto temos 19 anos de comportamento dessa variável. Vamos dividir a nossa análise de hoje em dois períodos: um primeiro que vai de 2002 a 2010 e o segundo que vai de 2010 a 2020. Observamos que os valores foram transformados de valores correntes para valores reais, tendo como base dezembro de 2020, utilizando, como dados de correção, o IPCA do IBGE. 

1. De 2002 a 2010 o PIB do Acre cresceu 76,5% e de 2010 a 2020 o crescimento foi de somente 12,9%.

No gráfico a seguir destaco os valores nominais e reais (corrigidos) do PIB acreano para os anos que vão servir de base para o estudo. O Acre alcançou, portanto, um PIB de RS 16,5 bilhões. Em 2002 o Valor era de R$ 8,3 bilhões e em 2010 de R$ 14,6 bilhões.

Conforme demonstrado no gráfico acima, no período 2002/2010 (4 anos de Jorge Viana e 4 anos de Binho Marques) um crescimento acumulado de 76,5%, uma média/ano de 9,6%. Já no período 2010/2020 (8 anos de Tião Viana e 2 anos de Gladson Cameli) um crescimento de somente 12,9%, uma média/ano de 1,3%.

2. Em 2020, 50% dos municípios concentram mais de 89% do PIB do Acre. Rio Branco concentra mais de 58%.

No gráfico a seguir temos a configuração do PIB dos municípios acreanos em 2020, onde fica claramente demonstrado o alto nível de concentração da riqueza estadual na capital e em cidades pólos das Regionais como Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Tarauacá e Brasiléia.

3. Treze municípios cresceram mais do que o estado no período 2002-2010. Destaque para os municípios menores.

Quando se analisa a performance dos municípios no período de 2002/2010, observa-se que treze municípios, principalmente os menores, obtiveram um crescimento acima do crescimento estadual (76,5%). Na lista dos treze, o primeiro foi Rodrigues Alves (192,1%) e o décimo-terceiro foi Jordão (78,3%).

Nove municípios, principalmente os grandes obtiveram crescimento abaixo daquele verificado para o estado. O primeiro dos nove é Manoel Urbano (76,1%) finalizado com Sena Madureira que cresceu somente 32,7%. 

4. Dezesseis municípios cresceram mais que a média do crescimento do Acre (12,9%) de 2010 para 2020

No gráfico a seguir temos estampado o crescimento do PIB dos municípios acreanos para o período 2010/2020. Dezesseis municípios obtiveram um crescimento maior do que aquele obtido pelo estado (12,9%). Encabeça a lista Epitaciolândia (70,5%) e finaliza com Plácido de Castro (15%).

Dentre os seis que obtiveram crescimento abaixo do crescimento estadual figuram Cruzeiro do Sul (12,3%), Feijó (11,9%), Senador Guiomard (10,6%), Rio Branco (6,7%) e finalmente, dois municípios que apresentaram crescimento negativos: Rodrigues Alves (-6,8%) e Capixaba (-23,5%).

Dois comentários sobre os números apresentados. O primeiro sobre a alta diferença de crescimento entre os dois períodos analisados. No primeiro, 2002/2010, com o PIB com crescimento médio anual de 9,6% ao ano. No segundo, 2010/2020, uma queda vertiginosa no crescimento do PIB, onde a taxa média anual caiu para 1,3% ao ano. Várias são as explicações para estes resultados: a conjuntura macroeconômica nacional e internacional, crises econômicas, pandemia da Covid-19, dentre outros. Mas existe uma correlação forte com os gastos com investimentos realizados, principalmente pelo Governo Estadual.

A segunda observação diz respeito a performance dos Municípios. Os menores cresceram mais que os maiores, resultado bom e já esperado. Significa que está em curso uma distribuição mais equitativa estadual que ainda apresenta um nível muito alto. Lamentar a situação do Município de Capixaba que teve seu PIB reduzido em mais de 23% em dez anos. Uma atenção especial merece ser dada àquele município. 

O PIB não diz tudo, mas é um indicador valioso para definição dos investimentos públicos.


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas.

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