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Criminoso morre ao trocar tiros com a PM e prefeito decreta ponto facultativo pelo óbito

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O prefeito de Santa Rosa do Purus, Assis Moura, está envolto de uma polêmica perante os moradores da cidade que fica a 298km de distância da capital Rio Branco. É que nesta segunda-feira, 17, ele decretou ponto facultativo no serviço público municipal pela morte de um homem que já foi condenado por homicídio. Francisco Horácio Thaumaturgo Moura, de 31 anos, estava sendo procurado pela polícia e morreu ao trocar tiro com os policiais. O caso causou revolta na população pelo fato de que o condenado só teria sido homenageado com o ponto facultativo porque era sobrinho do ex-prefeito da cidade, José Altamir Thaumaturgo Sá.

O conflito que acabou com a morte de Francisco Horácio aconteceu na tarde do último sábado, 15, quando policiais civis e militares se dirigiram até o ramal do Lixão, onde ele se encontrava, para cumprir seu mandado de prisão. No ano passado, ele foi condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Sena Madureira pelo assassinato de Odimar Gomes Coelho. O atual mandado de prisão preventiva foi expedido pelo Juiz Fábio Alexandre Faria, da Comarca de Sena, e teria como razões os crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Quando os policiais chegaram ao local, Horácio teria atirado contra os agentes de segurança, que para resguardar suas vidas, repeliram a agressão. Durante a troca de tiros, Horácio acabou sendo atingido. Apesar de socorrido imediatamente pelos policiais, acabou morrendo antes de ser transferido para Rio Branco.

Para evitar outros problemas, o policiamento no município teve que ser reforçado com um envio de uma equipe de policiais militares do 8º Batalhão de Sena Madureira para Santa Rosa do Purus.

Decreto que gerou revolta

Após o conflito, a prefeitura divulgou uma nota comunicando que nesta segunda feira, 17, seria Ponto Facultativo nos órgãos municipais em decorrência do falecimento de Horácio Taumaturgo de Moura. “A Administração Municipal se solidariza com os familiares pela perda e presta suas condolências às famílias Moura e Taumaturgo”, diz o documento.

Foi então que moradores do município reclamaram da atitude do prefeito. “Isso é um absurdo. A gestão pública com tanto problema parar por causa da morte de um bandido que atirou contra os policiais. E se um policial tivesse morrido? A gente sabe que é quase uma tradição aqui no município decretar ponto facultativo nesses casos, mas isso só deve acontecer para as pessoas de bem”, disse um morador que preferiu não se identificar.

O ac24horas entrou em contato com o prefeito de Santa Rosa, Assis Moura. Extremamente nervoso e demonstrando completo despreparo emocional para o cargo, o prefeito não quis responder às perguntas da reportagem, se interessando apenas em saber quem teria feito a denúncia.

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Enfermeiro acreano é vacinado contra a Covid-19 em Viena, na Áustria

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Jairo Antrobus, de 32 anos, foi um dos primeiros acreanos a serem vacinados contra o novo coronavírus no mundo. Ele é enfermeiro no Hospital of the Brothers of St. John of God, em Viena, nas Áustria, e neste sábado, 16, recebeu a primeira dose do imunizante desenvolvido pela Pfizer em parceria com a BioNTech, distribuído pelo governo local.

Ele mora em Viena desde de 2009 e é formado em enfermagem pela Universidade de Ciências Aplicadas de Viena. A segunda dose do imunizante está prevista para ser tomada daqui 21 dias.

“Fiquei emocionado, esperei bastante por esse dia, foi o dia do começo da volta à normalidade. Fiquei feliz. Em breve posso me encontrar com todos meus amigos vacinados, sem medo de contagiá-los ou ser contagiado. Sentir aquele abraço novamente, sem preocupação”, disse Jairo, após tomar o imunizante da Pfizer em parceria com a BionNtech.

