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Contradições nos indicadores de emprego no Acre 

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Em artigo no dia 04/02/2021, destacamos que o Acre obteve a 15ª maior geração de emprego com carteira assinada do país em 2020. Na oportunidade, comentamos que,  mesmo possuindo um PIB que corresponde a somente 0,22% do Brasil, em 2020, o estado foi o responsável pela criação de mais de 3,2% (4.464 novos postos de trabalho) de todo saldo do emprego com carteira assinada no país, ficando à frente de 11 estados e do DF. Por outro lado, na semana passada, o IBGE publicou a Taxa de desemprego do quarto trimestre de 2020 que retratou o Acre com a sétima maior taxa dentre todos os demais estados da federação e do DF. Com uma taxa de 15,5%, o Acre fechou 2020 acima da taxa do Brasil (13,9%) e da Região Norte (12,4%). O nosso estado só foi superado por: Alagoas e Bahia (20%), Rio de Janeiro (19,4%), Pernambuco (19%), Sergipe (18%) e Amapá (15,8%). Como explicar essa dicotomia? Nosso objetivo de hoje será examinar porque o Acre vai tão bem na geração de emprego com carteira assinada e tão mal no emprego em geral. 

Como são extraídos os dados do CAGED e do IBGE

Primeiramente é preciso explicar aos leitores as metodologias utilizadas pelos dados do CAGED e do IBGE. O primeiro é apresentado pelo Ministério da Economia, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED que é um registro permanente de admissões e dispensa de empregados, sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). São informações declaradas por empregadores por meio dos sistemas do governo federal. Portanto, os seus dados são mais restritos porque consideram apenas os empregos com carteira assinada. Os dados do IBGE são publicados através da Pnad Contínua, cuja pesquisa é realizada por amostra em milhares de casas em cerca de 3.500 municípios brasileiros. O IBGE considera desempregado quem não tem trabalho e procurou algum nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram coletados, independentemente de ser emprego com carteira assinada ou não, pois abordam também trabalhadores informais e pessoas que estão em busca de emprego. As divulgações do IBGE são mensais e trimestrais. Os dados trimestrais são os mais completos, pois incluem informações de ocupação por raça, gênero e unidade da federação.

Vamos aos números do Acre de ambas as fontes para os últimos seis anos:

CAGED – Saldo anual do emprego com carteira assinada – 2015 a 2020

Vamos aos números. Tudo indica que o bom desempenho do Acre no CAGED, ou seja, um expressivo saldo no emprego é uma recuperação dos mais de 8 mil empregos com carteira assinada perdidos anualmente, no período 2015/2019, como pode ser observado no gráfico. Embora no mês de janeiro 2021, o Acre tenha obtido um saldo positivo de 332 empregos, não podemos interpretar como uma tendência, precisamos ter cautela pois precisamos ver se as empresas manterão seus funcionários sem programas de auxílio do governo e com as novas medidas de distanciamento social estabelecidas pelo governo estadual, devido ao acirramento da crise pandêmica. A avaliação é que o resultado positivo de 2020, ocorreu, principalmente, por causa de ações do governo federal com o estabelecimento do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que permitiu a redução de jornada ou a suspensão do contrato de funcionários com carteira assinada. O fato é que o fim da garantia de emprego pode aumentar demissões. 

Nos dados do IBGE, a taxa de desemprego no Acre ficou em 15,5% no trimestre entre outubro e dezembro de 2020. Foi a maior taxa desse trimestre da série histórica desde 2015, como pode ser visualizada no gráfico. Fechamos o ano com 55 mil desempregados. O desemprego vem num crescente desde 2015, tendo mais que dobrado em 5 anos, saindo de 26 mil desempregados em 2015 para 55 mil em 2020. Além do mais, ao contrário do emprego com carteira assinada, nos dados do IBGE, observamos que mais de 7 mil trabalhadores ficaram desempregados entre 2019 e 2020.


Na tabela ao lado, destacamos a posição na ocupação dos trabalhadores empregados no final de 2020. Dos 303 mil ocupados, 231 mil estavam, de alguma forma, ocupados no setor privado, correspondendo a mais de 76% dos ocupados. 

Além dos 55 mil desempregados, outros números que aparecem nos dados do IBGE preocupam. É o caso do número de desalentados (pessoas que desistiram de procurar emprego) que aumentou de 42 para 46 mil pessoas entre 2019 e 2020. Outro, é a taxa de informalidade, que embora tenha sido menor que a de 2019, caindo de 48,7% para 46,5%, mas representa 141 mil trabalhadores que estão na informalidade. 

Qual o remédio para a crise do emprego? Diria que vacinação e a recuperação econômica são chaves para retomada do emprego. A geração de empregos, sejam eles formais ou informais só vai acontecer se as dificuldades com a pandemia forem superadas. Dois ingredientes são fundamentais para o retorno dos empregos: aumento da vacinação e aumento dos investimentos públicos. Temos que produzir segurança para o retorno da normalidade econômica.


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas.

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