Forte, imponente e corajosa. Poderia estar elencando as qualidades da AgroBoi, que em mais de 40 anos de história se tornou uma das maiores referências no ramo da construção em todo o Brasil. Porém, esses adjetivos já têm uma “dona”, a Dona França, que deu vida longa à empresa fundada em janeiro de 1980 na capital do Acre pelo falecido marido, Rodolfo Amaral Gurgel. O estado ganhou uma verdadeira imperatriz que desmistificou um segmento formado em grande parte pelo público masculino.

Apontada por muitos como apenas uma madame, França Barreiros Amaral Gurgel conseguiu calar a boca de um a um quando encontrou a sua verdadeira função na vida: comandar grandes empresas. Antes de chegar a ser o que é atualmente, Dona França pode dizer que passou por poucas e boas, como diz a expressão popular.

Entre tantos, um episódio que lhe aconteceu três meses após perder o esposo foi determinante para seu sucesso como empresária. Ela chorou copiosamente e ininterruptamente por duas horas seguidas depois de se ver sozinha com os filhos, sem o marido, sem gerente de loja e com um empreendimento a ser tocado.  “Mas depois disso eu me fortaleci. Me conscientizei que iria trabalhar e dar continuidade ao ofício que meu marido iniciou. Nós tínhamos uma lojinha pequena e a partir daí só fomos crescendo”, relata, afirmando que aos poucos foi adquirindo conhecimento e dando início à sua gestão.

O sotaque ainda presente é de quem nasceu no interior de São Paulo, em Presidente Prudente. Ela veio para o Acre com o marido e os filhos pequenos em 1979, a convite da mãe e dos irmãos que já estavam por aqui. Faz exatamente 42 anos que a família chegou ao estado com a intenção de abrir um negócio. “A ideia inicial era vir para trabalhar com motosserras, porque na época a região estava sendo aberta. E começamos vendendo esse produto. Depois, passamos a vender sementes e todos os produtos na linha de agropecuários”, explica. Por isso a origem do nome AgroBoi, motivo de dúvidas nos dias atuais, já que a empresa comercializa materiais de construção.

Quando começaram a vender produtos agropecuários, o nome se tornou mais conhecido, tanto que quando decidiram mudar de vez de segmento, optaram por permanecer com o AgroBoi. “Começamos nossa empresa no dia 16 de janeiro de 1980. Em 1987, meu marido, que administrava a empresa na época, resolveu mudar de segmento porque estava havendo uma queda no setor de motosserras e resolveu migrar para material de construção”, esclarece Dona França, ressaltando que essa transição foi lenta. E foi justamente nesse momento que ela começou a florescer o espírito empreendedor.

“Nessa mesma época, em 1987, meu marido ficou doente. Ele teve um câncer. Nós fomos para São Paulo, ficamos lá seis meses, mas no ano seguinte, em 88, ele faleceu, aos 43 anos. Eu tinha 38. Quando eu retornei para o Acre, tive de assumir a empresa”, conta, destacando que esta foi uma das fases mais difíceis que encarou ao longo da vida. França não imaginava que teria de gerir a empresa da família. Ela era professora, lecionava Geografia e Estudos Sociais em São Paulo, e não fazia ideia do que era administrar um negócio.

“Quando vim para cá parei de dar aula e passei a entrar num ramo totalmente desconhecido. Eu não entendia absolutamente nada do segmento. O varejo, o comércio são realmente difíceis para quem não conhece. Naquela época, a AgroBoi só tinha uma loja, que era a localizada no Segundo Distrito, e ainda assim foi muito difícil”, salienta. A empresa começou com uma portinha e cerca de 4 m², ao lado de um açougue e de uma farmácia. “À medida que os vizinhos iam desocupando os pontos ao lado, a gente ia pegando mais espaço. Fomos crescendo até que ficamos com todo o prédio”.

Reviravolta – Mesmo com o sofrimento pela perda do marido, Dona França não pôde viver o luto. Precisou resolver os problemas da empresa mesmo sem nenhuma afinidade com o novo trabalho. Mas o pior ainda estava por vir. “Na época, tínhamos um gerente que era muito bom. Era ele quem sabia de tudo da loja, que tinha contato com fornecedores. Mas dois meses depois que eu assumi, ele pediu demissão. Foi aí que eu entrei em pânico, pois ele que conhecia tudo. Ele ia sair e eu iria ficar literalmente sozinha na coordenação”, relembra.