Em relação aos efeitos colaterais da vacina, Jairo revelou que sentiu apenas um desconforto no local onde foi aplicado o imunizante.

“Eu fui vacinado ontem [sábado] e senti apenas o desconforto no lugar da injeção algumas horas depois, mas é algo normal de toda injeção. Hoje já está melhor. A de tétano que tomei em setembro doeu bem mais”, explicou.

Calendário de vacinação

Jairo Antrobus conta que a primeira fase da imunização teve início dia 27 de dezembro com idosos nos lares de idosos e, em janeiro, foram incluídos os profissionais de saúde.

Feliz, Jairo explicou que a fase 2 da imunização começa em fevereiro onde serão vacinados todos idosos e pessoas com outras doenças como diabetes, que podem desenvolver por causa da comorbidade um caso sério da Covid-19.

A fase 3 começa no final de março e será a vacinação em massa da população. A vacina é grátis e não é obrigatória. De acordo com o calendário, a população da Áustria deve voltar à normalidade em julho deste ano.

Batalha pela vida

Em entrevista ao ac24horas, Jairo Antrobus, revelou que trabalha numa unidade responsável pela admissão de casos suspeitos de coronavírus que encaminha os casos comprovados para tratamento de casos do coronavírus.

Ele conta que a vacinação, mesmo não sendo obrigatória, teve adesão de 80% dos funcionários do hospital que já tinham se inscrito para receber o imunizante em dezembro.

“A vontade dos outros aumentou ainda mais agora depois que começaram a vacinar. No lar dos idosos, a taxa de aceitação foi grande”, afirmou.

No começo da pandemia, Jairo contou que trabalhava num lar de idosos com um grupo com pacientes com Alzheimer.

“Foi um período muito difícil pra todos nós, tanto profissionais como para os idosos, as visitas foram proibidas, muitos se sentiam sozinhos, alguns com demência não entendiam o que tava acontecendo, tentar manter distância entre eles era difícil, muitos choravam, o abraço que a gente sempre dava, aquele abraço reconfortante não existia.  O lar dos idosos comprou vários tablets e criou um Skype pra família ligar pros idosos, ajudamos a ligarem com os próprios telefones também.  Depois comecei a trabalhar no hospital, numa estação multidisciplinar e todo paciente que era admitido de forma aguda, sem planejamento eram vistos com bastante cuidado, então eu tinha que me vestir com todo o equipamento. O trabalho não tinha mais aquele momento pra relaxar com os amigos na hora do lanche, da pausa, só podia ficar um na sala comendo. Só existia trabalho e a vida social pra mim era só no hospital, eu não encontrava meus amigos mais com frequência, só quando eu era testado. O que mais me marcou nessa época foi acompanhar pacientes em cuidados paliativos, pacientes nos seus últimos dias, é triste… Pessoas que neste momento não podiam mais receber a família toda, que só podia receber uma hora de visita…Uma paciente morreu assim que eu saí do quarto sem ter visto a filha dela, porque a situação dela piorou rapidamente e a visita foi liberada, mas ela não conseguiu chegar a tempo. É difícil não ter tanta liberdade e segurança pra pegar na mão de uma pessoa dessa nos últimos dias e passar um pouco de empatia, de amor. Essa pandemia é séria, nos afastamos de pessoas que amamos, que cuidamos, sem saber quando vamos voltar a vê-las. Isso mexe muito com o psicológico, tá dentro, rever pacientes que um dia estavam sorrindo e agora estão precisando de 10l de oxigênio”, contou.

Movimento Antivacina

Em relação ao movimento antivacina, Jairo explicou que não é só no Brasil que ocorre essa campanha e que o governo austríaco também enfrentou esse movimento.

“Aqui também há pessoas contra a vacinação, mas o governo lançou muitos canais para as pessoas tirarem as dúvidas e dessa forma se sentirem mais seguras”, salientou.

Lockdown e outras medidas

Durante a pandemia, Jairo lembra que o governo austríaco realizou três “lockdown” para tentar diminuir os números de casos de infecção pelo coronavírus.

