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O fundo de poço da pandemia

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Há quase um século o Planeta não vivia uma crise sanitária global como esta do novo coronavírus. Ela está em todos os continentes e atinge países de diversos contingentes populacionais, níveis de riqueza e realidades sociais. Evidente que o governo brasileiro comete algo de muito mal na gestão dessa crise para que o nosso país seja epicentro da pandemia, com recordes de casos infecção e de mortes por Covid-19. Mais de cem países já proíbem a entrada de brasileiros. Na outra ponta do problema, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que o Brasil é hoje a única grande economia com desaceleração do crescimento. A população paga um alto preço por tudo isso, sobretudo os mais pobres, mas também a chamada classe média.

As estatísticas são alarmantes. 14 milhões de infectados e a média de mais de 3 mil mortes por dia nos aproxima de 400 mil vidas perdidas. E tudo contradiz com as avaliações e estimativas sem base científica feitas nos últimos 13 meses por autoridades brasileiras. Falta coordenação, planejamento e liderança do Governo Federal na condução da pandemia, restando a estratégia de desinformar a população e desviar o foco da mídia e da sociedade para outras questões, inclusive com ameaças ao Estado de Direito e à democracia.

A má condução da pandemia gera incertezas aqui dentro e repercute negativamente fora do país. A comunidade de países já ver o Brasil como um problema mundial, capaz de atrapalhar o controle global da pandemia. A nível interno é notória a queda dos indicadores econômicos, aumento abusivo dos preços dos gêneros alimentícios, combustível, gás, aumento da inflação, do desemprego e crescente empobrecimento da população.

Em artigo publicado no Blog do Instituto Brasileiro de Economia, o pesquisador Fernando Veloso destaca que “a pandemia afeta principalmente os com menor proteção social e baixa escolaridade”. Ele corrobora dados recentes do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), de que a queda do nível de emprego foi maior entre os trabalhadores com menos anos de estudo e que atuam na informalidade.

A FGV também divulgou que 34% dos brasileiros na faixa etária de 20 a 29 anos não estudam nem trabalham. Outros dados assustadores estão no Boletim Folha, de 5 de abril, mostrando que no ano passado a fome atingiu 19 milhões de brasileiros. “Eles estão entre as 116,8 milhões de pessoas que conviveram com algum grau de insegurança alimentar no Brasil nos últimos meses de 2020”. São dados de pesquisa realizada dezembro passado em 2.180 lares de todo o país, pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Pela primeira vez em 17 anos, aumentou o número de pessoas que passam fome no Brasil.

Em 2020, o Auxílio Emergencial injetou 293 bilhões de reais na economia, atendendo 68 milhões de pessoas. Esses recursos irrigaram a economia local e botou comida na mesa de famílias em estado de vulnerabilidade. Mas uma segunda onda da pandemia chegou mais forte e a reação do governo é um novo auxílio correspondente a 15% do valor anterior (43 bilhões de reais, pagos em 4 parcelas) e para apenas 45 milhões de pessoas (23 milhões de pessoas a menos). É como diminuir a dose do remédio quando o doente piora.

A recuperação da economia está condicionada ao enfrentamento consistente da pandemia, com celeridade na vacinação, distanciamento social, restrições de atividades não essenciais, uso de máscara em todos os ambientes, higienização das mãos e campanhas para prevenção do coronavírus. A responsabilidade para tanto cabe aos agentes públicos, mas também é das classes política e empresarial e não dispensa a participação de ninguém. Todos nós temos obrigação de ajudar.

Fora isso, os negacionistas levarão o Brasil ao fundo do poço da pandemia, de onde já estamos próximos.

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