Entretanto, hoje, quando olha para trás, ela até agradece a saída do então único gerente. “Se ele não tivesse saído, talvez eu tivesse ficado na sombra dele. Ele saiu e eu tive que aprender tudo sozinha. Agora agradeço o fato de ele ter saído e eu ter permanecido sozinha na gestão”, afirma. Mãe de três filhos pequenos na época, teve de contar com ajuda de colegas, representantes comerciais, fornecedores e com sua própria força de vontade para aprender a lidar com o comércio. “Fui estudando, me dedicando. Eu trabalhava muito nessa época. Entrava de manhã e saía meia-noite da loja para poder aprender e conseguir ter conhecimento do máximo que fosse possível”.

Nunca pensei em voltar para São Paulo. Quando meu marido faleceu, meu irmão perguntou se eu quisesse, voltaria para São Paulo para voltar a dar aula. Crianças tinham 5,7 e 9 anos. Se ela quisesse montar uma butique. O negócio era muito grande para quem não tinha experiência. Mas eu disse que não, que ficaria e daria continuidade no negócio e vou fazer crescer isso aqui.

A partir disso, nunca pensei em voltar para Presidente Prudente. Chegamos em Rio Branco em 1979 de vir, ficar 5 anos, ganhar um dinheiro e voltar pra São Paulo. Hoje essa é a nossa terra. Temos um grande amor à nossa terra. Foi aqui que nós crescemos. Quando chegamos aqui nós não tínhamos nada de bens, a gente construiu nossa vida aqui. Meus filhos se casaram aqui, tenho netos aqui. Então nem me passa pela cabeça ir embora do Acre. Tenho até muitas amigas que já foram embora daqui, mas eu não pretendo ir embora.

Preconceito e machismo – Assim que passou a liderar a própria empresa, começou a enfrentar outro problema, que foi o machismo e preconceito por ser uma mulher à frente de um negócio. “No início, havia naquela época certa discriminação pelo fato de a mulher não ser vista no mundo dos negócios. A mulher não tinha credibilidade”, conta. Dona França sentiu o desprezo de fornecedores, representantes e colegas empresários. “Lembro que as pessoas diziam: ‘ai, meu Deus, agora essa madame vai assumir [a empresa] e não vai virar nada”. Mas ela assegura: “Eu nunca fui madame, mas às vezes as pessoas de fora olham e acham isso”.

Pelo contrário, sempre foi mulher de trabalhar muito. Nasceu numa família muito pobre e passou por dificuldades em diversos momentos da vida. “Desde criança trabalhei muito. E essa discriminação em relação à mulher no mercado de trabalho eu só senti nos meus primeiros meses. A partir do meu primeiro ano de trabalho sozinha, os mesmos que duvidaram de mim viram que eu estava fazendo um trabalho sério, levando minha empresa adiante, e passaram a acreditar em mim”, garante.

As pessoas ao seu redor mudaram totalmente a ideia que tinham de que mulher não servia para o mundo dos negócios. “Ouvi muitas vezes no início que a empresa não iria dar certo porque eu era mulher. Mas aos poucos fui mostrando meu trabalho. A minha persistência, a minha dedicação fez com que eu conseguisse vencer. De lá pra cá são mais de 30 anos que estou na frente desse e de outros negócios”, comemora.

Sobre a AgroBoi – Com sete lojas instaladas no Acre e no estado vizinho, Rondônia, a Agroboi é consolidada como líder de vendas nas capitais Rio Branco e Porto Velho, sendo uma das mais representativas da Região Norte. O ranking nacional que enumera as maiores lojas de material de construção aponta que a AgroBoi é a 42ª loja mais importante do segmento de varejo de construção no país, competindo com empreendimentos de todas as regiões.

Nos primórdios, a loja também já foi a maior revendedora de bicicletas Monark da região, vendendo cerca de 300 bicicletas por dia. Hoje, vende tudo relacionado à construção, desde produtos de hidráulica, ferramentas e ferragens, acessórios para banheiro, tintas, pisos e revestimentos, entre outros.