“Quase tudo fechou, só ficou aberto: mercados, farmácias e serviços essenciais. O Governo incentivou o home office para quem era possível, para outros casos, fez acordos com as empresas e continuou pagando 80% do salário e a empresa 10% para evitar demissões, no total as pessoas recebiam ainda 90% do salário, o aluguel social não teve aumento anual. Receitas médicas foram enviadas para um sistema e a pessoa só ia lá com o cartão de saúde e no sistema já tinha a receita, pra evitar ter que ir no médico buscar uma receita para alguma doença crônica já em tratamento. Só poderia sair pra cuidar de alguém, trabalhar quem deveria e também tinha controle aqui e acolá. Estudantes receberam tablets para aula a distância. Pais que não poderiam cuidar dos filhos ainda poderiam levar pra escola, tipo creche, elas ficaram abertas”, salientou.

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“Nós estamos a postos para atender nossa população”, diz Bocalom sobre a vacina

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O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, ficou muito feliz pelo fato da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter autorizado neste domingo,17, por unanimidade, o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxford contra a Covid-19, e pelo governador do Estado, Gladson Cameli, ter sido chamado para receber as doses que vêm para o Acre.

“Que bom que nossa população já poderá contar com essa vacina. Nós da prefeitura estamos a postos para ajudar no que for necessário. A secretaria municipal de Saúde e nossos profissionais estão prontos para iniciar a vacinação, dos grupos de pessoas selecionados pelo Ministério da Saúde. Já orientei ao secretário Frank Lima que tome todas as providências, e siga todos os protocolos para que nossa população receba um atendimento especial e que todo trabalho tenha êxito”, concluiu o prefeito.

Autorização

A Diretoria Colegiada da Anvisa (Dicol) aprovou neste domingo a autorização temporária de uso emergencial da vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e da vacina Covishield, produzida pela farmacêutica Serum Institute of India, em parceria com a AstraZeneca/Universidade de Oxford/Fiocruz.

As decisões serão publicadas e comunicadas às duas instituições ainda hoje. Com relação à CoronaVac, em especial, a autorização foi condicionada ainda à assinatura de um Termo de Compromisso e sua respectiva publicação no Diário Oficial da União (D.O.U.).

Tanto a Fiocruz quanto o Instituto Butantan devem dar continuidade aos estudos e à geração de dados para permitir o registro sanitário na Anvisa. Da mesma forma, ambos precisam manter o monitoramento da segurança das vacinas, fundamental para garantir que os benefícios continuem a superar os riscos para as pessoas que recebem vacinas contra Covid-19. A Anvisa, como órgão regulador federal, pode revisar e ajustar as condições para o uso emergencial frente a resultados que sejam considerados relevantes, inclusive dados e informações provenientes de autoridades reguladoras internacionais.

FONTE: ASCOM PMRB

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Anvisa autoriza uso emergencial das vacinas Coronovac e de Oxford contra a Covid-19

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou neste domingo (17), por unanimidade, o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxford contra a Covid-19. A reunião que discutiu o tema durou cerca de 5 horas.

Os diretores acompanharam o voto de Meiruze Freitas, relatora dos pedidos. No caso da Coronavac, a diretora condicionou a aprovação à assinatura de termo de compromisso e publicação em “Diário Oficial”.

Segundo a Anvisa, somente o termo de compromisso assinado pelo Instituto Butantan precisa ser publicado no “Diário Oficial da União”, o que pode acontecer ainda neste domingo (17) em edição extra. De acordo com a agência, o termo já está pronto e será enviado ao instituto para ser assinado e publicado assim que assinado.

O termo de compromisso prevendo o envio, até o dia 28 de fevereiro, dos resultados sobre a imunogenicidade da CoronaVac foi uma das exigências da relatora do processo para o uso emergencial. A imunogenicidade é a capacidade que uma vacina tem de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos.

