Entre as dezenas de empreendimentos criados durante a pandemia de Covid-19 no estado do Acre, está a Chapelaria Sol e Lua, que em pouco mais de dois anos conseguiu atingir clientes de diversos estados brasileiros – incluindo celebridades – e até no exterior. O sucesso da marca pode ser atribuído ao instinto da empresária Lindomar Neves, à criação da estilista carioca Bia Rodrigues e ao apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AC).

 

A empresa vem contribuindo para que o acreano esteja cada vez mais habituado ao uso do chapéu como acessório diário e não apenas de uso esporádico ou obrigatoriamente sob o sol. Tudo começou quando Lindomar Neves abriu uma loja de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) durante a pandemia. Pouco depois, percebeu que um negócio de venda de chapéus poderia dar certo, dada a falta de espaço no mercado local.

Lindomar ficou extremamente curiosa sobre o assunto porque chapéu também é um produto que gosta e usa bastante há muito tempo. Fazendo uma breve pesquisa, viu que tinha a possibilidade desse mercado dar certo. Ela já tinha um quiosque da outra loja no shopping da cidade e começou a ter a resposta do público sobre os chapéus quando decidiu investir ao trazer uma pequena coleção para comercializar.

 

Desde então a chapelaria foi galgando degraus dentro do mercado e obtendo crescimento meteórico sendo uma empresa genuinamente acreana, nascida em Rio Branco. A criadora da marca não pensou em chapéus que sirvam apenas para determinadas ocasiões. “O objetivo é que as pessoas usem os chapéus em todos os momentos da vida, sob o sol e à noite. A Sol e Lua nasceu para atender todos os nichos e estilos, dentro ou fora do mercado de moda”, afirma Bia, a estilista.

 

Bia trabalha na ponte Rio-São Paulo e agora Acre. Atua no ramo há 15 anos, tendo especialidade e mestrado em moda. “Atendo outras empresas através do Sebrae/RJ. Faço parte de um projeto de mentoria para micro e pequenas empresas do ramo de moda. Estou há dois anos com a chapelaria fazendo a Gestão de Moda e Produto Estratégico, além do Planejamento Estratégico”.

 

O público-alvo não tem uma faixa etária específica para a chapelaria. O intuito é atender pessoas que se identificam com o estilo e com a maneira de usar chapéu. A empresa garante que o uso do chapéu vem crescendo nos últimos anos. “Nossa clientela é aquela pessoa que tem o hábito de usar o chapéu no dia a dia. É para quem gosta do chapéu e da marca”. Uma característica única do público da Sol e Lua é que eles gostam de exclusividade ou aquilo que realmente é diferenciado. Apesar disso, a marca também comercializa chapéus clássicos e infantis.

 

A Sol e Lua não atende só clientes do estado do Acre, mas de outras regiões do Brasil, concentrado a maior parte das vendas no sudeste, nordeste e centro-oeste. “Temos ainda uma demanda internacional, com vendas para a Espanha e Portugal, mas a marca ainda está engatinhando e trabalhando cada vez mais para solidificar a empresa e abranger mais o mercado internacional”, declara a estilista.

Quando Lindomar pensou em investir no ramo de chapéus, também imaginou que seria bom trabalhar com algo relacionado ao seu próprio estilo, que se identificasse. Era uma lacuna que ela mesma, como cliente, sentia no mercado local. A empresária já tinha um pé ligado à moda, pois sua filha já teve uma loja de multimarcas, mas nunca havia trabalhado com isso de forma direta.

 

Processos e produção

 

A chapelaria Sol e Lua ainda não possui uma fábrica própria, mas atua com parceiros de negócios, que são seus fornecedores de insumos base do chapéu, desde a junta, que é fabricada em Manaus (AM), até a pessoa que vai dar a forma do produto final. “Ele [chapéu] vem ‘in natura’ para que a gente possa trabalhar em cima dele. Temos projetos a longo prazo de, quem sabe, montar uma fábrica própria, mas isso tudo demanda tempo, estratégia. Enquanto isso, temos fornecedores de altíssima qualidade”.

 

Além de proprietária, Lindomar também é praticamente garota propaganda da marca e faz parte do planejamento estratégico da Sol e Lua, que também é considerada uma empresa familiar. De funcionários diretos, são 4, mas os indiretos são muitos. Quem deseja encomendar uma peça, pode verificar o site, que tem o link do ecommerce da marca disponível na página do Instagram.

 

Clientes famosos

 

Muitas pessoas do mundo das celebridades usam os chapéus da Sol e Lua, tanto que a marca ficou conhecida como a ‘chapelaria das estrelas’. Por serem produtos diferenciados, feitos à mão, conseguiu fazer muitas colaborações com outras marcas, designers de moda e artistas plásticos. Bia conta que muitos famosos se interessaram pelos chapéus e tudo aconteceu de forma natural e orgânica. “Alguns dos primeiros clientes foram pessoas famosas. Artistas da televisão, teatro e principalmente da música. Algumas pessoas entraram em contato e temos projetos engatilhados para sair. Já estamos fechando parcerias”.

 

O sucesso foi tanto que a Sol e Lua chegou a participar de um desfile na São Paulo Fashion Week e da Semana de Moda em Paris. “Uma empresa de vestuário que iria desfilar precisava fazer uma colab com uma empresa de chapéus e deu certo. Ocorreu em junho de 2022”, lembrou a estilista da marca.

 

Após isso, o Sebrae tomou conhecimento e convidou a chapelaria para um desfile na Expoacre 2022. “O Sebrae está com a marca desde o início e é um parceiro maravilhoso. Ele faz todo nosso planejamento estratégico, financeiro e às vezes até psicológico, porque empreender não é fácil”.

 

Muitas empresas de São Paulo procuraram a Sol e Lua após a Fashion Week, mas o primeiro desfile in natura da empresa foi de fato em solo acreano. “Mostramos a diversidade de chapéus e colocamos marcas de vestuário em projeção no Acre. A participação foi muito boa para reconhecimento dentro do mercado local”.

 

No início, muitos duvidaram da capacidade da marca, mas a mesma mostrou que é possível a realização de um sonho. “O objetivo é sair do Acre para o mundo. Esperamos que na próxima Expoacre nosso desfile seja até maior, com projeção nacional”.

 

Apesar de ter nascido no Acre, a marca ainda não chegou onde gostaria. “O próprio brasileiro não tem muito isso, de usar chapéu, então temos feito um trabalho de informação. O chapéu não precisa ser usado só na praia. Ele é para o dia a dia, da mesma forma como se usa acessórios no geral. No Acre, as pessoas ainda estão se habituando à história de usar chapéu, mas a aceitação está vindo aos poucos, é todo um processo”.

 

A Sol e Lua tem se solidificado. A expectativa é aumentar cada vez mais a atuação em todas as regiões. “Queremos dominar o mundo, chegar onde as pessoas quiserem chapéus. Mas ter uma base muito sólida de processo produtivo, de qualidade”.

 

O show room da fábrica fica em Rio Branco e pode ser visitado por clientes, basta que o mesmo solicite o endereço no número que consta nas redes sociais da empresa. “Nosso show room tem todas as linhas de produtos que a gente já fez. Fazemos uma análise do cliente para saber qual estilo ele gosta, pra que o chapéu realmente seja o dele, único. Inclusive fazemos customização de chapéus com assinatura da Sol e Lua por design de produto”, conclui a estilista.

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