Há mais de 20 anos, a empresa se destaca no ramo perante as avaliações nacionais. Rondônia já possui três lojas da marca, que chegou a Porto Velho no ano de 2008. “Desde 2009 até hoje somos líder no segmento também em Rondônia”, revela Dona França. “Para nós isso significa muito, pois somos de um estado pequeno, onde a representatividade, a população, a economia são menores. E nesse ranking estamos competindo com São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, com o Brasil todo. Então, essa posição que para nós nos dá muito orgulho e representa muito”, assegura a empresária.

O escritório de França é recheado de troféus recebidos pela empresa desde que começou a se destacar no segmento. A AgroBoi é líder na comercialização de cerâmica e foi a primeira empresa a trazer a máquina Selfie Collor ao estado, no ano de 1992, quando a marca lançou no Brasil a opção de o cliente produzir sua própria cor de tinta. “Isso é um fato. Somos líderes na região. Ano passado não houve entrega de prêmio por conta da pandemia, assim como neste ano também, mas todos os anos somos premiados pela Revista Anamaco, que é a Associação Nacional de Material de Construção”, atesta.

As lojas são conhecidas pela diversidade e diferenciação em seus produtos. Isso se deve ao fato de Dona França sempre viajar em busca de novidades para as empresas. “Desde que comecei, em 1988, sempre tive um relacionamento muito bom com fornecedores. Eu viajava muito, participava de eventos e sempre estive antenada nas lojas dos grandes centros do país. Foi quando a gente começou a ver como era por lá e começamos a trazer para cá essa modernidade”, explica.

Numa dessas viagens a trabalho, conheceu um casal de arquitetos em São Paulo que projetam as grandes empresas do sudeste. “Me tornei amiga deles e os convidei para virem ao Acre quando eu estava construindo essa loja da Avenida Ceará. Eles fizeram todo o layout da loja e com isso estamos sempre conectados com as grandes lojas e indústrias do mercado”, aponta.

Primeiro funcionário – Até hoje, o primeiro colaborador da AgroBoi trabalha junto à empresa. Atualmente, gere o setor de logística. José Gutembergue Fernandes atua há 40 anos na empresa e se emociona fácil ao falar do empreendimento. “Iniciei na loja quando éramos só uma porta com alguns sacos de sementes, hoje estou aqui perante um império”, conta. Seu José, de 59 anos, afirma que sua vida foi toda construída ao lado da AgroBoi.

“Dona França e seu Rodolfo praticamente me criaram. Me considero um filho deles. Entrei quando tinha quase 16 anos. Ajudava minha família e seguia a vida. Não tenho nem palavras para falar porque Dona França sempre me deu exemplo de vida, de caráter, de ser humano. Para nós, isso aqui sempre foi uma família”, detalha.

Ele também é testemunha de todos os momentos vivenciados pelo negócio, tanto os bons quanto os ruins. “Os grandes sacrifícios e fases difíceis passamos juntos e isso enraíza o sentimento bom, que sempre foi firme na nossa vida. Pegamos boas fases e outras difíceis, mas nunca deixamos a peteca cair”, garante.

Para ele, os colaboradores têm uma “mãezona” que puxa a orelha, mas que também dá o abraço. “Sempre foi assim. Chamo ela de Dona França porque a situação exige, mas gosto mesmo é de chamá-la de imperatriz, porque ela sempre se comportou como uma, colocando as coisas em seu lugar, exigindo o melhor e nos ensinando a ser exigentes e chegar o mais próximo possível da perfeição”, falou emocionado.

Grupo Irmãos Gurgel e a pandemia – Além das lojas AgroBoi, Dona França ainda contabiliza a sociedade de um supermercado e a propriedade de um posto de gasolina entre seus empreendimentos, que somam mais de mil funcionários direitos. As empresas compõem o Grupo Irmãos Gurgel, que também conta com uma empresa de logística para amparar as necessidades das empresas de material de construção.

O supermercado cujo a família detém 50% da sociedade desde 2017 é o Mercale, que possui duas unidades em Rio Branco e já tem projeto de expansão para o ano que vem. “Comoramos o negócio e montamos todo o conceito da empresa, mudamos o nome, houve uma mudança total. E agora vamos expandir o Mercale, já até começamos o projeto de fazer uma unidade de atacarejo. Este novo mercado que deve abrir em meados de 2022 vem para acompanhar a concorrência”, diz a sócia, ressaltando que, ainda assim, seu foco maior é mesmo na AgroBoi.