Ao proclamar o resultado, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou:

“A imunidade com a vacinação leva algum tempo para se estabelecer. Portanto, mesmo vacinado, use máscara, mantenha o distanciamento social e higienize suas mãos. Essas vacinas estão certificadas pela Anvisa, foram analisadas por nós brasileiros por um tempo, o melhor e menor tempo possível. Confie na Anvisa, confie nas vacinas que a Anvisa certificar e quando ela estiver ao seu alcance vá e se vacine.”

Durante a reunião, a relatora Meiruze Freitas declarou:

“Quanto à vacina Coronavac, desenvolvida pelo instituto Butantan, voto pela aprovação temporária do seu uso emergencial condicionada a termo de compromisso e subsequente publicação de seu extrato no DOU. Quanto à vacina solicitada pela Fiocruz, voto pela aprovação temporária de seu uso emergencial referente a 2 milhões de doses”, votou a relatora.

“Guiada pela ciência e pelos dados, a equipe concluiu que os benefícios conhecidos e potenciais dessas vacinas superam seus riscos. Os servidores vêm trabalhando com dedicação integral e senso de urgência”, acrescentou Meiruze Freitas.

Segundo Leonardo Filho, estatístico da Anvisa, a eficácia da Coronavac é de 50,4%, em percentual arredondado. Segundo o gerente de Medicamentos, Gustavo Mendes, a eficácia da vacina de Oxford é de 70,42%.

Durante apresentação dos dados, Gustavo Mendes informou ainda que a área técnica da Anvisa recomendou a aprovação do uso emergencial das duas vacinas, “condicionada ao monitoramento das incertezas e reavaliação periódica”. Mendes também ressaltou que há aumento no número de casos e ausência de alternativas terapêuticas.

O pedido sobre a Coronavac foi apresentado em 8 de janeiro pelo Instituto Butantan e é referente a 6 milhões de doses importadas, produzidas pela farmacêutica chinesa Sinovac. O Butantan também desenvolve a vacina no Brasil.

O pedido sobre a vacina de Oxford foi apresentado em 8 de janeiro pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e é referente a 2 milhões de doses importadas do laboratório Serum, da Índia, que produz a a vacina desenvolvida pela universidade do Reino Unido e pelo laboratório AstraZeneca. A Fiocruz também desenvolve a vacina no Brasil.

O voto da relatora

Durante o voto, a relatora destacou que o Brasil responde por 10% das mortes registradas no mundo por Covid-19 e lembrou que não há alternativa terapêutica para combater a doença (veia o vídeo abaixo).

“Até o momento não contamos com alternativa terapêutica aprovada para prevenir ou tratar a doença causada pelo novo coronavírus. Assim, compete a cada um de nós, instituições públicas e privadas, sociedade civil e organizada, cidadão, cada um na sua esfera de atuação tomarmos todas as medidas ao nosso alcance para no menor tempo possível diminuir o impacto sobre a vida do nosso país”.

Meiruze Freitas afirmou ainda que os benefícios das duas vacinas superam eventuais riscos.

“Ressalvadas algumas incertezas ainda existentes pelo estágio de desenvolvimento das vacinas em apreço, os benéficos conhecidos e potenciais das duas candidatas superam os riscos potenciais trazido em cada uma delas. Entretanto, ambas atendem aos critérios de qualidade e segurança para uso emergencial. Faço uma ressalva quanto a Coronavac, que requer dados complementares quanto à imunogenicidade”, declarou.

Em seu voto, a relatora condicionou o uso emergencial da CoronaVac a um termo de compromisso do Instituto Butantan de enviar até o dia 28 de fevereiro os resultados sobre a imunogenicidade, que é a capacidade que uma vacina tem de estimular o sistema imunológico e produzir anticorpos.

A questão da imunogenicidade foi uma das ressalvas levantadas pela área técnica, que afirmou que não foi possível avaliar a quantidade de anticorpos produzidos após a vacina e a duração da imunização.

Comportamento social

No início da reunião deste domingo, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, fez um breve discurso no qual afirmou que, mesmo com o desenvolvimento de vacinas, a vitória sobre o coronavírus passa pela mudança do “comportamento social”.

“O momento é de conscientização, união e trabalho. O inimigo é um só. A nossa chance, a nossa melhor chance nesta guerra passa, obrigatoriamente, pela mudança de comportamento social, sem a qual, mesmo com vacinas, a vitória não será alcançada”, declarou.

Desde o início da pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS), autoridades sanitárias e especialistas recomendam como formas de evitar a disseminação ainda maior do coronavírus o uso de máscara; a higienização das mãos; o distanciamento social; e evitar aglomerações, por exemplo.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro critica o uso de máscara e participa de aglomerações, contrariando as orientações médicas.

Análise da Coronavac

O gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Lima Santos, afirmou durante a apresentação que, apesar das incertezas e dados ainda não apresentados pelo Instituto Butantan, a gerência de medicamentos recomenda a aprovação o uso emergencial da CoronaVac.

“Tendo em vista o cenário de pandemia, tendo em vista o aumento de número de casos e tendo em vista a ausência de alternativas terapêuticas. A situação que estamos vivendo é uma situação de muita preocupação e muita tensão por conta dos insumos necessários, a gerência-geral recomenda a aprovação do uso emergencial”, afirmou. Santos destacou que a recomendação é para a aprovação seja condicionada ao monitoramento e acompanhamento das incertezas e reavaliação periódica.

Durante a reunião, Santos destacou uma série de dados que ainda não foram apresentados para a Anvisa e outros que ainda precisam de mais análises.

Entre os dados que não foram apresentados, destacou, está a análise quantitativa da imunogenicidade, que é a capacidade que uma vacina tem de estimular o sistema imunológico e produzir anticorpos.

Segundo o gerente de medicamentos, os dados só mostram se houve a produção de anticorpos ou se não houve, mas não detalha a quantidade de anticorpos. “O único apresentado foi de qualitativa, se sim ou se não, e isso não foi considerado adequado para a nossa avaliação de imunogenicidade”, disse.

Santos também destacou que os dados apresentados não foram suficientes para permitir uma conclusão sobre o efeito em formas moderadas e graves da doença, já que o número de casos foi muito baixo.

Análise da vacina de Oxford

A Gerência-Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa também recomendou a aprovação do uso emergencial da vacina de Oxford.

Gustavo Lima Santos fez as mesmas ponderações que apresentou ao recomendar a aprovação da Coronavac, destacando o cenário atual da pandemia da Covid-19, o aumento do número de casos e a ausência de alternativas terapêuticas.

Santos também destacou que é preciso monitorar as incertezas citadas durante a apresentação, entre elas o fato de que o uso emergencial foi pedido para a vacina produzida pelo Instituto Serum, que tem uma origem diferente da vacina do laboratório da AstraZeneca.

“O banco de semente de vírus mestre do Instituto Serum é diferente da AstraZeneca, o que significa que os produtos gerados por esses dois fabricantes têm origem direta diferente, e isso pode constituir produtos diferentes”, afirmou.

Ele destacou, no entanto, que a empresa alega que as vacinas são comparáveis, mas a Anvisa ainda tem incerteza quanto a isso.

Outras dúvidas apresentadas durante a a apresentação referem-se à eficácia da vacina na população com mais de 65 anos e nas formas graves da doença. “Os dados são insuficientes, o que a gente pode afirmar é que existe uma tendência favorável contra as formas graves”, disse.

Análise dos pedidos

Conforme a Anvisa, os diretores analisam os pareceres elaborados por três áreas técnicas, que somam 50 pessoas.

Os pareceres são divididos entre as equipes que atuam em:

Registro de medicamentos;

Certificação de boas práticas de fabricação;

Farmacovigilância de medicamentos (monitoramento do produto no mercado).