“Cerca de 100% do meu tempo é dedicado aqui, na AgroBoi. Apesar de ver e me inteirar de muita coisa do supermercado e do posto de combustível (Auto Posto Gurgel), as lojas tomam a maior parte do meu tempo. O posto de gasolina é uma atividade bem mais fácil de gerir”, salienta, completando que todos os sábados visita as lojas pertencentes ao Grupo para verificar a situação dos negócios.

Expandir os negócios para outros setores sempre foi um desejo de França, que conta com o apoio diário dos três filhos (Luciano, Mariana e Gustavo Gurgel) na gestão das empresas. Mariana atua nos setores administrativo e de Recursos Humanos. Gustavo, o caçula, trabalha no Departamento de Compras da AgroBoi e o mais velho, Luciano, também ajuda na parte administrativa das empresas, mas se dedica mais ao Mercale.

Possuir empresas de três segmentos distintos foi um ponto positivo com a chegada da pandemia do novo coronavírus. “Numa pandemia como essa, por exemplo, se você fica muito restrito a um segmento só, acaba sendo prejudicado. Graças a Deus tivemos a sorte de que todos os nossos segmentos continuaram vendendo. Alimentação, material de construção e posto de gasolina foram setores que não foram impactados, pelo contrário, se mantiveram e alguns até tiveram um disparo”, comentou.

No início da pandemia, a empresária reconhece que as famílias ficaram todas muito reclusas em casa e começaram a ver a necessidade de ter um ambiente residencial melhor. “Mudar a sala, fazer uma cozinha melhor porque já não podiam sair tanto. As pessoas deixaram de ir para restaurantes, mesmo agora com esse indício de retorno, diminuiu muito. As pessoas voltaram mais para o interior de suas casas. Nos três ou quatro meses iniciais da pandemia, o material de construção explodiu, disparou”, destaca.

O mesmo ocorreu com a venda no setor de alimentação, o que ocasionou até alta no preço dos produtos e dificuldade de encontrar matéria-prima, uma vez que o consumo aumentou muito e o país não estava preparado para tal situação.  Além disso, a situação pandêmica ainda aproximou os gerentes e coordenadores de todas as lojas em reuniões virtuais. “Antes disso, eu tinha que ir a Porto Velho uma vez por mês, e agora fazemos reuniões constantes de aprimoramento”, salienta.

Todas as semanas a AgroBoi distribui sopas, marmitas e até sacolões. Entre regiões que são beneficiadas com ações sociais da marca estão o Segundo Distrito da capital acreana e a Cidade do Povo.

Relação com o comércio – França não percebe nenhuma rivalidade mais grosseira entre o mercado local no ramo do material de construção. Pelo contrário, observa bastante respeito entre os colegas e acredita ter uma boa relação com os demais empresários do segmento. Ela sabe que o empreendedor desse setor, bem como o de supermercado, é muito ocupado. “São dois segmentos que exigem muito da gente, uma presença constante. A gente entra de manhã e sai na hora que o vigilante vai embora. Em anos atrás ficava sozinha na loja até tarde, hoje não mais por conta da violência. Mas sei que não temos muito tempo para convivência e isso se acentua pelo fato de não participarmos de associações”.

A AgroBoi não é assídua nos movimentos de associação. Para a dona, pode ter relação com o fato de ela ter iniciado sem muito conhecimento na área e ter se dedicado exclusivamente para dentro de sua empresa. “Nunca me sobrou tempo. Faço parte da Federação do Comércio, mas acompanho muito raramente. Sou muito voltada aos meus negócios. Mas penso que o sol nasce para todos e cada um conquista o seu espaço”, afirma.

Ela assegura que existe respeito, cada grupo com seu próprio público. “Hoje você se diferencia pelo atendimento, pelo que você pode prestar ao seu cliente. A Agroboi é muito respeitada e tem um perfil de cliente diferente de outras empresas. Tem um cliente bem mais exigente, por isso a loja tem que ter um padrão. Isso também nos faz investir muito em treinamentos, cursos, nossa preocupação com isso é muito grande, pois temos um nome e temos de manter essa imagem”, diz Dona França.

O grupo entende que todo lugar é bom para empreender, com pontos favoráveis e negativos, a depender de cada empresário. “O mundo é mais competitivo hoje, então se deve fazer uma análise de mercado, procurar entidades que dão apoio, como o Sebrae, fazer um estudo aprofundado”.

Segredo do sucesso e família – Recentemente, Dona França esteve doente e passou alguns meses em São Paulo para tratamento. Na volta aos trabalhos, resolveu mudar o estilo de vida e dedicar mais tempo à família. “Minha vida sempre foi de muita luta. Dava aula em São Paulo, tinha 74 aulas por semana no Estado e mais 15 na rede privada. Tinha uma média de mais de mil provas para corrigir e elaborar no mês. De ônibus, trabalhava dia e noite. Saía de casa às 5 da manhã e chegava meia-noite. Rodolfo, meu marido, vendia carros quando nos conhecemos e depois se tornou representante comercial”, relata.

Por isso, decidiu que uma vez por semana se reúne com uma parte da família em dias diferentes para aproveitar melhor a companhia. “Uma vez na semana almoço com a família na minha casa. Uma vez por semana faço café da manhã só com meus filhos, onde tratamos de negócios também. E uma vez por semana faço jantar com meus netos abaixo de 8 anos. Não vai babá, nem pai, nem mãe. É a noite que eu me dedico a eles”, conta alegre.

Dos 8 netos que possui, dois têm acima de 20 anos e já trabalham na empresa na família. “O fato de eu passar por muita dificuldade quando meu marido e pai dos meus filhos faleceu, acho que fez com que eles [filhos] vissem isso e não me dessem trabalho”. Para não deixar os filhos na adolescência sozinhos, já que dedicava todo seu tempo aos negócios, os colocou num colégio interno de São Paulo. Quando retornaram para o Acre, começaram a trabalhar com a mãe.

Trabalhar com a família tem um lado bom e o ruim. “Acabamos tendo um relacionamento muito comercial. Mas eu procuro destinar algumas horas da semana para o convívio com a família. Não sou uma avó comum, não tenho tempo. Mas faço algo hoje pensando na união da família. Minha preocupação é manter a família unida e os filhos juntos. Procuro compartilhar meu tempo dessa forma com eles, porque é difícil compartilhar o dia a dia”, assegura.

No auge dos 70 anos de vida, Dona França acredita que a determinação é fundamental a quem deseja galgar os passos no ramo empresarial. Acompanhar de perto a empresa e ter amor ao trabalho é item de necessidade básica. “O primeiro passo mesmo é o amor, gostar daquilo que faz. Procuro passar isso para nossos colaboradores, pois passamos a maior parte da nossa vida aqui dentro e se não tiver amor, não conseguimos nada. O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. O sucesso é uma escalada e você vai subindo degrau por degrau”, explica.

Para ela, a honestidade, transparência e bom relacionamento com fornecedores e clientes são seu diferencial. “Nós dependemos dos fornecedores e clientes e ter esse bom relacionamento traz confiança. Ter pontualidade nos negócios. Sempre primamos pela pontualidade no pagamento. Se um boleto for pago com atraso, a pessoa que errou na programação, paga. Só se ganha crédito junto a bancos e fornecedores se você tiver um histórico de pontualidade e num ramo como o nosso, nós precisamos de crédito e para isso, precisamos ser confiáveis”.

Isso é aplicado aos funcionários. “Nunca na história eles receberam com um só dia de atraso. Pagamento aqui é até o 5º dia útil. Tendo ou não tendo dinheiro, a empresa tem que procurar dinheiro no banco. O funcionário tem compromisso e depende daquilo para viver. São fatores que fazem com que nossos colaboradores valorizem o local de trabalho e isso é muito importante”, destaca França.

Apesar de ser paulista, Dona França considera o Acre como sua terra e com toda a experiência criada ao longo do tempo, se sente feliz por finalmente perceber que criou uma sucessão da história da AgroBoi com a família. “Isso tudo vai ser passado para meus filhos. Fico feliz de saber que eu fiz a minha sucessão. Se Deus me levar, a empresa vai ter quem a conduzir”, finaliza.

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