De acordo com a Anvisa, após a votação da diretoria colegiada, a decisão passa a valer a partir da publicação do resultado e da notificação da entidade que apresentou o pedido. Durante a análise, os diretores vão avaliar os seguintes itens:

Qualidade;

Boas práticas de fabricação;

Estratégias de monitoramento e controle;

Resultados provisórios de ensaios clínicos.

Ainda de acordo com a agência, quem entrou com o pedido precisa comprovar que a fabricação e a estabilidade do produto garantem a qualidade da vacina.

Se aprovado, o imunizante com uso emergencial liberado não pode ser comercializado, somente distribuído no sistema público de saúde. A liberação pode ser revogada pela Anvisa a qualquer momento.

Disputas políticas

As vacinas também envolvem uma disputa política entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro. Em outubro, o presidente chegou a dizer que o governo federal não compraria a Coronavac.

No começo de janeiro, porém, o Ministério da Saúde informou assinou um contrato com o Instituto Butantan para adquirir todas as 100 milhões de doses que o órgão produzir.

Um avião brasileiro estava previsto para decolar na sexta-feira (15) para a Índia, mas o voo foi adiado por “problemas logísticos internacionais”. O adiamento ocorreu depois que o governo indiano dizer que não poderia dar uma data para a exportação de vacinas produzidas no país.

Depois do adiamento do voo, que buscaria as duas milhões de doses, o Ministério da Saúde pediu que o Instituto Butantan entregasse todas as 6 milhões de doses da Coronavac disponíveis.

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Após aprovação da Anvisa, SP aplica 1ª dose da CoronaVac antes do início do plano nacional

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O governo de São Paulo aplicou a primeira dose da CoronaVac na tarde deste domingo (17), após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial da vacina contra a Covid-19.

A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, moradora de Itaquera, na Zona Leste da capital paulista, foi a primeira pessoa, fora dos estudos clínicos, a receber a vacina.

Mulher, negra, Mônica faz parte do grupo de risco para a doença, e atua na linha de frente contra Covid-19 no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Ela foi voluntária da terceira fase dos testes clínicos da CoronaVac realizados no país e tinha recebido placebo.

Após ser imunizada, ela recebeu do governador João Doria (PSDB) um selo simbólico com os dizeres “Estou vacinado pelo Butantan” e uma pulseira com a frase “Eu me vacinei”.

A aplicação foi feita no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e foi acompanhada pelo governador João Doria (PSDB).

A enfermeira Jéssica Pires de Camargo, de 30 anos, funcionária do Controle de Doenças e Mestre de Saúde Coletiva pela Santa Casa de São Paulo, foi responsável por aplicar a dose.

O segundo a ser vacinado foi o enfermeiro Wilson Paes de Pádua, de 57 anos, do hospital Vila Penteado, na Zona Norte. “Estou muito feliz, acho que nós temos que lutar pela vacina, lutar pela ciência, para melhorar a saúde e sair dessa pandemia. Me sinto muito orgulhoso e feliz desse momento”.

Ele contou que perdeu colegas e foi infectado pela Covid-19 em junho, enquanto atuava na linha de frente da pandemia. “Pensei que ia morrer, tinha momentos que rezei para Deus pensando que estava partindo”.

Aprovação

Na tarde deste domingo (17), a diretoria da Anvisa aprovou, por unanimidade, a liberação do imunizante para uso emergencial, seguindo a recomendação apresentada pela área técnica.

Os diretores acompanharam o voto de Meiruze Freitas, relatora dos pedidos. No caso da Coronavac, a diretora condicionou a aprovação à assinatura de termo de compromisso e publicação em “Diário Oficial”.

A decisão passa a valer a partir do momento em que houver a comunicação oficial ao laboratório. Ela será publicada no portal da Anvisa, no extrato de deliberações da Diretoria.

O pedido sobre a Coronavac foi apresentado em 8 de janeiro pelo Instituto Butantan e é referente a 6 milhões de doses importadas, produzidas pela farmacêutica chinesa Sinovac. O Butantan também desenvolve a vacina no Brasil.

Durante a apresentação dos dados, o gerente de medicamentos da Agência, Gustavo Mendes, fez críticas ao atraso no envido de dados do Instituto Butantan.

Ele também considerou como pontos de incerteza o número de idosos testados, a falta de informações sobre os intervalos entre a primeira e a segunda dose de todos os pacientes testados.

Com a aprovação o Brasil, se tornará o quarto país a iniciar o uso emergencial do fármaco, após China, Indonésia e Turquia.

Ministério da Saúde

Após a recomendação favorável da área técnica, o governador João Doria disse, em postagem nas redes sociais, que o Instituto Butantan irá entregar as vacinas ao Ministério da Saúde, responsável pela distribuição do imunizante no país.

“Determinei que tão logo a Anvisa aprove o uso emergencial da Vacina do Butantan, o Instituto Butantan entregue imediatamente as vacinas ao Ministério da Saúde para que sejam distribuídas a SP, DF e todos os estados brasileiros. O Brasil tem pressa para salvar vidas”, diz a publicação.

Nesta sexta (15), o Ministério da Saúde pediu ao Butantan a entrega ‘imediata’ de 6 milhões de doses prontas da Coronavac, que estão em poder do instituto e foram importadas do laboratório Sinovac, da China, parceiro do Butantan na produção do imunizante.

Através de ofício, o ministério informou que o montante é referente ao contrato de R$ 2,6 bilhões, firmado entre o órgão federal e o laboratório paulista para a inclusão da Coronavac no Programa Nacional de Imunização (PNI).

O Butantan já tinha prometido entregar as doses após a Anvisa autorizar o uso emergencial da vacina, mas questionava o Ministério da Saúde sobre quantas doses da CoronaVac serão destinadas ao estado de São Paulo no PNI.

A gestão João Doria (PSDB) estima que o estado de São Paulo tem direito a cerca de 1,5 milhão de doses – o cálculo é feito com base no tamanho da população do estado.

Disputa política

A CoronaVac envolve uma disputa política entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro. Em outubro, o presidente chegou a dizer que o governo federal não compraria a Coronavac.

No começo de janeiro, porém, o Ministério da Saúde informou assinou um contrato com o Instituto Butantan para adquirir todas as 100 milhões de doses que o órgão produzir.

A proposta anunciada pelo Ministério da Saúde a prefeitos era começar a vacinação na quarta-feira (20) após a liberação do uso emergencial pela Anvisa. O governo pretendia iniciar a vacinação com as duas milhões de doses da vacina da AstraZeneca, produzidas na Índia.

Um avião brasileiro estava previsto para decolar na sexta-feira (15) para a Índia, mas o voo foi adiado por “problemas logísticos internacionais”. O adiamento ocorreu depois que o governo indiano dizer que não poderia dar uma data para a exportação de vacinas produzidas no país.

Depois do adiamento do voo Ministério da Saúde pediu que o Instituto Butantan entregasse todas as 6 milhões de doses da Coronavac disponíveis.

Eficácia da CoronaVac

Os testes da CoronaVac no Brasil foram feitos em 12.508 voluntários – todos profissionais de saúde da linha de frente do combate ao coronavírus – e envolveram 16 centros de pesquisa.

A vacina registrou 50,38% de eficácia global nos testes realizados no país, índice que aponta a capacidade do imunizante de proteger em todos os casos – sejam eles leves, moderados ou graves.

O número mínimo recomendado pela OMS, e também pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é de 50%.

Na prática, a CoronaVac tem potencial de:

– reduzir pela metade (50,38%) os novos registros de contaminação em uma população vacinada;

– reduzir a maioria (78%) dos casos leves que exigem algum cuidado médico.

– Além disso, nenhum dos vacinados ficou em estado grave, foi internado ou morreu.

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